2015/09/04

Significado de Jeremias 17

Significado de Jeremias 17 

Significado de Jeremias 17


Jeremias 17

17.1-18 — Essa seção é composta de quatro partes variadas (v. 1-4, 5-8, 9-11 e 12,13) centradas na palavra coração, com um parêntese literário formado com base na palavra gravado. Como a coletânea no capítulo 16, essa seção encerra com uma confissão pessoal de Jeremias (Jr 17.14-18).

17.1,2 — O pecado de Judá estava tão profundamente escrito que não podia ser apagado. O ponteiro de ferro ou ponta de diamante indicam a permanência desses escritos. O coração do povo, o centro de seu bem-estar espiritual, emocional e mental, estava totalmente envolvido na rebeldia contra Deus. Pontas [chifres] dos seus altares (ara) . Escavações em Israel revelaram altares com chifres em locais tais como Dã, Berseba e Arade. Em alguns deles, podem-se encontrar manchas de sangue mesmo depois de mais de 2.500 anos.

17.3 — Jerusalém e outras cidades de Judá foram demolidas e saqueadas pelos babilónios. Os tesouros remanescentes do templo de Deus foram levados pelo exército de Nabucodonosor até a Babilônia. Até mesmo os centros de culto idólatra foram destruídos (Jr 15.13,14).

17.4 — Privarás. Essa expressão, quando utilizada com relação à terra, geralmente se refere a deixar os campos descansarem durante o ano sabático (Ex 23.10,11). O cativeiro de Judá forneceria descanso para terra das práticas idólatras do povo.

17.5,6 — Maldito. Esse termo é usado com frequência em Deuteronômio. Duas palavras distintas para homem são empregadas nesta passagem. A primeira refere-se a um indivíduo forte e capaz; a segunda é um termo geral para a humanidade criada à imagem de Deus (Gn 1.26-28).

Não é possível confiar ao mesmo tempo em Deus e nos seres humanos; voltar o coração para o povo consiste em afastar-se de Deus.

17.7 — O termo bendito geralmente é utilizado nos salmos e em Deuteronômio para descrever os benefícios para aqueles que se dedicam ao Senhor e à sua palavra. Os vocábulos traduzidos como confia e esperança são relacionados em hebraico.

17.8 — Plantada. A ilustração de uma árvore frutífera é retirada diretamente de Salmo 1.3. Esse versículo ensina que a pessoa que confia em Deus não ficará isenta de tribulações e adversidades, mas sim que Deus irá trazer frutos e bênçãos nessas dificuldades e através delas (Jr 14-1-9; 15.19-21).

17.9,10 — O coração refere-se à mente, à fonte do pensamento, dos sentimentos e das atitudes. Ele pode trair uma pessoa em questões básicas com relação a realidade de Deus, Sua vontade e Sua Palavra. O coração pode contradizer a verdade. Ninguém pode compreender seu verdadeiro caráter, a não ser o próprio Deus, porque somente ele pode discernir a motivação e o raciocínio por trás dela. O Senhor pode conhecer o coração, porque só ele é capaz de esquadrinhar e provar a mente. Essa é uma declaração bastante poderosa a respeito do processo pelo qual Deus discerne o íntimo de uma pessoa. A justiça do Senhor fica evidente em todos os seus caminhos, dando às pessoas a recompensa justa por todos os seus caminhos e suas ações. Deus recompensa ou castiga de acordo com a fé, ou seja, a confiança nele e em Seu nome.

17.11 — O ensinamento dos versículos 1-10 é apoiado por um provérbio com base na ideia comum de que a perdiz choca não apenas os seus próprios ovos. Quando os filhotes se dão conta de que aquela ave não é realmente sua mãe, eles a abandonam. De modo semelhante, quem obtém ganho de maneira injusta será abandonado por essa riqueza e, então, será conhecido como insensato. Insensato nesse trecho se refere a uma pessoa sem caráter moral, ético ou espiritual.

17.12,13 — Um trono de glória, posto bem alto refere-se ao templo em Jerusalém e à arca do concerto, o símbolo da presença de Deus e de Sua soberania sobre a nação. Esperança de Israel diz respeito à expectativa de libertação e de restauração dos fiéis (Jr 14.8). Judá não tinha para quem se voltar porque havia abandonado Deus e Seu governo. Existe apenas uma fonte de vida e de esperança para Israel e todas as nações — o Senhor, a fonte das águas vivas.

17.14 — Embora Jeremias estivesse às voltas com muitas dificuldades, incluindo perseguição e solidão, continuamente ele se voltava em louvor ao Senhor que pode sarar e salvar. De maneira semelhante, a única esperança de cura e de salvação para a nação de Judá era a intervenção divina.

17.15,16 — Algumas pessoas ousavam questionar Deus e a mensagem revelada por intermédio de Jeremias, desafiando o Senhor a trazer o julgamento ameaçado por seu porta-voz. Jeremias revelou que não tinha prazer em proclamar o julgamento. Ele permanecia sendo um pastor dedicado, preocupado com seu povo.

17.17 — Espanto pode se referir ao terror físico, emocional ou mental. O vocábulo hebraico traduzido como refúgio refere-se uma posição de segurança diante do perigo e do desespero que Jeremias enfrentava em Judá e Jerusalém.

17.18 — Jeremias pediu que seus perseguidores ficassem envergonhados e assombrados, desonrados e desmoralizados. O profeta também pediu ao Senhor que confirmasse a mensagem de julgamento no dia do mal e de dobrada destruição.

17.19-27 — O tom do capítulo muda repentinamente com uma mensagem específica sobre a santidade do sábado. Diferente de muitos dos oráculos de Jeremias, este depende da reação do povo. A luz de passagens anteriores sobre o julgamento, a possibilidade de arrependimento era bastante remota.

A estrutura é a seguinte: (1) instruções a Jeremias (Jr 17.19,20); (2) o chamado para guardar o sábado (Jr 17.21,22); (3) o exemplo dos ancestrais desobedientes (Jr 17.3); (4) bênçãos da obediência (Jr 17.24-26); e  (5) a maldição da desobediência (Jr 17.27).

17.19,20 — A porta em particular não é mencionada, embora a descrição possa indicar que ela ficasse localizada na área da cidadela davídica. A mensagem de Jeremias deveria ser proclamada por toda a cidade. Desde os reis até os camponeses, todos os habitantes da cidade deveriam ouvir — e obedecer — a Palavra do Senhor.

17.21,22 — Guardai. Essa mesma expressão é utilizada em Deuteronômio 4.15 em uma advertência contra a idolatria. A santidade do sábado era uma questão bastante séria. O sábado permanecia como um sinal da criação e da aliança entre Deus e Israel. Santificar significa separar esse dia, para torná-lo distinto dos demais.

17.23 — O abuso do sábado era algo aparentemente comum ao longo da história da nação.

17.24,25 — Se o sábado fosse santificado, significando que Israel estava sendo fiel à aliança, a nação manteria seus reis e príncipes soberanos. Em outras palavras, a promessa de uma sucessão ininterrupta da linhagem de Davi no trono seria cumprida (2 Sm 7.16).

17.26 — Se as determinações do v. 21 fossem seguidas, o templo novamente iria tornar-se o centro da adoração para a nação. As pessoas viriam de todos os lugares até Jerusalém para adorar a Deus com seus sacrifícios.

17.27— A consequência da desobediência seria a destruição total da cidade. Se as determinações de 17.21 não fossem seguidas, o Senhor da aliança traria um fogo destruidor ou inextinguível contra a cidade e seus palácios (Jr 4.4; Os 8.14; Am 1.4-2.5).

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