2015/09/04

Significado de Jeremias 27

Significado de Jeremias 27 

Significado de Jeremias 27


Jeremias 27

27.1-29.32 — Nos dias da monarquia e dos reinos divididos, os profetas da corte, como Natã e Isaías, guiavam os reis em tomadas de decisão com conselhos vindos do Senhor. Quando a nação começou a se afastar da aliança com Deus, surgiram vários profetas afirmando possuir inspiração divina, mas, na verdade, suas palavras partiam de sua própria iniciativa, de interesses pessoais, políticos e religiosos. O conflito com um profeta genuíno de Deus como Jeremias era inevitável. Esses três capítulos relatam tais confrontos com Zedequias e outros profetas anônimos (Jr 27), com Ananias (Jr 28) e com Acabe, Zedequias e Semaías (Jr 29).

27.1-22 — Essa seção consta de quatro partes: (1) jugos enviados a nações aliadas contra a Babilônia (Jr 27.1-11); (2) uma mensagem a Zedequias de Judá. Submeta-se à Babilônia (Jr 27.12-15);   (3) cuidado com os falsos profetas de paz (Jr 27-16-18); e   (4) o espólio dos utensílios do templo (Jr 27.19-22).

27.1-11 — A primeira mensagem consta do registro de um ato simbólico de um jugo enviado aos reis de Edom, Moabe e Amom, regiões da Transjordânia, e aos reis fenícios de Tiro e Sidom. A realização desses atos com base em instruções do Senhor por parte de Jeremias está implícita, porque o profeta cumpriu fielmente todos os encargos divinos que recebera anteriormente.

27.1-3 — Prisões e jugos são barras ou vigas de madeira presas ao pescoço de dois bois com tiras de couro. O ato simbólico de usar o jugo nos ombros transmitia a ideia de escravidão, restrição e aprisionamento. Os mensageiros eram embaixadores estrangeiros em Jerusalém.

27.4,5 — Os embaixadores estrangeiros deveriam anunciar aos seus senhores que o Deus de Israel é o verdadeiro Senhor soberano sobre a criação e as atividades humanas. Toda a criação está resumida no trio de palavras terra [...] homem [...] animais. Diferente dos deuses das nações, cujo poder acreditava-se ser limitado geograficamente, o Rei de Israel reinava sobre toda a terra, concedendo direito territorial e poder a quem me agrada.

27.6,7 — Meu servo. Com todo o seu poderio e suas conquistas militares, o rei da Babilônia ainda era um servo do Deus de Israel, realizando os propósitos do Senhor — literalmente, o julgamento sobre Judá.

Filho de seu filho [...] o tempo da sua própria terra. Após a morte de Nabucodonosor, em 562 a.C., seus herdeiros e sucessores mantiveram o controle da Babilônia por apenas 24 anos. A Babilônia sucumbiu sem impor resistência a Ciro e ao exército persa, em 539 a.C., e mais tarde a Alexandre, o grande, da Grécia.

27.8 — O símbolo do jugo foi explicado aos embaixadores estrangeiros. Aqueles que não se submetessem como vassalos à Babilônia seriam punidos.

27.9,10 — A maneira como os reis convocavam vários profetas-adivinhos para obter direcionamento é bem conhecida a partir do livro de Daniel (Dn 2.2; 5.7). Além dos profetas, havia também adivinhos, como Balaão (Nm 22-24), que eram proibidos de realizar suas práticas ocultistas em Israel (Dt 18.9-14); sonhos [ou sonhadores], uma classe de adivinhos proibida pela Lei (Dt 13.1-5); bem como os agoureiros e encantadores, ambos comuns entre as nações, mas proibidos de realizarem suas práticas em Israel (Dt 18.9- 14). O esforço coletivo desses adivinhos para determinar o futuro de suas nações fracassou. Como os falsos profetas de Judá, eles declaravam uma mensagem de rebelião e resistência contra a Babilônia. Apenas Jeremias defendia a verdade. Deus iria punir Judá por intermédio de Nabucodonosor.

27.11 — Meter o pescoço subjugo. Submeter-se à Babilônia significava sujeitar-se à vontade e aos propósitos de Deus.

27.12-14 — A mensagem de Jeremias a Zedequias era a mesma que ele apresentara aos embaixadores estrangeiros (Jr 27.4-11): submeta-se à Nabucodonosor e aos babilônios e vivereis, ou rebele-se contra Nabucodonosor — e contra Deus — e morrereis. A mensagem de morte é apresentada por meio do mesmo trio de termos sobre destruição em Jr 27.8, transmitida às nações estrangeiras. Jeremias falou não apenas contra os líderes religiosos, mas também contra os líderes políticos, assumindo uma postura que o classificaria como traidor da nação. Apesar da oposição que enfrentou, o profeta manteve-se firme em sua compreensão sobre a mensagem de Deus.

27.15 — Não os enviei. O chamado divino e o comissionamento são pré-requisitos para cumprir o verdadeiro ofício profético. Os falsos profetas tais como Hananias (Jr 28) deram esperança às aspirações de Zedequias de se libertar do jugo dos babilônios, mas Jeremias disse que essas palavras eram falsas, faladas em nome do Senhor. Pelo fato de terem profanado o Nome de Deus, tanto o rei como seus profetas iriam perecer. Quando Jerusalém sucumbiu em 586 a.C., Zedequias tentou fugir para o deserto por meio da estrada que levava a Jericó. Ele foi capturado e levado a Ribla, onde seus filhos foram assassinados diante dele, e então seus olhos foram vazados (2 Rs 25.4-7). Esse ato de particular barbárie significava que a última coisa que Zedequias veria na vida seria a morte de seus filhos.

27.16-22 — O terceiro discurso de Jeremias é apresentado como uma advertência aos profetas e ao povo que dava ouvido aos falsos profetas com relação ao futuro da nação e do templo.

27.16,17 — Não deis ouvidos. Se os sacerdotes dessem ouvidos às palavras falsas dos profetas com relação à inviolabilidade do templo, estariam selando seu próprio destino e também o daquele edifício. Muitos utensílios (Jr 27.19) foram levados embora por Nabucodonosor durante o exílio de Jeconias (Jeoaquim). Os falsos profetas afirmaram que a Babilônia seria derrotada e os utensílios do templo seriam devolvidos.

27.18-20 — Jeremias propôs um teste para verificar se as palavras dos profetas eram verdadeiras. Se há palavras do Senhor com eles. Se os profetas realmente estavam trazendo a mensagem do Senhor, sua oração — para a permanência dos utensílios do templo que haviam restado — seria respondida.

Os utensílios que ficara. Muitos dos utensílios do templo do Senhor foram levados para a Babilônia durante o exílio de Joaquim e de sua comitiva (2 Rs 24.13). De acordo com Jeremias, os utensílios que restaram seriam levados durante a destruição final da cidade. Os eventos provariam quem estava declarando as Palavras do Senhor.

27.21,22 — A mensagem de Jeremias vinda do Senhor é apresentada em detalhes. Os utensílios remanescentes no templo, bem como no palácio do rei, à Babilônia serão levados até que o Senhor trouxesse o povo de volta. Em meio a uma mensagem contra os falsos profetas, Jeremias transmite uma palavra de esperança e restauração. A destruição era iminente, mas Deus não se esqueceria de Seu povo. Ele iria restaurar o remanescente justo.

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