2015/09/04

Significado de Jeremias 33

Significado de Jeremias 33 

Significado de Jeremias 33



Jeremias 33

33.1-26 — Esse trecho consta de duas coletâneas de discursos de restauração, o primeiro (Jr 33.1-13), descrevendo a cura e a purificação de Judá e de Jerusalém, e o segundo (Jr 33.14-26), contendo ensinamentos messiânicos relacionados com a liderança em Jerusalém.

33.1-13 — Esse discurso foi proclamado no pátio da guarda, onde Jeremias foi mantido durante o cerco babilônico em 588 a.C. O conteúdo faz um paralelo muito próximo com Jeremias 32. Aqui, a ênfase é sobre o gozo e a glória da Jerusalém restaurada. Esse trecho é estruturado de acordo com as três ocorrências da fórmula do mensageiro:

(1) restauração e purificação de Jerusalém (Jr 33.1-9); (2) o gozo da restauração (Jr 33.10,11); e (3) a restauração de Judá (Jr 33.12,13).

33.1 — Estando ele ainda encerrado. Um elo cronológico com Jeremias 32.2 (588 a.C.). Jeremias havia sido preso no pátio da guarda porque seus inimigos consideravam que ele estava causando sedição, anunciando a queda de Jerusalém e aconselhando Zedequias a se render a Nabucodonosor.

33.2 — Jeremias apelou ao poder de Deus na criação como base para sua proclamação a respeito da demonstração futura de poder na restauração do povo. Previamente o poder criador de Deus forneceu a base para a autoridade do Senhor de anunciar a destruição da nação (Jr 2.12; 4.23-25), bem como sua restauração futura (Jr 32.17). A renovação da nação é equivalente a uma nova criação.

33.3 — Jeremias estimulou o povo a clamar ao Senhor, demonstrando que dessa vez Deus iria ouvir e responder (Jr 7.16) seu clamor. Coisas grandes tem o significado abstrato de inacessíveis ou inconcebíveis. Deus havia feito grandes coisas na criação; aqui o povo é convidado a observar novamente a grandeza inconcebível da obra de Deus em seu favor.

33.4, 5 — Casas que foram construídas ao longo dos muros da cidade poderiam ser derrubadas e transformadas em escombros para criar um muro mais largo e mais sólido. Esse era um meio de combater as rampas de terra que os exércitos construíam durante o cerco contra os alojamentos em vez de tentar penetrar por torres ou portões reforçados.

33.6-8 — Três atos de benevolência do Senhor trarão a renovação a Judá: cura, reconstrução e purificação.

33.6 — Judá e Jerusalém, em sua idolatria e rebelião, estavam sem paz e saúde (Jr 8.15,22). O Senhor prometeu cura em retribuição ao arrependimento do povo (Jr 3.22; 30.17).

33.7 — No princípio. Retorno e reconstrução iriam trazer segurança tanto para Israel como para Judá, e também a restauração da glória dos dias antigos.

33.8 — A palavra perdão descreve o ritual de purificação daquilo que foi física ou espiritualmente profanado, tal como Israel e Judá (Jr 2.23; 7.30). O termo perdão no Antigo Testamento é utilizado apenas tendo Deus como agente. Esse fato nos ajuda a entender melhor a reação dos escribas quando ouviram Jesus dizer que perdoava pecados (Mc 2.7).

33.9 — Os cidadãos de Moabe (Nm 22.1-6) e de Jericó (Js 2.8-14) estavam com medo e tremendo diante da nação que havia se beneficiado pelos feitos maravilhosos do Senhor, portanto todos iriam espantar-se e se perturbar ao ver a nova obra de Deus.

33.10,11 — Jerusalém seria transformada num objeto de escárnio, humilhação e horror (Jr 25.9), mas depois que os anos de julgamento e de abandono se cumprissem, as vozes de tristeza se transformariam em vozes de júbilo. Essa profecia foi cumprida parcialmente quando Esdras, e, mais tarde, Neemias lideraram os exilados de volta para reconstruir o templo e, depois, os muros da cidade. No entanto, o gozo final de Jerusalém ocorreria como resultado da nova aliança (Jr 31.31), que teria início com o advento de Cristo (Hb 8.6-13). Essa nova aliança, ou concerto, iria fornecer a base duradoura para a esperança e o gozo — o conhecimento de Deus.

33.12,13 — O enfoque se volta para as porções da nação de Judá que experimentariam a poderosa restauração de Deus. Deserto. Note-se o julgamento semelhante em Jr 7.34; 25.9. As regiões citadas são semelhantes àquelas em Jr 17.26. A s seis localidades são organizadas em dois trios: um descrito pelas palavras montanhas (território montanhoso), planícies (a Sefelá) e sul (o Neguebe); o segundo em uma direção norte e sul.

Benjamim [...] nos contornos de Jerusalém [...] cidades de Judá. O termo gado é utilizado para descrever os israelitas que retornaram do cativeiro para o aprisco da cidade santa de Jerusalém.

33.14-16 — Esse trecho é uma coletânea de oráculos messiânicos descrevendo os benefícios da nação de Israel a partir de suas lideranças real e sacerdotal (Jr 33.14-18) e a partir da aliança davídica (Jr 33.19-26).

33.15,16 — Esses versículos são semelhantes a Jr 23.5, 6, que tem como enfoque a liderança régia da nação, e a restauração de Israel e Judá. Renovo de justiça. Deus iria levantar um rei messiânico da linhagem de Davi que governaria de acordo com o ideal divino, com juízo, que significa julgamento e justiça.

Salvo [...] habitará seguramente. Após a devastação gerada pelo ataque babilônico, Jerusalém tornaria a existir sob a proteção de Deus.

33.17,18 — A aliança davídica da sucessão divina é confirmada novamente (2 Sm 7.12-16). Os sacerdotes levitas também seriam herdeiros de uma sucessão divina na supervisão do sistema de sacrifícios no templo em Jerusalém. Jesus, como Sacerdote e Rei, cumpriu os dois ofícios na nova aliança.

33.19-26 — A garantia da continuação da aliança davídica é transmitida por meio de uma comparação com a ordem divina do universo (um argumento a partir do absurdo). E a sucessão davídica no trono é tão certa e constante como o ciclo natural de dias e noites.

33.20,21Meu concerto. A ordem divina do universo é evidente por meio do ciclo de dias e noites a partir da criação; foi confirmada na aliança com Noé e novamente no Decálogo (Gn 1.14-18; 8.22; Êx 20.8-11). A aliança é imutável enquanto este mundo existir. Assim também é a aliança com Davi e os levitas. Assim como os levitas demonstraram sua fidelidade no deserto e sua liderança foi confirmada (Êx 32.25-29), também seus descendentes teriam domínio sobre o sistema de sacrifícios.

33.22 — A promessa a Abraão e Jacó a respeito de uma posteridade incontável é confirmada para o trono davídico e a liderança levítica (Gn 13.16; 15.5; 28.14).

33.23,24 — As duas gerações nesse contexto são as casas de Davi e Levi (Zc 12.12,13). Por causa dos pecados de rebelião contra a aliança e de idolatria, Israel e Judá foram rejeitados (Jr 6.30; 7.29) por Deus e ridicularizados entre as nações.

33.25,26 — Ordenanças são as leis que governam a ordem divina no cosmos (Jr 5.22; 31.35, 36). Apenas se o dia e a noite deixassem de existir, Deus iria rejeitar a grande descendência de Jacó. A promessa de uma sucessão na liderança é estendida à nação por ela existir como povo de Deus. A evidência dessa promessa e da misericórdia do Senhor seria o retorno e a restauração dos exilados na terra de sua herança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário