2015/11/10

Interpretação de João 9

M. A Restauração do Cego de Nascença. 9:1- 41.
Esta passagem tem afinidade com 8:12, pois agora Cristo demonstrou que Ele era a luz do mundo, confirmando sua declaração. Está também intimamente ligada com o capítulo seguinte, pois 10:21 indica algo da impressão causada por este milagre.
1-7. A realização do sinal. Jesus viu o homem; então os discípulos perguntaram a respeito dele. O interesse de Jesus animou o deles, mas de um ponto de vista diferente. Para os discípulos o cego fornecia ocasião para especulações teológicas; para Jesus era um ser humano
digno de dó e precisando de ajuda. A pergunta dos discípulos (v. 2) baseava -se na crença que a enfermidade física ou o sofrimento eram devidos ao pecado, quer dos pais (Êx. 20:5), quer do próprio homem, presumivelmente com base na preexistência da alma, que alguns judeus defendiam. Jesus desfez o pensamento de qualquer pecado especial da parte do homem ou de seus parentes e sugeriu examinar o assunto de um lado inteiramente diferente. Deus permitira aquela condição para demonstração de Sua glória, quando Seu poder operasse neste caso (v. 3) . Jesus convocou os discípulos a trocarem a fútil especulação por ação. O tempo para o trabalho (dia ) era curto demais. Os melhores manuscritos dão o texto, Devemos trabalhar. O Mestre estava ligando a Si os discípulos. O trabalho era deles como também Seu, ainda que o fizesse sozinho (v. 4). O pensamento antecipa 14:12. Jesus repetiu agora a majestosa declaração de 8:12, como se aplicando a verdade ao milagre que acabara de realizar (v. 5). Não era necessário ungir os olhos do cego com lodo para efetuar a cura, mas serviu para pôr a fé do homem a uma prova severa. Obedeceria? (cons. a cura de Naamã). João sugere a um significado simbólico no nome do tanque – Siloé (enviado). Presumivelmente o nome se originou porque as águas eram "enviadas" ou brotavam da fonte para o tanque. Na presente circunstância este nome tem um significado mais elevado, apontando para Cristo como o enviado do Pai, uma verdade repetidamente apresentada no Evangelho. A obediência resultou na recuperação da vista (v. 7).
8-12. Vizinhos e transeuntes ajuntaram-se à volta do homem curado. Aquele que assentado pedindo esmolas – ocupação natural para alguém nas suas condições – parecia agora tão diferente que criou um problema de identificação. Quem era ele? Sua própria afirmação de identidade provocou discussão (v. 9). A pergunta seguinte, bastante natural, referiu-se à questão da cura. Resistindo a qualquer tentação de estender a história, o ex-cego repetia fielmente as etapas. A terceira questão foi igualmente inevitável. Quem ungiu seus olhos e lhe deu a ordem de lavá-los? A esta altura nenhuma resposta pode ser dada (cons. 5:13). Este assunto produziria mais luz (vs. 35-38).
13-17. O grupo mencionado decidiu que tinha uma obrigação, isto é, levar o homem aos fariseus, por causa da extraordinária natureza do que tinha acontecido. Além disso, a cura fora efetuada no sábado (v. 14) . Novamente o homem foi solicitado a contar o milagre. Desta vez ele foi mais conciso, talvez indicando que estava perdendo a paciência por ser interrogado tantas vezes (9:15). A história criou divisão (schisma) entre esses líderes religiosos, que sem dúvida estavam informalmente reunidos. Em João este elemento é proeminente, especialmente esta divisão, tantas vezes notada, entre a fé e a incredulidade (1:11, 12; 3:36 e outros). Um grupo não via nada além do fato de que o sábado fora violado. Outros achavam difícil que um pecador pudesse realizar tais coisas. Mas suas vozes não prevaleceram. Ainda, outra vez para desviar a atenção de sua própria perplexidade, os fariseus começaram a interrogar o homem novamente. O que ele pensava de seu benfeitor? Ele demonstrou mais discernimento do que os líderes. É claro que o seu amigo não podia ser menos que um profeta (v. 17). Verdadeiramente Ele era um profeta poderoso em feitos (aqui) e também em palavras (4:19; cons. Lc. 24:19).
18-23. Aqui foram mencionados judeus em lugar de fariseus, provavelmente não para indicar um grupo diferente, mas para enfatizar sua posição oficial e sua hostilidade para com Jesus (tão freqüente neste Evangelho) . Esses homens achavam que Deus não permitiria um milagre no sábado, portanto devia haver algo de errado na história do homem. Acharam que seria sábio interrogar seus pais (9:18). Os pais foram positivos em dois aspectos: era seu filho; era cego de nascença. Eles também concordavam que agora era capaz de ver, coisa que os próprios judeus declaravam. Mas recusavam-se a ir além disso, embora talvez soubessem o como e o quem do milagre (v. 2). O medo fazia que eles colocassem toda a responsabilidade sobre o filho. Parece que era do conhecimento geral que os judeus (líderes) tinham decidido antes dessa ocasião excomungar qualquer pessoa que reconhecesse Jesus como o Cristo, isto é, o Messias prometido.

24-34. O homem que recuperara a visão foi novamente convocado para mais um interrogatório. Dá glória a Deus. Isto é, diga-nos a verdade. Veja Js. 7:19. Mas suas palavras iniciais revelavam que não estavam realizando uma investigação. Suas mentes já estava irrevogavelmente decididas. Esperavam encontrar uma brecha no testemunho do homem. Incapazes de contestar o milagre, insistiram em considerar Jesus um pecador. Em vez de entregar-se a um debate – antes ele tinha se oposto à acusação de pecador com a sua própria opinião de que Jesus era um profeta – o homem curado procurou terreno seguro, sua própria experiência. Aqui ele podia dizer, eu sei. Era cego e agora podia ver. Outros podiam testificar dEle as mesmas coisas – pais, vizinhos, amigos – mas a declaração que saíra de seus lábios era muito mais significativa. A afirmação que os judeus faziam de ter conhecimento era bombástica, um pronunciamento ex-cátedra; a confissão deste homem tinha o peso da verdade simples que a apoiava. De maneira doentia os judeus retomaram ao antigo terreno; de que modo o milagre fora realizado? (v. 26)
Sentindo que o propósito do interrogatório não era o conhecimento dos fatos, o homem ficou impaciente. Por que queriam uma outra declaração quando não aceitaram a primeira? (v. 27) Completamente aborrecido, começou a dar as suas alfinetadas.

Porventura quereis vós também tornar-vos seus discípulos?
Agora os judeus começaram a recorrer à ofensa verbal, acusando o homem de ser discípulo de Jesus, coisa que ele não afirmara de maneira nenhuma. Moisés dera a lei do sábado, e eles estavam sob a sua bandeira. Jesus era um intrometido, um perturbador da paz religiosa. O verdadeiro problema era a observância da Lei versus a liberdade do regime de Cristo. Se os judeus tivessem lido tudo sobre Moisés e o tivessem feito direito, não teriam rejeitado Jesus (cons. 5:45). Mas no pé em que as coisas estavam, eles firmemente se recusaram a crer que Deus falasse por intermédio dEle (9:29). Ele era um arrogante.
Essa atitude pareceu irracional ao homem que nascera cego. Ele achava uma coisa estranha (notável, espantoso) que esses homens, que há poucos momentos disseram confiantemente, nós sabemos, não soubessem de onde vinha Jesus - um homem que fizera coisa tão notável. Onde estava pois, a infalibilidade deles em questões religiosas? Dos próprios judeus tinha ouvido, sem dúvida, o ponto que agora lhes atirava, que Deus não ouviria pecadores. O argumento era bom. Apanhados na armadilha de suas próprias interrogações, os judeus recorreram à calúnia, o anterior estado de cegueira do homem era prova de que fora nascido todo em pecado (cons. 9:2) e não tinha capacidade de ensiná-los. Quando o expulsaram, não o excluíram formalmente, mas apenas o expulsaram de sua presença, o que poderia levar à exclusão da sinagoga mais tarde. O homem não confessou que Jesus era o Cristo, mas simplesmente que vinha de Deus.
35-41. Jesus, que primeiro viu o homem na sua condição de cego, depois curou-o, agora encontrou-o (cons. 5:14). Os parias se encontraram – Jesus, rejeitado há muito tempo, e o homem que ficou tão desiludido com a experiência que teve com os líderes do povo. Mas o encontro não foi com o fim de consolarem-se mutuamente. Crês tu no Filho de Deus? (ERC) Era um desafio à fé e uma declaração de divindade. Alguns dos melhores manuscritos dizem Filho do homem (ERA) aqui, o que não muda o sentido material, uma vez que isso significa o homem do Céu (cons. 3:13). A pergunta encontrou o coração aberto do homem e pronto a crer. Ele simplesmente pediu a identificação desse Alguém enviado por Deus. Foi o momento da auto-revelação, tal como no caso da mulher de Samaria (4:26). Dessa vez o uso da palavra Senhor pelo homem foi certamente mais significativo. Ele pensara em seu benfeitor como alguém que adorava a Deus (v. 31); agora estava preparado para adorá-lO (v. 38). Era muito mais do que deferência para com um grande homem; era adoração religiosa. O episódio não terminou sem fazer notar a divisão feita por Jesus. Alguém viu a luz do dia e passou a ver a luz da vida. Outros, com supostamente muito maiores conhecimentos das coisas espirituais, eram contudo cegos, e seu contato com Cristo selou sua cegueira (v. 39) . A jactância, vemos, uma vez que arrogava-se uma sabedoria que não incluía a fé no Filho de Deus, significava uma confissão de cegueira devida ao pecado de fecharem seus olhos àquele que era a luz deste mundo.

4 comentários:

  1. Glórias ao Senhor que te inspirou irmão.
    Continue compartilhando seus estudos.
    Muito me abencoou

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  2. Muito bom me tirou várias dúvidas Deus te abençoe!

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  3. Amém que DEUS continue os abençoando

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