Significado de Mateus 2

Significado de Mateus 2

Significado de Mateus 2


Mateus 2

2.1 — Os eventos relatados no capítulo 2 provavelmente aconteceram alguns meses após o nascimento de Jesus. Há muitas razões que podem levar a essa conclusão: (1) José e Maria estavam vivendo em uma casa (Mt 2.1); (2) Jesus aparece como uma criança, não como um bebê (Mt 2.11); (3) Herodes mandou matar todos os meninos da idade de dois anos para baixo (Mt 2.16); e (4) não teria lógica nenhuma José e Maria oferecerem um sacrifício de pessoas pobres, um par de rolas ou dois pombinhos (Lc 2.24; Lv 12.8), se os magos já tivessem dado a eles ouro, incenso e mirra. Portanto, os magos devem ter chegado depois dos oito dias de nascido, quando era oferecido o sacrifício cerimonial descrito em Lucas 2.22-24,39. O rei Herodes descrito aqui é Herodes, o Grande, que reinou na Palestina de 37 a.C. até sua morte, em 4 d.C. Governante astuto e exímio construtor, Herodes teve um reinado marcado por crueldade e carnificinas. Augusto, o imperador romano, disse certa vez, usando um jogo de palavras de uma peça grega, que era melhor ser um porco de Herodes (gr. hus) do que seu filho (gr. huios). A maldade e os assassinatos cruéis desse Herodes são confirmados pelos relatos de Mateus nesse capítulo.

O termo magos também pode ser traduzido por sacerdotes (At 8.9,11; 13.6,8) ou sábios, místicos que tinham algum conhecimento sobre astronomia, como, com certeza, é o caso aqui. O fato de eles serem do Oriente (provavelmente da Pérsia) pode ajudar a explicar o motivo de seu interesse por um Messias judeu. Talvez esses homens tenham aprendido as Escrituras judaicas com os israelitas que foram deportados para a Babilônia e a Medo-Pérsia. De certo modo, é possível que os escritos de Daniel, que foi um sábio no Reino babilônico, tenham atraído o interesse especial desses magos. Daniel tinha muito a dizer acerca da vinda do Rei de Israel, especialmente sobre o tempo de sua chegada (Dn 9.24-26).

2.2,3 — Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Essas palavras deixaram o coração de Herodes apavorado e cheio de ódio. Sua estrela no Oriente pode referir-se a uma estrela que apareceu no céu de modo sobrenatural. Depois a estrela reapareceu para guiar os magos ao lugar em que Cristo estava (Mt 2.9). O fato de ela ser chamada de sua estrela a associa à chegada do Rei dos judeus. Parece que Deus literalmente moveu os céus por ocasião do nascimento do Salvador do mundo.

2.4 — Todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo. Essa primeira referência ao conselho judaico revela que os líderes judeus foram informados antes sobre a vinda do Messias. A rapidez da resposta que deram a Herodes, citando Miqueias 5.2, demonstra que conheciam as profecias messiânicas (Mt 2.6).

2.5-9 — Mateus fala de modo bem claro sobre como as autoridades religiosas judaicas, que mais tarde se tornaram inimigos de Cristo, acabaram confirmando involuntariamente que o nascimento de Jesus havia cumprido a promessa messiânica. Deus pode usar até Seus inimigos para testificar da verdade (Jo 11.49-52).

2.10 — Aconteceram muitas coisas que certamente desanimaram os magos: seu fracasso ao tentar encontrar o rei de Jerusalém, a falta de informação sobre o nascimento do Messias junto às autoridades judaicas, o desinteresse que havia em Israel e o cansaço devido à longa viagem. Mas o reaparecimento da estrela lhes trouxe um novo ânimo e grande alegria. Devemos observar que o júbilo é sinal de uma resposta positiva à revelação de Deus, o que é notório em muitas passagens (1 Pe 1.6,8; At 2.46; 5.41; 8.8, etc).

2.11 — Tudo nesse versículo está direcionado ao Senhor. Maria não passa de uma coadjuvante; José não é mencionado; Cristo é quem recebe toda a honra e os presentes. É Ele quem deve ter a preeminência em tudo (Cl 1.18). O ouro é símbolo da realeza; o incenso, do sumo sacerdócio; a mirra, uma erva amarga usada na preparação dos mortos, o que aponta para a morte dolorosa e expiatória do Salvador.

2.12-14 — Avisados em sonhos. Os cinco sonhos dados por revelação divina provam que Deus estava no controle de todos esses acontecimentos (Mt 1.20; 2.12,13,19-22).

2.15 — Para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Do Egito chamei o meu Filho. Essa é a segunda profecia descrita no capítulo 2 que foi cumprida. A primeira, no versículo 6, é o cumprimento direto da profecia de Miqueias sobre o local do nascimento de Jesus; aqui em Mateus 2.15 trata-se do cumprimento de uma profecia tipológica. A profecia citada aqui, de Oseias 11.1, refere-se à nação de Israel, que deixou o Egito no êxodo como um Filho de Deus. Jesus é o legítimo Filho de Deus e, como Messias de Israel, é o verdadeiro Rei de Israel 0o 15.1), dando, portanto, um sentido completo à profecia em Oseias 11.1.

2.16-21 — Essa profecia se encontra em Jeremias 31.15 e, de acordo com ela, Raquel, que foi sepultada perto de Belém, cerca de trinta séculos antes do cativeiro babilônico, é vista chorando por seus filhos, que foram levados para a Babilônia em 586 a.C. Na matança dos meninos nos dias do nascimento de Jesus, vemos novamente a figura de Raquel, uma matriarca israelita, sofrendo por causa da perda violenta de seus filhos.

2.22 — Assim como seu pai Herodes, Arquelau foi violento e cruel. Os romanos toleraram sua selvageria por dez anos, mas finalmente o depuseram em 6 d.C., depois que uma delegação judaica apresentou um protesto contra ele em Roma. José, já sabendo da reputação de Herodes Arquelau, e avisado por Deus em sonho, foi para as regiões da Galileia.

2.23 — Nazaré. Por ser tão insignificante que jamais foi citado no Antigo Testamento, esse vilarejo era considerado o local mais incomum para o Messias ser criado (Jo 1.45,46). Era o local onde as tropas romanas se reuniam no norte da Galileia, e todos os que viviam ali eram suspeitos de compactuar com o inimigo.

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