Significado de Mateus 26


Significado de Mateus 26

Significado de Mateus 26


Mateus 26

26.1,2 — Bem ao seu estilo, Mateus descreve a conclusão do discurso do Senhor usando as palavras e aconteceu que, quando Jesus concluiu (Mt 7.28; 11.1; 13.53; 19.1).

26.3 — O maligno Caifás foi sumo sacerdote de 18 a 37 d.C. Contudo, Lucas diz que tanto Anás (sogro de Caifás) como o próprio Caifás eram sumos sacerdotes; em Atos 4-6, Anás é chamado de sumo sacerdote. Embora Caifás fosse oficialmente o sumo sacerdote, Anás tinha grande influência nesse ministério. Anás era tão desprezível que o imperador romano o depôs de seu cargo. No entanto, ele continuou trabalhando nos bastidores por meio de seu maligno genro.

26.4 — Os líderes religiosos sabiam que não podiam comprometer Cristo usando argumentos ou lógica (Mt 22.46), mas tinham medo de prendê-lo à força (Mt 21.46). Por isso, seu único recurso foi prendê-lo à traição [n v i] .

26.5 — Esse versículo deve ser comparado com Mateus 26.2, que nos mostra que Cristo tinha pleno conhecimento do que estava por vir e aceitou tudo como parte do plano de Deus (Jo 10.18). Apesar de toda trama humana, Deus, em Sua soberania, ainda tinha o controle de tudo.

26.6 — Aparentemente, Jesus passava as noites na cidade de Betânia, que ficava a poucos quilômetros do monte das Oliveiras, em Jerusalém. Simão era um leproso que certamente tinha sido curado por Jesus. É bem provável que ele fosse o pai de Lázaro, Marta e Maria (Jo 12.1,2).

26.7 — O unguento de grande valor (Mc 14.3) era um perfume extraído do nardo puro. A mulher derramou o perfume sobre a cabeça e os pés de Jesus (Jo 12.3). Ela poderia ter aberto o frasco de uma forma que pudesse tampá-lo novamente, mas, ao contrário, quebrou a tampa e derramou o óleo sobre Jesus (Mc 14.3).

26.8,9 — Assim como existe um contraste entre Mateus 26.2 e 26.5, vemos aqui que a atitude da mulher foi totalmente contrária à dos discípulos.

26.10-13 — Jesus viu que o derramamento do unguento sobre Seu corpo estava preparando-o para a morte (Mc 14.8). O óleo perfumado foi derramado em Jesus antes de Sua morte, o que normalmente seria feito depois dela. O grande valor da fragrância aponta para (1) o valor da morte de Jesus e (2) o alto custo da devoção a Ele.

26.14 — As palavras um dos doze expressam a sordidez do pecado de Judas. Jesus foi traído por alguém que fazia parte de Seu círculo íntimo. Judas certamente era considerado íntegro, ou a função de tesoureiro nunca teria sido dada a ele.

26.15,16 — Trinta moedas de prata era o preço de um escravo (Ex 21.32). Zacarias citou essa soma numa de suas profecias (Zc 11.12,13). Veja que contraste entre a devoção inestimável da mulher (Mt 26.7-13) e o valor ínfimo da traição de Judas.

26.17-19 — O primeiro dia da Festa dos Pães Asmos era o dia de Páscoa (Mt 26.18). Os discípulos eram Pedro e João (Lc 22.8).

26.20,21 — Um de vós me há de trair demonstra a presciência do Senhor. Mais uma vez — em submissão ao Pai —, Jesus deu provas de Sua messianidade aos discípulos.

26.22 — Os discípulos já sabiam que Jesus morreria em Jerusalém, mas a revelação de que Ele seria traído era algo novo (16.21; 17.12,22,23; 20.18,19; 25.2).

Porventura, sou eu? Essa era uma pergunta que esperava uma resposta negativa. Poderia ser feita assim: “Não sou eu, sou?”.

26.23 — O prato era uma bandeja onde se colocavam pedaços de pão.

26.24 — Esse versículo pode ser lido literalmente assim: “Por um lado, o Filho do homem vai, conforme foi escrito sobre Ele; mas, por outro lado...”. Sendo assim, a soberania de Deus não exime a responsabilidade do homem.

26.25 — Enquanto os outros discípulos chamavam Jesus de Senhor (Mt 26.22), Judas se dirigia a Ele como Rabi. Em Mateus, somente Judas chama Jesus de Rabi (26.49).

Tu o disseste é uma afirmação branda. A ênfase está em tu; a frase poderia ser traduzida por você mesmo disse.

26.26 — Isto é o meu corpo quer dizer isto simboliza o meu corpo (1 Co 10.4).

26.27,28 — Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança [a r a ] se refere à aliança que foi feita no Antigo Testamento (Jr 31.31-34; 32.37-44; Ez 34.25-31; 37.26-28).

O Senhor Jesus disse claramente que seu sangue [...] é derramado por muitos, para remissão dos pecados. A palavra muitos tem o mesmo sentido em Mateus 20.28 e aponta para a ordenança de pregar as boas-novas em todas as nações, conforme Mateus 28.19,20. Muitos era uma forma judaica de dizer todos. Em outras palavras, a bênção da nova aliança foi estendida a todos nessa era; e isso também se cumprirá em Israel no futuro.

A expressão sangue da [nova] aliança [ara] parece apontar para a instituição da aliança mosaica em Êxodo 24.8.

26.29,30 — Esse versículo fala do Reino de Deus, quando Cristo reinará no trono de Davi. Hoje, Ele está assentado em Seu trono ao lado do Pai e intercede por nós.

26.31 — Todos vós [...] vos escandalizareis. Todos os discípulos, e não somente Pedro, iriam abandoná-lo.

Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão. Essa profecia é encontrada no Antigo Testamento em Zacarias 13.7 (SI 118).

26.32 — Há muitos argumentos que tentam explicar por que Jesus foi à Galileia encontrar Seus discípulos: (1) todos eles eram da Galileia; (2) eles queriam ficar longe de Jerusalém, o centro da oposição a Jesus; (3) eles queriam assumir o trabalho de apascentar o rebanho no mesmo lugar em que Cristo começara Seu ministério com eles; ou (4) o local mais apropriado para dar início à Grande Comissão em Mateus 28.19,20 era a Galileia (Mt 4.12-16).

26.33-35 — O canto do galo se refere à terceira vigília romana, de meia-noite às três da manhã.

26.36— Judas já tinha partido (Jo 13.21-30), então, o Senhor deixou oito discípulos vigiando. Getsêmani (que significa prensa de azeite) ficava a leste de Jerusalém, no monte das Oliveiras. No lugar onde as azeitonas eram prensadas e esmagadas, o Ungido foi arrancado e esmagado.

26.3 7 — Essa foi a terceira vez que Jesus escolheu Pedro, Tiago e João para acompanhá-lo a um propósito específico (veja a transfiguração em Mateus 17.1-13 e a ressurreição da filha de Jairo em Lucas 8.49-56).

26.38 — A minha alma está cheia de tristeza até à morte parece apontar para os Salmos 42.5,6,11; 43.5). Vigiai significa literalmente ficai acordados.

26.39 — Passa de mim este cálice. Não foi seu iminente sofrimento físico, por pior que fosse, que levou Jesus a orar assim, mas o fato de o Filho de Deus sem pecado ter de levar todos os pecados da humanidade e suportar a separação de Seu Pai (2 Co 5.21; Gl 3.13; Hb 2.12; 1 Pe 2.24). Cálice aqui representa a ira de Deus no Antigo Testamento (SI 75.8; Is 51.17). Jesus se tornou maldição por nós e levou sobre si o peso da ira de Deus contra o pecado (G13.13).

26.40 — Nem uma hora pudeste vigiar comigo? Jesus estava falando com todos os discípulos, embora a pergunta tenha sido dirigida a Pedro. Um pouco antes, Pedro havia dito que jamais abandonaria Jesus e até morreria por Ele (Mt 26.35); entretanto, nem conseguiu ficar acordado para orar com Jesus quando Ele mais precisava.

26.41 — Os discípulos precisavam ficar acordados e orar porque em breve seriam provados. A palavra carne aqui se refere à natureza humana. O contraste entre a natureza dos discípulos e a força do Senhor é impressionante. Já que a carne é fraca, todo filho de Deus precisa de poder sobrenatural (Rm 8.3,4)

26.42-44 — O fato de Jesus orar e dizer as mesmas palavras demonstra que não há nada de errado em repetir uma oração com o coração contrito. Na primeira oração, Jesus fez um pedido na forma afirmativa: Passa de mim este cálice (Mt 26.39). Na segunda e na terceira, Seu pedido foi na forma negativa. Por ser obediente ao Pai, Jesus se comprometeu a beber o cálice, não importa o que custasse.

26.45 — Ainda dormis e repousais! [ara]. Os discípulos estavam dormindo enquanto Jesus suava sangue, em oração, até chegar à exaustão (Lc 22.43,44).

26.46 — Esse versículo mostra a submissão de Jesus à vontade do Pai, como Ele mesmo afirma em Mateus 26.42. Jesus não relutou, mas aceitou fazer a vontade do Pai com determinação.

26.47,48 — O fato de a multidão estar armada com espadas e porretes nos mostra que Judas não conhecia mesmo o coração de Jesus. Ele foi ao encontro da multidão não para lutar com eles, mas para se entregar.

26.49 — A única pessoa que chama Jesus de Rabi no livro de Mateus é Judas (Mt 26.25). Beijou. Isto é, deu um beijo como uma demonstração de carinho. A mesma forma verbal é usada na parábola do filho pródigo, em Lucas 15.20.

26.50 — Amigo. Embora Jesus conhecesse as atitudes e o coração maligno de Judas, ofereceu-lhe sua amizade e lhe deu mais uma chance de mudar de ideia.

Para que vieste? Essa pergunta também pode ser traduzida por: “Faça o que você veio fazer!”.

26.51 — João 18.10 nos revela que o impetuoso espadachim era Pedro. Ele fez isso usando uma das duas espadas que os discípulos possuíam (Lc 22.38).

26.52,53 — Uma legião do exército romano era composta por seis mil soldados. Se pararmos para pensar no poder que somente um anjo possui, como nos mostra o Antigo Testamento (Ex 12.23; 2 Sm 24.15-17; 2 Rs 19.35), o poder de mais de 72 mil deles está além de nossa compreensão. Jesus tinha todo o poder celestial a Seu dispor, mas mesmo assim se recusou a usá-lo. A vontade do Pai era que Ele fosse à cruz.

26.54 — Se Jesus tivesse pedido a ajuda angelical, os textos das Escrituras que profetizaram a traição que Ele sofreria, Sua morte e Sua ressurreição não seriam cumpridas. Essa verdade é tão importante, que é citada duas vezes (Mt 26.56).

26.55,56 — Os discípulos todos, deixando-o, fugiram. Compare a declaração de Pedro em Mateus 26.35 com as palavras de Jesus em Mateus 26.41: O espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.

26.57 — O Senhor Jesus passou por seis julgamentos — três judeus e três gentios. O primeiro julgamento judeu foi diante de Anás, que não era o verdadeiro sumo sacerdote, mas alguém muito influente e poderoso no ministério do sumo sacerdote. Esse julgamento é mencionado somente por João (João 18.12-23). O segundo julgamento foi diante de Caifás e do Sinédrio. Certamente o conselho teve de reunir-se às pressas para julgar Jesus. Mateus não menciona o julgamento diante de Herodes Antipas (Lc 23.6-12); ele também fala de dois julgamentos que houve diante de Pilatos como se fossem um (Mt 27.2,11-26). Os inimigos de Jesus estavam tentando desesperadamente encontrar alguma base legal para condená-lo à morte.

26.58 — João 18.15,16 explica que foi permitido a Pedro e João entrar no pátio do sumo sacerdote porque João o conhecia. Os criados provavelmente eram empregados do local e não faziam parte da multidão que prendeu o Senhor. Aparentemente, Pedro esqueceu o que Jesus disse sobre Sua ressurreição. Para ele, aquele era o fim.

26.59-61 — Esse é um testemunho mentiroso e uma aplicação errada das palavras de Cristo (Jo 2.19-21). De todo modo, dizer que Jesus falara algo contra o templo era suficiente para que o condenassem (At 6.13,14).

26.62 — O sumo sacerdote deve ter percebido que os que acusavam Jesus, na verdade, não tinham nada contra Ele. Sua indignação foi resultado de frustração e desespero. Ao ficar calado, Jesus cumpriu a profecia em Isaías 53.7.

26.63 — Conjuro-te pelo Deus vivo. O sumo sacerdote achava que era necessário pôr Cristo sob juramento para obter uma confissão verdadeira. Mas Jesus não precisava de nenhum juramento; Ele já tinha provado Sua natureza divina e que era um com o Pai em diversas ocasiões (Jo 8.58; 10.30-33).

26.64 — Jesus respondeu à questão do sumo sacerdote (Mt 26.63) de uma forma afirmativa e depois ratificou a resposta, aplicando duas passagens messiânicas a Si mesmo (SI 110.1; Dn 7.13).

26.65,66 — A declaração de Jesus de que se assentaria à direita de Deus (Mt 26.64) era uma confirmação de Sua deidade, e, para o sumo sacerdote incrédulo, um exemplo claro de blasfémia.

26.67,68 — Profetiza-nos, Cristo, quem é o que bateu? Esse foi um pedido sarcástico para que Ele usasse Seu poder sobrenatural e dissesse o nome daqueles que bateram nele.

26.69-74 — O fato de Pedro ter praguejado significa que ele trouxe maldição sobre si mesmo, pois ele conhecia o Senhor. Jurar demonstra que, sob juramento, ele negou que conhecia Jesus Cristo.

E imediatamente o galo cantou. Alguns dizem que há uma contradição nessa passagem, na qual está escrito que o galo cantou (uma vez, presume-se) depois que Pedro negou Jesus três vezes, mas o Evangelho de Marcos declara que ele cantou duas vezes. Isso então nos leva a pensar que o galo cantou mais de três vezes, num total de seis (Mc 14.72).

Outros acreditam que ver contradição aqui é simplesmente forçar a leitura do texto. Mateus, Lucas e João dizem apenas que o galo cantou (Mt 26.75; Lc 22.61; Jo 18.27), ao passo que o Evangelho de Marcos, o que mais faz menção a Pedro, enfatiza quantas vezes exatamente o galo cantou. E claro que o número de vezes foi muito maior na mente de Pedro do que para qualquer outro escritor do Evangelho, pois sua única preocupação era o sinal de que ele havia negado o Senhor. De todo modo, não há motivo algum para supormos que o galo cantou duas vezes ou que Pedro teria negado Jesus seis vezes.

26.75 — E, saindo dali, chorou amargamente demonstra o verdadeiro arrependimento de Pedro. Por Sua graça, mais tarde, o Senhor lhe perdoou.

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