2015/09/04

Significado de Jeremias 31

Significado de Jeremias 31 

Significado de Jeremias 31



Jeremias 31

31.1-22 — Essa seção é composta de vários oráculos de restauração tendo o reino de Israel (Efraim) em foco, embora também se apliquem a Judá. Alguns teólogos sugerem que algumas dessas mensagens possam ter sido registradas no início do ministério de Jeremias em 626—597 a.C., e foram acrescentadas a oráculos posteriores durante o período do exílio.

31.1 — Juntamente com a restauração da nação de volta à terra, ocorreria o cumprimento da aliança entre Deus e seu povo, todas as gerações de Israel,

31.2 — Escapou da espada [...] encontrou graça no deserto [...] fizer descansar. Essas expressões descrevem a libertação de Israel do Egito e a vitória de Deus sobre os exércitos de faraó. A graça do Senhor, ou seu favor, foi manifestada no deserto quando ele deu sustento, abrigo e descanso para seu povo.

31.3 — Há muito também pode ser traduzido como de longe, e pode se referir ao tempo no deserto (Jr 2.1-3) ou às distantes terras da Assíria e da Babilônia para onde Israel e Judá foram exilados. A expressão amor eterno faz um paralelo com benignidade, que significa amor leal ou lealdade à aliança. A partir de sua fidelidade às alianças que estabeleceu com Abraão e Moisés, e por causa de seu grande amor, Deus estabeleceu a nação de Israel para sua glória e também de seu povo. O Senhor também iria libertar Israel e Judá do cativeiro e estabelecê-los por causa de seu amor.

31.4 — Haverá regozijo à medida que a vida nas cidades for restaurada. Edificarei. No Salmo 127.1, o salmista afirma que, se Deus não edificar a casa, o trabalho é vão.

O virgem de Israel. Anteriormente, no livro de Jeremias, essa expressão foi utilizada com um tom de tristeza para descrever o afastamento de Israel de sua fé em Deus (Jr 2.32; 14.17). Aqui, a ideia é oposta; Israel é reconstruído de modo semelhante ao seu antigo “noivado” Qr 2.2), retornando novamente como uma noiva virgem para Deus. Adornada [...] com o coro dos que dançam descreve a celebração de matrimônio e festivais por todos os vilarejos (Jr 31.13).

31.5 — Originalmente, Samaria era o nome da capital do reino do norte de Israel. A cidade havia sido construída pelo rei Onri no início do nono século a.C., supostamente para estabelecer seu reinado após um período de guerra civil em Israel. Antigos reis israelitas haviam governado a partir de Tirza. Mais tarde, o nome Samaria passou a significar o próprio reino do norte.

Montes de Samaria. O território montanhoso de Samaria era uma terra repleta de fissuras e vales. Passagens pelas montanhas tornavam as colinas de Samaria locais acessíveis. Jeremias declarou que o território montanhoso, que fora assolado pelos assírios de 733 a 722 a.C., seria replantado com vinhedos. As colinas iriam produzir frutos para o consumo em vez de servirem para pagar tributos para nações estrangeiras. O plantio seria para o desfrute regular — um presente de Deus para seu povo.

31.6 — O dia chegaria quando a nação seria outra vez unida, com os israelitas do reino do norte fazendo peregrinações até Sião (Jerusalém) para adorar, em vez de continuarem visitando os santuários rivais de Dã e Betei (1 Rs 12.27-29). O propósito dos vigias não seria advertir o povo a respeito da chegada de exércitos, mas chamá-lo a vir com alegria à cidade santa.

31.7-14 — O trecho enfoca o retorno jubiloso de Israel das muitas terras para as quais foi exilado. Os elementos poéticos geralmente constituem uma reversão da situação vigente no período inicial do ministério de Jeremias. Há várias expressões que denotam louvor, regozijo e felicidade.

31.7 — Chefe das nações seria Jacó, que significa Israel. Em Jeremias 15.9, o remanescente é descrito como uma nação que não foi totalmente derrotada. Aqui a comunidade restaurada celebra.

31.8 — Em Jeremias 6.22 e 25.32, os inimigos de Israel vinham da terra do Norte e das extremidades da terra. Agora, Israel é levado de volta pelo Senhor, até mesmo com os enfermos, os fracos e os mais frágeis.

31.9 — Choro [...] súplicas. Expressões retiradas dos Cânticos de subida (SI 120—134) estão presentes aqui. No Salmo 126, os que choram ficam repletos de alegria ao verem o retorno dos exilados do cativeiro. Ribeiros de águas. Essa ilustração da provisão de Deus fornecendo água no deserto é semelhante a Is 35.5-7. A referência a um caminho direito faz um paralelo com Is 40.3-5. Pai. Esse texto é uma das poucas ocasiões no Antigo Testamento em que a paternidade de Deus é descrita diretamente (Dt 32.6; Is 63.16). Israel tinha familiaridade com a ideia de Deus como seu Pai, mas apenas com os ensinamentos de Jesus essa expressão tomou a conotação que conhecemos atualmente. Primogênito transmite a ideia de preeminência (Jr 31.7; Dt 32.9).

31.10-12 — Deus seria o bom pastor do povo, diferente dos reis de outrora (Jr 23.1-4)- Resgatou [...] livrou. Esses dois verbos descrevem a transferência de posse de Israel da poderosa Babilônia para o Deus incomparável. A liberdade de Israel foi obtida por Deus, o seu grande Redentor (Is 51.10,11).

31.13 — O tema do gozo na restauração continua com júbilo por meio de dança (SI 149.1-4). Na cultura hebraica, a dança é muito diferente do conceito ocidental contemporâneo. A dança é o movimento do corpo em reação à música; é a música expressada de modo visual. Dançar jubilosamente perante o Senhor era considerado uma reação natural e espontânea do povo de Deus na cultura do Israel antigo.

31.14 — O tema do gozo é resumido na intenção de Deus de conceder fartura aos sacerdotes e ao povo. Jeremias transmitiu esperança e consolo aos seus conterrâneos diante da pobreza e opressão do exílio e do cativeiro.

31.15-22 — A alegria se transforma em lamento entre os exilados de Efraim por causa da punição vinda do Senhor. O oráculo é destinado claramente ao reino do norte de Israel, com referências a Raquel, Ramá e Efraim. A passagem tem a seguinte estrutura, o lamento de Raquel (Jr 31.15); o chamado de Deus para o término da lamentação (Jr 31.16,17); o arrependimento de Efraim (Jr 3.18,19); e a compaixão de Deus por Efraim (Jr 31.20-22).

31.15,16 — De acordo com o 1 Sm 10.2,3, a tumba de Raquel ficava próxima de Zelza, que ficava perto de Ramá, em Benjamim. Esse pode ter sido um memorial em favor de Raquel, localizado no território destinado aos descendentes de seu filho Benjamim (Gn 35.16-20). Gênesis afirma que Raquel foi enterrada em Efrata, próximo de Belém (Gn 35.19; 48.7). Raquel foi a mãe das tribos do norte de Benjamim e José, cujos filhos foram Efraim e Manassés. O choro amargo de Raquel foi causado pelo exílio e o cativeiro de seus filhos. Ela se recusava a receber consolação em sua tristeza e perda.

31.17 — Esperanças descreve a expectativa de receber a redenção e as bênçãos eternas de Deus. Para o seu país. Efraim seria restaurado aos seus territórios originalmente dados por Deus.

31.18,19 — Bati na minha coxa. Isso indica uma demonstração externa de remorso pelo pecado e pela mudança de vida (Ez 21.12).

31.20 — Comove [-se] por ele o meu coração. Essa expressão descreve o profundo amor e o interesse do Senhor pelo bem-estar de seus filhos.

31.21 — Os marcos e as pirâmides apontariam o caminho para a terra natal do profeta. Mais importante, Israel foi instruído a aplicar o coração em direção à vereda, que é o caminho da fé em Deus.

31.22 — Andar errante é um tema importante no trecho Jeremias 3.6—4-4, descrevendo o afastamento contínuo da nação. Aqui o Senhor estava promovendo a recriação de seu povo. Uma coisa nova provavelmente refere-se ao fato de que a virgem Israel iria cercar ou se agarrar ao seu noivo divino.

31.23-26 — Monte de santidade refere-se à cidade ideal de Jerusalém, o monte santo, casa de Deus, o Justo, e Judá, seu remanescente justo. Assim como Israel, o restabelecimento de Judá traria uma renovação nas colheitas e nos rebanhos (Jr 31.5, 12). O povo seria satisfeito (31.14).

31.27,28 — Semearei. Deus iria plantar e multiplicar a semente de homens e de animais na terra de Judá. Para edificar e para plantar são os mesmos termos utilizados no chamado a Jeremias (1.10).

31.29,30 — O provérbio nessa passagem também está presente em Ezequiel 18.2. O contexto em ambos os livros indica que esse provérbio não é original nem de Jeremias nem de Ezequiel. Em Israel, e em outras comunidades do Oriente Médio antigo, a responsabilidade comunitária é enfatizada por meio de questões legais ou morais (Dt 5.9), embora a prestação de contas individual não fosse descartada (Dt 24.16; 2 Sm 12.1-15). Em Jeremias e em Ezequiel, o enfoque está na responsabilidade do indivíduo a respeito de sua iniquidade.

31.31 — Eis que dias vêm. Em Jeremias, essa expressão geralmente introduz uma ocasião especial de intervenção divina na história humana. Concerto novo em contraste com a aliança mosaica e de Deuteronômio. Um problema encontrado tanto no Antigo Testamento, como no Novo Testamento, é a ideia errônea de que simplesmente guardar a Lei (externamente) pode trazer justificação. Entretanto, de acordo com o Novo Testamento, e também no Antigo Testamento, a Lei não pode promover salvação e perdão dos pecados sem fé e humildade (Mq 6.6-8; Rm 4.1-5.2; 7.13-25). A lei de Deus nunca foi estabelecida como um meio de justificação, mas sim como um modo de vida para os redimidos (em outras palavras, um meio para sua santificação). Casa de Israel [...] casa de Judá. De acordo com Jeremias 11.10, ambos os reinos haviam violado a aliança de Deus, rejeitando as Palavras do Senhor e adorando outros deuses.

31.32 — O antigo concerto exigia o cumprimento de suas diretrizes (Êx 19.1—23.33) que o povo era incapaz de realizar. Acima de todos os outros mandamentos, o povo foi instruído a amar e servir a Deus e abandonar todas as outras divindades (Ex 23.33; Dt 6.4, 5). E isso eles não cumpriram. Pais: a partir do período de peregrinação no deserto (Ex 32.1-10; Nm 25.1-9) até os dias de Manassés a história de Israel foi repleta de atividades idólatras, apenas ocasionalmente intercalada com períodos de fidelidade a Deus. O povo parecia incapaz de obedecer à aliança. Haver desposado. Como Oseias foi para Gômer, o Senhor havia sido um marido fiel e dedicado para Israel.

31.33 — Farei. O novo concerto seria iniciado pelo próprio Deus, garantindo assim sua eficiência.

Depois daqueles dias. Essa locução refere-se ao período do cumprimento da nova aliança, ou concerto, que encontrou plenitude na vida, na morte e na ressurreição de Jesus Cristo. Na mente, lhes imprimirei as minhas leis [...] no coração lhas inscreverei (ara). Juntos, mente e coração representam a motivação completa das ideias, da vontade, das emoções e do espírito humano.

31.34 — Não ensinará alguém mais. Nunca mais sacerdotes ou profetas teriam de mostrar ao povo como conhecer o Senhor. Desde o mais jovem até o mais velho, dos camponeses aos reis e príncipes, todos conheceriam o Senhor. O conhecimento de Deus é um tema fundamental em Jeremias (Jr 2.8; 4-22; 5.4; 8.7), bem como nos outros profetas (Os 5.4). Esse conhecimento é um relacionamento íntimo com Deus evidenciado pela fé, obediência e devoção. Deus irá perdoar e não mais se lembrar dos pecados e da maldade do povo que o busca em arrependimento e fé. Jesus, o Messias, cumpriu a promessa da nova aliança por meio de sua obra na cruz (Mt 26.26-28; Mc 14.22-24; 1 Co 11.25).

31.35 — Sol [...] lua [...] estrelas. Deus, o Criador de todas as coisas, realizou a aliança com seu povo. Mar [...] ondas. O povo hebreu aprendeu com os vizinhos cananeus a temer o mar (SI 93). Todavia, Deus é o Senhor do mar, assim como é Senhor de todas as coisas (Is 51.15).

31.36,37 — Ordenanças nesse trecho são as leis naturais que governam a criação. A fundação da nova aliança é tão firme como o Deus que preserva a criação.

Medidos [...] sondados. No ápice da apostasia de Judá, pouco antes da destruição da nação por parte da Babilônia consumando o julgamento divino, o Senhor afirmou enfaticamente sua aliança com o povo judeu e garantiu que essa promessa era inviolável, até mesmo por ele próprio. Quando vemos um arco-íris no céu, devemos nos lembrar da promessa de Deus a Noé, assim como o Senhor se lembra (Gn 9.16). Quando observamos o sol, a luas ou as estrelas no céu (Jr 31.35), devemos nos lembrar da promessa de Deus ao povo judeu, assim como o Senhor se lembra.

31.38-40 — Eis que dias vêm. Essa expressão introduz uma nova era na história do tratamento de Deus com seu povo. É feita uma medição na Nova Jerusalém, uma cidade reedificada inteiramente para o Senhor.

A torre de Hananel (Ne 3.1) localizava-se no extremo nordeste da cidade. A Porta da Esquina (2 Rs 14.13) ficava a noroeste. A expansão do lado noroeste da cidade ocorreu sob o comando de Uzias e Ezequias.

O vale dos cadáveres provavelmente é uma referência ao vale de Hinom, onde crianças foram sacrificadas em períodos de terrível apostasia (Jr 31.7.32). Os campos até ao ribeiro de Cedrom são as colinas do monte Sião que fazem limite com o vale de Hinom.

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