2015/09/22

Significado de Colossenses 1

Significado de Colossenses 1
Significado de Colossenses 1

Colossenses 1
1.1 - Paulo considera-se apóstolo, uma palavra cuja raiz significa enviar. Esse termo grego foi usado pela primeira vez como referência a um navio ou uma frota de carga, porém, mais tarde,como símbolo de um comandante de uma frota. O Novo Testamento emprega o vocábulo com o sentido de um porta-voz aprovado e enviado como um representante pessoal. Embora nem todo cristão seja chamado por Deus para ministrar como Paulo ou como os 12 apóstolos, todo cristão é enviado por Ele para representá-lo diante das pessoas com quem chega a ter contato. Pela vontade de Deus refere-se à designação divina de Paulo. Não foram os 12, os líderes religiosos ou sua família que o designaram - nem foi ele mesmo. Essa é uma afirmação de sua autoridade divina, uma declaração de sua independência de toda autoridade humana, e ele renuncia a qualquer mérito individual ou poder pessoal. E o irmão Timóteo. Timóteo não era um apóstolo, mas um irmão. Esse companheiro de confiança estava com Paulo em Roma. Como um gesto de cortesia, Paulo o inclui na saudação. Timóteo era filho espiritual de Paulo (1 Tm 1.2,18; 2 Tm 1.2; 1 Co 4.17).

1.2 - O termo grego traduzido por santos significa povo santo. A essência da santidade é estar separado para Deus. Todos os cristãos são santos, não porque sejam perfeitos, mas porque pertencem ao Altíssimo. A expressão em Cristo é a favorita do apóstolo Paulo, usada cerca de 80 vezes em suas cartas. Ele via toda a experiência cristã como fruto da posição do cristão em Cristo. Graça e paz. O apóstolo combina a palavra grega empregada para graça com a saudação hebraica padrão: paz. Ele amplia e aprofunda o que quer dizer ao lembrar seus leitores de que a maior fonte de graça e perfeição está em Deus, nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo (Rm 1.7).

1.3 - Paulo revela a cuidadosa preocupação que tem com estes cristãos, por quem ele está orando sempre. Essa expressão comum do apóstolo (Ef 1.16; Fp 1.4; 1 Ts 1.2), que combina oração intercessora e ações de graças, significa que, toda vez que orava, intercedia pelos colossenses e oferecia louvores pela obra do Senhor entre eles.

1.4-8 - Fé, caridade e esperança. Muitas vezes, Paulo usa esses três termos juntos (Rm 5.2-5; 1 Co 13.13; 1 Ts 1.3; 5.8). A fé está em Cristo – e esse é o tema principal da passagem. A fé que os colossenses possuíam estava alicerçada na natureza e na obra de Jesus Cristo. A caridade flui da fé e prova a genuinidade da fé própria de alguém (Tg 2.14-26). O amor sacrificial dos colossenses para com todos os santos provava que eles, realmente, criam em Cristo. A esperança refere-se ao resultado da fé, a riqueza reservada nos céus, onde nossa fé encontrará seu cumprimento na presença de Cristo. Epafras também é mencionado em Colossenses 4-12 e Filemom 1.23. Epafras possivelmente era convertido e companheiro de Paulo na prisão. E muito provável que tenha dado início à igreja em Colossos, sua cidade natal.

1.9-12 - A oração de Paulo pelos cristãos colossenses é um modelo para nós. Assim que teve ciência da nova fé dos colossenses, o apóstolo começou a interceder a Deus por eles, pedindo-lhe que lhes desse conhecimento, sabedoria, força e alegria. Orou para que os novos cristãos em Colossos chegassem à maturidade cristã, a fim de poderem andar diante do Altíssimo agradando-lhe e realizando boas obras.

1.9 - A principal preocupação de Paulo era que os colossenses tivessem pleno conhecimento da vontade de Deus. O desejo de servirmos ao Senhor será em vão se não entendermos corretamente Aquele a quem queremos servir. Portanto, o apóstolo ora para que os colossenses sejam cheios do pleno conhecimento que inclui toda a sabedoria e inteligência espiritual. Sabedoria é a manifestação prática do conhecimento (Tg 3.17), e esse conhecimento não pode estar desvinculado da inteligência espiritual obtida pelo discernimento dado pelo Espírito Santo.

1.10 - Além do pleno conhecimento da vontade do Senhor mencionado no v. 9, Paulo deseja que os colossenses possam andar dignamente diante do Senhor. Ele queria que os irmãos de Colossos vivessem de um modo que refletisse adequadamente o que Deus havia feito por eles e estava fazendo na vida deles. Ser digno de Deus é uma expressão encontrada em inscrições pagãs antigas por toda a Àsia e descreve a vida de uma pessoa sendo pesada na balança para que seja determinado o seu valor. Se estes devotos de falsos deuses sabiam que tinham de andar de modo digno, sem dúvida os cristãos deveriam dedicar a vida ao Deus vivo a fim de lhe agradarem.

1.11 - A expressão segundo a força da sua glória significa que os cristãos são fortalecidos não em proporção às suas necessidades, mas segundo a força do Altíssimo. Assim, Paulo não deseja ver nada menos que o poder do próprio Deus agindo nos cristãos de Colossos. Como a força de Sansão (Jz 14.19), a força de um cristão é proveniente somente do Senhor.

Ter paciência é permanecer debaixo de algo – o oposto de covardia e desânimo. É tolerância, constante persistência, firmeza e capacidade de ir até o fim. Significa permanecer sob as dificuldades sem sucumbir a elas.

Longanimidade é o contrário de ira e vingança. É ter autodomínio e calma; é resistir por muito tempo. A longanimidade não revida, a despeito dos danos ou ofensas (compare com Tiago 5.7-11).

Com gozo. Não com um semblante triste nem com um sorriso forçado, mas com salmos no meio da noite. A alegria do SENHOR é a vossa força (Ne 8.10).

1.12 - Fez idôneos. Esta expressão significa estar apto ou autorizado para uma tarefa. Sem a ajuda divina, os cristãos jamais poderão ser idôneos; é o Senhor quem deve torná-los suficientes por intermédio de Jesus Cristo. O tempo do verbo indica um ato no passado, e não um processo. Normalmente, para estarmos qualificados para um evento ou uma posição, temos de provar nosso valor. No entanto, a herança (v. 5) que os cristãos recebem não é algo que conquistaram, mas está baseada no fato de Deus tê-los feito idôneos. O Pai nos qualifica para a vida eterna com Ele, enquanto o Filho nos recompensará no final da corrida (Ap 22.12).

O termo santos provavelmente não se refere aos anjos de Deus, como em 1 Tessalonicenses 3.13. Pelo contrário, Paulo usa a palavra para se referir aos cristãos em Colossos.

1.13 - Tirou e transportou. Deus libertou os cristãos do domínio das trevas. O apóstolo usa o simbolismo comum da luz e das trevas como referência ao bem e ao mal, ao Reino de Deus e ao reino de Satanás, que é encontrado ao longo do Novo Testamento. O Reino das trevas é aquele do qual os cristãos foram resgatados (veja esta imagem em João 1.4-9; Efésios 5.8; 1 Tessalonicenses 5.5; 1 Pedro 2.9; 1 João 1.5).

Esse reino das trevas teve um aparente triunfo contra o nosso Senhor (Lc 22.53), mas a vitória final de Jesus na cruz traz vitória aos Seus santos sobre o reino das trevas. Esta libertação transferiu-os para um novo reino. Transportou é usado como referência ao reassentamento de colonos como cidadãos de um novo país. Ainda não se trata da consumação final, mas, de certo modo, os cristãos já são levados ao Reino de Cristo. Aqui, há uma tensão cuidadosamente equilibrada por Paulo em sua teologia. A manifestação do Reino na terra está próxima, mas já existe um antegozo da glória desse tempo futuro.

1.14 - A palavra grega para redenção indica naturalmente que um preço ou resgate é pago pela libertação de um escravo. A servidão da qual os cristãos são libertos não é física, mas espiritual. Eles estão livres da escravidão do pecado pela remissão dos pecados por meio do sangue de Jesus Cristo (Ef 1.7). Hoje, evita-se falar de pecado. Muitas vezes, quando uma pessoa comete erros ou até crimes, esses são considerados como doenças ou disfunções. No entanto, a Bíblia é direta ao falar de pecados pelos quais o homem deve ser perdoado. O salário do pecado é a morte (Rm 6.23). A única forma de libertação ocorre a partir do perdão de Deus com base na morte de Seu Filho (Rm 3.24,25).

1.15-20 - Paulo interrompe a descrição que faz de suas orações pelos colossenses com um cântico de louvor. Esses versículos normalmente são reconhecidos como um antigo hino cristão que celebra a supremacia de Jesus Cristo.

1.15 - O primogênito de toda a criação. Primogênito pode aplicar-se a uma prioridade em termos de tempo ou de posição. A palavra não descreve Cristo como o primeiro ser criado em se tratando de tempo, porque o hino proclama que todas as coisas foram criadas por Ele e que Ele é antes de todas as coisas. Jesus é o Eterno que existia antes de toda a criação. A ideia de primogênito na cultura hebraica não exigia que o filho tivesse sido o primeiro a nascer.

Esse não era o caso de Isaque ou de Jacó. Mas eles eram os primogênitos no sentido de serem herdeiros legítimos da linhagem de seus pais. Ser primogênito referia-se mais à posição e ao privilégio do que à ordem de nascimento. Sendo Deus, Cristo tem a posição mais alta em relação a toda a criação. Contudo, Ele não é apenas a divindade transcendente que nos criou; é Aquele que morreu em nosso favor (Fp 2.6-18) e, em seguida, ressuscitou dos mortos. Portanto, Ele também é o primogênito dentre os mortos (Cl 1.18), o primeiro a passar pela verdadeira ressurreição (1 Co 15.20).

1.16 - Este antigo hino cristão enfatiza a superioridade de Cristo em relação a toda a criação. Jesus é Aquele que criou todas as coisas, materiais ou imateriais, visíveis ou invisíveis. Essa ideia contradiz diretamente o falso ensino, mais tarde conhecido como gnosticismo, que estava surgindo na igreja de Colossos. Em geral, os gnósticos acreditavam que vários seres angelicais eram os criadores da Terra e que Cristo estava entre muitos desses anjos.

Tudo foi criado por ele e para ele. Jesus não somente criou todas as coisas; tudo foi criado para Seus propósitos (Hb 1.2, segundo o qual Cristo é herdeiro de tudo). Mas a glória da terra, dos céus, do sol, da lua e das estrelas não pode ser comparada à da nova criação de Cristo (2 Co 5.17).

1.17 - Antes de todas as coisas, tanto no sentido de tempo como no de supremacia. Graças à autoridade suprema e à supervisão de Cristo, todas as coisas subsistem (mantêm-se unidas).

1.18 - Após a celebração da autoridade de Jesus sobre toda a criação, este antigo hino cristão ainda proclama Sua autoridade sobre toda a Igreja. Cristo é a cabeça do corpo, que é a Igreja. Ninguém deve subestimar o significado da Igreja, pois ela é, na verdade, o Corpo de Cristo. O Criador soberano do universo, como Cabeça da Igreja, é quem a lidera e supervisiona. Não é de admirar que Ele tenha tanto zelo por ela (1 Co 3.16,17). Primogênito dentre os mortos. Cristo foi o primeiro a ressuscitar dos mortos. Sua própria ressurreição é garantia de que a Igreja, um dia, ressuscitará (1 Co 15.12-28).

1.19 - Plenitude. Parece que os adversários de Paulo - e, mais tarde, os gnósticos gregos – usaram essa palavra como um termo técnico para se referir à esfera entre céu e terra, onde vivia uma hierarquia de anjos. Os gnósticos viam Cristo como um dos muitos espíritos que existiam nessa hierarquia entre Deus e todas as pessoas. No entanto, Paulo empregou o termo plenitude para se referir à encarnação do Verbo de Deus. Cristo é o único mediador entre o homem e Deus e possui a natureza divina (1 Tm 2.5). Nenhum outro intermediário, seja pessoa ou grupo, pode colocar-se em nosso lugar diante do Pai. Somente Jesus pode fazê-lo.

1.20,21 - Reconciliasse consigo mesmo todas as coisas e agora, contudo, vos reconciliou. Essa expressão mostra o significado da obra de Cristo na cruz. Não quer dizer que todas as pessoas serão salvas, uma vez que muitas passagens claramente dizem que os incrédulos sofrerão a separação eterna de Deus (Mt 25.46). A obra de Jesus destruirá o mal causado pela queda e fará toda a criação passar de uma posição de inimizade para uma relação de paz e amizade (Rm 8.20-23; 2 Co 5.18-20).

1.22 - Corpo da sua carne. Os falsos mestres em Colossos estavam dizendo aos cristãos que a redenção só poderia ser cumprida por meio de um ser espiritual. Eles rejeitavam a encarnação de Cristo, afinal, para eles, Jesus não poderia ter tido um corpo físico. Assim, Paulo usa dois termos, corpo e carne, para afirmar claramente que Cristo se fez homem e passou pela morte física. Santos, irrepreensíveis e inculpáveis. Nós, que antes éramos inimigos de Deus e estávamos alienados por causa de nossas obras más, seremos, um dia, apresentados como inculpáveis graças à morte de Jesus por nós.

1.23 - Se, na verdade, permanecerdes fundados e firmes na fé. A perseverança dos colossenses era prova da obra de reconciliação de Cristo em favor deles (v. 21,22).

Toda criatura que há debaixo do céu. Aqui, Paulo usa essa forma extrema para ilustrar a rápida propagação do evangelho. Compare com Atos 17.6, que diz que os apóstolos causaram um alvoroço por todo o mundo, embora seu ministério, até aquele momento, estivesse limitado a uma pequena parte da região mediterrânea oriental.

1.24-29 - O apóstolo recebeu uma dispensação de Deus (v. 25) para pregar este Cristo divino (v. 9-18), que reconciliou o mundo (v. 19-23). Esse era o ministério de Paulo, mas nós também temos a responsabilidade para com o Altíssimo de pregar as boas-novas de Cristo.

1.24 - Nesse versículo, Paulo não está dizendo que a morte de Cristo foi insuficiente (Cl 2.11-15) nem que, de algum modo, ele fez a obra de redenção com Cristo, mas está expressando a ideia de que um cristão suportará os sofrimentos (NVI) que Jesus estaria suportando se ainda estivesse no mundo (2 Co 1.5; 4-11). Cristo disse aos Seus discípulos que o mundo, se o odiasse, também odiaria Seus discípulos. Caso as pessoas o perseguissem, elas também perseguiriam Seus seguidores (Jo 15.19,20). O apóstolo acreditava que estava sofrendo as aflições que Deus queria que ele sofresse. Em vez de enfrentar suas dificuldades com temor, Paulo via suas tribulações como momentos de alegria (Rm 8.17;Fp 1.29; 1 Ts 1.6; 2.2; 3.3-5; 2 Tm 3.12), porque estavam gerando uma recompensa eterna (2 Co 4.17).

1.25 - Eu estou feito ministro significa tornar-se um servo. A designação de Paulo transformou-o em um ministro do evangelho (Ef 3.7; Cl 1.23); um ministro de Deus (2 Co 6.4); um ministro de Cristo (1 Co4-l) e um ministro da Nova Aliança (2 Co 3.6).

Dispensação é ordenação divina (gr. oikonomia), administração, curadoria. Era o grande privilégio e a confiança sagrada de Paulo, o qual era um despenseiro na obra de Deus; um mordomo na casa do Altíssimo e um administrador dos assuntos divinos. O apóstolo estava cuidando daquilo que dizia respeito ao Rei.

Concedida. Não usurpada. Para convosco. Para seu beneficio e sua bênção. Para cumprir a palavra de Deus. O propósito de Deus era o propósito de Paulo, e a Palavra do Senhor era a mensagem do apóstolo. Portanto, o que Paulo pregava era puro e não estava contaminado por falsos ensinos (Rm 15.19; 2 Tm 4.2-5).

1.26,27 - O mistério em questão nesses versículos é similar ao mencionado em Efésios 3.8-10. Nas religiões pagãs gregas, mistério era um ensino secreto reservado para alguns mestres espirituais que haviam sido iniciados em um círculo privado. Paulo usa a palavra para se referir ao conhecimento que esteve oculto desde todos os séculos e em todas as gerações (Cl 2.2; 4.3; 1 Co 2.7; 4.1; Ef 3.4,9; 5.32; 6.19; 1 Tm 3.9,16), mas que, agora, estava sendo revelado pelo Altíssimo. O Senhor revelou esse mistério a Paulo e chamou-o para ser o despenseiro desse mistério (Ef 3.5). O mistério é que Cristo agora vive no coração dos cristãos gentios. Cristo em vós, esperança da glória. Isso está de acordo com Efésios, em cuja carta o apóstolo afirma que o mistério é a união de judeus e gentios em um Corpo, a Igreja de Cristo (Ef 3.6).

1.28 - Este é um ótimo versículo de disciplina. Paulo não estava satisfeito somente em ver as pessoas nascerem de novo. Ele assumiu a responsabilidade de levá-las à maturidade; tirou-as da “infância” e levou-as à “infantaria”. Os bebês espirituais têm grande potencial, mas se tornam um sério dreno na Igreja e uma fonte de problemas incalculáveis, caso permaneçam para sempre no berçário.

Perfeito. O conceito de perfeição no Novo Testamento significa completude ou maturidade. Aqui, é provável que a referência seja à volta de Cristo, quando todo cristão conhecerá nele próprio o término da obra de Cristo (1 Co 13.10).

1.29 - Paulo esforçava-se e agonizava pela perfeição de seus irmãos cristãos (v. 28), não em sua própria força, mas pelo poder de Deus operando nele.



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