2015/09/21

Significado de João 3

Significado de João 3

Significado de João 3


João 3

3.1 — Um home chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. O título príncipe dos judeus revela que Nicodemos era membro do conselho judaico, o mesmo que enviou um grupo para investigar João Batista (Jo 1.24). Nicodemos certamente sabia que João havia negado ser o Messias (Jo 1.20), mas também havia testificado que o Messias estava presente (Jo 1.26,27).

3.2 — O fato de Nicodemos ter procurado Jesus de noite revela medo ou a fraqueza de sua fé (Jo 12.42); embora depois ela tenha crescido (Jo 7.50,51; 19.39).

3.3 — Nascer de novo. A expressão grega traduzida como de novo pode significar novamente ou do alto. O novo nascimento, ou regeneração (Tt 3.5), é o ato pelo qual Deus concede uma vida espiritual àqueles que confiam em Cristo. Sem esse nascimento espiritual, ninguém pode conhecer as coisas espirituais (1 Co 2.10, 13-16) nem entrar no Reino de Deus (v. 5).

3.4 — Como pode um homem nascer, sendo velho? A pergunta foi feita de forma a receber uma resposta negativa. Nicodemos não entendeu o que Jesus lhe havia dito, pensando tratar-se de um segundo nascimento físico.

3.5 — Nascer da água (gr. hudor) e do Espírito (gr. pneuma). A expressão da água tem sido interpretada como: (1) o batismo nas águas, embora o Novo Testamento ensine que alguém nasce de novo pela fé, não pelo batismo (At 10.43-47); (2) um símbolo do Espírito Santo: essas palavras poderiam ser traduzidas como nascer da água e também do Espírito; (3) um símbolo da Palavra de Deus (Ef 5.26; 1 Pe 1.23); (4) nascimento físico; (5) o batismo de João Batista; (6) uma alusão do Antigo Testamento à obra de Deus, assim como o vento, que vinha do alto.

As três primeiras interpretações são questionáveis, já que dependem de uma futura explicação das Escrituras, algo que Jesus ainda não tinha dado àqueles que o ouviam.

A quarta interpretação diz respeito ao nascimento físico (Jo 3.4), o que deduziu Nicodemos e levou Jesus a dizer o que é nascido da carne é carne (Jo 3.6). Se alguém pudesse entrar de novo no ventre de sua mãe e nascer de novo, ainda assim, Ele seria carne. Mas essa é uma hipótese ilógica, pois toma as palavras de Jesus absurdas e distorce totalmente o que Ele de fato quis dizer. As opções 5 e 6 são mais sensatas, pois é bem provável que Nicodemos conhecesse o batismo de João Batista. O que Jesus estava dizendo é que era preciso reconhecer a mensagem de João Batista e aceitá-la (o batismo), para depois então receber o batismo do Messias, no Espírito, como João havia predito (Jo 1.31-33).

Esse conceito é respaldado tanto pela história como pela teologia. Jesus enfatiza no versículo 6 que há duas dimensões, a carnal e a espiritual. O homem por si mesmo não pode se salvar, e por isso tem de confiar no Espírito de Deus para ser regenerado.

A opção 6 está baseada na tradução da palavra pneuma, que significa vento ou espírito. Entretanto, o termo grego aqui deve ser entendido como vento, e não espírito-, assim como água é um termo aplicado a verdades espirituais no Antigo Testamento (por exemplo, Isaías 44.3-5 e Ezequiel 37.9,10). Jesus, desse modo, está mostrando a diferença entre as coisas que são de baixo (o ventre materno) e os elementos da água e do vento que são de cima (a obra divina do Espírito de Deus). Um mestre de Israel deveria entender essa analogia do Antigo Testamento. Talvez, ainda, Jesus estivesse desafiando Nicodemos, já que ele era um mestre de Israel, a responder às perguntas de Provérbios 30.4,5: (1) Quem subiu ao céu e desceu? (2) Quem encerrou os ventos em seus punhos? (3) Quem amarrou as águas na sua roupa? (4) Quem estabeleceu todas as extremidades da terra? (5) Qual é o seu nome, e qual é o nome de seu filho? Toda palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiamnele (compare com João 3.15,16).

3.6 — O que é nascido da carne é carne (gr. sarx). A carne não pode se tornar espírito. E por isso que é preciso nascer de novo (v. 7).

3.7 — Necessário vos é nascer de novo. Ênfase para o pronome vos. No versículo 2, Nicodemos usou o verbo sabemos, provavelmente se referindo ao conselho judaico, o Sinédrio. Jesus fala aqui então não somente a Nicodemos, mas a todos quanto ele representava.

3.8 — A conversa entre Jesus e Nicodemos aconteceu de noite (v. 2). Conversas noturnas geralmente aconteciam no piso superior da casa. E bem provável que enquanto eles conversavam, o vento soprava.

Jesus usou o vento como um símbolo da obra do Espírito Santo. A palavra grega traduzida por espírito também significa vento. E como o vento sopra onde quer, de modo soberano, assim também opera o Espírito Santo. Ninguém sabe a origem ou o destino do vento, mas todos sabem que ele existe. O mesmo acontece com o Espírito Santo.

3.9 — Como pode ser isso? Nicodemos queria saber como ele poderia passar pelo novo nascimento sobre o qual Jesus lhe havia falado.

3.10 — Tu és mestre de Israel e não sabes isso? Jesus respondeu à pergunta de Nicodemos (v. 13-15), mas antes lhe chamou atenção pelo fato de ser ele um mestre das Escrituras hebraicas e não saber nada sobre o nascimento espiritual (Pv 30.4; Is 44.3; Ez 36.26,27).

3.11 — E não aceitais o nosso testemunho. Novamente a locução verbal [não aceitais] está no plural aqui (v. 7). Jesus tinha outros em mente além de Nicodemos. E Ele repreende não somente a Nicodemos, mas a todos os fariseus também.

3.12 — Coisas terrenas se referem às coisas que acontecem na terra, como o novo nascimento (v. 3,5-7), o vento (v. 8) e talvez até os milagres. As coisas celestiais se referem a eventos como a ascensão de Cristo (Jo 6.61,62) e a vinda do Espírito Santo. Nicodemos pode até ter acreditado nos milagres de Jesus (v. 2), mas a maioria do conselho judaico não (v. 11).

3.13 — No versículo nove, referindo-se ao novo nascimento, Nicodemos pergunta: Como pode ser isso? Aqui, Jesus responde à pergunta dele. O novo nascimento é pelo Filho, pela cruz (v. 14) e pela fé (v.15).

3.14 — Toda vez que o verbo levantou aparece no Evangelho de João, ele é alusivo à morte de Jesus (Jo8.28; 12.32,34). Quando Moisés levantou a serpente no deserto (Nm21.9), aqueles que olharam para ela foram salvos. É assim com o Filho do Homem também (Jo 1.51). Olhe e seja salvo! Eis o Cordeiro de Deus!

3.15 — Não pereça, mas tenha a vida eterna. Essa é a primeira vez que a expressão vida eterna é mencionada no Evangelho de João 4.36; 5.39; 6.54,68; 10.28; 12.25; 17.2,3). Quando alguém confia em Cristo, este nasce de novo e recebe uma vida espiritual e eterna, a vida do próprio Deus. O foco então não está na nossa fé, mas em Cristo, o motivo da nossa fé. A fé por si só não salva. Ela é apenas um canal para aquele que salva — Jesus!

3.16 — Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito. O amor de Deus não se restringe a uma nação ou a elites espirituais. O termo mundo aqui pode ser alusivo a toda a criação (Rm 8.19-22; Cl 1.20).

A palavra grega para unigênito indica que Jesus era filho único; não comunica apenas a ideia de um nascimento. Por exemplo, Isaque é chamado de unigênito de Abraão em Hebreus 11.17 e na Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento (Gn 22.2,12,16), mas, na verdade, Abraão tinha dois filhos: Ismael e Isaque. O Filho de Deus é o Filho único do Pai, o Seu unigênito.

3.17 — Jesus veio a primeira vez para que o mundo fosse salvo por ele. Mas quando Ele vier novamente, Ele virá para julgar todos aqueles que recusaram Sua salvação.

3.18 — Quem crê nele não é condenado. Crer implica receber a vida (v. 15, 16).

3.19 — O termo condenação aqui se refere à razão que leva ao juízo de Deus. A luz é Jesus, a Luz do mundo (Jo 1.7-9; 8.12; 9.5).

3.20 — As pessoas inventam muitas desculpas para não aceitar a Cristo. Algumas dizem que há muita hipocrisia na Igreja. Outras dizem que não conseguem crer em algumas verdades de Jesus ou do evangelho. Mas isso é apenas uma desculpa para esconder a rebeldia delas contra Deus. Por fim, a última razão pela qual as pessoas não se rendem a Cristo é porque elas não querem mesmo.

3.21 — Quem pratica a verdade (1 Jo 1.5) com certeza já é um cristão porque suas obras são feitas em Deus. Sendo assim, vir para a luz é mais do que um exercício de fé. Aquele que vem para a luz não somente crê, mas também a recebe para que suas obras sejam vistas como algo feito em união com Deus. Deus confia naquele que crê no Filho e pratica a verdade, e lhe dá revelação e habilidade para fazer a obra dele.

3.22 — E estava ali com eles e batizava. A impressão que temos aqui é que Jesus batizava. Mas João corrige isso no capítulo 4, versículo 2. Jesus dava autoridade aos discípulos, e eram eles que batizavam.

3.23 — João batizava em Enom. Provavelmente esse lugar ficava a oeste do rio Jordão. Muitas águas. Havia muitas fontes em Enom. E vinham ali, ou seja, as pessoas daquela região.

3.24 — Porque ainda João não tinha sido lançado na prisão. Os Evangelhos Sinóticos, principalmente Mateus e Marcos, dão a impressão de que a prisão de João Batista aconteceu logo após o batismo de Jesus. Mas esse versículo esclarece que houve um intervalo entre o batismo de Jesus e a prisão de João, durante o qual ambos ministraram.

3.25 — Houve, então, uma questão entre os discípulos de João e um judeu, acerca da purificação. Tanto os discípulos de Jesus como os de João Batista estavam batizando, e, como resultado, surgiu uma questão levantada pelos discípulos de João quando estes entraram em discussão com um judeu. A palavra purificação aqui diz respeito ao batismo.

3.26 — Foram ter com João e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão. Os discípulos de João eram fiéis a ele. Eles estavam preocupados porque Jesus estaria competindo com João e o superando. Tomados de espanto pelo o que estavam vendo chegaram a exagerar na argumentação: e todos vão ter com ele. Eles estavam preocupados porque acreditavam que João estava perdendo seu ministério para outro pregador.

3.27,28 — João Batista deixou bem claro a relação que havia entre ele e Jesus. Primeiro, ele fala de si mesmo (v. 27-29), depois, então, fala de Jesus (v. 30-36). João explicou que ele não podia aceitar a posição de supremacia que seus discípulos queriam conferir-lhe porque ele não a recebera do céu. Nós devemos ter a aprovação divina para fazer o que quer que seja, até mesmo a obra de Deus. Muito do que fazemos, até mesmo na Igreja, segue as tendências deste mundo. Devemos ter sensibilidade para cumprir os mandamentos de Deus, mesmo que tais mandamentos entrem em choque com o que o mundo acredita ser certo. Não precisamos valer-nos dos padrões deste sistema mundano. Ao contrário, podemos ser transformados interiormente aplicando a Palavra de Deus à nossa vida (Rm 12.2).

3.29 — Ao explicar por que as pessoas estavam indo ter com Jesus (v. 26), João Batista salienta que a noiva recebe o noivo (ara) . Mas João se compara com o amigo do noivo (ara) , que é escolhido para fazer os preparativos para o casamento, cuidar de recepção e organizar a festa. O amigo do noivo só acabava seu trabalho quando deixava tudo preparado. E sua alegria vinha da felicidade do noivo. João Batista estava feliz com a posição que ocupava. Ele se sentia feliz por ser a voz (Jo 1.23) e o amigo do noivo.

3.30 — E necessário que ele cresça e que eu diminua. João Batista salientou que Jesus Cristo tinha de crescer em popularidade, enquanto ele, João, tinha de diminuir. João explicou que Jesus tinha de crescer por causa: (1) da Sua origem divina (v. 31), (2) do Seu ensinamento divino (v. 32-34), e (3) da Sua autoridade divina (v. 35,36). Embora João encorajasse seus discípulos a seguir Jesus, alguns deles ainda foram encontrados na condição de discípulo de João muitos anos depois em Éfeso (At 19).

3.31 — Aquele que vem de cima diz respeito a Jesus Cristo. Aquele que vem da terra diz respeito a João Batista. João deixou bem claro suas limitações e sua origem terrena. Ele anunciou a verdade celestial na terra; por outro lado Jesus é aquele que vem do céu e que está sobre todos.

3.32 — Ninguém aceita o seu testemunho. Ninguém pode aceitar Jesus Cristo se a obra de Deus não for feita dentro da pessoa (Jo 6.44).

3.33 — Confirmou que Deus é verdadeiro. O termo confirmou também significa selou. Em uma sociedade em que muitos não sabiam ler, as correspondências recebiam um selo para autenticar sua mensagem. O selo era um marca de propriedade e representava algo pessoal de alguém. Quem aceita o testemunho de Jesus confirma que Deus é verdadeiro porque Ele o selou.

3.34 — Ao contrário dos mestres humanos, Jesus não dava o Espírito por medida, ou seja, de maneira limitada (Is 11.1,2). O Espírito Santo foi dado totalmente a Jesus. As três Pessoas da Trindade são citadas nesse versículo: Deus Pai enviou Jesus Cristo, o Filho, e lhe deu o Espírito Santo sem medida.

3.35 — Deus Pai não somente nos deu Jesus, como homem, e o Espírito Santo (v. 34), mas também nos deu todas as coisas, inclusive o poder de gerar vida (Jo 5.21) e julgar (Jo 5.22). A expressão nas suas mãos representa o poder que o Filho tem de fazer uso de todas as coisas.

3.36 — Aquele que crê no Filho tem a vida eterna. A tradução do verbo ter está no presente do indicativo aqui. Quem crê tem a vida eterna como uma herança já no tempo presente. Do mesmo modo, quem se recusa a crer em Jesus tem a ira de Deus já no presente.


10 comentários:

JL Squiavo disse...

muito bom esse site, ótimos comentários

Anônimo disse...

Amei este estudo, me ajudou muito, obrigada!!

Nao disse...

A paz do senhor
Muito bom este estudo da palavra Deus

Anônimo disse...

amei o estudo, muito claro, parabéns!!!

Unknown disse...

Muito bom. Parabéns

Missionária Cleide Rodrigues Cleidinha disse...

Aquele que crê no Filho de Deus, tem a vida eterna :)

Unknown disse...

Muito bom,muito bom ótimo esse estudo.

Unknown disse...

Muito bom esse estudo bem simples de fcil compreensão ótimo

tarcisio junior disse...

Na primeira parte Jesus diz: - Necessário vos é nascer de novo! O que é da água é água, o que é do espírito é espírito. Nós seres humanos somos em torno de 75% água, na segunda sequência ele fala: - aquele que é nascido da carne é carne, então aqui fica estabelecido a relação água e carne. Tanto na primeira quanto na segunda parte ele relata: - o que é nascido do espírito é espírito. Digo-lhe em verdade: Ninguém pode entrar no Reino de Deus, se não nascer da água e do Espírito. O vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito". Nascer da água é nascer na carne, nascer do espírito é como todos nós somos antes da vida carnal e depois dela. a realidade espiritual. existimos antes e depois da vida na carne. A lógica de Deus nas palavras de Jesus está explícita. O espírito é como o vento, o vento sopra onde quer. Você o escuta, mas não pode dizer de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todos os nascidos do Espírito. Todos passarão por vicissitudes e aprenderão a cada experiência lições individuais que com o passar do tempo serão tranquilamente entendidas. Antes da vida carnal há a liberdade espiritual, durante a vida carnal estaremos em uma "escola", depois da vida carnal a reflexão e o juízo também individual. Que tenhamos sabedoria para entender!

AetherOne disse...

Obrigado pelo estudo.

Postar um comentário