2016/01/08

Apologética — O que Significa?


Apologética — O que Significa?

APOLOGÉTICA


A apologética é a ciência ou disciplina racional que se esforça por apresentar a defesa da fé religiosa, existindo dentro e fora da Igreja cristã. O termo é usado em contraste com polêmica, que é um debate efetuado entre cristãos a fim de determinar a verdadeira posição cristã sobre algum a questão especifica. Presumivelmente, a apologética aborda questões defendidas por alguma fé religiosa específica, como o cristianismo, mas que são negadas pelos incrédulos. No uso comum, a palavra é usualmente empregada para indicar a defesa do cristianismo. 

Positivamente, a apologética tenta elaborar e defender uma visão cristã de Deus, da alma e do mundo, uma visão apoiada por raciocínios reputados capazes de convencer os não-cristãos da veracidade das doutrinas envolvidas. Negativamente, trata-se de um esforço para antecipar possíveis pontos de ataque, defendendo as doutrinas cristãs contra tais ataques. A palavra. O termo vem do grego, apologia, “defesa”, uma resposta ao ataque (Atos 26:1; I Ped. 3:16). O famoso diálogo de Platão, a Apologia, expõe a defesa de Sócrates diante de seus acusadores. Base bíblica. Alguns fazem oposição a qualquer defesa da fé cristã, supondo que o conhecimento da verdade por meio da revelação é perfeito, e não requer qualquer raciocínio humano em sua defesa. Porém, a ideia que a revelação, coada por mentes humanas, é perfeita, capaz assim de produzir um perfeito corpo de verdades conhecidas, não passa de um dogma formulado pelo homem , e não um a doutrina da própria Bíblia. De fato, essa ideia é uma apologia em favor de um dos modos de se obter conhecimento. 

Em qualquer instância em que algum argumento é apresentado nas Escrituras, não diretamente alicerçado sobre algum texto de prova, dentro da Bíblia, é um a apologia dentro dos livros sacros. Tom em os como exemplo o primeiro capítulo da epístola aos Romanos. Paulo mostra a culpa e a impossibilidade de defesa dos pagãos, diante da mente divina. Ele erige uma apologia em favor de certas ideias básicas, e muitos capítulos das epístolas de Paulo podem ser encarados por esse prisma. Motivos bíblicos em favor da apologética. 

1. O trecho de I Ped. 3:15 faz esta declaração direta, “...estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”. Fica entendido que tal resposta conterá raciocínios acerca da fé, e não apenas textos de prova extraídos da Bíblia. 

2. Segundo salientamos acima no Novo Testamento há muita apologia, e em certo sentido, o próprio volume sagrado é uma apologia em prol da nova religião, em conflito com o antigo judaísmo e com o paganismo. O cristianismo enfrentou um sistema helenizador, no qual a filosofia tinha grande peso. No décimo sétimo capitulo de Atos, Paulo não hesitou em apelar diretamente à apologética, utilizando argumentos filosóficos, procurando convencer os atenienses. O evangelho de Lucas é uma apologia escrita para um oficial romano, a fim de procurar conquistar posição oficial para a nova fé, fazendo assim estacar a perseguição, “...para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído” (Luc. 1:4). Essa era a certeza que Lucas procurou transmitir aos seus leitores. As próprias denominações cristãs são atividades apologéticas. 

Alguns têm imaginado que a apologia é uma espécie de “ausência dê fé”, e não de defesa de fé. Tais pessoas partem do pressuposto que a fé não precisa ser defendida. Mas com isso olvidam-se que os homens interpretam a fé das mais variegadas maneiras. Qual é a fé que não precisa ser defendida? Se alguém retrucar que é a fé bíblica, devemo-nos lembrar que as denominações que se utilizam da Bíblia como autoritária estão longe de concordar com a natureza exata da fé que emerge das páginas da Bíblia. Muito mais se verifica quando saímos para fora das fronteiras da Igreja cristã e conversamos com incrédulos bem-informados acerca da “fé”. 

Eles têm informações suficientes para saber que tal fé, em qualquer forma que ela assuma, tem tal forma precisamente por causa de um a apologia por detrás da mesma e que caracteriza alguma denominação particular. Cada denominação tem sua própria apologia que dá forma às suas doutrinas e ao seu sistema, a despeito da reivindicação de que aquilo que é exposto é apenas a fé bíblica. Esses fatos não 'anulam nem a fé e nem a verdade, mas requerem uma cuidadosa apologia a respeito da fé, examinando-a, definindo-a e promovendo-a. A natureza do conhecimento força-nos a apelar para a apologética. O conhecimento não tem uma única origem. Antes, pode ser adquirido por estes meios: 

1. A observação empírica, baseada nos sentidos; 2. a intuição, visto que o homem é um ser que tem ciência, e que mesmo sem investigação sabe de certas coisas, tal com o sucede com Deus; 3. a razão, com a qual o homem foi dotado, pode penetrar em enigmas e desencavar a verdade, à p arte da experiência prática ou empírica formal; 4. a revelação, que é conhecimento outorgado como dom de Deus. A revelação é um a subcategoria do misticismo. Deus dá conhecimento por meio de homens santos, através de visões, profecias, sonhos, etc. (experiência mística), reduzidas à forma escrita, tomando-se um Livro Sagrado. Tudo isso se sucede, mas o conhecimento é mais amplo do que isso, derivando-se de mais de uma direção. 

Ademais, a razão e a intuição nunca cessam de examinar o conhecimento que nos chega através da revelação, porquanto há revelações incompletas, havendo até mesmo revelações que não são válidas. Em outras palavras, n a busca pela verdade, precisam os de muitas fontes, de muitos meios. O fato de que o conhecimento chega até nós através de grande diversidade de meios, demonstra a nossa necessidade de uma apologia mediante a qual possamos testar, avaliar e defender a verdade. Ver os artigos separados como o empirismo, a intuição , o racionalismo, o misticismo e conhecimento, fontes de. O palácio do conhecimento tem muitas portas e janelas através das quais as informações entram e saem . Limitar esse palácio a um a única porta (a revelação, e a fé baseada na revelação) é contar com uma casa muito estranha, de fato. Visões históricas acerca da apologética: Deve-se entender desde o principio que a apologética necessariamente envolve o investigador na filosofia, formal e erudita, ou popular e individualista. Assim é que, quando alguém começa a apresentar um argumento baseado em raciocínio, já está falando como um filósofo, quer queira quer não queira. Tertuliano conhecia a filosofia, e usava argumentos .filosóficos contra os filósofos incrédulos. Portanto, ele era um filósofo que argumentava contra a filosofia. Porém, se descrevermos pontos de vista históricos relativos à apologética, para todos os propósitos práticos isso equivalerá a descrever aquilo que vários pais da Igreja e cristãos posteriores pensavam sobre a filosofia. Quanto mais uma pessoa distanciar-se da filosofia, menos valor dará à apologética, como uma atividade legitima para os cristãos. 

1. Tertuliano. 

Supunha que a filosofia é produto da m ente pagã, e consequentemente, inútil p ara defender a fé cristã. Isso equivale a ignorar: a. A base bíblica da apologética; e b. que não há razão pela qual não possa haver uma atividade filosófica cristã. Se a razão vem da parte de Deus, e se alguém a usa de maneira sistemática, já estará agindo como um filósofo, utilizando-se de um dom divinamente outorgado. Podemos evitar os abusos. Houve pais latinos, como Arnóbio, Lactâncio e outros, que seguiram a ideia de Tertuliano. 

2. Os pais alexandrinos. 

Clemente, Orígenes, etc. Proposital e habilidosamente eles usavam a filosofia platônica e estóica para dar à fé cristã uma expressão filosófica. A filosofia pode aguçar os conceitos teológicos. Qualquer pessoa que tenha estudado filosofia pode usá-la para definir, aclarar e aprimorar seus conhecimentos teológicos. Um teólogo que tenha estudado filosofia pode tornar-se um melhor teólogo. Podemos evitar os abusos. 3. Agostinho ensinava que a filosofia é uma criada útil que pode ser empregada em favor da fé religiosa, esclarecendo-a e defendendo-a. 

4. Tomás de Aquino 

Tomás de Aquino foi um apologeta refinado. Sua obra Suma contra Gentiles defendeu a fé cristã contra a maneira materialista e não-espiritual como certos filósofos árabes (com o A ver róis) utilizavam a filosofia de Aristóteles. A apologética de Tomás de Aquino foi tão bem-sucedida que se transformou em um a força dominante durante séculos, na Igreja ocidental. 

5. Deístas

Os ataques desfechados por deístas e racionalistas contra a fé cristã produziram apologetas modernos como o bispo Joseph Butler, da Igreja anglicana. Sua famosa obra, Analogia da Religião, é um a obra apologética. 

6. Karl Barth

Karl Barth e sua escola (início e meados do século XX) tomaram uma posição negativa em relação à apologética, argumentando que tal atividade reflete um a espécie de “falta de fé”, porquanto a fé não requeri ria defesa, por não estar alicerçada sobre a razão humana e a filosofia. Porém, ao expressar-se assim, Barth fazia a apologia de seu ponto de vista particular do conhecimento e da fé. Muitas pessoas, outrossim, não tinham certeza se a fé de Barth era adequada, ou representasse qualquer acúmulo considerável de verdade, pelo que se tomou necessária toda a forma de atividade apologética para esclarecer as coisas. 

7. Rudolf Bultmann 

Rudolf Bultmann resolveu redefir ir a kerugma (pregação) do Novo Testamento, erigindo um a apologética elaborada a fim de levar avante o seu propósito. Alguns pensam que ele chegou ao ponto de querer satisfazer todas as categorias do pensamento moderno, assim debilitando a mensagem que vem mediante a revelação, ao admitir dúvidas demais e ao promover revisões evidentemente desnecessárias. Quando a Igreja enfrenta os ataques dos ateus, dos agnósticos, dos empiristas radicais, dos positivistas, dos relativistas, então torna-se mister que a apologética continue sendo considerada um ramo da teologia cristã. Nunca é bastante dizer “fé somente”, porque a própria fé é definida por uma atividade apologética, consciente ou inconscientemente. Principais Temas da Apologética: 

1. Natureza da própria revelação. Não basta dizer que Deus se revela mediante visões e experiências místicas dadas a homens santos, que registram a mensagem em Livros Sagrados. Uma visão pode ser falsa ou parcial. A apologética examina o problema inteiro da revelação como fonte de conhecimento. Descobrimos que muitos dogmas se têm desenvolvido em redor da ideia básica que Deus se revela mediante a revelação. Há quem diga que não pode haver erro nisso, m as essa declaração é apenas um dogma hum ano, baseada em considerações a priori. Os próprios Livros Sagrados não reivindicam tal coisa para si mesmos. Mas os homens, anelando sentir-se mentalmente tranquilos, criam um tipo de conhecimento que dispensa exame. Esse é um conhecimento infantil e n ada tem a ver com a séria busca e investigação da verdade. Além disso, a revelação divina chega até nós de diversas maneiras. 

Há revelação através da natureza (Rom. 1). A religião natural (ver o artigo) encontra alguma verdade nessa forma de revelação, inteiramente à parte de visões, sonhos e ditados. A teologia natural não contradiz a teologia revelada, mas a suplementa. Os próprios Livros Sagrados não foram inteiramente ditados sob a forma de visões. Há história, poesia, ensinamento racional, discernimento intuitivo que parte das profundezas da alma. Também dispõe de meios, muitos meios; os meios de que Ele dispõe são inúmeros e não podem ser reduzidos a apenas um. O dogma hum ano é que tenta dizer de que maneira Deus precisa revelar-se. A própria ciência, quando corretam ente entendida, é um a das revelações divinas, porque, afinal, só existe um a verdade, a verdade de Deus em Seus muitos modos e atividades. 

2. Relação entre a filosofia e a fé. Conforme vimos, o homem que tenta explicar a sua fé já está fazendo apologia, embora destreinado nesse campo. E, como apologeta, está pensando filosoficamente. Como os pais da Igreja e os cristãos de séculos posteriores manusearam o problema é algo sobre o qual já Comentamos. 

3. Provas racionalistas e científicas da existência de Deus e da alma. Não quero demorar-me aqui sobre esse assunto porque em outros lugares desta publicação tenho-o abordado longamente. Ver o artigo sobre Deus, Provas de Sua Existência, e sobre a Alma, provas de sua existência. Apesar de que essas provas não são absolutas, muito têm para dizer, a fim de edificar-nos a fé. Tomás de Aquino considerava que as provas racionalistas são adequadas p ara demonstrar a simples existência de Deus, embora não para descrevê-Lo.

É verdade. Quem pode descrever a Deus? A posição dele concorda com a declaração de Rom. 1. Outros pensadores, como Mullins ou Hodge, encaram essas evidências como criveis, embora não como provas absolutas. Mas outros, como Pascal, Kierkegaard, Brunner, etc., consideram tais provas como p arte da irreligiosidade do homem, e como logicamente inválidas. Creio que a própria ciência já ultrapassou essa posição extremista, pelo menos no tocante à existência da alma. O homem , como imagem de Deus, tem em si mesmo a estampa da m ente divina, podendo descobrir m u ita coisa por meio da investigação, se esta for disciplinada pela razão e essa investigação regulamenta e define a fé. 

4. Extensão da validade da teologia natural. Deus revela-se através da natureza (Rom. 1; Atos 17; ver os salmos da natureza (Sal. 19). Todavia, é questão de debate a extensão do valor desse tipo de revelação. Há aqueles que dizem que ela é adequada para a piedade e a vida diária, não havendo necessidade de qualquer revelação franca. Calvino admitiu que Deus revela assim a Si mesmo; m as também pensava que o homem, por causa de seu pecado, não é capaz de extrair daí muitos subsídios. Paulo via valor suficiente na revelação mediante a natureza para a condenação do homem , m as não suficiente para salvá-lo. Há um a lei no coração, e sabemos o que é certo e o que é errado, mas nem por isso sabemos aproximar-nos de Deus. Ora, a missão de Cristo teve por alvo transpor esse abismo. O relato da descida de Cristo ao hades (I Ped. 3:18 - 4:6) mostra-nos que a missão de Cristo envolveu aqueles que tinham tido apenas a revelação da natureza, conferindo-lhes um contato direto com o Redentor, mesmo que isso não estivesse ao alcance deles enquanto jornadeavam em seu corpo físico. 

5. Natureza da fé. Não basta alguém dizer “creio”. Precisamos perceber, mediante a razão e a investigação, no que consiste a fé, no que ela está alicerçada. Outrossim, uma das funções do intelecto consiste em produzir a fé que busca a verdade. Não erram os quando nos dedicamos a um robusto intelectualismo cristão. Todavia, essa não deve ser a nossa única dedicação. Devemos também dedicar-nos a conhecer o que Deus pode e quer dar-nos através das experiências místicas, e o que Ele implantou em nós, o que pode ser sondado por meio da intuição. Multiplicidade é a resposta pela nossa busca pela verdade. 

6. A ciência. Nenhuma ciência verdadeira contradiz a fé verdadeira. Entretanto, é inevitável que a ciência vá se tornando mais religiosa (conforme vai penetrando em áreas que antes eram consideradas como privilégio exclusivo da fé, com o a questão da existência da alma), e que a religião vá se tornando m ais científica (admitindo que alguns dogmas estavam equivocados e contradiziam os fatos, como as questões da origem , da antiguidade da T erra, da história passada do homem , tudo o que continua ainda envolto nas brumas de muitos mistérios). Mas a ciência pode ajudar-nos a dissipar esses pontos nebulosos. A apologética cristã não pode mostrar-se insensível diante da investigação científica. De fato, é a ciência que atualmente está às vésperas de dar-nos provas da existência e sobrevivência da alma humana, o que se revestirá de incalculável importância para a fé. Ver o artigo sobre a alma, sob provas de sua existência e sobrevivência. 

7. Natureza dos milagres. Até mesmo alguns homens de fé negam categoricamente que exista tal coisa com o os milagres. Em primeiro lugar, precisamos definir o que entendemos por milagre. Se dissermos que um milagre envolve um processo que vá além do que é natural, então algumas pessoas terão dificuldade para crer em milagres. 

Até mesmo teólogos têm procurado desmitologizar o Novo Testamento, atribuindo todos os milagres a meros mitos, interpretações distorcidas, mal-entendidos e relatos falsos. Se dissermos que os milagres envolvem leis naturais mais elevadas, embora desconhecidas, então um número maior de pessoas crerá em milagres, embora, filosoficamente falando, com isso não estejamos explicando melhor os milagres. Pois, se um processo for chamado de natural, mas permanecer desconhecido, então teremos uma designação, m as não um a descrição, o que não resulta em conhecimento. 

O que se pode demonstrar é que sucedem-se coisas realmente fantásticas, que não podemos explicar, nem cientificamente nem de outro modo qualquer. O santo homem hindu, Satya Sai Baba está reproduzindo atualmente muitos milagres realizados por Jesus, desde a cura à criação da matéria, e pode ser observado bem de perto. (Journal of Religion and Psychical Research, Proceedings, 1981, Bloomfield, Conn., USA). A maior parte do esforço de desmitologização do Novo Testamento tem sido um desperdício total de tempo. Nossos esforços deveriam concentrar-se na tentativa de aprender o propósito dos milagres e de explicar o que se sucedeu, em vez de dizermos que tudo é impossível. Penso que nos aproximamos da verdade quando dizemos que um milagre pode ser a manifestação de uma lei natural superior, ou pode resultar de um novo ato criador, que nenhuma de nossas categorias científicas pode explicar. Estaremos dizendo a verdade, se afirmarmos que praticamente nada sabemos sobre essas questões. 

Os apologetas nos conclamam a continuar investigando, e mostramos que na fé religiosa há uma realidade substancial que requer nossa atenção e dedicação. O constante desafio. A fé de uma pessoa está sujeita a um ataque permanente, do lado de fora e do lado de dentro. O indivíduo contempla seus constantes fracassos e pecados (e quanto mais iluminado for ele, mais verá); observa o problema do mal operando no mundo, a desumanidade do homem para com seus semelhantes, a destruição da natureza e o caos resultante; ouve os argumentos dos ateus, dos empiristas radicais, e chega a indagar: “De que vale a minha fé, afinal?” Em suas reflexões, ele se torna um apologeta, quanto a si mesmo e quanto a outras pessoas. Portanto, faz-se necessária uma clara defesa da fé, diante de nós mesmos e dos outros. Até mesmo o indivíduo que diz: “A fé é suficiente”, está oferecendo um a breve apologia, baseada em um a tonelada de ideias teológicas aceitas sem investigação pessoal — mas que outras pessoas, antigas e modernas, produziram mediante esforço e um a interminável apologética.

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