Significado de Mateus 8

Significado de Mateus 8

Significado de Mateus 8



Mateus 8

8.1 — Em Mateus 8.1—9.38, temos o registro de dez milagres. Sua ligação com o Sermão do Monte é óbvia. O Rei, tendo apresentado Seu programa de governo — o Manifesto do Reino —, demonstra agora o poder para realizar o que havia dito. Sempre ouvimos grandes e maravilhosas promessas de muitos políticos que estão no poder, mas então pensamos: “Será que eles vão fazer isso mesmo?” Mas o Rei Jesus mostrou com milagres o poder de realizar o que estava em Seus planos. Esses milagres estão divididos em três grupos e apresentam duas discussões sobre o discipulado. Todos eles confirmaram o Senhor Jesus como Messias e Rei. Os três primeiros milagres são de cura (Mt 8.1-17). Curar um leproso era um ótimo começo, pois não havia registro de nenhum israelita leproso que tivesse sido curado em toda a história da nação, a não ser Miriã (Nm 12.10-15).

8.2,3 — Antes desse milagre, o único caso de um israelita curado de lepra foi o de Miriã, registrado em Nm 12.10-15. A frase se quiseres é importante porque demonstra fé genuína. Mas isso não significa necessariamente que, se alguém crer, Deus fará alguma coisa. Mas Ele pode fazer (Dn 3.17,18). Normalmente, tocar um leproso era algo que, pela Lei, tornava alguém imundo (Lv 14-45,46; Nm 5.2,3; Dt 24-8). Nessa ocasião, Jesus tocou o leproso, e este foi purificado.

8.4 — Olha, não o digas a alguém. Talvez Jesus tenha dito isso ao leproso para que ele, em cumprimento à Lei, dize-se às pessoas que havia sido curado. Vai, mostra-te ao sacerdote. A ordem de Jesus não eximia o leproso da sua responsabilidade de acordo com Lei. O ex-leproso teria de viajar dos arredores do mar da Galileia até Jerusalém para ali oferecer o sacrifício requerido por Moisés (Lv 14-4-32). No entanto, a intenção de Cristo em dar-lhe essa ordem não era apenas obedecer à Lei de Moisés, mas também testificar junto às autoridades religiosas em Jerusalém que o Messias havia chegado. Jesus também mandou que o homem não dissesse nada porque não queria que os judeus agissem de forma precipitada e preconceituosa, tendo uma opinião errada do Messias e de Seu Reino (Jo 6.14,15).

8.5-9 — No Novo Testamento, os centuriões (oficiais que tinham ao seu comando cem soldados) sempre são vistos com bons olhos. Esses soldados eram como os sargentos hoje em dia. A resposta que o centurião deu a Jesus indica que o romano entendia muito bem o que é autoridade.

8.10 — Maravilhou-se Jesus. Somente uma vez as Escrituras dizem que Jesus se maravilhou: quando os moradores de sua cidade o rejeitaram (Mc 6.6).

Nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Esse elogio à fé do centurião gentio foi uma forte repreensão aos judeus. Os israelitas achavam que teriam prioridade no Reino (Is 45.14; Zc 8.23; Rm 9.3-5; Ef 2.11,12). Mas Jesus deixa bem claro que apenas ser um descendente de Abraão não garante a entrada no Seu Reino.

8.11 — Assentar-se literalmente significa reclinar-se, como se estivesse à mesa para um banquete. A vinda do Reino geralmente é retratada como uma festa, em especial uma festa de casamento (Mt 22.1-14; Is 25.6; Ap 19.7-10).

8.12,13 — Os filhos do Reino são os judeus que receberam a aliança e as promessas e que seriam herdeiros do Reino. A ideia de que os gentios teriam lugar no Reino vindouro era algo impensável para os judeus. Trevas exteriores significam a escuridão do lado de fora e se referem à experiência daqueles que não resistiram até o fim, e, por isso, não herdaram o Reino (Mt 22.13; Rm 8.17; 2 Tm 2.12,13; 2 Jo 8; Ap 3.11). Viver com Cristo no céu é uma dádiva (Jo 3.16; Rm 4.1-8; 6.23) recebida de graça. Mas reinar com Cristo é um prêmio conseguido só com muito esforço (compare com 1 Coríntios 9.24-27; Apocalipse 22.12).

8.14-17 — Essa intensa manifestação de curas antecipou as curas futuras que aconteceriam na época do Reino. O versículo 17 é uma citação de Isaías 53.4. A morte de Cristo na cruz tornou possível a cura dos filhos de Deus no Reino messiânico que viria e subsistirá por toda a eternidade. Os milagres subsequentes em Mateus 8.1-17 são muito importantes. Primeiro o Senhor Jesus se revelou a Israel em Seu ministério terreno. Mas, como foi rejeitado, Ele exerceu Seu ministério junto aos gentios (Mt 8.5-13). Posteriormente Ele virá para os filhos de Israel e os restaurará como o Messias e Redentor que lhes foi prometido.

8.17 — Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e levou as nossas doenças. De que maneira Jesus levou nossas doenças e enfermidades? Ele com certeza não transferiu para Si mesmo a enfermidade de alguém quando o curou. O texto de Isaías sobre o Messias pode ter dois significados. Cristo tomou sobre si nossas enfermidades no sentido de compadecer-se de nossas fraquezas. Várias vezes vemos escrito que Jesus curava porque tinha compaixão das pessoas (Mt 9.36; 14.14; 20.34; Mc 1.41; 5.19; compare com Mc 6.34; Lc 7.13). Ele também levou nossas doenças na cruz por meio de Seu sofrimento vicário pelo pecado. As doenças em si são resultado da queda, e o fato de sermos pecadores trouxe a maldição à nossa vida. Veja que Isaías 53.4,5 se reporta a essas duas dimensões.

8.18-20 — O termo Filho do Homem é muito importante. Em todos os evangelhos, essas palavras são pronunciadas somente pelo Senhor Jesus, e era assim que Ele mais gostava de chamar a si mesmo (80 vezes). Esse é o mesmo termo encontrado em Daniel 7.13,14 e se refere ao Reino messiânico de Cristo. Em Mateus 8.20, descreve a simplicidade do Messias em Sua primeira vinda, quando Ele não veio para reinar, mas para sofrer. A cruz vinha antes da coroa, mas era a coroa que lhe servia de motivação (Hb 12.2,3).

As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos. Enquanto ensinava sobre o discipulado, Jesus afirmou que era preciso fazer sacrifícios, a exemplo do próprio Senhor que, como homem, não tinha onde reclinar a cabeça (compare com Lc 9.57-62).

8.21,22 — Essa passagem descreve um discípulo cujo pai ainda estava vivo, porque, pela Lei levítica, ninguém poderia estar fora de casa, em meio ao povo, se seu pai tivesse acabado de morrer. Ele queria ir para casa a fim de esperar a morte de seu pai, que já era idoso, para depois então seguir a Cristo. A resposta de Jesus nos mostra que jamais devemos arrumar desculpas para não segui-lo. Não há melhor hora do que o tempo presente.

8.23-27 — Jesus criticou a pequena fé dos discípulos porque Ele mesmo lhes havia dito para atravessar o mar da Galileia.

8.28 — A província dos gergesenos pode ser: (1) o vilarejo de Kersa, situado à costa oeste do mar da Galiléia; (2) Gerasa, cerca de 50Km ao sul do mar da Galileia; ou (3) Gadara, cerca de 8Km dali. Era um território gentio.

8.29-34 — Aprendemos muitas coisas sobre os demônios nessa passagem: (1) eles reconhecem a divindade de Cristo; (2) o conhecimento deles é limitado; (3) eles sabem que no fim serão julgados por Cristo (Mt 25.41; Tg 2.19; 2 Pe 2.4; Jd 6; Ap 12.7-12) e (4) eles não podem agir sem a permissão da maior de todas as autoridades — a de Cristo.

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