Significado de Mateus 24


Significado de Mateus 24

Significado de Mateus 24

Mateus 24

24.1 — O discurso de Mateus 23.1-39, com certeza, foi proferido nas dependências do templo. Mateus 24.1 nos mostra que o Senhor Jesus ia saindo do templo quando aproximaram-se dele os discípulos para lhe mostrarem a estrutura do templo. Aliás, o texto em grego deixa claro que isso aconteceu quando eles estavam partindo do conjunto do templo.

O primeiro templo construído por Salomão foi destruído em 586 a.C. O segundo templo foi construído com o encorajamento de Ageu e Zacarias e sob a liderança de Zorobabel e Josué (Ageu 1.1), embora tenha sido concluído com certo atraso em 516 a.C.

Esse segundo templo foi totalmente restaurado com a ajuda de Herodes, o Grande, um exímio construtor. Dez anos antes de morrer ele começou a restauração, que não foi concluída nos dias de Jesus (Jo 2.20). A restauração de fato só foi finalizada em 64 d.C. No entanto, toda essa difícil e dispendiosa construção não durou mais que seis anos. Os discípulos estavam compreensivelmente orgulhosos do templo e de suas dependências.

24.2— A destruição do tempo, promovida pelos romanos em 70 d.C., foi tão devastadora que o local exato do santuário até hoje é desconhecido.

24.3 — Os discípulos, com certeza, ficaram confusos com a profecia do Senhor; entretanto, mantiveram silêncio até que deixassem o templo, cruzassem o vale de Cedrom e chegassem ao monte das Oliveiras. Ali, Jesus se sentou como os mestres costumavam fazer (Mt 5.1), e os discípulos finalmente lhe perguntaram sobre a destruição do templo.

Alguns dizem que há duas perguntas nesse versículo: “Quando o templo será destruído?” e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo? Outros veem aqui uma simples pergunta dos discípulos. Segundo Zacarias 14-1-9, a destruição de Jerusalém, a vinda do Messias e o fim do mundo acontecerão nessa ordem e rapidamente. Para os discípulos, a devastação da cidade e a vinda do Messias seriam as duas partes um único e grande evento. As perguntas, portanto, devem ser entendidas como uma, embora seu cumprimento vá acontecer em partes.

Contudo, uma questão muito importante a ser esclarecida, que geralmente tem sido mal interpretada pelos professores bíblicos e pelos leigos, é que os ensinamentos e os sinais em Mateus 24 não têm nada a ver com o arrebatamento da Igreja, uma verdade que ainda não havia sido revelada (1 Ts 4-14-17; 1 Co 15.51,52). Ao contrário, eles se referem ao que acontecerá durante as setenta semanas de Israel, principalmente na grande tribulação. Para o leitor moderno do Ocidente, parece que Jesus está falando de eventos que acontecerão em sequência, mas, segundo o costume do Oriente (leia a introdução do livro de Jó), Ele traz uma visão mais cíclica e ampla de tudo o que vai acontecer, e Seu foco está nos detalhes.

24.4 ,5 — Essa advertência veio numa hora muito apropriada para os discípulos. A destruição de Jerusalém não significava necessariamente que o fim do mundo estava próximo. Tal questão os deixou confusos (Lc 19.11-27; At 1.6,7).

24 .6 — Três indicadores de tempo são encontrados em Mateus 24.4-14. O primeiro está em Mateus 24-6, mas ainda não é o fim. O segundo, todas essas coisas são o princípio das dores, aparece em Mateus 24-8. E o último está em Mateus 24-14, e então virá o fim. E possível que Mateus 24-4-6 descreva a primeira parte das setenta semanas de Daniel (Dn 9.25-27), mas é mais provável que essa passagem se refira a uma visão dos dias atuais. Falsos messias, guerras e rumores de guerras são algo típico do homem decaído. Quando o Senhor disse: E mister que tudo isso aconteça, ele usou o termo é mister, que demonstra uma necessidade racional e divina. Tudo isso é necessário por causa do pecado do homem. Apareceram falsos mestres antes (At 5.36,37; 21.38) e também aparecerão no futuro (At 20.29,30; 2 Co 11.13-15).

24.7 ,8 — Este parágrafo descreve as coisas que acontecerão no final dos tempos. Mateus 24.7, que menciona que se levantará nação contra nação, e reino contra reino, é um complemento de Mateus 24.6, mostrando que haverá guerras no mundo inteiro.

Fomes, e pestes, e terremotos são descritos de forma mais ampla em Apocalipse 6.1; 8.5-13; 9.13-21; 16.2-21.

A palavra dores em Mateus 24-8 significa literalmente dores de parto. Hoje a terra tem dores de parto contínuas (Rm 8.22), mas durante os sete anos de tribulação que virão essas dores aumentarão em intensidade e frequência até que chegue a era do Reino, o tempo da regeneração (Mt 19.28; At 3.21).

24.9-14 — Parece que esses versículos falam da última metade das 70 semanas, pois então virá o fim, como conclusão de tudo isso.

24.9-11 — Os servos de Deus serão odiados de todas as gentes, porque o homem do pecado governará o mundo. Ele perseguirá todos os que não o adorarem (Ap 13.7,8,17).

24.12 — O amor precisa de um solo de justiça para florescer. Iniquidade e amor não se misturam; na verdade, o último vence o primeiro.

24.13 — O fim aqui tem sido entendido de modo errado como se fosse o fim de toda a vida, porém uma análise cuidadosa do contexto (Mt 24-3,6) deixa claro que é apenas o fim do mundo. Perseverar aqui não se refere ao esforço das pessoas que leva à salvação eterna, como algumas seitas ensinam. Ao contrário, fala do livramento que haverá durante a grande tribulação, antes que o Reino milenar de Cristo tenha início nesta terra. As pessoas farão parte do Reino tendo um corpo físico.

24.14 — Este evangelho do Reino. A evidência final do fim do mundo será a proclamação do evangelho em todo o mundo. Mateus 24-13 mostra o que acontecerá antes que este evangelho seja pregado. O evangelho, literalmente boas-novas, não significa que o holocausto final da grande tribulação, conhecido como Armagedom, será o genocídio e a destruição de todas as pessoas, pois o Senhor Jesus Cristo intervirá para pôr fim à destruição e preservar algumas pessoas que farão parte de Seu Reino na terra. Ao que parece, isso se cumprirá com os 144 mil de Israel que serão selados, descritos em Apocalipse 7.4-8.

24.15 — Essa é a primeira vez que o tempo é citado de modo específico por Cristo. Em M ateus 24.4-14, o Senhor fala em termos gerais. Em Mateus 24.15, Ele dá mais ênfase ao templo. Muito pior do que a destruição do templo daqueles dias seria a profanação do templo que aconteceria no futuro. E isso ocorreria por causa da imagem da abominação da desolação, outro sinal profético que as pessoas veriam. Esse termo significa a abominação que traz devastação. A afirmação do Senhor vem especificamente de Daniel 9.27; 11.31 e 12.11. Os textos de Daniel 9.27 e 12.11 são totalmente proféticos; no entanto, Daniel 11.31 aponta para Antíoco IV, que profanou o templo e colocou uma imagem de Zeus nele. Sua atitude foi um prenúncio do que o último homem do pecado faria. Com muita propriedade, Paulo usou o mesmo evento para indicar quando a verdadeira tribulação aconteceria (2 Ts 2.3,4,8; Ap 13.14,15). O lugar santo é o templo.

24.16 — Nos dias em que o templo foi destruído, em 70 d.C., muitos cristãos judeus fugiram, em cumprimento às palavras de Jesus, e se esconderam nos montes de Petra. Isso aumentou mais ainda a animosidade que havia entre os judeus que criam em Jesus e os que não criam. O verdadeiro foco desse versículo, no entanto, está na futura profanação do templo, porque se refere à quebra da aliança (Dn 9.27), e logo depois à imagem do homem do pecado que será posta dentro do Santo dos Santos no templo. Quanto isso acontecer, todos na Judeia terão que fugir para os montes.

24.17-20 — Essas recomendações descrevem a gravidade da situação.

24.21 — A grande aflição. Alguns podem dizer que sempre houve aflições no mundo; entretanto, esse período de provação será maior do que qualquer outro que já houve antes ou ainda haverá; será algo único na história (Dn 12.1; Ap 3.10)

24.22 — Se aqueles dias não fossem abreviados (encurtados). Refere-se ao período de sete anos da grande tribulação, especialmente os três últimos anos e meio. Se a tribulação durasse mais de sete anos, toda a humanidade seria destruída. Veja o que Mateus 24-13,14 fala sobre as boas novas do Reino (Zc 14-2-4). Cristo vai intervir e dar um fim ao genocídio.

24.23-25 — Os milagres por si só não provam que algo é de Deus (Mt 7.21-23; 2 Ts 2.9; Ap 13.13-15). Eles têm de ser provados pela verdadeira doutrina (Dt 13.1-5; 1 Jo 4.1-3) e pelo testemunho do Espírito de Deus (Jo 3.3-5,27).

24.26,27 — Seria impossível Cristo estar no deserto ou no interior da casa após Sua morte e ressurreição, pois, quando Ele vier de novo, será de uma forma tão espetacular, que todos verão. Será algo incontestável (Mt 24.30).

24.28 — Similar à passagem em Mateus 24.37-44, assim como em Lucas 17.26-37, essa declaração de Mateus 24-28 vem depois da pergunta feita em Lucas 17-37 e traz a resposta de onde seriam reunidos aqueles que fossem julgados. Isso parece apontar para a terrível carnificina que acontecerá quando o Filho do Homem vier e trouxer juízo a esta terra. Esse versículo, portanto, é o resultado final de todos os eventos proféticos que são descritos no restante do capítulo 24 e no capítulo 25 de Mateus.

24.29 — Logo depois. Essa é a segunda referência ao tempo (a primeira está no v. 15). O versículo 29 nos mostra o momento exato em que o período de sete anos terá fim. Ele será marcado por catástrofes de proporções monumentais (Is 13.10; 34.4; Ez 32.7,8; J1 2.30,31; 4.15; Ag 2.6; Zc 11.6; Ap 6.12-14).

24.30 — Muitos acham que o sinal do Filho do Homem será uma cruz que aparecerá no céu, mas provavelmente é o próprio Cristo que virá em Sua glória (Mt 16.1; At 1.11). Como vemos no contexto desse discurso feito por Ele em relação aos judeus, a expressão todas as tribos da terra provavelmente se refere a Israel. Isso trará arrependimento a toda a nação de Israel, como foi profetizado em Zacarias 12.10-12. O Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu é o cumprimento de Daniel 7.13,14.

24.31 — Ajuntarão se refere ao povo de Israel que será reunido, como foi profetizado muitas vezes no Antigo Testamento (Dt 30.1-6; Is 11.11,12; 43.5,6; 49.12; Jr 16.14,15; Ez 34-13; 36.24; 37.21-23). Muitos serão espalhados por toda a terra por causa da perseguição (24.16), mas o testemunho dos 144 mil trará incontáveis multidões a Cristo (Ap 7.1-10).

Escolhidos aqui se refere especificamente a Israel como povo escolhido de Deus.

24.32 — O Senhor havia instruído Seus discípulos sobre a tribulação; aqui, então, por meio de uma série de parábolas (Mt 24-32—25.30), Ele faz algumas aplicações.

A figueira não significa necessariamente Israel, mas as profecias (Mt 21.18-22; Lc 21.29 diz: Olhai para a figueira, e para todas as árvores). A lição ensinada aqui é sobre a proximidade do verão, quando os ramos das árvores se tornam tenros e brotam folhas.

24.33 — Todas essas coisas acontecerão antes que alguém possa dizer que o fim está próximo (ou seja, o início da grande tribulação, quando surgir a abominação da desolação). Está próximo. Não se trata da iminente volta de Cristo para buscar Sua Igreja, que não depende de uma sequência de sinais para acontecer.

24.34 — Geração (gr. genea), que é usado em diversos contextos, pode significar raça ou geração mesmo. Alguns acham que aqui significa raça, pois Israel como povo jamais deixará de existir até que Deus cumpra as promessas feitas a eles. Outros povos, como os hititas e amorreus, já não existem mais, mas os judeus continuam vivos.

Outra possibilidade é que genea descreva um tempo em particular em que as pessoas verão o fim do mundo. Os eventos que hão de vir serão tão rápidos, que tudo acontecerá numa geração. Talvez ambas as teorias estejam certas. Todas essas coisas inclui o anticristo, a grande tribulação e, o que é mais importante, a aparição de Cristo em toda a Sua glória.

24.35 — As palavras de Cristo são mais verdadeiras do que a própria existência do universo.

24.36 — Ninguém sabe. Apesar dessa declaração tão clara (Mt 24.42,44; 25.13; At 1.6,7), há multidões que seguem aqueles que, em desobediência à Palavra de Cristo, ainda estabelecem datas para a volta do Senhor.

A verdade é que nenhum evento profético acontecerá antes que Cristo volte para levar Sua Igreja. O arrebatamento será iminente, ou seja, pode acontecer a qualquer hora. Por essa razão, não devemos ficar procurando sinais além daqueles que Jesus predisse.

Os manuscritos gregos antigos acrescentaram nem o Filho depois de anjos dos céus. Como poderia Jesus, sendo Deus, dizer: “Eu não sei” (Mc 13.32)? Quando o Senhor assumiu a forma humana, Ele, por vontade própria, limitou o uso de Seus atributos divinos para fazer a vontade do Pai (Fp 2.5-8; Jo 17.4,5). Foi por isso que Ele teve fome, sede e cansaço. Lucas diz que Jesus cresceu em sabedoria e estatura (Lc 2.52). Essa afirmação de Mateus 24-36 foi feita, então, quando Jesus abriu mão de usar Sua onisciência divina.

24.37-39 — A vinda do Filho do Homem será como nos dias de Noé. A similaridade que Cristo está ressaltando aqui não se refere à maldade daqueles dias (Gn 6.5), mas especialmente à indiferença das pessoas nos dias de Noé.

Não há pecado algum em comer; beber e dar-se em casamento. O pecado do qual Cristo está falando aqui é viver como se o juízo não fosse acontecer. Será então que Jesus virá novamente. A perversidade fatal é vista no fato de que eles não o perceberam, até que veio o dilúvio. Fico pensando se a falta de compromisso de alguns cristãos evangélicos vai durar até que não haja mais tempo e o fim chegue.

24.40,41 — Levado (gr. paralambano) é uma palavra sobre o juízo (Lc 17.36), não sobre o arrebatamento; Mateus 24 e 25 não falam do arrebatamento. O fato de as pessoas serem levadas refere-se ao juízo de Deus que virá sobre elas e faz um paralelo com o termo levou usado no versículo 39 para descrever o juízo que veio com o Dilúvio. E verdade que verbos diferentes no grego são usados, em Mateus 24.39, para levou e, em Mateus 24.40,41, para levado. Entretanto, a similaridade com o versículo 39 é bastante evidente para ser desprezada. Se este for o caso, os que foram deixados para trás farão parte do Reino milenial (Mt 13.30,40-43), assim como Noé e sua família foram deixados para repovoar a terra.

24.42-44 — Essa é uma aplicação de Mateus 24.36-41- Assim como Noé estava atento e se preparou para o Dilúvio, as pessoas que passarem pela tribulação também deverão estar atentas e preparar-se para a volta de Cristo.

24.45-51 — Esses dois servos que pertenciam a seu senhor (Lc 19.11-26) representam duas situações que acontecerão com as pessoas na volta de Cristo. As maiores responsabilidades no Reino do Senhor serão dadas aos fiéis e sábios. Os maus, contudo, serão separados (literalmente, cortados em dois), um tipo de castigo na antiguidade.

Haverá pranto e ranger de dentes é uma frase usada frequentemente no Evangelho de Mateus, expressando sempre um sentimento de remorso de alguém que teve uma grande perda. Aqueles que não foram servos de Deus prudentes não receberão todas as bênçãos divinas quando entrarem no Reino milenar (Mt 8.12; 13.42,50; 22.13; 25.30).

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