Interpretação de Daniel 5

Interpretação de Daniel 5

Interpretação de Daniel 5

1) Prazer, o Motivo da Festa. 5:1-4.
1. Belsazar. Desconhecido a não ser através deste capítulo, o rei atualmente está bem autenticado através de documentos antigos (RP. Dougherty, Nabonidus and Belshazzar). Um grande banquete. Uma festa sensual, indicada pela presença de mulheres entre os homens, coisa fora do comum no Oriente, (com. Ester 1:9). Bebeu vinho na presença dos mil. Mesmo nas festas públicas os reis orientais (pelo menos no período persa) ficavam ocultos da vista pública. Era uma liberdade não contida pelas convenções.
2. Mandou trazer os utensílios. Para Nabucodonosor tirar esses vasos do templo de Jerusalém (1:1-3) estava de acordo com os costumes de guerra. Mas retirá-los do depósito nacional para uma orgia era sacrilégio. Nabucodonosor, o grande rei, tinha verdadeiras façanhas a seu crédito, e num certo grau, Nabonidus, o pai do rei, realizara façanhas pacíficas para crédito seu. Mas o príncipe covarde só sabia realizar tolos atos de sacrilégio para ganhar fama.
4. O comportamento de Belsazar era sensual, incontrolado, selvagem e sacrílego. Também era estúpido. Os exércitos de Gobryas já se encontravam dentro da cidade.
2) Uma Contribuição Pressaga de Deus para a Festa. 5:5, 6.
5. No mesmo instante. Deus falou de repente. O tempo se esgotara. Uns dedos de mão de homem. O presságio era misterioso. O sobrenatural se apresentava. Na caiadura. Sobre a mesma parede onde deviam estar registrados os grandes acontecimentos nacionais. Ação impiedosa! Deus não se preocupa com vanglórias patrióticas. E o rei via. Era extraordinário.
3) Perplexidade, o Efeito da Visitação Divina. 5:7, 8.
7. Encantadores . . . caldeus . . , feiticeiros. Uma vez mais (cons. 2:2-14; 3:8; 4:6, 7) esses monumentais charlatães apareceram. Além deles “não conhecerem a Deus” (I Co. 1:21) em sua “sabedoria”, pouco sabiam sobre qualquer outra coisa mais (cons. Dn. 5:8). Púrpura, a cor da realeza entre diversos povos antigos e provavelmente também os babilônios. Cadeia de ouro. Cons. Gn. 41:42. O terceiro no meu reino.
De significado incerto. Algumas autoridades identificam a palavra como significando “ajudante” ou “oficial”. A palavra talti é, com toda certeza, derivada do aramaico telat (cons. BDB) e provavelmente significa terceiro (governante ou parte). Comumente só o pai de Belsazar, o cercado Nabonidus, teria autoridade para nomear um terceiro. Mas por uma ou duas horas Belsazar foi de fato, se não de jure, o supremo monarca, e achou que podia conferir esta honra. Nenhum judeu na Palestina, durante o período dos Macabeus (século segundo A.C.), poderia ter reconstruído tão corretamente a situação histórica, contrariando certos críticos que assim pensam.
4) Declaração de Desgraça, a Parte de Daniel na Festa. 5:10-28.
10. A rainha-mãe. Não a esposa do rei, mas sua mãe. Nas famílias polígamas, a rainha é a mãe do rei (cons, narrativas sobre mães de reis judeus no V.T.). Esta rainha era presumivelmente uma esposa de Nabonidus. Talvez também fosse uma jovem esposa do notável Nabucodonosor (cons. Boutflower, in loco).
11. Nabucodonosor . . . teu pai. Nabucodonosor era, naturalmente, não o parente masculino imediato do rei. É pouco provável também que Nabucodonosor tenha sido seu avô. Provavelmente pai apenas num sentido legal, uma vez que Nabonidus teria se aparentado com a família do grande Nabucodonosor através do casamento (Boutflower, in loco). A repetida afirmação da rainha sobre o relacionamento com o “pai” sugere que era uma questão de etiqueta na corte, não um fato real. Esse tipo de etiqueta não é desconhecida em outras partes da Bíblia (por exemplo, I Cr. 3:17, onde Salatiel, o filho de Neri que descendia de Davi através de Natã, II Cr. 3:27, 31), é chamado de “filho” de Jeconias).
17. Os presentes materiais de um rei cujo tempo de vida estava contado, pouco significavam para um santo profeta avançado em anos.
25. MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. Evidência textual, como também os versículos seguintes, indicam que aqui provavelmente há uma combinação de má interpretação e corrupção do texto. O versículo seria possivelmente assim, com aspas: “Estas são as palavras escritas : 'Mene Mene, Tequel' e 'Parsim' “. O U de UPARSIM é a forma aramaica de “e”. O PH é um som aspirado de P para acomodar o som da vogal anterior. O IN é a forma do plural, provavelmente introduzido mais tarde por algum escriba que ligou a palavra aos persas, pois a terminação só pluraliza a palavra. Mene foi repetido para dar ênfase. As três palavras Mene, Tequel e Peres, conforme se apresentam, são particípios passivos, exatamente traduzidos para contado, pesado e dividido. São também, quando sem as vogais, a saber, MN, TKL, PRS, os nomes de três pesas antigos que poderiam ser paralelos dos nossos termos, uma libra, uma onça, meia onça, Além disso, é possível que a inscrição sobre a parede fosse cuneiforme silábica ou em ideogramas. Nenhum desses modos de escrever seria inteligível sem um contexto. Na realidade, à parte da interpretação, seu único valor foi o de captar a atenção do rei para que Daniel pudesse lhe falar.
26, 28. (Boutflower, Montgomery e Young ajudam muito aqui.) É possível que as palavras interpretadas sejam nomes de pesas ou moedas conforme indicado acima. Nesse caso, fazem um jogo de palavras. Mane (aram.), um peso de cinqüenta siclos, equivalente a cerca de duas libras (veja Ez. 45 : 12), faz paralelo a mene, que significa contado. Tequel, uma moeda ou peso, equivalente ao siclo hebreu, sugere tequel no sentido de pesado. Peres (meio mane) sugere peres, dividido. Também sugere agourentamente a Pérsia, que aparece no versículo 28. Aos medos e aos persas. Este versículo prova conclusivamente que o autor deste livro cria que o sucessor do reino babilônico seria um reino dual, incluindo dois elementos nacionais. Ele não imaginava o segundo e o terceiro estágio do império (caps. 2; 7) como respectivamente dos medos e persas, mas reconhecia-os como medo-persa e grego respectivamente. A crítica incrédula está “enroscada” neste versículo como se o autor estivesse supondo uma sucessão da Babilônia, Média, Pérsia e Grécia, e não a verdadeira sucessão da Babilônia, Medo-Pérsia, Grécia e Roma.
5) O Castigo, o Final da Festa. 5:29-31.
30. O sacrilégio de Belsazar, como o de outros (II Sm. 6:6, 7; Lv. 10:1, 2; I Co. 3:17), exigia castigo imediato naquela mesma noite. Detalhes do cerco e queda de Babilônia já foram há muito profetizados por Jeremias (caps. 50 e 51). Assim Deus cumpria a profecia de Isaías referente a Ciro (Is. 44:24, 28; 45).