2015/11/10

Interpretação de João 1

Interpretação de João 1

Interpretação de João 1 


Índice: João 1 João 2 João 3 João 4 João 5 João 6 João 7 João 8 João 9 João 10 João 11 João 12 João 13 João 14 João 15 João 16 João 17 João 18 João 19 João 20 João 21

João 1

I. Prólogo. 1:1-18.
Sem delongas o escritor apresenta a figura central do Evangelho, mas não a chama de Jesus ou Cristo. Neste ponto Ele é o Logos (Palavra). Este termo tem raízes no V.T., sugerindo conceitos de sabedoria, poder e um relacionamento especial com Deus. Era também largamente usado pelos filósofos para exprimir idéias tais como discussão e mediação entre Deus e o mundo. No tempo de João toda sorte de leitores entenderiam sua adequabilidade aqui, onde a revelação é a nota principal. Mas o aspecto diferente é que o Logos também é o Filho do Pai, que se encarnou a fim de revelar Deus plenamente (1:14,18).

A. O Logos Preexistente. 1:1,2.

1, 2. O princípio do Evangelho (Mc. 1:1) foi ligado ao princípio da criação (Gn. 1:1) e vai além dela dando uma visão da Deidade "antes que o mundo existisse" (cf. Jo. 17:5). A Palavra não se fez; era. Com Deus sugere igualdade e também associação. O Verbo era Deus (divindade) sem confusão de pessoas.
 B.   O Logos Cósmico. 1:3-5. Ele foi o agente da criação. Por ele. Por meio dele.
 3. Todas as coisas inclui a totalidade da matéria e existência, mas considerada aqui em seu "status" individual e não universal.
4. A vida está nEle, não simplesmente através dEle. Como vida, a Palavra comunicava luz (conhecimento de Deus) aos homens.
5. As trevas são em primeiro lugar morais. Nem todos têm vantagem da luz (cons. 3:19). Provavelmente o pensamento não é idêntico a 1:9, 10; assim as trevas não a prevaleceram é uma tradução menos aceitável do que as trevas não a venceram.

C.  O Logos Encarnado. 1:6-18.

Aqui está incluído um sumário da missão de João, o precursor.
 6.   Houve. Antes, veio. Esta é a aparição de João na história, como enviado por Deus. A frase resume o material contido em Lc. 1:5-80; 3:1-6.
 7.   Que João veio para testemunho, ou para testificar, é a maior ênfase deste Evangelho (1:15, 34; 5:33, 36, 37; 15:26, 27; 19:35; 21:24). Sua missão foi testemunhar da luz, que brilhava desde a Criação e estava ali para iluminar os homens com a sua presença. O testemunho foi idealizado para que os homens viessem a crer (a palavra "fé" não aparece neste Evangelho, mas o verbo quase se transforma em um refrão; cons. 20:31).
9.   A luz verdadeira não transforma João em uma luz falsa. Dá a entender que é uma luz antitípica, máxima – o sol, não uma vela. Daí, venerar João indevidamente, depois que a Luz despontou, é errado (3:30; Atos 19:1-7). A sintaxe do versículo no grego é difícil. A verdadeira luz que, vinda ao mundo; ilumina a todo homem é a tradução mais provável. Através de sua presença entre os homens o Logos traria uma iluminação superior àquela que fora proporcionada aos homens antes de sua vinda.
10, 11. A Luz era verdadeira e resplandecente, mas a acolhida que teve foi desapontadora. Além da semelhança que há nos dois versículos, jazem neles diferenças deliberadas: estava, mundo; veio, o que era seu; e os seus não o receberam. Deixar de discernir o Logos pré-encarnado é mais compreensível do que a recusa trágica de seu próprio povo, em aceitá-lo quando veio entre eles.
12, 13. Nem todos recusaram a Luz. Aqueles que a receberam ganharam poder (autoridade, direito) de serem feitos (naquele exato momento) filhos de Deus. Aqueles que o receberam são descritos como aqueles que crêem no seu nome (pessoa). Veja 20:31. Há duas maneiras de se dizer a mesma coisa. Os crentes são mais adiante descritos em termos do que Deus faz por eles.
Eles nasceram ... de Deus. Não é um processo natural que traz pessoas ao mundo – não do sangue (literalmente, sangues), sugerindo a mescla das correntes sanguíneas paterna e materna na procriação. Da vontade da carne sugere o desejo natural e humano de se ter filhos, como da vontade do varão (a palavra usada para marido) sugere o desejo especial de se ter uma descendência que continue com o nome da família. Assim, o novo nascimento, algo sobrenatural, foi cuidadosamente resguardado da confusão com o nascimento natural.
14. Antes que a fé possa produzir o novo nascimento, deve haver um objeto sobre o qual repousar, tal como a encarnação do Verbo, o Filho de Deus. Deus, tendo se expressado na criação e na história, onde a atividade do Logos era evidente mas a sua pessoa velada, agora se revelava através do Filho em forma humana, que não era simples semelhança, mas carne, João poderia ter usado "homem" mas escolheudeclarar a verdade da encarnação enfaticamente como se quisesse contrariar aqueles que tinham tendências gnósticas. Essa falsa visão de Cristo recusava-se a aceitar que a divindade pura pudesse assumir corpo material, uma vez que a matéria era considerada má (cons. I Jo. 4:2, 3; II Jo. 7).
Habitou. Tabernaculou. Em combinação com a glória sugere a personalização da nuvem luminosa que repousava sobre o tabernáculo no deserto (Êx. 40:34). O Verbo encarnado é também a resposta à oração de Moisés (Êx. 33:18). João não narra a Transfiguração, pois apresenta todo o ministério como uma transfiguração, exceto quanto à luz da qual fala, que é moral e espiritual (cheio de graça e de verdade e não algo visível, cons. Jo. 1:17).
15.      Mais informações (cons. 1:7) são apresentadas sobre o testemunho do Batista à luz do aparecimento público de Jesus. Jesus veio depois de João em tempo mas veio antes dele em importância, pois era antes dele na qualidade de Eterno (cons. 1:1).
16.  O Evangelista confirma a singularidade de Cristo. Não só João Batista mas todos os crentes participaram de sua plenitude – a perfeição da divindade (cons. cheio em 1:14). Graça por graça descreve uma manifestação acumulada sobre outra – uma verdadeira plenitude.
17.    Assim como Jesus Cristo ultrapassou a João (1:15), assim também foi superior a Moisés. Ambos trouxeram algo de Deus, mas um trouxe a lei que condena, o outro a graça que redime da lei. Verdade sugere a realidade da revelação divina de Cristo.
18.    Deus é invisível, porque é Espírito (cons. 4:24;1 Tm. 6:16). Teofanias não revelam sua essência. Mas o Filho unigênito de Deus (aqui, os principais manuscritos têm Deus em vez de Filho; cons. Jo. 1:1) revela. No seio do Pai dá a entender com Deus (1:1). A missão do Filho foi declarar (fez conhecer; a palavra grega dá-nos o nosso "exegeta") o Pai. Cristo interpretou Deus ao homem. Nada é perdido (cons. Hb. 1:2, 3; Gl. 1:15).

A. O Testemunho de João Batista. 1:19-36.
Em seu desejo ardente de magnificar Cristo, João transformou um interrogatório sobre si mesmo em um forte testemunho sobre o Maior que ia se manifestar. O batismo de Jesus executado por João, que não foi narrado neste Evangelho, já tinha acontecido (veja 1:26).
19.  Os judeus. Como de costume, João está se referindo aos líderes da nação. Esses sacerdotes eram fariseus (v. 24). Duas coisas provocaram a delegação: a forte pregação de João, que cativava multidões (Mt. 3:5), e sua atividade, batizando (Jo. 1:26). Tal pessoa despertou tanta preocupação nesses líderes que eles perguntaram, Quem és tu?
20.   João leu seus pensamentos. Eles, tal como as multidões (Lc. 3:15), ficavam imaginando se ele poderia ser o Cristo prometido.
21.   Sua negação levou-os à segunda pergunta. Elias era esperado antes da vinda do Messias (Ml. 4:5). Embora João não fosse o Elias pessoalmente, estava em sua função (Mt. 17:11-13). Por profeta devemos provavelmente entender o profeta de Dt. 18:15, 18. Alguns o consideravam distintamente do Messias (Jo. 7:40).
22-24. A delegação não podia ser satisfeita com negativas. Pressionado a revelar seu papel, João replicou na linguagem profética (Is. 40:3). Era uma verdadeira identificação. João vivera no deserto e ali elevara sua voz para anunciar a aproximação do reino (Lc. 1:80; 3:2, 3).
25-28. Um papel assim secundário parecia não ser justificativa suficiente para João administrar o batismo. Mas ele se defendeu – era simplesmente com água. Ele proclamava a presença do pecado e a necessidade de uma purificação que ele mesmo não podia efetuar. A obra final da purificação (ele deu a entender) repousava sobre alguém maior do que ele, Alguém que ainda era desconhecido das autoridades (1:26). João considerava-se indigno de ser Seu servo. Essa conversa foi mantida em Betânia, a leste do Jordão. Não deve ser confundida com Betânia de 11:1,18.
29. No dia seguinte surge uma nova situação. A delegação partiu e Jesus apareceu no cenário. Mas não houve nenhuma troca de palavras entre ele e João. Satisfeito por ter afirmado aos fariseus a grandeza de Cristo, João tornou-se agora específico quanto à Sua pessoa e obra. Seu próprio ministério baseava-se sobre o fato do pecado; o de Cristo relacionava-se com a remoção do pecado. Cristo era o Cordeiro de Deus. A História (Êx. 12:3) e a profecia (Is. 53:7) juntam-se para fornecer os antecedentes desse título. É preciso ter em mente também os sacrifícios diários no templo.
31-34. Quando Jesus procurou o batismo de João, o Batista não o reconheceu (cons. Lc. 1:80), mas ele tinha recebido um sinal de identificação de Deus – o Espírito descer do céu como pomba permanecendo sobre Ele. Além do sinal foi-lhe dada uma palavra referente à obra que Ele realizaria com a capacitação celestial para tanto concedida – Ele batizaria com o Espírito. Tal pessoa, João sabia, não poderia ser ninguém menos que o Filho de Deus. Ninguém de menor estatura poderia usar com tanta autoridade o divino Espírito. João deu três testemunhos excelentes da pessoa e obra de Cristo. Como Cordeiro, sua missão era a da redenção. Ao batizar com o Espírito, Ele fundaria a Igreja. Como Filho de Deus, Ele seria digno de adoração e obediência.
35, 36. Estes versículos são de transição. Eles nos informam que João tinha discípulos e que ele também desejava transferi-los para Jesus. Esta era importante parte de sua tarefa de precursor, como o restante do capítulo declara.

B. A Vocação dos Discípulos. 1:37-51.
O desejo altruísta de João de glorificar Cristo produziu frutos entre seus seguidores. Sem nenhuma ordem ou sugestão de sua parte além do seu testemunho, dois discípulos seguiram Jesus. Um é identificado como sendo André. O silêncio quanto ao nome do outro aponta para o escritor do Evangelho, que não menciona o seu nome por causa da modéstia.
37- 42. Seguiram a Jesus. O ato físico expressou a intenção de segui-lo no sentido espiritual. Que buscais? Tal pergunta poderia ser uma demonstração de repulsa, mas não quando pronunciada com delicadeza. A contra-pergunta, Onde assistes? Tal como o fato de o seguirem, pode sugerir um sentido mais profundo – Qual é o segredo de sua vida e poder espirituais? Sua habitação poderia não atraí- los, mas a conversa sublime que se seguiu permaneceu como flagrante memória. Anos mais tarde João se lembrou da hora do dia – quatro da tarde.

41.   O significado de primeiro não está claro. Nenhuma atividade posterior de André foi declarada. Possivelmente, primeiro tem a intenção de sugerir que o outro discípulo (João) também procurou seu irmão Tiago, que aparece antes, nos Sinóticos, como discípulo de Jesus (Mc. 1:16-20). Achou... achamos. A narrativa está cheia da alegria do descobrimento (cons. Jo. 1:43, 45). Messias, o termo hebreu para "o ungido", tem o seu correlativo na palavra grega Cristo. André atreveu-se a chamar Jesus de Cristo porque o Batista o apresentou assim aos seus seguidores, ou por causa das horas passadas na companhia de Jesus?
42.     O trabalho pessoal de André começou cedo e com seus parentes. A troca do nome de Simão para Cefas, o termo aramaico para Pedro, significando pedra, provavelmente indica uma mudança prometida da fraqueza para a estabilidade e força (Lc. 22:31, 32).
43.  Novamente a mudança do dia foi observada (cons. 1:29, 35, em contraste à ausência de tais traços no Prólogo). Desta vez Jesus faz a descoberta (cons. Lc. 19:10), e ordena a Filipe que o siga (contraste com Jo. 1:37).
45-51. Filipe vindicou a confiança de Jesus nele como discípulo buscando Natanael e transmitindo-lhe a convicção de que Jesus de Nazaré era o muito esperado que preencheria as predições de Moisés e dos profetas. Pode-se testemunhar do Senhor mesmo quando o conhecimento ainda é incompleto ou defeituoso. Jesus, o Nazareno, revelou -se concisamente como o celestial Filho do homem (v. 51). Mesmo Natanael percebeu rapidamente que o filho de José era o Filho de Deus (v. 49). O primeiro impulso de Natanael foi o de duvidar que Nazaré fosse capaz de produzir alguma coisa boa, muito menos o Messias (v. 46). Isso não implica necessariamente que a cidade tivesse má reputação, mas antes sugere o caráter irrelevante do lugar.
Vem, e vê. Experiência é melhor do que argumentação. Israelita sem dolo sugere um contraste de Jacó, que se tornou Israel só através da experiência da conversão. A mesma penetração que leu o coração de Simão (v. 42) como num livro aberto e que penetrou na vida íntima de Natanael (vs. 47, 48) foi agora cordialmente reconhecida na confissão deste último – Filho de Deus... Rei de Israel. A sombra da figueira, um sossegado refúgio para a alma reverente, foi silenciosamente partilhada pelo Cristo perspicaz. Filipe compreendeu que o mestre tinha de ser mais do que ela entendia. E o fim não era aquele, pois o Salvador prometia coisas maiores. Jacó continuava no fundo da cena (v. 51). A visão que ele teve dos anjos em Betel seria ultrapassada quando os discípulos vissem no Filho do homem aquele a quem o céu seria aberto (cons. Mt. 3:16) e aquele que na qualidade de Mediador, liga o céu à terra. Filho do homem. Um título indicando uma figura sobrenatural e celestial em Dn. 7:13 e no apocalipse judeu, foi o método preferido por Jesus para designar- se a si mesmo, de acordo com os Evangelhos. Esse nome era preferido ao de "Messias" porque não sugeria aspirações políticas ao longo de um reino temporal, tal como a maioria dos judeus aguardava. A glória do Filho (Jo. 1:14), vista em parte por esses primeiros discípulos (vs. 39, 46), foi ainda mais desdobrada daqui em diante (ERC).


Um comentário:

  1. Explicação simples e de bem entender. Jesus é Deus, não o Pai, mas o criador de tudo conforme menciona Gênesis 1:1, No principio, criou, Deus os céus e a terra. Deus não foi a nenhum armazém, nenhuma praça, nenhuma feira, comprar material para construir conforme se diz popularmente que não existe arquiteto nenhum como Deus. Deus construi, realizou, fez através da Sua Palavra. "E Disse Deus.... A palavra, o Verbo, o LOGOS tornou-se carne...é uma obra simples, fantástica e inimaginável, para quem não crê na Fé em DEUS. Obrigado pelo vosso ensino. Paz de Deus

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