2016/01/07

Antropoformismo — O que Significa?


Antropoformismo — O que Significa?

ANTROPOFORMISMO

Vem do grego, antropomorfos, “de forma humana”. Atribuição de qualidades humanas ao ser divino, ou a ideia de que Deus ou os deuses têm algum a espécie de formato, similar à anatomia humana. A tendência para expressar ideias acerca de Deus, sob formas humanas, física, mental, moral ou espiritual, é tendência da maioria das religiões, sendo quase impossível de ser evitada, devido às restrições da linguagem humana. Não há entre os homens uma linguagem puramente divina, pelo que não há como falar sobre Deus sem usar termos que o antropomorfizem.

Essa circunstância envolve uma severa limitação em nosso entendimento e em nossos discursos sobre Deus, refletindo nossas atuais limitações no campo do conhecimento e do entendimento espiritual. Antigo Testamento.  Ali Deus é apresentado sob forma humana (Êxo. 15:3; Núm. 12:8), com pés (Gên. 3:8; Êxo. 24:10), mãos (Êxo. 24:11; Jos. 4:24), boca (Núm. 12:8; Jer. 7:13), coração (Osé. 11:8). Além dessas formas, atribuímos a Deus qualidades e emoções humanas (Gên. 2:2; 6:6; Êxo. 20:5; Osé. 11:8). O homem foi criado à imagem de Deus (Gên. 1:27), e os teólogos usualmente são cuidadosos- ao declarar que se trata de um a imagem “moral e espiritual”, e não física. Mas mesmo assim, nossa compreensão de Deus fica severamente limitada, pois, no sentido estrito, quem pode comparar o homem a Deus? Extremos pagãos. Se o Antigo Testamento sofre com o antropomorfismo, outras culturas são completamente derrotadas pelo mesmo.

O politeísmo dos gregos e de outros povos pagãos é prova disso. Xenófanes (cerca de 570-480 A.C.) queixou-se que os homens criaram deuses à imagem deles. Os deuses do O limpo não eram muito superiores aos heróis d a ficção moderna. Paulo sentia-se aflito diante dos excessos da cultura pagã, quanto à idolatria (Atos 17). Xenófanes supunha que se os bois e os leões tivessem conceitos de divindade, certam ente a representariam sob a forma de bois e leões. Para nós, é igualmente precário imaginarmos Deus como um grande papa, um bispo supremo, um superpastor que naturalmente creia e pense como tais indivíduos costumam fazer. Porém, o que é mais comum do que isso nas modernas igrejas cristãs?

O livro de J.B. Phillips, Your God is too Small, é um a queixa moderna contra tal noção. Extremos filosóficos. A fim de evitar o antropomorfismo trivial, que, de fato, pode degradar em muito o nosso conceito de Deus, os filósofos têm falado sobre Deus em termos de o infinito, o absoluto, o espírito absoluto, a alma do universo, etc. E assim eles têm criado modos de pensar sobre Deus que servem para obscurecer o quadro mediante termos abstratos. Com frequência, Deus é personalizado por essas formas de descrição.

Deus é transformado em uma mera força cósmica. Correm os o risco de pensar que Deus é totalmente diferente de nós, negando assim o conceito que, de algum modo,  o homem foi criado à imagem de Deus. Porém, a própria Bíblia declara que nossos pensamentos não são como os pensamentos de Deus, estabelecendo assim um a radical diferença espiritual e intelectual entre o homem e Deus. (Isa. 55:8). No Novo Testamento.  Persistem ali expressões antropomórficas (Rom. 1:18 ss ; 5:12; I Cor. 1:25; Heb. 3:15; 6:17; 10:31).

Contudo, as realidades espirituais não são vistas diretamente,  mas imperfeitamente, no reflexo de algum antigo espelho fosco, de metal polido (I Cor. 13:2). Deus não habita em templos materiais (Atos 17:24), uma declaração que procura evitar o conceito antropomórfico. Deus aproxima-se do homem em Cristo.  Cristo é a suprem a imagem de Deus (II Cor. 4:4), e tom ou forma humana (Fil. 2:7). Seremos .transformados à imagem de Cristo (Rom. 8:29). Desse m odo, o distante Deus é aproximado de nós (Efé. 2:18), e finalmente, compartilharemos de Sua natureza (II Ped. 1:4). A visão plena de Deus é ‘gradualmente revelada, e vai-se expandindo (I Crô. 13:8; II Tess. 1:7). Mas só completará na eternidade, falando-se em termos relativos, porque Deus, em Sua natureza total, jamais poderá ser absolutamente compreendido por ninguém que seja menor que Ele mesmo. Não obstante, jamais haverá qualquer estagnação em nossa busca pelo conhecimento de Deus. Nossa necessidade de empregar termos antropomórficos demonstra nosso atual baixo estágio no campo do conhecimento e da espiritualidade.

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