Significado de Isaías 49

Significado de Isaías 49

Significado de Isaías 49


Isaías 49

49.1-13 — O segundo cântico do Servo sofredor (Is 42.1-13) consiste de duas partes: o monólogo do Servo (v. 1-6); os oráculos do Senhor para Ele (v. 7-9). Depois do cântico, há uma peroração de Isaías (v. 9-12) encerrada com um hino de louvor (v. 13).

49.1 — Ilhas. A missão do Servo diz respeito a toda a terra (Is 41.1). O ventre é a tradução de uma palavra que significa matriz (Gn 25.23; Rt 1.11).

49.2 — Por meio da oração proferida por Sua boca, o Servo há de conquistar a terra (Is 11.4). Como uma espada aguda. Veja descrições semelhantes dos discursos de Jesus em Efésios 6.17; Hebreus 4-12; Apocalipse 1.16. Sombra sugere proteção (Is 30.2,3; 51.16). Como a missão do Servo será secreta até Ele ser enviado, terá de ser eficaz (Is 48.6-8).

49.3 — Israel pode ser o Israel essencial — Jesus, o Salvador —, que virá para remir a nação israelita (v. 5). Aquele por quem hei de ser glorificado. Cumprindo parcialmente essa profecia, Jesus orou ao Pai: Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer (Jo 17.4).

49.4 — A queixa do Servo de ter trabalhado [...] vãmente (Is 26.17,18) fala de Sua rejeição pela nação de Israel e Seu sofrimento (Is 42.2). Galardão. O Servo será redimido (Is 50.8) e recompensado após Sua morte (Is 53.8) e ressurreição (Is 53.10).

49.5 — A missão política de Ciro, tornar a trazer Jacó da Babilônia (Is 44.28; 45.13) antevê a missão de redenção espiritual do Servo: libertar Seu povo do cativeiro, o pecado (Is 42.7).

49.6 — Luz dos gentios. O Servo concretiza a missão de Abraão (Gn 12.1-3) e da nação de Israel (Ex 19.5,6) de ser uma bênção para as outras nações. Depois da morte e ressurreição de Jesus, a gloriosa incumbência do evangelismo global será levada adiante por Seus apóstolos (At 13.47; 26.23) e aqueles que os sucedem até o final dos tempos (Mt 28.18-20).

49.7 — Paradoxalmente, o Rei que se humilha para se tornar o servo dos que dominam será homenageado por eles (Is 4.2; 45.24; 52.15). Os reis também hão de se curvar diante do povo de Deus (v. 23).

49.8 — No tempo favorável, diferentemente do dia da vingança (Is 34-8; 61.1; 2 Co 6.2), o Senhor ouvirá a queixa do Servo de que Sua missão em Israel foi em vão (v. 4). O Senhor coroará o Servo como Rei para restaurar a bênção sobre a terra faminta (Is 45.8). O pronome lhe refere-se a Israel.

49.9 — Saí é a ordem de Isaías aos exilados para que deixem a Babilônia (Is 48.20). A alegoria de se alimentar em pastos deixa implícito que o Servo será o Rei-Pastor de Israel (Is 40.11).

49.10 — A palavra sede remete a Isaías 48.21. Calma e sol podem ser alusões ao Salmo 21, um salmo de peregrinação. O verbo guiará pode ser uma referência ao primeiro êxodo (Is 42.16; 48.21; Êx 15.13).

49.11 — Os montes, que antes eram obstáculos (Is 2.2,13,14; 42.15), tomar-se-ão wredas, os meios de salvação (v. 22,23). O pronome possessivo antes de montes e veredas é significativo: Deus, o Criador, é o Proprietário supremo de toda a criação.

49.12 — O Norte e o Ocidente indicam a salvação universal de todo o Israel (Is 11.11,12; 43.5,6). Esses oráculos são dirigidos à nação de Israel e a toda a terra (Is 48.1; 49.1). Sinim era uma localidade na fronteira sul do antigo Egito.

49.13 — Cantai (ara). O Senhor é o Criador da música (Is 12.1-6; 44-23).

49.14-26 — Essa seção consiste de duas queixas de Sião (v. 14,24) seguidas pela resposta tranquilizadora do Senhor à nação (v. 15-23; v. 25,26). O objetivo de ambas as seções é fazer saber a Israel e às nações que o Senhor de Israel é o Deus eterno (v. 23,26).

49.14 — Sião representa os exilados (40.1,9). A queixa o Senhor se esqueceu de mim é semelhante à de Isaías 40.27-31. O Senhor disciplinou os israelitas brevemente por causa de seus pecados (Is 54.7; Lm 5.20-22).

49.15 — O Senhor disse: me não esquecerei de ti. A nuance do verbo sugere uma garantia ainda mais forte: Quanto a mim, sou incapaz de esquecê-lo.

49.16 — Gravado. Talvez seja uma referência à ordem do Senhor para inscrever os nomes das tribos de Israel nas pedras do éfode do sacerdote (Ex 28.9-12). Quando o sacerdote estava no templo, os nomes gravados lembravam a Deus de Seu pacto com Israel. Os teus muros estão continuamente perante mim. O Deus Criador tem os pensamentos voltados para o bem-estar de Seu povo (SI 40.5).

49.17 — Ciro baixará o decreto para reconstruir Jerusalém (Is 44.28). Os filhos recuperados de Sião é que executarão esse decreto. Os que tentaram ser destruidores de Sião foram os babilônios (2 Rs 25.8-10).

49.18 — Vivo eu. Trata-se de uma fórmula de juramento. O Senhor jura por Sua pessoa eterna (Gn 22.16). Os filhos de Sião que retornarem serão um ornamento esplêndido, como as joias de uma noiva (Is 61.10).

49.19 — Solitários significa sem filhos (Is 54.1).

49.20,21 — A reclamação de que mui estreito é para mim este lugar é, na verdade, motivo de comemoração (Is 54.1-3; Zc 2.4,5), pois significa que o Senhor fará Seu povo aumentar. Essa profecia indica o retorno dos exilados a Jerusalém, porque na época de Esdras e Neemias os exilados construíram uma cidade relativamente pequena (Ed 1; Ne 7). Há quem veja a concretização definitiva dessa profecia como a reunião do povo de Deus no reino vindouro de Jesus.

49.22 — Eis que levantarei a mão. Deus está jurando por Seu caráter. A palavra bandeira é às vezes traduzida por pendão (11.12). A volta dos israelitas das nações e não apenas da Babilônia, demonstra que a futura salvação para o mundo está próxima (Rm 11.26).

49.23 — As nações que escravizaram Israel serviram como aios e amas de Israel (Is 14.2; 43.6; 60.9).

49.24,25 — Israel faz uma pergunta retórica: Tirar-se-á apresa [Israel] ao valente [a Babilônia].7 Parece que Israel espera uma resposta negativa a essa pergunta, mas o Senhor responde que sim. Ele contenderá com a poderosa e terrível Babilônia (Jr 50.33,34) e libertará Seu povo.

49.2 6 — Opressores. Houve ocorrências de canibalismo durante a terrível fome enfrentada pelas cidades sitiadas (Is 9.20; leia Dt 28.53-57; 2 Rs 6.24-31; Lm 4-10; Zc 11.9).