2015/09/04

Significado de Jeremias 10

Significado de Jeremias 10 

Significado de Jeremias 10




Jeremias 10

10.1-25 — Esse texto apresenta duas seções principais:
(1) o absurdo da idolatria (Jr 10.1-16) e
(2) a punição por meio do exílio (Jr 10.17-25).

10.1-16 — Nessa sátira poética, o profeta confronta a falsidade extrema, o absurdo e a futilidade da idolatria. Existem alguns paralelos entre essa passagem e a de Isaías 40.18-20, 44.9-20 e 46.5-7.

A estrutura dessa seção é a seguinte:
(1) introdução (Jr 10.1, 2a);
(2) os deuses impotentes (Jr 10.2b-5);
(3) o Senhor incomparável (Jr 10.6, 7);
(4) a inutilidade dos falsos deuses (Jr 10.8, 9);
(5) o Deus vivo (Jr 10.10);
(6) os falsos deuses perecíveis (Jr 10.11);
(7) o Senhor, o Criador (Jr 10.12, 13);
(8) julgamento sobre os artesãos de falsos deuses (Jr 10.14,15); e
(9) o Senhor, o Deus de Israel (Jr 10.16).

Os quatro ciclos polêmicos servem para fazer um contraste entre o Senhor Deus e os ídolos estrangeiros de acordo com vários atributos de uma divindade. A idolatria era vista como uma rejeição da identidade essencial de Israel. Jeremias 10.12-16 aparece novamente em Jeremias 51.15-19, no oráculo contra a Babilônia, a cidade de numerosos ídolos.

10. 1,2 — O caminho das nações era o ato de adorar fenômenos naturais por meio de ídolos feitos à mão e de imagens simbólicas. Os sinais dos céus eram as divindades astrais (Jr 8.1-3) adoradas nos dias de Manassés e reinstituídas após a morte de Josias e o colapso das reformas trazidas por este rei.

Atemorizam. O reino celeste trazia determinado terror às nações, mas Israel deveria adorar o Deus que tinha o reino celeste sob seu controle.

10.3,4 — Costumes refere-se à prática de esculpir ou forjar divindades para a adoração. Vaidade, que significa literalmente vapor ou inútil, descreve a total inutilidade da adoração a ídolos. O processo de confecção de ídolos começa com a derrubada de uma árvore para a retirada da madeira, que o artífice entalhava. Então, a madeira era coberta com ornamentos de prata e ouro para que tivesse qualidade. Pregos eram utilizados para proporcionar estabilidade, a fim de que a imagem não se movesse. Entretanto, nem sempre os ídolos eram estáveis. Por exemplo, a estátua de Dagom, o deus da colheita, tombou várias vezes perante a arca do concerto no templo filisteu em Asdode (1 Sm 5.3, 4).

10.5 — Os ídolos, como um espantalho (ara), eram surdos e imóveis; precisavam de pessoas que cuidassem deles e os levassem de um local a outro. Não tenhais receio deles. Não há motivo para temer — e muito menos adorar — objetos totalmente impotentes, incapazes de fazer mal ou bem.

10.6,7 — Ninguém há semelhante a ti, ó Senhor. Essa expressão demonstra um dos maiores ensinamento dos profetas: a doutrina do Deus incomparável. Deus não é apenas melhor do que outros deuses; somente Ele é o Deus vivo. Ele é grande [...] em força, e não impotente ou imóvel como os ídolos fabricados pelas nações. Além disso, a resposta para a pergunta retórica apresentada no versículo 7 de Jeremias 10 é a de que todos devem temê-lo. Os ídolos não fazem nenhuma pessoa ter medo deles.

Rei das nações. Esse título nos lembra que não há poder em todo o universo que possa se comparar ao do Deus vivo. Um rei justo é um governante sábio, e ninguém se compara à compreensão de Deus sobre a natureza e a história.

10.8 — Embruteceram pode significar bruto, estúpido ou sem receptividade. A ideia aqui é a de que a instrução recebida por parte dos idólatras é inútil como os próprios ídolos.

10.9,10 — A prata vinha de Társis, que alguns teólogos identificam com Tartessus, ao sul da Espanha. Os ídolos de madeira e de metal eram enfeitados com tecidos azul celeste e púrpura, cujo tingimento provavelmente havia-se originado com os fenícios. No entanto, até mesmo os artesãos mais habilidosos ou sábios não eram capazes de forjar deuses verdadeiros, porque existe apenas um Deus vivo e Rei eterno. Os ídolos fabricados eram deuses falsos, sem vida, que se deterioravam, e não eram mais poderosos nem mais sábios do que aqueles que os fabricavam.

10.11 — Esse versículo foi escrito originalmente em aramaico, e não em hebraico, a linguagem usual do Antigo Testamento. Entretanto, não se sabe o motivo para essa mudança de idioma. (Isso também acontece nos livros de Esdras e Daniel.) A mensagem, porém, é bastante clara: os deuses impotentes seriam destruídos.

10.12,13 — Jeremias enfatiza poder criador de Deus, utilizando a ilustração de Jó 38 e do Salmo 8. Por meio do poder, da sabedoria e da inteligência ou compreensão de Deus, a terra e os céus foram trazidos à existência. Pela ordem de sua voz, durante a criação (Gn 1.1-2.4), as águas, os relâmpagos e o vento foram convocados. Jeremias fez com que o povo de Judá se lembrasse de que Deus criara não apenas o universo, mas também que governa tudo o que ocorre nele.

10.14,15 — O verdadeiro conhecimento encontra-se apenas no relacionamento com Deus. Fundidor. Os artesãos que utilizavam prata e ouro para forjar as imagens eram envergonhados pela obra de suas mãos. Os objetos sem vida e inúteis que eles forjavam demonstravam que seus esforços eram vaidade.

10.16 — Porção de Jacó. O Senhor é a porção de Seu povo, suficiente para satisfazer todas as necessidades dele. Sua herança. Israel pertencia a Deus; Deus bastava para suprir Seu povo.

10.17-25 — Essa seção completa a coleção de oráculos abordando o problema da falsa religião, que faz um contraste entre a sabedoria e a compreensão do povo e a de Deus. Essa passagem vai de julgamento (Jr 10.17, 18), para lamento (Jr 10.19, 20), julgamento (Jr 10.21, 22) e, por fim, uma oração (Jr 10.23-25).

10.17,18 — Ajunta [...] a tua mercadoria. Os relevos em pedra assírios de Salmaneser III retratam cativos transportando ídolos domésticos sobre a cabeça enquanto seguiam para o exílio na porção oriental do império. Em pouco tempo, esse seria o destino do povo de Judá.

10.19 — Ai de mim. Jeremias se identifica pessoalmente com Judá e com a destruição de Jerusalém. Meu quebrantamento [...] minha chaga. As feridas lançadas sobre Judá eram severas; o texto em hebraico sugere feridas incuráveis. Enfermidade. Juntamente com as palavras quebrantamento e chaga, o termo enfermidade completa essa ilustração em três partes a respeito dos danos lançados sobre Judá. A escrita em trios é uma técnica literária do idioma hebraico para simbolizar plenitude.

10.20 — Como beduíno cuja tenda foi destruída por bandidos, Judá permanecia destruída enquanto seus filhos eram assassinados ou deportados. Ninguém permaneceu para estender a tenda e restabelecer a nação.

10.21 — No livro de Jeremias, pastores geralmente são os líderes da nação a quem Deus entregou a responsabilidade de preservar a justiça. Os líderes de Judá haviam-se tornado embrutecidos, perplexos, por causa do castigo que Deus levou sobre eles. Pelo fato de os líderes não terem buscado ao Senhor de todo o coração, não iriam prosperar com o crescimento de seus gados. Em vez disso, os pastores perderiam os animais. O povo seria espalhado como ovelhas.

10.22 — O avanço de um inimigo vindo do norte é anunciado (Jr 1.14,15; 8.16). Os exércitos desse oponente destruiriam as cidades de Judá, reduzindo-as a uma morada de chacais Qr 9.11 a r a ) .

10.23 — O tema sobre o conhecimento limitado dos seres humanos a respeito dos caminhos de Deus é retomado. Aquele que dirigir os seus passos irá colher a inutilidade de seus esforços.

10.24 — O verbo em hebraico traduzido como castigar, que significa disciplinar ou instruir, tem como objetivo a conformidade com a vontade e a Palavra de Deus. Jeremias pediu ao Senhor que lidasse com a nação segundo Sua justiça, mas que contivesse Sua ira.

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