2019/09/27

Marcos 1 — Explicação das Escrituras

Marcos 1 — Explicação de Lucas



1.1 Evangelho. No grego mais antigo significa “um galardão oferecido para se levar as boas novas”. Depois o termo foi usado como as próprias “boas novas”. Aqui se refere ao anúncio das boas novas por Jesus Cristo e também ao conteúdo desse evangelho trazido por Cristo Princípio indica a introdução ao evangelho, da proclamação de João Batista. É muito provável que Marcos tivesse sido o primeiro evangelho a ser composto e serviu de base aos evangelhos de Mateus e Lucas, sendo, os três, conhecidos como os “Sinóticos” (termo originário de uma palavra grega que significa “ver de um ponto de vista'). Jesus. Cf. Mt 1.21n; Lc 1. 31n. Cristo. Um adjetivo que significa “ungido” (em heb “Messias”). No AT, reis, sacerdotes e profetas foram ungidos confirmando simbolicamente sua escolha por Deus. Filho de Deus. Ainda que tenha um sentido mais amplo, no NT, este termo, aplicado a Jesus, salienta Sua deidade (cf. Sl 2.7; Jo 10.38; 14.10; Hb 1.2). Os conceitos inerentes ao título são: 1) Jesus é profetizado no AT-. 2) Ele é pré-existente e divino; 3) Tem uma relação ímpar com Deus Pai (sem ser gerado no sentido humano); 4) Jesus é o Messias, o Servo de Jeová, plenamente identificado com o povo eleito; consequentemente Ele foi capaz de cumprir Sua missão salvadora (10.45),
1.2 Está escrito. Normalmente, esta frase introduz citações do AT.
1.3 Do Senhor. Fica claro, no contexto, que o Jeová do AT é identificado com Jesus Cristo no NT (cf. Rm 10.13).
1.4 João. Forma simplificada de Johanen (“dom de Jeová”). Era parente de Jesus, uma vez que suas mães eram primas (cf. Lc 1.36). Seu ministério começou c. 27 d.C., proclamando a vinda iminente do Messias e Seu reino. João proclamou a urgência do arrependimento devido à aproximação deles.
1.6 Gafanhotos e mel. I.e., alimento natural de áreas não habitadas (cf. Lv 11.22).
1.8 Espírito. João batiza apenas com água, simbolizando a lavagem dos pecados renunciados, mas Cristo dará o dom do Espírito Santo é com Ele a filiação adotiva de Deus (cf. Jo 3.3, 5). Deve-se notar à diferença entre o batismo de João e o batismo cristão, pois este último contém o simbolismo de identificação com a morte e a ressurreição de Cristo. Os judeus também batizavam prosélitos (convertidos ao judaísmo). Os essênios (seita que compôs os rolos do Mar Morto) batizavam, os judeus que ingressavam na sua fraternidade. João trata todos os judeus como necessitados de arrependimento. Josefo relata sobre a profunda influência que João exercia sobre o povo em geral (Antiguidades XVIII, 116-19).
1.9 Jesus foi batizado: 1) Para endossar a autoridade de João; 2) Para se identificar com os pecadores que buscavam o perdão de Deus (2 Co 5.21); 3) Para publicamente confirmar e anunciar Seu ministério; 4) Para ser apontado por João como o Messias (Jo 1.53) e ficar cheio do Espírito (Lc 3.22).
1.10 Como pomba. Cf. Gn 1.2.
1.11 As palavras por Deus pronunciadas lembram Is 42.1; Gn 22.2 e Sl 2.7 (cf. Mt 12.18).
1.12 Impeliu. Esta palavra forte entende-se pela fato de tudo indicar que o autor, Marcos, ao compor seu evangelho tinha em mira a instrução de novos convertidos na fé. Como Cristo, eles devem prever que o batismo dará início a um período de provação.
• N. Hom. 1.17 A vocação do evangelista implica: 1) No discipulado (“vinde após mim”), 2) Em ser treinado por Cristo (“eu vos farei”); 3) Esforço de ganhar homens (pescar); 4) Pôr os interesses seculares em segundo plano (“deixaram ... as redes”).
1.13 Antes da primeira época do ministério na Galileia, Jesus ministrou em Jerusalém e na Judeia (cf. Jo 1.19-3.36).
1.15 Arrependei-vos. O significado em português, seria “ser penitente de novo” traduz bem a palavra grega, metanoeo, “mudar de mentalidade ou pensamento”. Reflete a frequente palavra heb shub, que 120 vezes no AT tem a conotação espiritual de “voltar” (a Deus). No contexto da conversão; aponta para uma mudança radical de vida em consequência da fé colocada em Cristo (Atos 3.19; 26.20; 1 Tes 1.9). Como todos devem nascer de novo (Jo 3.3), João conclama todos a se arrependerem e selarem essa mudança no batismo, ou então, encarar o julgamento pela fogo que Cristo trará (Mt 3.11n e Lc 3.16),
1.21 Jesus escolheu Cafarnaum como quartel geral para seu ministério após a Sua rejeição em Nazaré (Lc 4.16-31. Cafarnaum era um centro de comércio e distribuição de peixes. Com um centurião (8.5) e uma coletaria de impostos (Mt 9.9), não deixava de ter sua importância para os romanos.
1.29 Casa do Simão. Segundo uma tradição muito antiga; Marcos nos fornece um relatório da pregação e memórias de Pedro.
1.29-31; 40-45 Milagres de cura: ainda que Jesus tinha duas naturezas, a divina e a humana, o plano de Deus na encarnação era que Ele fosse verdadeiro homem (cf. Rm 8.3; Fp 2.5-8). A ênfase de Marcos sobre a humanidade de Jesus é característica: note-se que Jesus se indignou (3.5; 10.14), ficou condoído (3.5), dormiu (4.38), suspirou (7.34), gemeu (8.12). Admira-se diante da incredulidade (6.6), compadeceu-se (6.34); amou a um jovem (10.21), foi tomado de pavor e de angústia (14.33) e desconhece o dia de Sua volta (13.32). Por outro lado, Marcos mostra que Jesus é, também, divino; assim, os demônios reconhecem-no como dotado de poder sobrenatural e destruidor deles (1.24, 34; 3.11; 5.7). Suas obras deveriam convencer os mais endurecidos incrédulos (2.12; 4.41; 7.37). Ele pode penetrar os segredos do coração humano (2.8); é Senhor do sábado (2.28) e pode perdoar pecados (2.10). Quando foi indagado pelo sumo sacerdote declarou que era o Cristo, o Filho de Deus (14.62). Ressuscitado, será exaltado à direita de Deus.
1.32 Ao cair do sol. Marcou-se, assim, o fim do sábado (21), possibilitando o transporte dos enfermos até a presença de Jesus (cf. Lc 4.40n).
1.34 Jesus não quer o testemunho dos demônios (1.25; 3.12).
1.35,36 Madrugado. Gr proi, usada por Marcos para designar a última vigília da noite, das 3 às 6 horas. Jesus reage diante da grande popularidade, buscando horas tranquilas para a comunhão corri o Pai. Pedro, evidentemente, acha que “ação” é mais importante que a meditação e oração. Muitos, hoje, infelizmente seguem esta linha de pensamento.
1.37 Todos te busca. O grande interesse em Jesus é provocado pelos milagres. A preocupação de Jesus é proclamar o evangelho (1.1 5).
1.39,44,45 Aqui se relata, em geral, a primeira viagem pela Galileia com os quatro discípulos. Jesus deu mais duas voltas pela Galileia. (cf. 6.1-7.23; 9.33-50).
1.40 A lepra, segundo o vernáculo original, encerrava várias doenças da pele. Não é a doença hoje chamada hanseníase, porque não se citam sintomas dela. Porque implicou na imundícia (Lv 13.45ss), era natural que se tornasse um símbolo de pecado. • N. Hom. A lepra e o pecado: 1) são repugnantes; 2) espalham-se; 3) são incuráveis, fora da operação graciosa de Deus; 4) Cristo é a única solução: a) quer porque se compadece; b) pode fazê-lo porque velo de Deus (Jo 3.2), c) fá-lo curar porque veio para isso (Mac 10.45). 1.43 Veemente. Uma palavra muito forte (cf. Jo 11.33, 38) frisando a importância de guardar o segredo sobre Sua pessoa e missão messiânicas até após a ressurreição (cf. Jo 6.1 5). Os judeus esperavam um Messias guerreiro, político, nacionalista, não o Salvador do mundo e da condição de pecado do homem (10.45).


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