2015/09/04

Significado de Jeremias 25

Significado de Jeremias 25
Significado de Jeremias 25


Jeremias 25

25.1-51.64 — A segunda metade do livro de Jeremias começa neste trecho. Em Jr 2-24, Jeremias falou principalmente contra os pecados de Judá e de Jerusalém. A partir de Jeremais 25, ele fala não apenas a Judá e Jerusalém, mas também a todas as nações da terra.

25.1-38 — Todo o capítulo serve como uma passagem de transição entre as duas principais coletâneas de oráculos proclamados por Jeremias. Muitos teólogos consideram esse capítulo um tipo de resumo da primeira parte (Jr 2— 24) contendo oráculos de julgamento contra Judá. Entretanto, ele também introduz a segunda seção (Jr 26—51) contendo oráculos contra as nações, começando com Judá.  

Em Jeremias 25 existem duas partes: (1) um oráculo da semente: julgamento versus Judá e Babilônia (Jr 25.1-14); e   (2) julgamento sobre as nações (Jr 25.15-38).

25.1-14 — O julgamento contra Judá e a Babilônia tem uma função em Jeremias 25—51 da mesma maneira que Jeremias 2.1-3 está relacionado em Jr 2— 24, ou seja, fornecendo uma espécie de resumo do que está mencionado no contexto mais abrangente.

 Os temas básicos são: (1) o julgamento de Deus contra Judá (Jr 25.1-11), que antecipa Jeremias 26—45; e (2) o julgamento de Deus contra a Babilônia (representando as nações; Jr 25.12-14, Jr 15-38), que antecipa Jeremias 46—51.

A data é estabelecida como sendo o quarto ano de Jeoaquim (o primeiro ano de Nabucodonosor), ou seja 605—604 a.C.

25.1,2 — O primeiro ano de Nabucodonosor. Em 605 a.C., Nabucodonosor sucedeu seu pai no trono da Babilônia. Ele rapidamente levou seu exército a Carquêmis e derrotou os egípcios e algumas tropas assírias. No ano seguinte, as forças de Nabucodonosor obtiveram o controle de toda a Palestina, alcançando até a porção sul no rio do Egito.

25.3 — Começando com o período em que foi chamado, em 626 a.C., Jeremias proclamou fielmente a mensagem do Senhor por 23 anos. A expressão idiomática madrugando e falando descreve a diligência e a persistência de Jeremias.

25.4,5 — Outros profetas, tais como Habacuque, Sofonias e Urias (Jr 26.20), e outros de séculos anteriores, haviam proclamado com persistência a mensagem de arrependimento para que a nação pudesse permanecer na terra. Segurança, prosperidade e vida longa na terra estavam diretamente relacionadas à fidelidade da nação para com a aliança de Deus (Dt 28; 29).

25.6,7 — A expressão andar após é usada ao longo do livro de Jeremias significando adoração a deuses alheios. A obra de vossas mãos refere-se aos ídolos feitos por homens utilizados em adoração pagã, uma violação da aliança (Ex 20.3-5) que provocou a ira de Deus.

25.8,9 — Eis que eu. O Senhor era o único que trazia julgamento; os babilônios e as tribos do norte era meros agentes de sua destruição. Gerações do Norte. O exército babilônio empregava mercenários citas e sumérios vindos da Ásia Menor. Nabucodonosor [...] meu servo. Essa expressão não significa que o monarca babilônio adorava o Deus de Israel, mas apenas que era usado pelo Senhor para cumprir seus propósitos (como no caso de Ciro, que é chamado de ungido do Senhor, em Isaías 45.1).

25.10,11 — Farei perecer nesse trecho indica um julgamento rigoroso. A vida como se conhecia chegaria ao fim. Esta terra refere-se a Judá e às nações em redor, tais como Moabe e a Fenícia, que seriam sujeitadas à escravidão e ao cativeiro. Setenta anos é a duração aproximada do cativeiro na Babilônia. De acordo com 2 Crônicas 36.17- 22, isso marca o período desde a destruição do templo (586 a.C.) até a declaração de Ciro para que fosse feita a sua restauração e os exilados retomassem (538 a.C.), um período de 49 a 50 anos. Em Zacarias 1.12-17, esses anos marcam o período entre a destruição do primeiro templo (586 a.C.) e a construção do segundo (520—515 a.C.), ou seja, entre 66 e 72 anos. O período entre a ascensão da Babilônia sob o comando de Nabucodonosor (605/604 a.C.) e a queda da cidade sob o ataque de Ciro (538 a.C.) também está próximo desse número. No livro de Daniel, o período é interpretado outra vez como sendo 70 semanas de anos até que os planos de Deus para as nações se cumprissem. Tentativas de estabelecer esse período com exatidão não têm obtido sucesso. A expressão setenta anos pode ser melhor interpretada como um período aproximado para o cativeiro na Babilônia; é um número com elementos potentes: dez setes. Também foi um número que chamou a atenção de Daniel no cativeiro (Dn 9.2).

25.12-14 — Visitarei o rei da Babilónia [...] nação [...] terra dos caldeus. O papel de Jeremias como profeta para as nações (Jr 2.5) cumpre-se por meio de um discurso sucinto para a nação mais poderosa daquela época. Semelhante a Judá, a Babilônia se tornaria um deserto perpétuo. Neste livro. Após um curto período de aproximadamente 70 anos, a Babilônia, sob o comando de Nabonido e Belsazar, sucumbiria diante de Ciro e dos persas, e então Alexandre, o grande, conquistaria a cidade.

Segundo os seus feitos e segundo as obras das suas mãos. A Babilônia foi condenada por tratar o povo das terras conquistadas de modo imoral e antiético, e por causa de sua multidão de ídolos (Jr 51.33-50).

25.15-38 — Esse trecho possui três partes:

(1) o copo do julgamento 0r 25.15-29);
(2) um processo judicial contra as nações (Jr 25.30,31); e
(3) um lamento por causa da desolação (Jr 25.32-38).

25.15-29 — Os oráculos contra as nações serviam dois propósitos: fazer uma advertência às nações contra sua injustiça para com Israel e outros povos, e fornecer a Israel a garantia de que Deus cuidava de seu povo e puniria seus inimigos. A palavra-chave nessa seção é o termo copo contendo o vinho de Deus, um símbolo do furor que estava prestes a ser derramado sobre as nações. Essa ilustração ocorre em Isaías 51.17-22; Hebreus 2.15-17 e no oráculo de Jeremias contra Edom(Jr 49.12).

25.15-17 — A sequência de três termos, bebam, e tremam, e enlouqueçam descreve o processo de julgamento pelo qual a espada do Senhor subjuga aqueles que se opõem. O estado de entorpecimento era condenado no Antigo Testamento; beber do cálice e cambalear demonstrava a culpa da pessoa (Nm 5.19-28). E tomei o copo. Jeremias cumpriu fielmente as ordens de Deus.

25.18 — A lista de nações que teriam de beber do cálice do julgamento do Senhor começa com Judá e Jerusalém, que seriam motivo de chacota (Jr 19.8; 25.9).

25.19 — A primeira nação estrangeira condenada por Deus por intermédio de Jeremias foi o Egito. O oráculo completo encontra-se em Jr 46.

25.20 — A terra de Uz geralmente é interpretada como sendo a região de Edom ou o norte da Arábia. Asquelom foi capturada por Nabucodonosor em 604 a.C. Gaza e Asdode também são mencionadas nas crônicas de Nabucodonosor na Babilônia (Jr 47).

25.21,22 — Os reinos de Edom, Moabe e Amom, e os territórios litorâneos fenícios de Tiro e Sidom, sofreram duramente com os ataques de Nabucodonosor (Jr 48.1-49.22; Ez 27; 28).

25.23,24 — Os reinos de Dedã, Tema e Buz, no deserto da Arábia, foram condenados. Dedã e Tema ficavam no território edomita (Jr 49.7,8). A localização de Buz é desconhecida.

25.25,26 — Elão e a Media ficavam a leste da Babilônia (Jr 49.34-39).

25.27,28 — Os três termos que descrevem um entorpecimento progressivo — Bebei, e embebedai-vos, e vomitai — enfatizam a extensão do julgamento que fluía a partir do cálice da ira de Deus. Aqueles que recusassem o cálice seriam forçados a beber.

25.2 9 — O julgamento de Deus começaria com seu próprio povo e sua cidade santa. Deus traria castigo sobre a cidade que era chamada por seu nome. Ao fazer isso, o Senhor vingaria Seu nome e Sua santidade. A partir de Jerusalém, a espada de julgamento de Deus partiria para os confins da terra.

25.30-32 — O julgamento universal de Deus é descrito com uma ilustração poética sobre um leão montês rugindo do topo das colinas. A contenda contra as nações é descrita por meio de um processo judicial com introdução (Jr 25.30), indiciamento (Jr 25.31) e anúncio de julgamento (Jr 25.32,33).

25.30 — Desde o alto [...] desde a morada da sua santidade. Geralmente, essas expressões referem-se à habitação de Deus no monte Sião (J1 3.16; Am 1.2).

25.31 — Estrondo refere-se a um julgamento resultante da contenda de Deus, ou de seu processo judicial contra as nações. Embora não tivessem recebido a Lei como Judá e Israel, os gentios seriam julgados, porque eram ímpios. A palavra ímpios diz respeito à culpa associada com a violação de padrões éticos, incluindo o ataque aos direitos dos pobres e necessitados, bem como o abuso dos oprimidos.

25.32,33 — Assim como a calamidade terrível de Judá em que os cadáveres ficavam expostos ao tempo (Jr 7.33), as nações experimentariam inúmeras mortes e extensiva destruição. A negligência para com os mortos é descrita por meio de três termos: não serão pranteados nem recolhidos nem sepultados. Essa profanação terminaria na putrefação dos corpos, sendo transformados em estrume (Jr 8.2; 9.22; 16.4).

25.34-36 — O trio de lamentos, Uivai [...] clamai [...] revolvei-vos, serve para destacar a seriedade do julgamento que viria, e que resultaria em morte e cativeiro.

25.37,38 — Casas e pastos que uma vez foram pacíficos e seguros seriam devastados.

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