2015/10/07

Significado de Marcos 1

Significado de Marcos 1

Significado de Marcos 1


Marcos 1

1.1 — Escrevendo três décadas após a ressurreição de Cristo, Marcos começa sua narrativa com uma simples declaração das boas-novas do Filho de Deus, o Senhor Jesus. Como nos diz Lucas em Atos 1.1, os relatos dos Evangelhos descrevem o que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar. O Evangelho é o simples relato das bem-aventuranças encontradas na vida, no ministério, na morte e na ressurreição de Cristo. Jesus, que significa Jeová é Salvador, é o nome que o Filho de Deus recebeu ao nascer, enquanto Cristo é um título do Antigo Testamento que o descreve como o servo escolhido de Deus. Filho de Deus deixa bem clara a deidade de Jesus e expressa Sua íntima comunhão com o Pai.


1.2,3 — Em vez de citar o que Jesus disse, Marcos faz apenas uma referência ao Antigo Testamento. Nessa citação do profeta, o escritor desse Evangelho relata, outra vez, a obra do antecessor de Cristo, João Batista. A palavra mensageiro (ara) e a frase preparará o teu caminho expressam a imagem de um rei visitando seu reino. Na Antiguidade, um mensageiro era enviado à frente do rei para anunciar sua chegada. As comunidades locais costumavam reparar as estradas para garantir o conforto do governante enquanto ele viajasse. Há quatro escritores — Isaías, Malaquias, João e Marcos — que anunciam a vinda do Rei dos reis, Jesus Cristo. 

1.4 — A menção a João sem nenhuma introdução pressupõe algum conhecimento da fé cristã por parte dos leitores de Marcos. O batismo de arrependimento de João não deve ser confundido com o batismo cristão. Este último sempre vem após a conversão, representa a morte, o sepultamento e a ressurreição espiritual com Cristo — a qual acontece na vida do cristão quando ele recebe a salvação (At 19.5; Rm 6.3-6), e é realizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O batismo de João, por outro lado, preparava seus seguidores para receberem uma nova mensagem sobre Cristo e Seu Reino. Para remissão de pecados não significa que as pessoas eram batizadas para receberem a remissão dos pecados. A preposição grega traduzida por de no português provavelmente significa que aponta para, demonstrando que o batismo aponta para o perdão que Deus concede por meio do dom do arrependimento.

1.5 — O batismo de João foi um movimento popular que atraiu multidões. Marcos descreve com muita propriedade o fluxo contínuo de pessoas que buscavam João. Podemos até vislumbrar multidões indo rumo ao deserto e esperando na fila para serem batizadas. Cada um reconhecia que era pecador e que precisava do Messias, ao ser batizado por João. O mar da Galileia e o rio Jordão continuam sendo as únicas fontes de água doce na nação de Israel.

1.6 — O nome Gabriel (que significa enviado de Deus) é o do anjo que anunciou a Zacarias que seu filho, João, iria adiante dele (de Cristo) no espírito e na virtude de Elias (Ml 4-5; Mt 17.10- 13; Lc 1.13-17). João não somente teve a personalidade forte de Elias, como também se vestiu igual a ele (2 Rs 1.8).

1.7 — O tempo verbal de pregava indica uma ação contínua no passado. O propósito da mensagem de João era criar uma expectativa quanto à vinda do Senhor Jesus Cristo e Sua aceitação. João disse que não era digno de desatar a correia das sandálias do Messias. Os discípulos estavam acostumados a realizar tarefas manuais para seus mestres, mas jamais se esperara que eles tirassem as sandálias dos pés de alguém; afinal, essa era uma tarefa dos escravos. João compreendeu sua função na vinda do Reino e sujeitou-se a ela humildemente.

1.8 — João enfatiza aqui duas tarefas que ele e o Messias realizariam. A predição de que Cristo batizará com o Espírito Santo aparece em todos os Evangelhos (Mt 3.11; Lc 3.16; Jo 1.33), e Cristo a repete em Atos 1.5, dizendo que ela aconteceria não muito depois destes dias. Embora a versão Almeida Revista e Corrigida use com água e com o Espírito Santo, daria um sentido mais cristão traduzir a preposição grega por no, em vez de com o. O cumprimento dessa profecia aconteceu no Dia de Pentecostes.

1.9 — O batismo de Jesus foi algo único, pois Ele não tinha pecado algum do que se arrepender. Isso mostrou que Ele se identificava com a obra de João e com o pecador por quem morreria. Também apontava para a morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo, para salvar os pecadores.

1.10 — Logo aparece 41 vezes no Evangelho de Marcos para indicar a atitude imediata exigida de um servo (v. 10,12,18,20,21). Deus levou Cristo a um confronto com Satanás logo no início do Seu ministério. O Espírito Santo veio para capacitar Cristo e dar-lhe poder para exercer Sua futura obra. Essa passagem (Mc 1.10,11) fala também da Trindade — um Deus que existe em três Pessoas distintas ao mesmo tempo: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. A fórmula do batismo em Mateus 28.19 e em muitos outros textos nos ensina tal doutrina (2 Co 13.14; 1 Pe 1.2).

1.11 — Por três vezes durante o ministério terreno de Cristo, ouviu-se uma voz dos céus. Era a confirmação do Pai de que Cristo era Seu Filho unigênito. As outras vezes aconteceram na transfiguração (Mc 9.7) e no dia da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém (Jo 12.28).

1.12 — Marcos afirma que o Espírito o impeliu [Cristo] para o deserto. O verbo impelir também é usado para descrever Cristo expulsando demônios, e aparece mais duas vezes neste capítulo (v.34,39).

1.13 — Marcos descreve uma situação de conflito para chamar a atenção dos seus leitores. Ser tentado por Satanás é algo que acontece com todos os cristãos, mas Jesus triunfou completamente sobre Seu inimigo. Somente Marcos menciona os anjos que serviram a Cristo por 40 dias. Ele, talvez, tenha mencionado as feras para se dirigir especificamente aos cristãos de Roma que viam coisas terríveis no Coliseu.

1.14 — Marcos começa sua narrativa do ministério de Cristo com os eventos que aconteceram depois que João foi entregue à prisão, assim como fizeram os escritores dos outros Evangelhos Sinóticos. João é o único que nos conta os eventos que aconteceram antes da prisão de João Batista (Jo 3.24). André, Pedro, João, Filipe e Natanael iam com Jesus aonde quer que Ele fosse, mas faziam isso de maneira inconstante. Eles estavam nas bodas de Caná (Jo 2.2), acompanharam Jesus a Cafarnaum (Jo 2.12), a Jerusalém (Jo 2.13-22) e em toda a Judeia, onde batizavam as pessoas (Jo 3.22,23).

1.15 — Jesus anunciou o Reino de Deus. Esse era o tema de muitas profecias do Antigo Testamento e algo muito familiar para aqueles que ouviam Jesus. Arrependei-vos e crede são ambos atos de fé. Quando alguém aceita o único e verdadeiro objeto de sua fé, deixa, na mesma hora, de ser uma pessoa comum. Nada nem ninguém — a não ser Jesus — pode preencher o vazio de Deus que há em nós. O Evangelho. As boas-novas de Jesus Cristo — nesse caso, como Rei.

1.16 — André era um dos discípulos de João Batista. Ele conhecia Jesus (Jo 1.35-42), mas, agora, estava sendo chamado para servir-lhe por toda a vida.

1.17 — Jesus chamou pescadores, pessoas trabalhadoras e habilidosas, para o trabalho mais importante do mundo: serem pescadores de homens. Cristo geralmente usava figuras de linguagem para que seus ouvintes o entendessem mais rápido.

1.18-20 — Deixando logo as suas redes e seu pai. Não permita que seu trabalho ou sua família o impeçam de seguir Jesus. Logo. Umas das palavras favoritas de Marcos (v. 12,18,20,28). Essa é a única resposta sensata que podemos dar a Cristo.

1.19 — O que nos revelam os v. 16-20 é muito significativo. Vemos que Simão e André estavam pescando; Tiago e João estavam consertando as redes. Tais detalhes nos mostram que havia uma testemunha ocular, provavelmente Pedro.

1.21 — Cafarnaum ficava às margens no lado norte do mar da Galileia, um lago de águas límpidas, o qual possui a forma de pera e mede 20 Km de comprimento e 13 Km de largura. A cidade era um ponto de encontro das rotas de comércio entre o Egito e a Síria (Cairo e Damasco). Por estar junto ao mar da Galileia, ela teve a primeira rota de comércio entre o Egito e Damasco e outros pontos do oriente. O nome da cidade significa Vila de Naum. Cafarnaum era o “quartel general” do ministério de Cristo e é mencionada TL vezes nos Evangelhos. Por outro lado, somente um evento no ministério de Cristo é citado em Nazaré (Lc 4.16). As ruínas de uma sinagoga em Cafarnaum, localizada apenas a 30 metros da superfície da água, datam do segundo ao quarto século a.C.

1.22 — Quarenta e dois por cento dos versículos de Marcos citam os ensinamentos de Cristo. No entanto, ele omite os principais discursos do Mestre para enfatizar Suas obras poderosas como Filho de Deus. Maravilharam-se da sua doutrina. A doutrina de Cristo era diferente da dos escribas e fariseus, pois Ele não se baseava na sabedoria de outros mestres ou rabinos. Sua autoridade vinha de si mesmo.

1.23 — O termo imundo [gr. akathartos] tinha uma conotação muito importante no pensamento judaico. O Antigo Testamento frequentemente faz distinção entre o que é puro e o que é impuro, lícito e ilícito; portanto, esse termo também pode significar iníquo. Demônio é uma designação invariável de espírito imundo.

1.24,25 — O demônio exclamou: Que temos contigo!, não porque aquilo dizia respeito aos demônios que estavam naquele homem (como em Marcos 5.1-20), mas porque Jesus era uma ameaça a todos os demônios. Jesus sempre enfrentou os espíritos malignos, e cerca de 20% dos 35 milagres que Ele realizou foram para libertar os homens desses espíritos. O demônio reconheceu Jesus como o Santo de Deus, mas Cristo recusou o testemunho de uma fonte tão indigna.

1.26,27 — Espírito imundo. Esse é outro termo usado para demônio. Em sua fúria impetuosa, esses espíritos malignos tentaram causar o maior dano possível naquele homem quando foram forçados a sair dele; eles resistiram muito, mas sabiam que sua derrota era certa (v.24).

1.28,29 — Marcos percebeu que esse milagre de Jesus teve proporções tão grandes que ele foi levado a dizer que logo correu a sua fama [de Jesus] por toda a província da Galileia. Marcos cria um suspense ao comparar aqueles que aceitaram Cristo com os fariseus e os saduceus que se uniram para tramar Sua morte. A triste realidade é que os religiosos deste mundo afastam mais as pessoas de Jesus do que os próprios ateus. Porém, o evangelho não é uma religião; é as boas-novas que podem libertar o mais terrível pecador.

1.30 — A sogra de Simão. Paulo relata que Pedro (Cefas) era casado, assim como outros discípulos (1 Co 9.5).

1.31 — Jesus curou totalmente a sogra de Simão Pedro. Não apenas a febre passou, mas as forças daquela senhora foram renovadas, para que ela servisse a Jesus e aos Seus discípulos.

1.32 — Para não violarem a restrita lei do sábado carregando alguém (v.21; Ne 13.19), eles esperavam até quando já estava se pondo o sol.

1.32-34 — Endemoninhados (gr. daimonizomai). Tanto a cura dos enfermos como a expulsão de demônios das pessoas deve ter perdurado por toda a noite. Jesus tinha plena ciência de que só lhe restavam cerca de três anos e meio de vida aqui na terra para cumprir Sua missão.

1.35,36 — O tempo verbal de orava indica uma ação contínua, não apenas algo de momento. Jesus tinha uma vida de oração bem-sucedida porque Suas orações eram planejadas, íntimas e longas. Ele acordava bem cedo, dirigia-se a um lugar distante e passava um longo tempo orando.

1.37,38 — A fama de Jesus espalhou-se rapidamente, e a preocupação dos discípulos é evidente quando eles dizem: Todos te buscam. Cristo se recusou a ter uma vida confortável e levou a sério Sua missão de alcançar as aldeias vizinhas. Para isso vim. Cristo aqui mostra a simplicidade Ele veio para pregar e anunciar a mensagem do Seu propósito. Ele não deixaria que Deus. nada o impedisse — nem as tentações de Satanás de Pedro (Mt 16.22). Veja um exemplo disso em Hebreus 12.1-3.

1.39,40 — Um leproso era um pária. Se queres, bem podes limpar-me é uma prova da fé que esse homem tinha em Jesus.

1.41'43 — Jesus foi movido de grande compaixão. Ele não somente curou, mas também tocou o leproso. Quantas vezes vemos a necessidade de alguém, mas não nos sentimos tocados por ela nem nos envolvemos na situação? A Bíblia apresenta mais de 400 passagens que nos exortam a cuidar dos pobres (Mc 8.2; Dt 15.7-11).

1.44 — Depois de curar o leproso, Jesus mandou que ele não dissesse nada a ninguém. Sua exigência de que o homem ficasse em silêncio tem muitas explicações plausíveis: (1) se o leproso falasse que Cristo o havia curado antes que o sacerdote pronunciasse que ele estava puro, isso poderia prejudicá-lo; (2) o Mestre não queria ficar conhecido somente como alguém que fazia milagres; por isso, sempre mandava que os curados por Ele não dissessem nada a respeito; (3) o testemunho desse homem poderia levar Jesus e os líderes religiosos a um confronto.

1.45 — O leproso curado não obedeceu à simples ordem de Jesus para não dizer nada. Por essa razão, Cristo teve de permanecer em lugares desertos, pois as multidões o seguiam. O Mestre não queria fazer nada fora de hora, pois Sua hora ainda não tinha chegado. 

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