Significado de Isaías 51

Significado de Isaías 51

Significado de Isaías 51


Isaías 51

51.1-8 — Três oráculos (v. 1-3,4-6,7,8) são iniciados por imperativos: ouvi-me (v. 1, 7) e atendei-me (v. 4); compartilham do mesmo falante: o Senhor (exceto pelo v. 3); têm os mesmos alvos: os exilados que creem; o tema comum é o consolo como resultado da salvação que há de vir.

51.1,2 — Olhai liga a metáfora do v. 1 à sua interpretação no v. 2. As metáforas rocha e poço são interpretadas no versículo 2 como referências a Abraão e Sara.

51.3 — Sião substituiu o Éden. Ambos eram locais de comunhão com Deus — protegidos, livres de pecado e vigiados por querubins, para garantir o acesso exclusivamente dos que pertenciam a Deus (Gn 3.24; 3.7).

51.4 — O Servo é a luz dos povos (Is 42.6; 49.6; Jo 3.17,18).

51.5 — O dia do Senhor está sempre perto (Is 2.12; 56.1; Sf 1.14; 1 Ts 5.4-11; Tg 5.8). Aqui, a referência é à recuperação no período pós-exílio (Is 46.13). As ilhas (Is 41.1), assim como os exilados, aguardarão o Senhor. O verbo traduzido por aguardarão deixa implícitas a expectativa confiante e a esperança ativa (Is 40.31; SI 40.1).

51.6 — Céus e terra querem dizer o Universo inteiro (Is 13.13; 40.21,22; 48.13; 51.13). O velho cosmos desaparecerá e envelhecerá (Is 34.4; Hb 1.10,11), e os seus moradores morrerão igualmente (v. 8). Só o povo de Deus herdará o novo Universo. A justiça, sinônimo de salvação em Isaías (Is 45.8; 46.13), durará para sempre (Is 45.17; 56.1).

51.7 — Em cujo coração está a minha lei refere-se àqueles que estão comprometidos com Deus pelos termos da Nova Aliança (Is 42.6; Jr 31.33). O opróbrio dos exilados prenuncia a rejeição ao Servo (Is 50.441).

51.8 — Justiça [...] para sempre [...] salvação. A correlação entre salvação, justiça e eternidade também pode ser vista no v. 6.

51.9-16 — Esse oráculo baseia a salvação de Israel nos atos poderosos que o Senhor já praticou na criação e no êxodo. Consiste de três partes: (1) um clamor ao Senhor para que Ele intensifique Sua ira, como em outros tempos (v. 9-11); (2) resposta do Senhor, relembrando esses atos e censurando o povo por se esquecerem dele (v. 12,13); (3) relato sobre a dádiva da profecia (v. 14-16).

51.9 — Desperta deixa implícito que o Senhor parece estar adormecido (Is 40.27; SI 44-23). A força do Senhor na criação, subjugando o mar, é o tema do salmo 93. A oração de Isaías baseia-se na promessa de Deus (Is 50.2) e dirige-se, poeticamente, ao braço forte do Senhor (Is 41.10; 51.5). Raabe era um dragão mitológico que teria resistido à criação do Universo por Deus (Jó 7.12; SI 74-13,14). Essa alegoria, possivelmente emprestada dos mitos cananeus, também representa a derrota que o Senhor impôs ao Egito — nação que resistiu à criação de Israel (Is 30.7). Os termos dessa seção associam o trabalho criativo do Senhor no primeiro e no segundo êxodo (o retorno dos exilados) ao Seu trabalho criativo de transformação do caos em Gênesis 1.2 e no cosmos de Gênesis 2.1 (Is 27.1).

51.10,11 — Secou. Veja referências semelhantes em Isaías 42.15; 50.2. A vitória do Senhor no mar Vermelho (Ex 14.21,22) está representada, provavelmente, por meio das alegorias de um mito pagão, em que o mar se opunha à divindade criadora. A provável alusão tem como indício a palavra abismo, termo empregado para se referir às águas caóticas e primordiais de Gênesis 1.2. O êxodo é visto num contexto maior, o do poder de Deus contra o mal.

51.12 — O Senhor reage ao duplo imperativo do versículo 9. Desperta, desperta com o duplo pronome eu, eu.

51.13 — Estendeu. Veja uma descrição semelhante da criação em Isaías 40.22. Angustiador. Veja uma representação forte do castigo dos opressores de Israel em Isaías 49.26.

51.14 — Exilado cativo refere-se literalmente aos exilados na Babilônia. O sentido se estende a todos os que passam pelas trevas do pecado e do afastamento de Deus (Is 48.20; 49.9).

51.15 — Que fende o mar, e bramem. O mar representa tudo o que é mau e que se opõe ao Senhor (SI 93).

51.16 — Tua boca é uma referência às palavras do Servo (Is 41.9; 44.26; 50.4). A sombra da minha mão. Veja uma expressão semelhante em Isaías 49.2.

51.17-23 — Esse oráculo de salvação, que convida Jerusalém a ter fé em Deus, consiste de duas partes: (1) a mãe Jerusalém (Is 49.20, 21; 50.1) deve despertar de seu estupor (v. 17-20); (2) o profeta pede ao povo que atente para a promessa do Senhor de que transferirá a taça de Sua ira para a mão dos inimigos (v. 21-23).

51.17,18 — Desperta, desperta. O mesmo imperativo duplo é encontrado no v. 9 (compare com Is 40.1).

Bebeste [...] o cálice. Veja metáforas semelhantes em Jeremias 25.15-29; Lamentações 4-21; Ezequiel 23.31-34.

51.19,20 — Essas duas coisas são a desolação da terra e a destruição do povo. Nas entradas de todos os caminhos. Uma imagem de destruição semelhante é usada em Lamentações 2.19.