Significado de Mateus 27


Significado de Mateus 27

Significado de Mateus 27


Mateus 27

27.1 — Esse foi o terceiro julgamento judeu. Os dois primeiros foram ilegais porque foram à noite. Essa terceira reunião aconteceu durante a manhã e foi apenas uma repetição da que foi descrita em Mateus 26.57-68.

27.2 — Pôncio Pilatos foi governador da Judeia, Samaria e Idumeia de 26 a 36 d.C. Os judeus levaram Jesus a Pilatos porque não tinham autoridade para executá-lo (Jo 18.31).

27.3,4 — Judas ficou com remorso porque ele não esperava que isso acontecesse. Provavelmente, ele traiu Jesus para forçá-lo a tomar uma atitude contra Seus inimigos e estabelecer Seu Reino. Mas esse não era o plano nem a hora de Deus.

27.5 — Atos 1.18 diz que a morte de Judas foi devido a uma grande queda. A explicação mais detalhada diz que ele foi-se enforcar numa árvore e talvez o galho tenha quebrado ou a corda tenha arrebentado. Se a árvore estava sobre um alto precipício, o relato de Atos pode referir-se a isso.

27.6 — Os líderes religiosos, para quem não havia problema algum em condenar uma pessoa inocente à morte, de repente passaram a dar muita importância à Lei. Por causa de Deuteronômio 23.18, viram que dinheiro de sangue não deveria ser usado para propósitos religiosos.

27.7,8 — A princípio, esse campo foi chamado de campo de um oleiro, um lugar de onde os oleiros tiravam o barro. E como já estava cheio de buracos, passou a ser usado para enterrar as pessoas cuja família não tinha sepultura. Ele foi comprado como um cemitério para os estrangeiros que morriam em Jerusalém. Provavelmente os gentios também eram enterrados ali.

27.9,10 — Essa profecia se encontra em Zacarias 11.12,13; contudo, Mateus diz que ela foi feita por Jeremias. A melhor solução para o problema é que, ao que parece, a profecia foi proferida por intermédio do profeta Jeremias (ara) e registrada por Zacarias. A segunda opção é que o nome de Jeremias aparece na coleção de manuscritos onde se encontram as profecias de Zacarias. Também pode ser que, nos dias de Cristo, o livro de Jeremias encabeçasse os livros proféticos. Desse modo, a profecia receberia o primeiro nome da seção, e não de um livro em particular que faz parte da coleção.

27.11-14 — O título Rei dos judeus não havia sido mais usado no Evangelho de Mateus desde 2.2. Com toda certeza, a acusação de Pilatos contra o Senhor Jesus foi trazida pelos líderes religiosos judeus.

27.15-18 — Barrabás era bem conhecido porque era um rebelde e assassino (Mc 15.7; Lc 23.19,25). Evidentemente, Pilatos achava que Jesus seria o escolhido para ser liberto, não o assassino Barrabás. Jesus só havia feito o bem. 27.19 — Somente Mateus relata o incidente ocorrido com a mulher de Pilatos. Ele mostra aqui o senso de justiça de Pilatos, que não queria condenar um homem inocente.

27.20-24 — As autoridades religiosas, que tentaram evitar um alvoroço antes, agora usam um tumulto (a mesma palavra no grego usada em Mateus 26.5) para cumprir seu objetivo. A estabilidade de Pilatos vinha sendo abalada por conflitos com os judeus desde o início. Ele não podia se dar ao luxo de ter mais um demérito em seu currículo. Mesmo assim, ele declara mais uma vez a inocência de Jesus. Somente Mateus relata que ele lavou as mãos. O governador tentou em vão livrar-se da culpa pela condenação de um homem inocente à morte (Dt 21.1-9; SI 73.13).

27.25 — O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos. A destruição de Jerusalém foi uma das consequências desse pecado (Mt 23.32-39).

27.2 6 — Tendo mandado açoitar a Jesus. Os  açoites eram um castigo que podia tirar a vida de alguém. Certamente, Pilatos mandou castigar Jesus de modo tão severo para que o povo tivesse pena dele e dissesse: “Já chega! Pode soltá-lo” (Jo 19.4,5). Todavia, a multidão gritava cada vez mais para que Ele fosse crucificado (Jo 19.6).

27.27 — O pretório [ara] era a residência oficial do governador quando ele estava em Jerusalém. Foi originalmente construído como um palácio para Herodes, o Grande.

27.28-30 — Os soldados zombaram de Jesus chamando-o de rei. Observe as referências a capa, coroa, cana (cetro) e a saudação irônica.

27.31 — Crucificado. A crucificação, uma prática provavelmente vinda da Pérsia, era considerada pelos romanos o método mais cruel de execução. Essa pena era reservada apenas aos piores criminosos; os cidadãos romanos não eram crucificados. As vítimas geralmente morriam depois de duas ou três horas de agonia, tendo de suportar a exposição, a sede e a exaustão. Os braços das vítimas eram pregados numa trave de madeira, que depois era levantada e fixada numa haste vertical na qual seus pés eram pregados. O corpo da vítima ficava apoiado na haste onde era pregado.

27.32 — Constrangeram, o mesmo verbo no original usado em Mateus 5.41, refere-se a uma lei do governo romano que dava direito ao exército de recrutar qualquer pessoa quando precisasse. Os açoites, com toda certeza, deixaram Jesus muito fraco, fazendo com que Ele não aguentasse carregar a cruz; foi por isso que um soldado mandou que Simão a carregasse. Simão devia ser (ou se tornou mais tarde) um cristão; é pouco provável que ele fosse citado pelo nome sendo um estranho na comunidade cristã. Este Simão era pai de Alexandre e Rufo (Mc 15.21). Um homem cireneu. Cirene, ao norte da África, era o lar de inúmeros judeus (At 6.9).

27.33 — Não se sabe ao certo porque esse local era chamado de Lugar da Caveira; talvez a colina ou o monte tivesse o formato de uma caveira.

27.34 — Vinho misturado com fel aliviaria a dor de Jesus e o deixaria inconsciente. Mas Ele se recusou a tomá-lo, porque queria beber o cálice do sofrimento e permanecer totalmente a par do que estava acontecendo (SI 69.21).

27.35 — Os carrascos tinha o direito de ficar com as roupas das vítimas. Lançando sortes para ver quem ficaria com as vestes de Jesus, os soldados cumpriram a profecia no Salmo 22.18.

27.36 — Os soldados guardavam Jesus talvez para que ninguém tentasse tirá-lo da cruz.

27.37 — Reunindo o relato de todos os Evangelhos, a acusação provavelmente era esta: “Este é Jesus de Nazaré, o Rei dos judeus” (Mc 15.26; Lc 23.38; Jo 19.19).

27.38 — E foram crucificados com ele dois salteadores. Esse é o cumprimento de Isaías 53.12: Foi contado com os transgressores. Lucas relata que um desses ladrões creu, e Jesus lhe prometeu que naquele dia mesmo eles estariam juntos no paraíso
(Lc 23.39-43).

27.39 — No Salmo 22.7, são preditos os insultos que o Messias sofreria.

27.40 — Outra mentira contada no julgamento de Jesus também é encontrada em Mateus 26.61. As verdadeiras palavras de Jesus foram: Derribai este templo, e em três dias o levantarei (João 2.19). Em três dias, Jesus ressuscitou dos mortos, cumprindo assim essa profecia.

27.41-44 — Jesus não desceu da cruz porque Ele é o Filho de Deus, o Remidor e Rei de Israel (Jo 10.18). Ele estava seguindo obedientemente o plano de Deus para Ele, e Sua obediência o levou a ser exaltado como Rei sobre todos (Fp 2.8-11). Compare com a zombaria dos líderes religiosos no Salmo 22.8.

27.45 — A hora sexta era meio-dia. As trevas não foram resultado de um eclipse, já que a Páscoa acontecia quando era lua cheia. Esse fenômeno foi algo sobrenatural.

27.46 — As trevas eram uma metáfora da agonia da alma humana do Senhor. Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes? Ao dizer duas vezes: Deus meu, Deus meu, Jesus expressa grande aflição. O fato de Jesus citar o Salmo 22.1, usando uma frase em aramaico, também pode ser um sinal do enorme sofrimento ao qual Ele estava sendo exposto. Esse clamor Ele parece estar em concordância com 2 Coríntios 5.21. Contudo, esse não foi um clamor de derrota. Cristo estava citando no Salmo 22 e devia estar fazendo alusão à grande vitória descrita ali (v.24-31).

27.47-49 — O vinagre era um vinho barato usado pelos soldados e classes mais baixas.

27.50 — Com grande voz indica que Jesus de certo modo ainda tinha forças quando entregou o Espírito. O clamor a que se refere Mateus, especificado no Evangelho de João pelas palavras: Está consumado! (Jo 19.30), não era um clamor de exaustão, e sim de vitória. O propósito pelo qual Jesus tinha vindo foi cumprido. A redenção da humanidade foi concretizada. A derrota de Satan ás agora era um fato.

O verbo traduzido por entregou significa encerrar. Até mesmo ao morrer o Senhor demonstrou sua autoridade divina.

27.51 — O véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo. O templo tinha dois véus ou cortinas, um na entrada do Lugar Santo e outro que o separava do Santo dos Santos. Foi o segundo que se rasgou, mostrando que Deus nos deu livre acesso a Ele por intermédio de Seu Filho (Hb 6.19: 10.19-22). Somente Deus poderia ter rasgado o véu de alto a baixo.

27.52,53 — Muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados. Já que Jesus é o primogênito dentre os mortos (Cl 1.18; Ap 1.5) e as primícias dos que dormem (1 Co 15.20,23), esses irmãos não podem ter recebido corpos glorificados, como os que experimentarão após a ressurreição final. Eles certamente foram ressuscitados, como aconteceu com Lázaro, para ter novamente uma vida física comum. O fato de que ressuscitaram e entraram na Cidade Santa e apareceram a muitos indica que eles viveram na mesma época daqueles que os viram. 

27.54 — O centurião e os que com ele guardavam a Jesus devem ter ouvido o diálogo de Jesus com Pilatos (Mt 27.11); é bem provável que eles também tenham testemunhado as zombarias registradas em Mateus 27.40,43. Os sinais sobrenaturais os convenceram de que Jesus de fato era Filho de Deus. Significativamente, essa confissão de fé foi feita por um gentio.

27.55,56 — Três mulheres que eram fiéis ao Senhor Jesus são mencionadas aqui: Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, esposa de Cleofas (Jo 19.25), e a mãe de Tiago e João, esposa de Zebedeu, chamada Salomé (Mc 15.40).

27.57-60 — Arimatéia ficava cerca de 32Km ao norte de Jerusalém. Marcos 15.43 descreve José como um senador honrado, que também esperava o Reino de Deus. Lucas 23.50 o descreve como um homem de bem e justo. Mateus, entretanto, descreve-o como um homem rico, em cumprimento à profecia de Isaías 53.9.

27.61 — Essas duas Marias, também mencionadas em Mateus 27.56, testemunharam o sepultamento de Jesus.

27.62 — O dia seguinte era Sábado. Os príncipes dos sacerdotes eram saduceus. O ódio comum que os fariseus e saduceus alimentavam contra Jesus os uniu.

27.63 — Os saduceus e fariseus se referem a Jesus como aquele enganador, quando, na verdade, eles eram enganadores (Mt 26.4) e hipócritas (Mt 23.13,15,23,25,27,29).

27.64 — Para dar bastante ênfase, o verbo guardar é usado duas vezes e a expressão segurar com a guarda uma vez em Mateus 27.64-66.

27.65 — O substantivo traduzido por guarda aqui é uma palavra em latim, haja vista que os soldados eram romanos e não faziam parte da guarda do templo.

27.66 — Para enfatizar que era impossível alguém roubar o corpo de Jesus, Mateus afirma que o sepulcro foi selado (Dn 6.17).

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