Significado de Isaías 40

Significado de Isaías 40

Significado de Isaías 40


Isaías 40


40.1—55.13 — Essa seção de Isaías dirige-se aos exilados babilônicos de forma profética. Essa profecia confortadora, escrita cerca de 150 anos antes da época de Ciro, promete aos exilados de Judá que eles voltarão para Jerusalém (Is 40.1,2) e ali encontrarão a Deus na forma do Servo Sofredor (Is 42.1-4) — o mesmo que haverá de se tornar um grande Rei (Is 7.14; 9.6,7; 11.1-5).

40.1-8 — Essa profecia consiste de discursos de três arautos celestiais. O primeiro conclama os outros a consolarem os exilados porque o tempo de servidão acabou (v. 1,2). O segundo clama pela construção de uma estrada, para que todos possam assistir à vinda do Senhor (v. 3-5). O terceiro oferece garantias de que a profecia se cumprirá (v. 6-8).

40.1 — Consolai é dito a todo o povo do Sião (Is 1.9) e reflete a misericórdia de Deus. Esse verbo, repetido enfaticamente, denota o anúncio do fim do sofrimento do povo. A mensagem põe termo às queixas dos exilados (Lm 1.2). Esse consolo terá seu cumprimento quando Cristo nascer (Lc 2.25). O meu povo e o vosso Deus são expressões que lembram o pacto firmado entre Deus e Israel (Ex 6.7).

40.2 — Aqui a palavra Jerusalém representa os exilados. O Senhor porá fim ao exílio e os devolverá à cidade de Jerusalém. A malícia refere-se à dura servidão de Israel na Babilônia, da qual estão prestes a fugir (Is 48.20,21). Em dobro pode querer dizer o equivalente ou a quantia exata.

40.3 — Deve-se escutar a voz que clama no deserto. Ela tenta reunir o povo para que este aguarde a vinda do Senhor. A analogia baseia-se na aguardada visita de um excelso rei de uma terra distante. Os habitantes da localidade a ser visitada preparavam da melhor maneira possível o caminho do visitante. Preparai significa remover os obstáculos (Is 57.14; 62.10). O caminho representa o coração do povo, que deve estar preparado espiritualmente pelo arrependimento, para que a glória de Deus seja revelada na terra (Lc 3.3-20).

40.4 — Vale[...] monte. Veja uma descrição semelhante em Zacarias 14.1-11. O caminho do versículo 3 deve ser preparado pelo povo de Deus, mas as mudanças necessárias citadas no versículo 4 só poderão ser concretizadas pela mão de Deus.

40.5,6 — A glória do Senhor começará a se manifestar com o resgate dos cativos de Judá do exílio (Is 44.23). Essa glória se manifestará de forma ainda mais grandiosa na vinda do Senhor Jesus Cristo (Is 4.2; Lc 2.29-32; Jo 1.14). A revelação definitiva da glória do Senhor virá com Seu reino glorioso (Is 60.2; S f 3.14-17). O Rei e Salvador estabelecerá então Sua morada definitiva com Seu povo (Ap 22.1-5). Toda carne é a humanidade. A importância dessa profecia é ressaltada na frase a boca do Senhor que disse isso, o que implica juramento divino.

40.7,8 — O hálito do Senhor ilustra a ira de Deus sobre os ímpios como o vento de verão que resseca a grama (v. 24; Jr 4-11). A palavra de nosso Deus subsiste eternamente. Eis a garantia da confiabilidade, estabilidade e natureza eterna da palavra divina. O Filho de Deus cumpre a Palavra (Mt 5.17,18), é a Palavra (Jo 1.1-18) e vive eternamente.

40.9-11 — Isaías convoca Sião a juntar-se aos arautos celestiais (v. 1-8) para anunciar às outras cidades de Judá que o Senhor está chegando para pastorear Seu povo.

40.9 — Nessa seção de Isaías (40.1—55.13), Sião é um nome carinhoso para os remanescentes fiéis a Deus. As boas-novas são de que Deus chegou para salvar Seu povo escravizado. Eis aqui está o vosso Deus. Compare com João 1.36; 19.5.

40.10 — O Senhor Jeová pode ser chamado também o Senhor, o Amo. O braço dominador do Senhor representa Seus atos enérgicos de juízo e salvação (Is 48.14; 51.5,9; 52.10; 53.1). O galardão são os espólios da vitória — a saber, o povo liberto. Os exilados resgatados mesclam-se à comunidade messiânica (Is 65.15,16). Salário é sinônimo de galardão.

40.11 — No antigo Oriente Médio, costumava-se imaginar o rei ideal como pastor (SI 23; Jo 10). Apascentará o seu rebanho e entre os braços são formas de descrever o amor do Pai pelo Seu povo (Mq5.4).

40.12-31 — Esse oráculo, que declara o Senhor como única fonte eterna de força, trata de cinco questões:

(1) Quem é o Criador? (v. 12-17);
(2) A quem Ele pode ser comparado? (v. 18-20);
(3) Quem rege os reinos deste mundo? (v. 21-24);
(4) A quem Ele pode ser comparado? (v. 25, 26).
(5) Por que estás desanimado, Jacó? (v. 27-31).

40.12 — Quem...? A resposta é: Deus, Criador do Universo e Senhor de Israel (v. 15-17). Palmos. Um palmo é a medida da largura de uma mão esticada. O versículo impõe imagens dramáticas do poder de Deus.

40.13,14 — Guiou. Essas perguntas são um ataque a Marduque, divindade babilônica que, segundo a mitologia caldaica, precisou da ajuda de outros deuses para criar o mundo.

40.15 — As nações ímpias não têm poder algum para alterar os propósitos de Deus, pois são como a gota de um balde (SI 2.1-6). A palavra balanças vincula a resposta à pergunta do v. 12; quem mediu o pó da terra? Foi o supremo Criador.

40.16 — Para o fogo. Os bosques do Líbano eram essenciais no antigo Oriente Médio (por exemplo, leia Is 33.9; 35.2; 37.24). Como medida de poder para resistir ao Deus vivo, porém, a união deles todos mal formariam uma fogueirinha de acampamento.

40.17 — Como nada é a mesma expressão usada, no hebraico, para descrever o caos primordial (Gn 1.2).

40.18 — Fareis semelhante a Deus. O Deus das Escrituras é incomparável; não há outro igual a Ele (v. 25; Is 46.5; SI 113.4-6).

40.19 — Artífice. Muitos ídolos eram fabricados com madeira e depois recobertos de ouro (Is 41-6,7; 44.9-20; 46.6,7). Cadeias de prata seguravam o ídolo para ele não balançar nem cair.

40.20 — O empobrecido. Os pobres tinham de optar pela melhor madeira disponível e torcer para que ela fosse boa. Entenda que essas palavras são irônicas. De que vale a oração de um pobre a um ídolo simples? De que vale a oração de um rico a um ídolo folheado a ouro? A resposta é a mesma para ambas as perguntas: nada.

40.21,22 — Porventura, não sabeis? As perguntas dessa seção e do v. 28 exprimem a incredulidade de Deus ante os adoradores de ídolos. Embora a adoração ao Senhor tenha como motivo até os fundamentos da terra (Gn 4.26; Rm 1.19,20), essas pessoas optaram por adorar ídolos, em vez de o Deus verdadeiro. O globo é o horizonte ou o hemisfério aparente sobre a terra. A mensagem é de que Deus não deve ser confundido com Sua criação. Estende os céus. A criação é obra do Deus de Israel: só Ele merece nosso louvor.

40.23,24 — Ao nada[...] coisa vã. Veja, no versículo 17, uma expressão semelhante, sobre a insignificância das nações perante o poder do Deus vivo.

Plantam[...] sopra[...] secam-se. Essa alegoria, que descreve o juízo de Deus, é semelhante à dos versículos 6-8.

40.25 — A quem, pois, me fareis[...] semelhante? Essa pergunta e a seguinte fazem parte de um importante tema bíblico, a saber, a incomparabilidade de Deus (v. 18). Deus é o Santo, por isso é distinto de todos os outros.

40.26 — Levantai. Os seres humanos são responsáveis pelo discernimento da grandeza do Criador no meio da criação, e os que não exercem esse discernimento são passíveis de culpa (Rm 1.18-32).

Criou. Veja descrições semelhante da obra criadora de Deus em Isaías 4.5; 41.20; 43.1; 45.18; 65.17,18.

Estas coisas são os corpos celestes. As divindades babilônicas identificavam-se com os corpos celestes. O conteúdo desse versículo é de especial importância para Israel, a fim de que aprendam a dizer não à Babilônia e sim ao Senhor. Por conta. O Criador conhece cada estrela; Ele deu nome a todas elas (SI 147-4).

40.27 — A frase o meu caminho está encoberto ao Senhor não questiona a onisciência de Deus, e sim Sua boa vontade. O Senhor abençoará Seu povo? Os israelitas são passíveis de juízo, porque Deus prometeu torná-los uma bênção das nações (Gn 12.3; 28.13-15).

40.28, 29— Não sabes...? O Senhor repete essa pergunta retórica para dar ênfase à mensagem (v. 21). Deus não é apenas eterno — alguém que transcende o tempo: é também o Criador dos confins da terra — alguém que transcende o espaço. Ele é transcendente e inescrutável. Deus nem se cansa, nem se fatiga ao suprir as necessidades de Seu povo. Ele nunca desampara os Seus (SI 121.3,4). O vigor ao cansado é uma dádiva de Deus (Jr 9.23).

40.30 — Os jovens. A mensagem é que a força humana não se compara com o poder de Deus.

40.31 — Esperar quer dizer ter paciência, confiar e tomar atitudes para com os caminhos do Senhor, e não resignar-se passivamente (SI 40.1). Os versículos subirão, correrão e caminharão estão vinculados à transformação espiritual que a fé opera na pessoa. O Senhor concede força aos que nele confiam. As águias representam aqui o poder que vem do Senhor. O Senhor diz que a libertação dos israelitas operada por ele (Ex 19.4) foi semelhante a ser erguido no ar pelas garras de uma águia. Em Salmos 103.5, o vigor do povo nutrido por Deus é comparada à força da águia.

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