Significado de Mateus 22


Significado de Mateus 22

Significado de Mateus 22


Mateus 22

22.1 — O plural parábolas se refere às parábolas dos dois filhos (Mt 21.28-32), dos lavradores maus (Mt 21.33-44) e das bodas (Mt 22.1-14). Essa história não é a mesma de Lucas 14.15-24. A ocasião é diferente em Lucas e alguns detalhes variam.

22.2 — O Reino dos céus é semelhante demonstra que a história tem princípios relacionados ao Reino de Deus. Bodas se refere a uma festa de casamento (Ap 19.6-10). As bodas judaicas nos tempos bíblicos tinham muitas etapas. Primeiro, o casal fazia um contrato de casamento, que era a base do próprio casamento (Ml 2.14). Cerca de um ano depois, o noivo ia até a casa de sua noiva, onde ela era apresentada a ele. Depois disso, havia um cortejo na noite do casamento até a casa do noivo (Mt 25.1-13), onde havia um banquete para celebrar as bodas (Jo 2.1-11). O banquete podia durar até uma semana, dependendo da situação da família do noivo. Uma festa, principalmente uma de casamento, é usada com frequência nas Escrituras para representar o Reino de Deus na terra (Mt 8.11; 25.10; Is 25.6; Lc 14.15-24; Jo 2.1-11; Ap 19.7-9). Nessa parábola, o rei é Deus Pai e o filho é Jesus.

22.3 — Dois convites foram enviados. O primeiro foi enviado bem antes da festa, a fim de que as pessoas tivessem bastante tempo para se preparar para o banquete. Os convidados são aqueles que receberam o convite original. O segundo convite foi enviado para avisar a todos que o banquete estava pronto, e eles já poderiam ir.

22.4 — A declaração feita nesse versículo sem dúvida alguma faz menção ao ministério de João Batista (Mt 3.1-12), ao de Jesus (Mt 4.17) e ao dos discípulos (Mt 10.5-42).

22.5 — Eles, não fazendo caso, significa que eles não deram valor ao convite. Estavam tão preocupados com seus afazeres que não deram importância ao Reino de Deus.

22.6 — A indiferença da resposta em Mateus 22.5 descreve Israel nos dias do ministério terreno de Jesus; as atitudes que vemos nesse versículo podem ser atribuídas aos líderes religiosos. Tais líderes consentiram na morte de João Batista pelas mãos de Herodes Antipas (Mt 14.10), incitaram a crucificação de Jesus (26.3-5,14-16; 27.1,2), e foram eles também que iniciaram a perseguição à Igreja primitiva (At 4.1-22; 5.17- 40; 6.12-15).

22.7 — O incêndio da cidade se refere à destruição de Jerusalém por Tito em 70 d.C. Uma profecia semelhante desse mesmo evento também é encontrada em Mateus 21.41.

22.8,9 — Esses versículos falam dos dias atuais. As bodas ou o Reino ainda virão no futuro, e o mundo, descrito por Cristo como todos os que encontrardes, está sendo convidado a participar do futuro Reino terreno de Cristo, que foi prometido a Israel.

22.10 — Tanto maus como bons provavelmente diz respeito a judeus e gentios. Ambos os grupos incluem alguns que são moralmente maus e outros que são moralmente bons. Qualquer que seja a situação das pessoas, elas precisam aceitar o evangelho. O mais importante aqui é que esse grupo aceitou o convite, ao passo que aqueles que receberam um convite especial não quiseram ir à residência do rei.

22.11 — Não estava trajado com veste nupcial. Como os outros, esse visitante havia sido convidado para o casamento, mas não se preparou como deveria (Ap 3.18). Em Apocalipse, as vestes de linho fino usadas pela noiva do Cordeiro são a justiça dos santos (Ap 19.8). O homem não atentou para algo óbvio quando, aceitou o convite gracioso do rei para a festa: ele) tinha de usar roupa de casamento. Não se preparar para ir a um banquete ou ir malvestido é um insulto. Nessa parábola, a veste se refere à justiça graciosa de Cristo que nos foi dada por meio de Sua morte. Recusar-se a vesti-la é o mesmo que rejeitar o sacrifício de Cristo e ser arrogante a ponto de não perceber como a veste é importante. Se quisermos participar do banquete de Cristo, temos de vestir-nos da justiça que Ele nos deu (Ef 4-24; Cl 3.10). Como aquele homem não havia se preparado, o rei disse que ele era indigno. E por ter sido recusado pelo rei, ele foi tirado da sala do banquete.

22.12 — A palavra normalmente traduzida por amigo no Novo Testamento é philos; a palavra usada aqui é hetaire, um substantivo que aparece somente em Mateus, mas que foi sempre usado pelo Senhor Jesus quando Ele queria corrigir alguém (20.13; 26.50).

O homem deixou de cumprir as obrigações básicas que lhe foram impostas ao aceitar o convite gracioso do rei para ir ao seu banquete. Mas não podemos confundir as coisas, achando que esse homem representa os não-salvos e os outros convidados, os salvos; todos os convidados receberam o convite. Além disso, ele não foi tratado como inimigo do rei. Porém, por não se ter preparado como deveria para participar daquela ocasião tão festiva, ele não pôde desfrutar da festa com os outros e foi lançado nas trevas exteriores.

22.13 — Amarrai-o de pés e mãos é um retrato nítido da incapacidade do homem de participar do Reino de Cristo. A frase lançai-o nas trevas exteriores (gr. to skotos to exoteron) significa literalmente jogai-o na escuridão lá de fora, e ocorre em Mateus 8.12; 22.13 e 25.30 (essa expressão grega não aparece mais em nenhuma outra parte do Novo Testamento) e é usada sempre antes do juízo que precede a era do Reino de Deus. A expressão pranto e ranger de dentes é encontrada em Mateus 8.12; 13.42,50; 22.13; 24-51 e 25.30 e sempre se refere ao mesmo juízo. Muitos unem essas duas ilustrações e acreditam que ambas são uma alusão ao castigo eterno. Mas isso não faz sentido. Nessa parábola, o foco está naquele que aceitou o convite do rei. Embora estivesse nas bodas, ele não pôde participar delas por não estar trajado com vestes de casamento; as trevas exteriores contrastam com o brilho da festa lá dentro.

Há outros dois textos em Mateus que usam a figura das trevas exteriores e do pranto e ranger de dentes. Em Mateus 8.12, as pessoas em questão são os filhos do Reino (um termo usado para se referir aos cristãos na parábola do joio — compare com Mateus 13.38), e não os ímpios. Em Mateus 25.30, aquele que foi lançado fora era um servo como os outros que participavam das bodas; ele simplesmente não agradou ao seu mestre. Em todas essas referências, vemos que o problema foi não se preparar adequadamente para o Reino, não a rejeição da salvação de Deus. A menção ao pranto e ao ranger de dentes tem levado muitos a pensar no tormento do inferno (como se lá houvesse muita ira, não remorso). Está faltando aqui algo muito importante praticado pela cultura judaica. A ilustração aqui se refere a algum grande remorso que as pessoas sentem ao perder algo de valor ou alguém que muito amavam. Quando aqueles que não estão preparados são proibidos de desfrutar de tudo que é oferecido aos que se prepararam — como na parábola das bodas — , há um grande sentimento de perda daquilo que poderiam ter (1 Co 3.15; 2 Co 5.10; 2 Tm 2.12; 1 Jo 2.28; 2 Jo 7,8; Ap3.11). Quando apontam para eventos futuros, as parábolas ensinam que aqueles que falharem em seu discipulado também entrarão no Reino milenial de Cristo, só que não poderão participar de todas as vantagens que haverá nele.

22.1 4 — Muitos são chamados, mas poucos, escolhidos. A palavra chamados nesse caso significa convidados e não se refere ao chamado de Deus, como Paulo diz em Romanos 8.28,29. Todo Israel foi convidado, mas apenas alguns aceitaram o convite e seguiram Jesus. Nem todos que foram convidados farão parte do povo de Deus, pois nem todos crerão. Veja a resposta errada de Israel em Hebreus 3 e o aviso de Deus para não negligenciarmos nossa salvação.

22.15 — Surpreender originalmente significa preparar armadilha, como faz o caçador para pegar sua presa.

22.16 — Nada se fala sobre os herodianos fora da Bíblia. Mas, a julgar pelo seu nome, eles apoiavam a dinastia de Herodes em sua colaboração com o governo romano. Isso os colocava no lado oposto da posição política adotada pelos fariseus. Mas o ódio comum a Cristo era tão grande que os fariseus e herodianos uniram forças contra Ele. Bem sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus. De certo modo, os herodianos e fariseus estavam dizendo: “Tu realmente ensinas a Palavra de Deus, não importa o que os outros pensem de ti”.

22.17 — O dilema aqui é óbvio: ficar ao lado dos fariseus e correr o risco de ser acusado de insurreição contra o governo romano, ou ficar ao lado dos herodianos e perder o apoio do povo. O tributo era um imposto anual pago por todo judeu adulto ao governo de Roma. Os judeus odiavam pagar esse imposto ao seu terrível opressor.

22.18 — Experimentar aqui significa incitar para o mal. O Senhor chamou os herodianos e fariseus de hipócritas porque eles fingiam ter boas intenções.

22.19,20 — Amoedado tributo era um denário (um dinheiro), uma moeda com a imagem do imperador e uma inscrição com a palavra divino. Esta efígie e esta inscrição eram algo repugnante para os judeus porque eles odiavam os imperadores romanos e adoravam somente o Deus de Israel.

22.21,22 — Em resposta aos Seus acusadores, o Senhor mudou o verbo que eles usaram de pagar (Mt 22.17) para dar, que literalmente significa devolver. Os servos de Cristo têm obrigação de obedecer aos governos terrenos e a Deus. Os cristãos hoje são cidadãos de um Reino celestial e estrangeiros e forasteiros nesta terra (1 Pe 1.1; 2.11). No entanto, é dever do crente obedecer à lei dos homens, a não ser que ela o leve a pecar (Rm 13.1-7; 1 Pe 2.13-17). Quando os dois reinos entram em conflito, os cristãos devem seguir apenas a Palavra de Deus (At 4-18-20; 5.29).

22.23 — Algumas das crenças dos saduceus são explicadas em Atos 23.8. Esses homens só consideravam como autoridade espiritual os cinco primeiros livros de Moisés. Para eles, todo argumento religioso tinha de vir do Pentateuco.

22.2 4 — Essa lei, que é a base da pergunta dos saduceus, é encontrada em Deuteronômio 25.5,6. E conhecida como a lei do levirato (Gn 38.1-26).

22.25-28 — Os saduceus devem ter usado esse enigma teológico para confundir os fariseus em outras ocasiões.

22.29,30 — Errais aqui significa falhar, desviar- se do caminho. Na verdade, Cristo disse: “Vocês estão errados”, uma repreensão dura aos fariseus, que eram conhecidos por gostar muito de um debate. Esses saduceus, embora fizessem parte da liderança de Israel, não entendiam ou não aceitavam os textos das Escrituras que ensinavam a doutrina da ressurreição e subestimavam o poder de Deus de fazer milagres. E algo muito fácil para Aquele que criou o homem e possui o poder da vida e da morte em Suas mãos ressuscitar um morto.

22.31,32 — Jesus citou o Pentateuco, Êxodo 3.6,15, para provar a doutrina da ressurreição. O Senhor é o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, e isso nos traz à memória que foi Ele quem fez a promessa aos patriarcas. Deus prometeu particularmente a Abraão, Isaque e Jacó a terra de Canaã (Gn 13.14-17; 15.7-21; 17.8; 26.2-5; 28.13-15; Dt 30.1-5). Mas é claro que os patriarcas não herdaram a terra em vida. Eles receberão as promessas de Deus plenamente quando ressuscitarem. O fato de Deus ser chamado de Deus [...] dos vivos indica que Seu Espírito está presente entre nós e, por meio dele, Deus gera vida e governa sobre tudo e todos.

22.33 — Jesus ensinou algo que ninguém havia entendido bem até então: que os patriarcas ainda estavam vivos. As multidões ficaram mar avilhadas e todos também devem ter ficado surpresos por Jesus não ensinar como os escribas e fariseus, que faziam uso da autoridade rabínica ou começavam seus ensinamentos dizendo: Assim diz o Senhor. Jesus fez uso de Sua própria autoridade ao ensiná-los.

22.34 — Sem dúvida alguma, os fariseus estavam regozijando-se por verem seus rivais teológicos confusos; contudo, ainda queriam armar uma cilada para Jesus de alguma forma (Mt 22.15).

22.35,36 — Um doutor da lei era um estudioso da Lei de Moisés, Ele colocou o Senhor à prova fazendo-lhe uma pergunta para saber o quanto Cristo sabia da Lei.

22.37 — Em resposta à pergunta do doutor da Lei, Jesus citou a grande confissão de fé judaica chamada Shemá. Essa confissão recebe tal nome por causa da palavra hebraica shemá, que significa ouvir: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor (Dt 6.4,5; 11.13-21).

O coração, a alma e o pensamento representam a pessoa como um todo.

22.38 — Alguns textos gregos trazem grande antes de primeiro. No entanto, o amor a Deus tem prioridade sobre todos os mandamentos.

22.39 — Esse mandamento em Levítico 19.18 não é uma ordem para amarmos a nós mesmos. As pessoas que amam muito a si mesmas de certa forma acabam ficando egoístas. Por amarmos a nós mesmos, queremos o melhor para nós; devemos do mesmo modo preocupar-nos com o bem-estar das outras pessoas.

22.40 — Os Dez Mandamentos podem ser divididos em duas categorias: os que tratam do amor a Deus (os quatro primeiros) e os que tratam da responsabilidade que temos em relação às outras pessoas (os seis últimos). Podemos dizer o mesmo de toda a lei e os profetas.

22.41-45 — Depois de responder às três perguntas feitas pelos líderes religiosos de Israel (Mt 22.15-22,23-33,34-40), Jesus, por Sua vez, lançou uma pergunta aos fariseus. Sua pergunta tinha duas partes: a primeira sobre quem era o Messias, e a segunda sobre a interpretação do Salmo 110.

22.42 — A resposta de Jesus à pergunta sobre quem era o Messias se encontra em várias passagens do Antigo Testamento (2 Sm 7.12-16; SI 89.3,4,34-36; Is 9.7; 16.5; 55.3,4). O Messias viria da linhagem real de Davi.

22.43 — Esse versículo afirma que Davi escreveu o Salmo 110. Além disso, ele diz que Davi o escreveu em espírito.

22.44-46 — O versículo 44, que cita o Salmo 110.1, nos fala da presença de Deus no céu até que Ele venha reinar na terra (Hb 10.11-13; Ap 3.21). Outros salmos messiânicos foram compostos descrevendo experiências do salmista (S I 2; 16; 22; 45), mas o Salmo 110 parece ser totalmente profético e messiânico. O Salmo 110.1 usa duas palavras diferentes para Deus. A primeira, traduzida por Senhor, é o nome Yahweh, o verdadeiro nome do Deus de Israel. O segundo Senhor significa Mestre. Davi, o grande rei de Israel, diz que alguém da sua descendência seria Senhor ou Mestre, um título de divindade. O sentido aqui é que Jesus, o filho de Davi, é Deus. Ele é um descendente de Davi e, portanto, é humano, embora também seja divino.

Índice: Mateus 1 Mateus 2 Mateus 3 Mateus 4 Mateus 5 Mateus 6 Mateus 7 Mateus 8 Mateus 9 Mateus 10 Mateus 11 Mateus 12 Mateus 13 Mateus 14 Mateus 15 Mateus 16 Mateus 17 Mateus 18 Mateus 19 Mateus 20 Mateus 21 Mateus 22 Mateus 23 Mateus 24 Mateus 25 Mateus 26 Mateus 27 Mateus 28