2015/12/29

Analogia — Estudo Bíblico

Analogia — Estudo BíblicoAnalogia

Vem do grego ana, “conforme”, e logos, “taxa”, “proporção”. Dois termos, coisas, situações ou pessoas são positiva ou negativamente comparadas, de onde emergem seus pontos de semelhança ou de contraste.

1. Uma relação de semelhança entre duas coisas ou mais, na busca de conclusões prováveis ou necessárias, dependendo do tipo de relação em pauta. Ao encontrarmos similaridades em alguns pontos, raciocinamos, por analogia, que haverá similaridades em outros pontos. No caso das similaridades não serem suficientes, mediante tal raciocínio concluímos haver ali um caso de falsa analogia. Fracasso da analogia.  As analogias podem prover-nos discernimento, embora também possam distorcer (como quando se reduz Deus a um tipo de super-homem, mediante o uso de terminologia da antropologia). Com frequência são vagas e ilusórias, autocontraditórias ou impróprias. Se tomarmos por empréstimo uma ideia da natureza ou dos relacionamentos humanos, já estaremos manuseando coisas imperfeitas. Aplicá-las então a Deus, deixa-nos comi imperfeições ou mesmo erros. Dizemos que Deus está “irado”, mas isso dificilmente pode ser entendido em termos das emoções dos seres hum anos. Kant mostrou que todos os termos de nossa linguagem envolvem relações de espaço e tempo. Ora, se Deus está além do espaço e do tem po, então nenhum a analogia aplicada a Ele pode ser perfeita, embora comunique importantes conceitos.


2. Três com uns e importantes analogias,  a. A social: Deus como Pai, e, assim sendo, benévolo e cuidadoso, uma analogia altamente teísta (ver o artigo sobre o teísmo).  b. A analogia mente-corpo: Deus é a alma do universo, tal como a alma do homem é seu ser real. Portanto, a mais elevada Realidade é Deus, que funciona como a Alma de tudo. c. A analogia do artista: Deus produz e amolda criativamente o universo, sendo seu Artista e Artesão. Em tudo há desígnio e beleza, unidade e harmonia. Esta analogia tem seus pontos fortes e fracos, servindo apenas de ilustração, não sendo uma maneira exata p ara se definir a natureza de Deus. 

3. Outras aplicações.  Guilherme de Ockham negava a validade desse método de se criar proposições teológicas, argumentando que não pode haver analogia do ser, visto que o conceito do ser é unívoco, ou seja, tem apenas um significado apropriado. Ele não achava ser possível o raciocínio ir de um finito conhecido para um infinito desconhecido. Guilherme Paley desenvolveu a linda e ilustrativa analogia baseada no relógio, a fim de demonstrar a existência de Deus por via da necessidade de haver um Planejador para o universo. Karl Barth substituiu a analogia entis pela analogia fidei,  a analogia da fé, visto que a verdade religiosa é dada por Deus. Tomás de Aquino.  Raciocinava ele que, visto que tanto a criatura como o Criador fazem parte da mesma escala metafísica do ser, deveria haver analogias que extraíssem elementos do inferior para ilustrar o superior. Se o homem tem conhecimento, então Deus o tem, em grau eminente. Se o homem tem bondade, então Deus deve ser superbom. Se o homem tem qualidades que buscam a perfeição, então Deus deve ser perfeito. Apesar de Ockham estar com a razão, ao afirmar que é precário raciocinar com base em um finito conhecido para se chegar a um infinito desconhecido, nem por isso a analogia torna-se inútil, porquanto Deus criou o homem à Sua própria imagem, e deve haver alguma coisa nele que seja reflexo do Criador. 

4. A analogia da verdade.  Uma outra analogia útil é aquela que aborda a verdade. Supõe-se que Deus seja a fonte de toda a verdade. Portanto, qualquer verdade descoberta, em qualquer campo do conhecimento, é um reflexo de Deus e Sua inteligência, isto é, o homem pode pensar os pensamentos de Deus, após Ele. Desse modo, todo raciocínio verdadeiro é análogo, — e aponta para a Inteligência Superior. 

5. A analogia do ser, ou analogia entis.  Os escolásticos tentaram usar a própria escala do ser para descrever Deus em alguns aspectos. O homem é a imagem de Deus (imago Dei,  Gên. 1:27), e o resto da criação, fora do homem, é o vestigium Dei (Romanos 1), ou seja, vestígios, indícios de Deus. O exame de Sua imagem ou de Seus vestígios presumivelmente produz conhecimento sobre o Criador dessas entidades. O homem inclina-se até certo ponto à perfeição, pelo que presumimos que há um Ser Perfeito. O homem tem alguma inteligência, pelo que deve haver a suprema Inteligência. Pode-se dizer que Deus é como um Pai, uma Luz, um Rei, etc. 

6. Analogias filosóficas.  Aristóteles ficou conhecido por sua declaração: “Como a vista é para o corpo, o entendimento é para a alma...” (Nicomachean Ethics, 1096, b.28). Tal fato favorece a ideia da percepção intuitiva da alma, tanto ao usar os dados da percepção dos sentidos, como ao receber “lampejos de entendimento”, não necessariamente inerentes aos informes dos sentidos. Aristóteles limitou sua analogia às questões do conhecimento, mas Platão, tal como os escolásticos depois dele, pensava que algo de útil poderia ser dito sobre a Realidade Última, mediante a observação da natureza da realidade, inferior. Isso poderia ser feito mediante negações (o infinito não é como o finito, em vários particulares, como temporalidade, finitude, confinamento ao espaço e ao tempo, etc.), mediante causalidade (o infinito é a causa do finito), e mediante a analogia da imagem do homem  (o homem tem muitas qualidades como bondade, beleza, inteligência, etc., que podem ser reflexos do divino). 


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