2015/09/04

Significado de Jeremias 16

Significado de Jeremias 16


Jeremias 16

16.1-13 — A própria vida de Jeremias se tornou um ato simbólico representando o esforço da nação. Essa seção é uma mensagem autobiográfica vinda do Senhor que evidencia o conhecimento do profeta. Ela é elaborada com base em três proibições feitas a Jeremias (Jr 16.2, 5, 8), cada uma delas seguida por explicações a respeito do povo, concluídas com um oráculo de julgamento padrão contra os rebeldes e os idólatras.

16.1,2 — No caso de Jeremias, a proibição contra o casamento era tanto um sinal para a nação e um ataque contra a reputação do profeta entre o povo. O celibato era incomum; famílias numerosas eram sinal da bênção de Deus sobre os indivíduos. Jeremias encarava a vida tendo Deus como seu único consolador.

16.3,4 — Caso Jeremias tivesse-se casado e tido filhos, eles poderiam ter experimentado o horror da destruição, da fome e da morte. As mortes seriam tão numerosas, que não haveria pranteadores suficientes. Espada, fome e cadáveres expostos ao tempo são três dos significados de julgamento mais comuns em Jeremias (7.33; 14-11,12). A profanação derradeira e o abuso contra os seres humanos no Oriente Próximo da Antiguidade consistia em deixar um corpo ao relento, sem ser sepultado.

16.5 — A proibição de Deus contra a participação nos atos costumeiros de luto revela a natureza incomum da vida de Jeremias. Os três termos para tristeza — luto, lamentar, compadecer — são seguidos por três termos que se referem ao cuidado fiel de Deus — paz, benignidade e misericórdia — os quais Judá estava impedido de receber.

16.6,7 — As práticas pagãs de luto que envolviam cortar o próprio corpo e raspar a cabeça eram rigorosamente proibidas na lei de Moisés (Lv 19.28; 21.5; Dt 14.1). O pão (ara) do luto e o copo de consolação provavelmente se referem ao alimento e a bebida trazidas para a família dos mortos.

16.8,9 — A casa do banquete era um salão de reuniões geralmente utilizado para festas de casamento. Jeremias era impedido de participar de qualquer cerimônia familiar significativa. A vida de Jeremias era um símbolo da condição de Israel e do afastamento entre Deus e Judá.

16.10 — As três perguntas feitas pelo povo indicam sua falta de compreensão a respeito da palavra de Deus. Judá havia-se esquecido do propósito pelo qual fora escolhido, para manifestar ao mundo a natureza e o caráter de Deus vivendo como seu povo.

16.11,12 — Judá havia deixado o Senhor da aliança, indo em busca de outras divindades. Abandonar Deus e sua lei ou instrução traz desastres. Dar ouvidos era fundamental para a existência da nação; é uma repetição de Deuteronômio 6.4, o credo central da fé de Israel.

16.13 — A bênção da devoção a Deus era a liberdade, a prosperidade e famílias numerosas na terra. As bênçãos dependiam da obediência; a consequência da desobediência era uma vida sofrida fora desta terra, em um mundo que o povo não conhecia.

16.14,15 — Eis que dias vêm. A restauração futura de Israel seria maior do que a libertação anterior do Egito (Jr 23.7,8).

16.16,17 — Os pescadores e caçadores referem-se aos exércitos babilónios que percorreriam a terra em busca dos rebeldes de Judá. Caça e pesca são metáforas para a deportação também presentes em Ezequiel 12.13 e Amós 4.2.

16.18 — Profanar, às vezes, é utilizado para se referir à impureza ética, física e espiritual. A terra ou a herança de Deus havia sido profanada por vários objetos cultuais, a que Jeremias severamente se refere como cadáveres das suas coisas detestáveis e das suas abominações.

16.19, 20 — Uma mensagem de esperança tem início com três termos elogiosos para Deus. Fortaleza, força e refúgio. Fortaleza e força são termos relacionados também em hebraico. Um refúgio é um local onde se busca segurança do perigo. Jeremias sabia que sua força e segurança estavam somente em Deus. O escopo da esperança de Jeremias é universal. Os gentios, entre os quais o povo de Judá seria exilado, buscaria o Deus de Israel em cumprimento da promessa de Gênesis 12.1-3.

16.21 — Conhecer. A mensagem do grupo de oráculos do capítulo 16 é a revelação da vontade e da obra de Deus. Ele irá pessoalmente fazer com que o povo o conheça e, portanto, terá um relacionamento íntimo com os seres humanos. Conhecer o nome do Senhor consiste em compreender a natureza e os caminhos de Deus.



Um comentário:

galpoesusados disse...

Sensacional!!! Leiam a versão ARA da Bíblia neste capítulo, é bem perto do original e essa explicação ficou perfeita para o entendimento completo! Obrigada @estetoturquesa

Postar um comentário