2015/09/04

Significado de Jeremias 7

Significado de Jeremias 7 

Significado de Jeremias 7




Jeremias 7

7.1-15 — Essa passagem (chamada de Sermão do templo) marca o advento de uma série de quatro oráculos em prosa que tratam da religião falsa, desde o culto no templo em Jerusalém até a adoração abominável de divindades estrangeiras. O Sermão do templo vai de encontro à ideia popular dos dias de Jeremias de que Jerusalém e o templo do Senhor eram invioláveis. Chamamos isso atualmente de a heresia do culto no templo. A atividade de sacrifícios se desenvolvia, e o ofício dos profetas estava em plena ascensão. O povo supunha que a atividade religiosa constante garantiria a santidade e a segurança de Jerusalém e de seu centro de adoração. Entretanto, o ritual era isento de devoção genuína, à medida que as exigências éticas da aliança eram negligenciadas.

A data dessa proclamação geralmente é estimada como 609 a.C., no início do reinado de Jeoaquim (a passagem paralela em 26.1-24). Esse trecho é estruturado da seguinte maneira:

(1) introdução e apresentação (Jr 7.1,2);
(2) chamado ao arrependimento (Jr 7.3, 4);
(3) determinações (Jr 7.5-7);
(4) acusação (Jr 7.8-11); e
(5) advertência sobre a desobediência (Jr 7.12-15).

Com a morte do rei Josias, Jeremias reconheceu que as reformas religiosas iniciadas por aquele rei temente a Deus haviam-se encerrado. O povo retornou à idolatria.

7.1,2 — A palavra que foi dita a Jeremias era uma mensagem direta de Deus no pátio do templo.

Põe-te à porta. O trecho paralelo em 26.2 sugere que a proclamação se deu no pátio externo, onde Jeremias podia dirigir-se a um grande número de pessoas. Adorardes sugere o ato de se curvar em serviço e obediência a um deus, a um rei ou a um sacerdote. Ao se curvar, o adorador declarava obediência às exigências daquele que estava recebendo a honra (Jr 22.9).

7.3 — Emendai (ara) . Nesse trecho, o chamado ao arrependimento utiliza um tema diferente (Jr 26.13) do usual traduzido como tornar a (Jr 3.1). Uma transformação completa dos caminhos e das obras do povo, além de seu estilo de vida e suas crenças, era necessária.

7.4 — Não vos fieis transmite a ideia de segurança e confiança que o povo tinha em seu santo lugar. Eles acreditavam que, como Deus havia escolhido Jerusalém como sua habitação, havia prometido que um rei da linhagem de Davi permaneceria no trono para sempre e havia libertado a cidade dos ataques nos dias de Ezequias e de Isaías, Ele nunca permitiria que a cidade ou o templo fossem destruídos. Palavras falsas pode se referir à confiança infundada no templo como um símbolo idólatra ou na adoração de deuses estrangeiros.

O templo do Senhor havia-se tomado um amuleto para os israelitas. Eles acreditavam que o edifício garantiria sua segurança, independentemente de obedecerem às determinações da aliança. Essa esperança era mentirosa (Jr 3.23; 7.9; 8.8).

7.5, 6 — A única esperança verdadeira para a habitação no contexto do templo era uma reestruturação radical da sociedade israelita. Se deveras emendardes (ara), ou seja, corrigir ou fazer o bem, enfatiza a necessidade de transformação dos habitantes de Jerusalém.

Se deveras fizerdes juízo. Essa expressão enfática indica a profundidade da corrupção que existia na terra; não havia justiça.

Estrangeiro diz respeito aos habitantes não judeus que ocupavam a terra. O órfão e a viúva deveriam receber tratamento especial de acordo com a Lei, mas estavam sendo abusados pelos líderes de Jerusalém.

Sangue inocente diz respeito às pessoas condenadas por crimes capitais com base em acusações falsas, tais como o profeta Urias (Jr 26.23). A preocupação humanitária em relação a todos era um conceito central da aliança. Andar após outros deuses significa servir-lhes e adorá-los.

7.7 — Eu vos farei habitar. Essa expressão enfatiza a vontade real de Deus para estabelecer a nação de Israel na terra. Para que o povo pudesse habitar na terra, teria de ser fiel a Deus (Dt 7.6-11).

7.8 — O refrão do versículo 4 é complementado aqui pela expressão para nada são proveitosas (2.8, 11). A ideia de que o templo era inviolável era tão inútil quanto os deuses impotentes que Israel idolatrava.

7.9 — As determinações da aliança que os habitantes de Jerusalém haviam violado são listadas aqui (Ex 20.1-17). Queimareis incenso. Jeremias usa essa expressão muitas vezes no contexto da adoração a outros deuses que não o Senhor (Jr 1.16). Conhecer refere-se a um relacionamento íntimo, com propósito semelhante ao de marido e mulher.

7.10 — E vós poreis diante significa colocar-se em submissão ao serviço de alguém. O ato de o povo entrar no templo de Deus dessa maneira enquanto adorava outros deuses era inconcebível. Além disso, o fato de achar que estava seguro (livre) o suficiente para realizar abominações (Jr 2.7) era o cúmulo da hipocrisia. Paulo elabora sobre esse conceito em Rm 6.12-16.

7.11 — Caverna de salteadores. Como assaltantes escondidos em uma caverna em busca de segurança, Judá tentou se esconder por trás do santuário do templo para se proteger do julgamento divino. Entretanto, o Senhor havia visto a hipocrisia de Israel. Jesus citou esse versículo quando purificou o segundo templo (Mt 21.13).

7.12 — Siló era o local da tenda da congregação e da arca do concerto nos dias dos juízes. Líderes na família de Eli haviam abusado de sua posição como sacerdotes em busca de ganho pessoal, e a idolatria estava se espalhando pela terra. Quando os israelitas tentaram utilizar a arca como um amuleto de vitória, ela foi capturada (ISm 4) e o santuário foi destruído pelos filisteus. Esses foram instrumentos do castigo divino por causa da maldade do povo de Deus. O amor do Senhor por Seu povo não o impedia de castigá-lo por sua iniquidade.

7.13 — Todas estas obras são os pecados listados nos versículos 6, 8 e 9 de Jeremias.

7.14,15 — A antiga habitação de Deus, Siló, seria como exemplo da destruição iminente de Jerusalém. O templo tinha de ser destruído para vingar o nome do Senhor; o povo tinha de ser exilado para limpar a terra da iniquidade.

7.16-20 — Esses versículos detalham a idolatria a Istar (Aserá, a deusa assíria do amor, da fertilidade e da guerra). A condenação das práticas culturais decadentes de Judá continuam com um oráculo de julgamento apresentado como uma mensagem do Senhor a Jeremias.

7.16 — A instrução de Deus a Jeremias, não ores por este povo, indica a profunda depravação dos habitantes de Jerusalém (Jr 11.14; 14.11). Nenhum tipo de clamor deveria ser feito em favor de Judá. Deus não ouviria os apelos de Jeremias.

7.17,18 — Rainha dos Céus refere-se a Istar, que era cultuada em centros de adoração a céu aberto ao longo de toda a região oriental do Mediterrâneo e da Mesopotâmia. A adoração a Istar envolvia a preparação de bolos especiais que traziam a imagem da deusa, bem como libações (Jr 44.19). A cooperação familiar na adoração idólatra a Istar estava em oposição direta às exigências da lei de que um pai deveria instruir seus filhos dos caminhos do Senhor (Dt 6.4-9).

7.19 — Provocam, significando vexar ou irritar, descreve os efeitos da contínua infidelidade de Israel. Além disso, o povo estava trazendo danos sobre si mesmo.

7.20 — O julgamento de Deus contra a idolatria abominável a Istar é descrito em termos de um fogo que não se apagaria. A devastação do fogo alcançaria homens, animais, campo e frutos.

7.21-27 — Os salmistas e os profetas eram unânimes ao declarar que Deus exigia obediência em vez de sacrifício (SI 40.6-8; 51.16,17; Os 6.6; Am 5.21-24; Mq 6.6-8). O sacrifício nunca poderia promover a comunhão com Deus se a pessoa não tivesse um coração arrependido e dedicado ao Senhor. Em contrapartida, o sacrifício (realizado corretamente) era totalmente necessário de acordo com os padrões de adoração que o Senhor havia estabelecido (Lc 1-7).

7.21 — Ajuntai os vossos holocaustos aos vossos sacrifícios. Pelo fato de o povo ter se esquecido do verdadeiro significado da adoração ao Senhor, poderia multiplicar seus sacrifícios o quanto desejasse, pois não iria adiantar. Deus não se importava com sacrifícios. Para Ele, era apenas carne.

7.22 — Nem todos os sacrifícios foram rejeitados, apenas aqueles oferecidos sem o verdadeiro arrependimento e o compromisso de obedecer ao Senhor.

7.23 — Deus exigia que Seu povo desse ouvidos à Sua voz. Para que vos vá bem. A obediência traria a bênção. Quando os profetas se pronunciaram contra os sacrifícios, não era contra o sistema que Deus havia estabelecido, mas contra a corrupção do sistema da maneira como o povo estava praticando. A mesma ênfase está presente em passagens do Novo Testamento que aparentemente falam contra a Lei. Tanto os autores do Novo Testamento como os profetas hebreus denunciavam os abusos contra os padrões divinos.

7.24 — A história de Israel é vista à luz da desobediência em vez da fidelidade à aliança, refletindo o coração malvado do povo (Jr 4-14). O resultado era uma piora, como andar para trás, em vez de uma melhora, ou caminhar adiante.

7.25 — Desde os dias de Moisés, Deus enviou Seus profetas para chamar a nação de Israel à obediência fundamentada na aliança. Todos os dias madrugando e enviando-os indica a persistência e a urgência da mensagem de Deus por intermédio de Seus profetas.

7.26,27 — Inclinar os ouvidos sugere disposição em ouvir e prontidão em obedecer. Endureceram a sua cerviz indica desprezo em relação à vontade e à obra de Deus. Jeremias, como Isaías antes dele (Is 6.9,10), foi informado de que o povo não reagiria favoravelmente à sua mensagem.

7.28 — O povo era teimoso, e rejeitava as leis da aliança. Era persistente em desobedecer à voz do Senhor revelada por intermédio dos profetas. Correção refere-se à instrução da lei e dos profetas (Jr 5.3). Verdade diz respeito à fidelidade característica de Deus; porém, ausente entre Seu povo.

7.29-34 — Esse oráculo de julgamento dá continuidade ao tema da idolatria e é apresentado em forma de lamento, tendo a seguinte estrutura:

(1) lamento introdutório (Jr 7.29);
(2) acusação (Jr 7.30,31) e
(3) anúncio do julgamento (Jr 7.32-34).

7.29 — Cortar o cabelo era uma maneira de expressar luto e tristeza. O ato também pode simbolizar o fato de que Judá rejeitou o relacionamento da aliança, como se tivesse rompido um voto de nazireu, um sinal de devoção pessoal em que a pessoa deixava o cabelo crescer (Nm 6.1-21).

Altos desnudos (ara). O local de pranto é o mesmo onde Judá realizava suas práticas idólatras (Jr 3.2). O Senhor havia rejeitado aquela geração, assim como o povo havia rejeitado a Lei (Jr 6.19) e havia sido rejeitado por seus amantes (Jr 4.30).

7.30,31 — O mal dessa geração, que vinha desde os dias de Manassés, incluía a colocação de abominações ou objetos detestáveis como ídolos e altares pagãos no templo de Deus. Os sacrifícios de Tofete, inspirados em práticas fenícias e cananeias, envolviam o sacrifício de crianças em períodos de crise ou desastre nacional.

Queimarem [...] suas filhas. Isso acontecia no vale de Hinom, na porção sudeste de Jerusalém. Nunca ordenei. Em sua total confusão a respeito da vontade de Deus, o povo talvez achasse que poderia evitar a dominação estrangeira, a fome e o desastre sacrificando seus filhos. Nem me subiu ao coração. Essa ideia terrível era totalmente estranha à mente e à vontade do Deus vivo.

7.32 — Eis que vêm dias. Essa expressão indica uma intervenção divina na história, geralmente em julgamento. Com a expressão vale da Matança Jeremias usa o recurso profético de mudar um nome para expressar a avaliação de Deus a respeito do vale de Hinom.

7.33 — Cadáveres deixados a céu aberto à mercê das intempéries e dos animais eram considerados uma terrível profanação no Oriente Médio antigo.

7.34 — As orações não serviriam de nada a Judá por causa de seu grande pecado. A nação estaria destituída de alegria e de folguedo. A terra tornar-se-ia em desolação. A palavra desolação é utilizada de maneira extensiva por Isaías, Jeremias e Ezequiel para se referir à devastação de Jerusalém.

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