2015/09/08

Significado de Êxodo 18

Significado de Êxodo 18

Significado de Êxodo 18


Êxodo 18

18.1 — Deus queria que a libertação de Israel da escravidão egípcia fosse um feito conhecido em todo o mundo (Êx 15.14,15). As notícias do resgate divino dos israelitas chegaram à remota residência de Jetro, o sacerdote de Midiã. [Para saber mais sobre Jetro, leia Ex 2.18;3.1 ;4-18.]

18.2 — Depois da chocante história da circuncisão do filho de Zípora, a narrativa de Êxodo não a mencionou mais até este versículo (Êx 2.16-21; 4.24-26). Provavelmente, Moisés enviara Zípora de volta à casa do pai dela após o acontecimento traumático. Agora ela visitava Moisés com Jetro. Entretanto, após esta passagem, a esposa do profeta não é mais citada na Bíblia. Posteriormente, Moisés se casa com outra mulher (Nm 12.1).

18.3 — Os dois filhos de Zípora ficam com Moisés e tornam-se parte das tribos de Israel. Contudo, a posterior história da família de Gérson envolveria um terrível escândalo (Jz 18.30).

18.4 — Eliézer significa meu Deus é socorro ou talvez meu Deus é poder. Embora o nascimento e a nomeação de Gérson tenham sido mencionados anteriormente na narrativa (Ex 2.22), é somente neste ponto na vida do segundo filho (depois do êxodo) — relativamente tarde — que seu nome é citado. Além disso, o nome é relacionado diretamente ao êxodo: me livrou da espada de Faraó. Visto que a nomeação de um menino era feita na época da circuncisão, a demora no relato deste filho e sua associação com a conclusão do êxodo fornecem mais provas ao significado que demos à obscura história em Êxodo 4.24-26. Considerando que o segundo filho não fora circuncidado no oitavo dia de vida, Moisés, o pai, estava correndo risco de perder sua própria vida por causa dessa quebra da aliança. Os acontecimentos acerca da circuncisão do jovem foram tão fortes que o momento — geralmente alegre — da nomeação de um filho não foi vivenciado. Zípora, ao que tudo indica, retornou à casa de seu pai após tudo isso, levando seus dois filhos com ela. Então, no momento em que Moisés viu seu segundo filho novamente, ele deu a este um nome que representava a obra redentora de Deus.

18.5,6 — A linguagem utilizada nestes versículos indica formalidade. Moisés foi adotado pela família de Jetro quando vagava como um homem sem rumo. Seu casamento trouxe algumas obrigações perpétuas. Ele pedira a permissão do pai de sua esposa para retornar ao seu povo, obedecendo ao chamado divino (Êx 4-18). A múltipla repetição do termo sogro nesta passagem (v. 1,2,5-8,12,14,15,17,24,27) indica que este era mais do que um título familiar. Jetro tinha verdadeira autoridade sobre Moisés.

18.7 — Inclinou-se, e beijou-o. Os antigos hábitos do Oriente Médio de curvar-se e beijar não representavam atos de adoração, mas sinais de respeito e lembretes da obrigação entre duas pessoas. É estranho que a narrativa não mencione o encontro do profeta com sua mulher. Trocaram saudações (nvi) , ou perguntaram um ao outro como estavam (arc) é uma tradução da palavra shalom, que, no hebraico, significa paz.

18.9,10 — Quando Jetro alegrou-se (hadad, um verbo raro em hebraico), ele fez mais do que simplesmente resplandecer felicidade. Seu contentamento veio da ciência do verdadeiro Deus vivo. O sacerdote provavelmente sabia alguma coisa a respeito do Senhor, mas agora o louvava com palavras e da mesma maneira que um genuíno crente.

18.11 — As palavras de Jetro, agora sei que o Senhor é maior, indicam que outrora ele considerou o Senhor como um dos muitos outros deuses, ou talvez o principal dentre estes. Neste versículo, o sogro do profeta declara uma fé plena em Deus como uma divindade suprema. Quanto ao uso do verbo ensoberbeceram (hb. zid, vangloriar-se, agir presunçosamente), este é encontrado somente em Êxodo 21.14; leia Neemias 9.10,16,29 para ver um importante emprego deste verbo.

18.12 — A oferta em holocausto foi totalmente consumida. Os sacrifícios representavam ofertas com interesses em comum. Os servos do Senhor e os sacerdotes de Midiã comeram juntos, dividindo uma mesma fé no verdadeiro Deus. Esta passagem nos remete àquela em que Abraão celebrou o Senhor com Melquisedeque (Gn 14-18-20).

18.13 — Neste texto, julgar significa proferir decisões.

18.14,15 — A importante conversa entre o profeta e seu sogro mostra um lado bastante humano de Moisés. Ele era motivado por um desejo de fazer tudo de forma correta, mas suas atividades consumiam muito tempo e energia para serem realizadas por apenas um homem. Jetro notou isso naquele dia (v. 17,18).

18.16 — A expressão vem a mim (hb. yarâ, no tema hiphil, fazer saber, dirigir) é uma forma da palavra da qual o substantivo Torá (lei, hb. tôrâ) é derivado. O versículo sugere que as leis do Senhor eram gerais, na concepção original, e, posteriormente, aplicadas caso a caso. Sem dúvida alguma, muitas das regras específicas no livro de Êxodo são o resultado deste processo: a aplicação dos princípios gerais em situações determinadas (Êx 21.1).

18.17-24 — Há, algumas vezes, a ideia de que os servos do Senhor só aceitam as palavras vindas de outras pessoas de fé. Entretanto, muitos indivíduos que não possuem a mesma crença no verdadeiro Deus vivo têm experiência e entendimento de questões importantes. O sábio é aquele que é capaz de ouvir e aprender coisas boas, não importando sua religião.

18.18,19 Jetro deu seu grande conselho no contexto de sua nova fé em Deus, mas este foi baseado na experiência e na sabedoria que obteve durante sua vida.

18.20-22 — Moisés seria encarregado de cuidar das questões mais importantes concernentes às instruções de Deus, e os outros homens de sua confiança lidariam com casos mais comuns. Jetro listou apenas cinco qualidades necessárias aos que auxiliariam Moisés. Sua listagem possui semelhanças com as qualificações dos bispos e diáconos da Igreja no Novo Testamento (1 Tm 3.1-13). 1) Eles, primeiro, deveriam ser homens capacitados, possuindo força, eficiência e prosperidade (Gn 47.6; Rt 3.11; Pv 12.4; 31.10); 2) Tais indivíduos deveriam ser tementes a Deus e mostrar misericórdia, reverência, humildade e pronta obediência (Gn 22.12); 3) Esses homens também deveriam ser dignos de confiança e agir conforme o caráter de Deus (Êx 34.6); 4) Os ajudantes de Moisés deveriam ser inimigos dos ganhos desonestos, para que não pudessem ser subornados; 5) E, ao serem ordenados, deveriam ser líderes. Em outras palavras, cada homem seria responsável por outros.

18.23 — Deus to mandar. Quaisquer decisões tinham de acontecer conforme a vontade de Deus e ser abençoadas por Ele. Se Moisés seguisse as instruções de Jetro, o povo o procuraria em paz. Na verdade, toda essa organização serviria para o bem-estar geral de Israel.

18.24-27 — Podemos ver claramente o caráter de Moisés neste trecho. Ele aceitou de bom grado, ou seja, deu ouvidos ao conselho e decidiu melhorar a maneira como estava fazendo as coisas. Isso também é um sinal de sua habilidade de liderança e de sua falta de soberba (Nm 12). O registro de que Jetro voltou para sua terra não é uma conclusão moral, mas apenas uma declaração de sua viagem. Ao retornar para sua casa, Jetro disseminaria todo o conhecimento vivenciado acerca do verdadeiro Deus. Faria isso em uma época em que os israelitas conservavam tal entendimento entre seu povo. Jetro, o sacerdote de Midiã, tornou-se Jetro, o ministro do Senhor.

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