Significado de Mateus 13

Significado de Mateus 13

Significado de Mateus 13


Mateus 13

13.1-58 — Os capítulos 12 e 13 do evangelho de Mateus são essenciais para entendermos seu evangelho, porque eles nos levam ao divisor de águas do ministério de Jesus. No capítulo 12, a incredulidade de Israel chega ao clímax com o pecado de negar o Messias. O capítulo 13 continua com a resposta de Cristo à incredulidade deles. Essa blasfêmia dos líderes religiosos no capítulo 12 é vista por Jesus como a rejeição oficial de Sua obra messiânica, o que o levou a rejeitá-los também. Depois disso, Jesus teve um grande desafio pedagógico ao ter de ensinar essa mudança a Seus discípulos mais chegados, e então explicá-la à multidão que o seguia. Seus seguidores enfrentaram um dilema: como Ele poderia ser o Messias já que fora rejeitado pelos líderes religiosos? E como isso afetaria o propósito de Seu Reino? Para resolver esses grandes problemas, Jesus recorreu às parábolas. Parábola é uma espécie de alegoria que retrata basicamente uma verdade central, a qual pode ser ilustrada por vários acontecimentos ao longo da história.

13.1-3 — E falou-lhe de muitas coisas por parábolas. O método de ensino por parábolas, comumente usado pelos rabinos, utilizava cenas reais do dia-a-dia para ensinar novas verdades sobre o Reino.

13.4 — Uma parte da semente caiu ao pé do caminho. A semente lançada no chão endurecido pela passagem de muitas pessoas e animais não pode penetrá-lo, ficando à mercê dos pássaros.

13.5,6 — Pedregais faz alusão ao solo que não é profundo por estar em meio às rochas. A fina camada de terra acelera o crescimento da semente sob o sol escaldante, mas a planta só consegue sobreviver por pouco tempo, porque o solo não é muito profundo.

13.7 — Entre espinhos faz menção de um bom solo, mas ocupado por ervas daninhas.

13.8 4— Boa terra significa um solo arado e bem cuidado/que produz uma farta colheita.

13.9 — A declaração quem tem ouvidos para ouvir, que ouça vai além da audição humana e expressa uma percepção espiritual da verdade. Isso levou os discípulos a perguntar a Jesus por que Ele lhes falava por parábolas. Embora Ele já tivesse usado parábolas para ilustrar Seus ensinamentos, agora elas formavam a base de Sua mensagem.

13.10-15 — Porque a vós é dado conhecer [...], mas a eles não lhes é dado. O objetivo dessa parábola era, ao mesmo tempo, revelar a verdade (Mt 13.11) e ocultá-la (Mt 13.13). O fato de Jesus ocultar a verdade serviu como juízo para os incrédulos, como aconteceu durante o ministério de Isaías (Is 6.9,10).

13.11 — Os mistérios do Reino dos céus. A palavra mistério representa a verdade que não foi revelada antes (Rm 16.25,26). O fato é que a mensagem do Reino começou a ser pregada em Mateus 3.1 sem nenhuma explicação adicional. Não havia necessidade disso, pois ela já havia sido ampla e repetidamente explicada no Antigo Testamento. Jesus também já se havia referido à chegada do Reino profetizada no Antigo Testamento, mas a expressão os mistérios do Reino dos céus se aplica às novas verdades do Reino prometido. O Reino estava próximo, e o Messias estava sendo rejeitado. Agora era hora de Jesus falar aos discípulos por meio de parábolas para ensinar-lhes algumas verdades do Reino de Deus que ainda não haviam sido reveladas até aquela altura. Já que Israel rejeitou seu Rei, os planos do Reino de Deus tomariam outro rumo, e por tempo indeterminado. Isso é chamado de período médio do Reino.

13.12-17 — Aquele que tem se dará. Assim como rejeitar a verdade traz cegueira, aceitá-la de bom grado traz grande entendimento (Lc 8.16- 18). Esse princípio se aplica aos líderes religiosos de Israel no que diz respeito ao cumprimento de muitas profecias do Antigo Testamento, principalmente Isaías 6.9,10. Ao rejeitarem a mensagem de Jesus, os líderes religiosos ficaram cegos e não puderam entender a natureza espiritual do Reino. Foi assim que as parábolas de Jesus se tornaram uma ferramenta eficaz para revelar a verdade aos fiéis e ocultá-la daqueles que a rejeitaram. Como vemos em Marcos 4-11,12, as parábolas de Jesus revelavam as verdades de Seu Reino assim como a incredulidade de muitos.

13.18-23 — A parábola do semeador (que ao todo vai dos versículos 3 ao 23) não traz nenhuma verdade nova; o que está escrito nesse texto sempre foi válido. As diferentes respostas à verdade sempre foram semelhantes a esses tipos de solo. Qual é então o propósito dessa parábola? Ela serve como introdução a uma série de parábolas. A produtividade do solo e o que colheremos sempre dependem daquilo em que cremos. Jamais podemos receber além do que cremos, e não podemos crer no que não entendemos (At 8.30,31). O segredo não está só na Palavra então, mas na preparação do solo para recebê-la (Tg 1.9-21).

13.24 — O Reino dos céus é semelhante. Essa frase apresenta uma nova verdade sobre a vinda do Reino. Porém, a forma em que ela é introduzida não significa que o Reino se identifique exatamente com um homem que semeia, um grão demostarda (Mt 13.31) o u o fermento (Mt 13.33). Tais figuras são usadas apenas para ilustrar certas verdades sobre o Reino encontradas na história. A parábola foi contada basicamente com a intenção de ensinar algo específico, e não seu significado em detalhes.

13.25-30 — Veio o seu inimigo, e semeou o joio. O joio se parece muito com o trigo, mas é prejudicial ao homem. Todavia, o joio e o trigo só podem ser distinguidos quando o grão finalmente brota. Os fazendeiros então separam o joio do trigo antes da colheita. Até a volta de Cristo, tanto os verdadeiros quanto os falsos cristãos permanecerão juntos.

13.31,32 — O Reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda. A parábola do joio e do trigo (Mt 13.24-30) revela que o Reino de Deus será precedido por um tempo em que os bons e os maus viverão juntos. A parábola do grão de mostarda afirma que, durante esse período, o número de pessoas que herdarão o Reino será muito pequeno, a princípio. Todavia, embora o Reino tenha início como a menor de todas as sementes, ele crescerá e superará em muito seu tamanho inicial. As aves do céu não representam o mal como na parábola do semeador (Mt 13.4,19). No Antigo Testamento, uma árvore grande e frondosa capaz de abrigar um ninho de pássaros era considerada boa e saudável (SI 104.12; Ez 17.23; 31.6; Dn 4.12,21). O Reino, embora contando com um pequeno número de pessoas no começo dos tempos, no fim será muito grande e próspero.

13.33 — O Reino dos céus é semelhante ao fermento. Essa segunda parábola sobre o crescimento é menor do que as primeiras, mas está baseada nelas. E bem pequena, porém tem gerado muita discussão. Será que o fermento é um símbolo do pecado ou, como na parábola do grão de mostarda, retrata os grandes resultados que vêm depois de um pequeno começo?

O fermento na Bíblia geralmente é apresentado como um exemplo do mal. Uma interpretação frequente é que seu uso nesse versículo também serve para representar o mal que aos poucos vem sendo introduzido no cristianismo. Mas é difícil acreditar que o fermento nessa parábola se refira ao mal, ainda mais porque também o encontramos em Lucas 13.20, passagem em que ele representa o Reino dos céus, que dificilmente permitiria que o mal entrasse nele.

Devemos lembrar que, no contexto familiar da Palestina, o fermento só não era usado uma semana em todo o ano (na festa dos Pães Asmos). Jesus falava em parábolas para que as pessoas simples as entendessem, e não os líderes religiosos, que estavam mais preocupados em decifrar símbolos teológicos.

A capacidade dinâmica do fermento, que promove o crescimento da massa, pode ser um símbolo do crescimento numérico do Reino de Deus. Como a parábola em Mateus 13.31,32 trata da proporção em que o Reino cresce, esta fala do poder e do processo desse crescimento. Sua lição está relacionada com a ilustração anterior, que fala sobre quando esse grande crescimento acontecerá.

Entretanto, o crescimento do Reino não vem da força bélica ou de organizações seculares, e sim do seu agente interno, o Espírito Santo. Por isso, nenhuma oposição o deterá, ao contrário, contribuirá para o seu sucesso, porque a pressão faz com que o fermento penetre ainda mais na massa, fazendo-a crescer muito.

13.34,35 — O que Asafe diz no Salmo 78.2 é uma profecia que se refere às parábolas de Jesus.

13.36 — Tendo despedido a multidão. As parábolas em Mateus 13.1-35 foram contadas à multidão. A frase foi Jesus para casa indica que as parábolas em Mateus 13.44-52 foram ditas somente aos discípulos. Durante essa instrução particular, Jesus explicou as histórias que tinha contado antes e depois contou mais quatro.

13.37,38 — Filhos do Reino são os herdeiros do Reino.

13.39-43 — O fim do mundo se refere ao tempo que o Filho do Homem virá e implantará definitivamente Seu Reino de justiça.

13.44 — O Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo. As parábolas de Mateus 13.44-52 tratam dos valores e responsabilidades do Reino. Elas se dirigem especialmente aos cristãos. As duas primeiras só se encontram no evangelho de Mateus e aparecem juntas. Vendo frustrados seus sonhos de que o grande reino de Davi fosse finalmente restaurado, os discípulos enfrentariam oposição de todos os lados e tinham de decidir se pagariam o preço. Na primeira história, um homem encontra um baú cheio de tesouros e faz de tudo para escondê-lo. A verdade principal ensinada aqui é o grande valor do Reino, de forma que vale a pena todo esforço e sacrifício para alcançá-lo.

13.45,46 — O Reino dos céus é semelhante ao homem negociante que busca boas pérolas. Essa segunda parábola sobre o valor do Reino tem como alvo contagiar os desanimados discípulos com o entusiasmo de Jesus sobre o Reino. O fato de Ele os encorajar duas vezes demonstra que era muito importante fazer isso naquele momento. Contudo, essa parábola é um pouco diferente da que se encontra em Mateus 13.44. Enquanto o homem do versículo 44 encontra o tesouro por acaso, o personagem desta parábola vai à procura dele. Não importa como alguém encontra o Reino de Deus, pois não há como explicar a riqueza e a alegria que se tem ao encontrá-lo. Cristo ensinou esse princípio básico de investimento a Seus discípulos (Mt 6.19-21; 16.24-27). Mas há dois conceitos errados sobre essas parábolas que devem ser considerados. O primeiro foi proposto por Orígenes e afirma que Cristo é o tesouro escondido ou a pérola de inestimável valor que o pecador tem de encontrar e comprar. Na outra parábola, os papéis são invertidos, fazendo uma alusão descabida a Cristo como aquele que encontra a Igreja e a compra. Ambos, contudo, são conceitos errados (Cristo não está à venda nem vendeu Israel para comprar a Igreja) e lidam com questões que estão fora do contexto. O melhor aqui é simplesmente reconhecer o dilema dos discípulos àquela altura e a preocupação de Jesus de mostrar-lhes como era grandioso o chamado para participarem dos planos desse Reino.

13.47-50 — O Reino dos céus é semelhante a uma rede. As duas últimas parábolas falam das responsabilidades dos discípulos no Reino. Primeiro, Jesus descreve uma grande rede que cobria uma grande área e arrastava tudo que havia no fundo do lago. Essa rede apanha toda qualidade de peixes, sem distinção. Do mesmo modo, a responsabilidade dos discípulos seria pescar “peixes” de todos os tipos. Entretanto, o trabalho de escolher e separar os que não serviam não cabia aos discípulos, pois eles não foram chamados nem estavam preparados para fazê-lo. Esse trabalho estava destinado aos anjos, na volta de Cristo.

13.51,52 — Coisas novas e velhas se referem às verdades do Reino encontradas no Antigo Testamento e as que foram reveladas nessas parábolas. Então, o que há de novo aqui? (1) Em vez de o Reino vir logo, haveria o intervalo de uma era (compare com At 1.6,7) em que o bem e mal habitariam juntos, mesmo entre aqueles que eram herdeiros do Reino (Mt 13.37-43). (2) O número de herdeiros seria muito pequeno no início dessa nova era. Contudo, eles se tornariam um grupo enorme (Mt 13.31,32). (3) O mal entraria nesse grupo e, por fim, faria muitos apostatar em (Mt 13.33). (4) O tesouro do Reino, embora parecesse estar ligado ao ministério de Cristo, seria ocultado. Ele o comprou, porém só iria revelá-lo no futuro. (5) O grupo de remidos não compreenderia apenas judeus; reuniria muitas pessoas em um só corpo espiritual. (6) O juízo previsto aconteceria no fim da presente era. Assim como a parábola do semeador foi uma introdução para as seis parábolas do Reino, esta parábola é a conclusão. Ela chama os discípulos para a ação depois de tudo que aprenderam. Eles seriam os mordomos responsáveis por esses tesouros (thesaurou) do Reino. O trabalho, contudo, deveria ser feito de acordo com tudo o que eles aprenderam antes. O conhecimento das coisas novas e velhas exige responsabilidade. Mordomos responsáveis saberiam discernir muito bem o plano da aliança com Israel (deixado de lado temporariamente) e o início do novo plano do Reino que Jesus apresentou. Ele conclui dizendo-lhes que esses dois planos não deveriam ser confundidos.

13.53-56 — O filho do carpinteiro. Carpinteiro era sinônimo de um trabalhador muito habilidoso. José deve ter sido um escultor ou outro tipo de artesão.

13.57,58 — Não há profeta sem honra, a não ser na sua pátria e na sua casa. Nessa segunda missão de Jesus em Nazaré, Sua cidade natal, Ele viu que a incredulidade das pessoas continuava a mesma (Lc 4.16-30). Por conhecerem Jesus, as pessoas ali não reconheceram quem Ele era. Seus olhos estavam cegos por causa da incredulidade. Mateus relata que isso aconteceu inclusive com Seus familiares, na sua casa (compare com Jo 7.5). Embora tal incredulidade estivesse baseada no fato de Ele ser o filho do carpinteiro, Jesus não corrigiu o erro deles naquela ocasião. Ele interpretou tudo somente como uma desculpa para disfarçar a aversão que tinham ao arrependimento espiritual (Jo 6.42). Parece que, ao revelar Seu ministério, Jesus de certo modo inflamou a incredulidade daqueles que eram mais próximos a Ele.

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