Significado de Isaías 5

Significado do Livro de Isaías

Isaías 5

5.1-7 — O Cântico da vinha de Isaías está dividido em três partes:
(1) apresentação da alegoria (v. 1, 2);
(2) acusação e sentença contra Judá (v. 3-6);
(3) interpretação da alegoria (v. 7; ver SI 80.8-16).

Consiste de uma acusação feita por Isaías (v. 3 ,4 ) e da sentença, proferida pelo próprio Senhor (v. 5,6).

5.1-3 — Judá é comparada a uma vinha que tinha tudo para dar certo. O fato de não dar frutos, portanto, justifica o juízo de Deus (Is 1.2,3). Meu querido e meu amado são expressões de carinho de Isaías para se referir ao Senhor.

5.2 — O Senhor, o verdadeiro Vinhateiro, havia feito de tudo para adequar o solo à produção de uvas de qualidade. O termo uvas bravas significa coisas que exalam mau cheiro (v. 4). Esse resultado foi tão inesperado quanto a proliferação de filhos rebeldes (Is 1.2-4).

5.3 — Minha vinha. O pronome possessivo indica o amor e o orgulho que Deus tinha de Sua propriedade — a nação de Israel. Por isso, Ele ficou tão desapontado com sua infertilidade.

5.4 — Que mais se podia fazer? Quando um relacionamento humano dá errado, espera-se que ambas as partes assumam uma parcela da responsabilidade. Quando o relacionamento é entre Deus e Seu povo, porém, a culpa é só do povo. O Senhor fez tudo por eles — desde instruí-los até assentá-los na Terra Prometida.

5.5 — Vos farei saber. Deus não estava pedindo permissão, e sim alertando Seu povo.

5.6 — Sarças e espinheiros simbolizam a anarquia (Is 3.4,5) que tomará conta da terra após o exílio.

Nuvens. Conforme Deus prometeu ao firmar aliança com Israel no monte Sinai, haverá chuva o bastante se o povo for obediente e fiel a ele, mas caso se rebele, a chuva seria retida (Dt 28.12,23,24).

5.7 — Juízo e opressão são palavras que soam parecidas em hebraico, assim como justiça e clamor. Escolher palavras que soem de forma semelhante é um recurso comum na poesia hebraica.

5.8-30 — Essa profecia consiste de seis acusações ou ais que especificam os pecados das uvas bravas (v. 2,4) e a natureza de seus atos opressores: ganância (v. 8), libertinagem (v. 11,12), cinismo (v. 18,19), perversão (v. 20), arrogância (v. 21) e injustiça (v. 22,23). A esses pecados acrescentam-se profecias de juízo, que preveem desolação (v. 9,10), cativeiro ou morte para os líderes arrogantes (y. 13,14) e humilhação geral (y. 15). H á também uma descrição do exército vencedor (v. 26-30).

5.8 — Até que [...] a terra. Os latifundiários gananciosos almejavam o controle de todas as terras produtivas de Israel. No entanto, o campo, que não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha (Lv 25.23), foi dado como herança do Senhor para todo o povo (Nm 27.7-11). Destituídos das terras de seus ancestrais, restou aos cidadãos de Israel conformar-se em ser boias-frias ou escravos: agora trabalham no que já foi sua herança de família.

5.9,10 — Os invasores são capazes de destruir mansões, mas só Deus pode trazer a seca subentendida nesses versículos. Ainda assim, ambas as calamidades serão juízos provenientes de Sua mão.

5.9 — Sem moradores é uma expressão que também se encontra em Isaías 6.11.

5.10 — Um bato equivale a cerca de 23 litros. Um ômer corresponde a cerca de 210 litros. Umefa é a décima parte de um ômer. O fruto da terra será muitíssimo escasso na ocasião ào juízo divirto.

5.11,12 — A ganância (v. 8) tem estreita ligação com o estilo de vida desregrado e egocêntrico.

5.11 — Esse versículo condena com veemência o abuso da bebedice (cerveja) e do vinho (v. 22). Um exemplo contrastante do vinho, no qual essa bebida é apresentada num contexto positivo, representando a salvação concedida por Deus, pode ser lido em Isaías 55.1. Os esquenta. O padrão na vida dos reis ímpios é a dissipação.

5.12 — Harpas, e alaúdes. Para uma ilustração semelhante, leia Salmos 33.2. A música, no antigo Israel, servia tanto para louvar ao Senhor quanto para animar os banquetes. O vinho fazia parte do banquete nos tempos bíblicos (Pv 9.2; Jo 2.10). Aqui, seus banquetes significa suas festas regadas a bebida.

Não olham [...] nem consideram. O povo está cego para a realidade das obras que Deus realiza em seu meio (SI 10.4). A obra do Senhor diz respeito também à justiça, o que implica salvar os oprimidos e castigar os tiranos (v. 24,25).

5.13 — Será levado cativo. Esse é o futuro reservado para o povo rebelde — eles ainda não foram levados para o cativeiro. O entendimento refere-se a um envolvimento pessoal com algo ou alguém. A sede será o castigo pelo crime de exagero nas bebidas alcoólicas (v. 11,12).

5.14 — Sepultura no original é Sheol, termo poético que descreve o mundo dos mortos. Aqui ela é comparada a uma bocarra aberta que devora a elite e as massas, sem distinção. O Sheol é representado por um monstro voraz em Provérbios 1.12; 27.20.

5.15,16 — Para a exaltação exclusiva do Senhor, veja Isaías 2.9,11,17.0 juízo sobre os ímpios é uma forma de exaltação divina.

5.15 — Os olhos dos altivos é uma referência aos orgulhosos, que não respeitam a Deus (SI 147.6).

5.16 — O termo hebraico traduzido por santificado deriva de um verbo que significa tornar santo e basicamente significa ser distinto, ser retirado, ser separado, expressões que descrevem a transcendência do Senhor em Sua majestade e glória.

5.17 — Mansões cercadas de vinhas exuberantes serão lugares pisados, onde cordeiros e animais gordos, preparados para o sacrifício, alimentam-se.

5.18,19 — Os que zombam da alegação de Isaías de que o dia do Senhor chegará não estão simplesmente recaindo no pecado, e sim trabalhando em prol da iniquidade, como se a transportassem em carros. Isaías dá ao seu filho o nome Apresse-se a destruição, acabe o butim (Is 8.3), talvez em parte para responder a esse desafio (Is 5.26).

5.20 — Ao mal chamam bem. Quem perverte a avaliação divina do que é bom, considerando bem o que é mal, está trilhando um caminho perigoso, que conduz ao juízo.

5.21 — Na fonte da corrupção moral, social e teológica denunciada nesta profecia está se achar sábio a seus próprios olhos — um egotismo insensível e arrogante.

5.22 — Poderosos para beber vinho. O versículo 11 fala do exagero no uso do vinho. A bebida forte é, provavelmente, a cerveja.

5.23 — Presentes. A perversão da justiça pelo suborno é um mal gravíssimo, com resultados catastróficos para a sociedade.

5.24 — Quando a vinha que só dá uvas amargas for julgada, os perversos serão eliminados sem misericórdia.

5.25 — As montanhas — que parecem inabaláveis — tremeram, e até mesmo o mar fugiu perante a fúria do Senhor (SI 114.3,7). Seus cadáveres. Eis um quadro chocante dos inimigos derrotados de Deus (Is 34.3; 66.24). A ira do Senhor não tornou atrás, mesmo após a execução de seus terríveis juízos (v. 24,25). A sua mão. Nas Escrituras, a mão de Deus quase sempre é um símbolo de Sua graça e salvação (Ex 15.6). Quão trágico é que essa mão seja estendida para castigar Seu povo!

5.26 — O exército assírio, em grande parte com posto de mercenários [soldados contratados por dinheiro] (Mq 4.11-13), literalmente pisoteou (v. 5) a aprazível terra de Israel.

Assobiará. O Senhor é quem controlará esse exército convocado para exercer juízo. Partirá de Deus o sinal para invadir (Is 7.18).

5.27-29 — Os preparativos do exército assírio estão concluídos; os soldados estão alinhados em ordem de batalha, prontos para começar a guerra (Is 40.30,31).