2016/05/30

Interpretação de Levítico 25

Interpretação de Levítico 25

Interpretação de Levítico 25



Levítico 25

O Uso Santo dos Anos. 25:1-55.
Discute-se o Ano Sabático (vs. 2-7); ordena-se a observância do Ano do Jubileu (vs. 8-12); e refere-se ao efeito do Ano do Jubileu sobre a propriedade (vs. 13-34) e pessoas (vs. 35-55).
2. Então a terra guardará um sábado. Em 23:3 ficamos sabendo que o povo devia guardar um dia do sábado. Neste versículo ordena-se que a terra tenha permissão de guardar um sábado (wesheibeta shabbeit) ao Senhor.
4. Sábado de descanso solene para a terra. Tal como o sétimo dia foi designado para ser o dia do sábado, cada sétimo ano seria o ano sabático, no qual não se devia nem semear nem podar.
5. O que nascer de si mesmo. O proprietário da terra não devia colher o que nascesse por si mesmo durante o alio sabático. A vinha não podada chamava-se nazir, a mesma palavra hebraica para nazireu, individuo cujos cabelos não eram cortados ou aparados.
6. Mas os frutos da terra em descanso vos serão por aumento. A colheita não seria feita pelo proprietário, mas forneceria alimento para todos, ricos e pobres igualmente (cons. Êx. 23:11).
8,9. Depois de sete semanas de anos, ou quarenta e nove anos, Israel devia fazer soar a trombeta (shopeir) para que fosse ouvida por toda a terra. O soar da trombeta devia acontecer no Dia da Expiação, e ao que parece era nesse momento que o ano especial começava. Trombeta do jubileu (E.R.C.) é, literalmente, trombeta do brado ou trombeta vibrante (E.R.A.). A palavra traduzida para jubileu no versículo 9 é teru'a. Em outra passagem a palavra “jubileu” é de yobel, uma palavra de derivação incerta (v. 10 e segs.; 27:17-23; Nm. 36:4; veja comentário em Js. 6:4). Esta passagem hebraica entrou na Vulgata como Jubilaeus e dai para o português “jubileu”.
10. O ano qüinquagésimo apresenta a dificuldade de dois anos sabáticos sucessivos, o quadragésimo nono e o qüinquagésimo, com a terra inculta por dois anos. Esta dificuldade tem levado alguns a supor que a coisa era calculada de forma a fazer o qüinquagésimo ano coincidir com o sétimo ano sabático. E o ano do 'jubileu” parece ter começado no Dia da Expiação, que caia no décimo dia do sétimo mês do sagrado ano judaico, o Etanim ou Tishri. Este sétimo mês, contudo, era também o primeiro mês do calendário civil judeu. Eis como um ano poderia ser considerado como tendo começado no sétimo mês. Outra explicação é que o toque da trombeta do Dia da Expiação dava o aviso do começo do Ano do Jubileu com seis meses de antecedência. Entretanto, a inferência é que a trombeta realmente introduzia o ano especial. Detalhes insuficientes são fornecidos para que nos proporcionem a solução do problema. No mínimo devia ser um ano que fornecesse liberdade a muitos que viveram sem ela durante algum tempo. A declaração geral é que todo homem podia retomar à sua propriedade e família, e a declaração define-se mais claramente nos versículos 23-34, 39-55.
13. Tomareis cada um a sua possessão. O primeiro dos dois efeitos do Ano do Jubileu é novamente declarado generalizadamente e as instruções do versículo seguinte são dadas em preparação para o ano. A base para estas instruções é que a terra realmente pertencia ao Senhor mais do que ao individuo. O Senhor dividiria a terra entre as várias famílias, e estas não poderiam vendê-la em perpetuidade porque ela deveria finalmente voltar à família à qual fora entregue (cf. vs. 23, 24).
14-16. Oprimas (de yeina) significa “fazer mal ou maltratar” deturpando o valor de um pedaço de terra. Segundo o número dos anos. Uma vez que a terra pertencia ao Senhor, só as colheitas que ela produzia é que podiam ser vendidas. Portanto o tempo que faltava para o próximo Ano do Jubileu devia ser considerado na estipulação do preço de venda de toda a terra, uma vez que quanto mais perto do ano especial acontecesse a realização do negócio, menor número de colheitas haveria antes que a terra revertesse ao proprietário israelita original.
18,19. Quando os israelitas guardassem os mandamentos do Senhor, habitariam seguros (betah, “segurança e confiança”). A terra produziria bastante para comerem a fartar (soba', “abundância”).
20-22. Que comeremos no ano sétimo? Como naturalmente os israelitas iriam se preocupar com a diminuição das colheitas por causa da terra permanecer inculta, Deus prometeu que as colheitas do sexto ano seriam suficientes para mantê-los até que o Ano Sabático e o Ano do Jubileu terminassem (vs. 21, 22).
24. Resgate à terra. Havia diversas maneiras para a terra ser resgatada (de gei'al, “redimir”. Boaz cumpriu com o dever de parente-remidor, go'el, quando se casou com Rute. Cristo Jesus foi o nosso go'el na cruz.)
25. Se teu irmão empobrecer. A pobreza era a única situação que forçaria um israelita a vender sua terra (cons. l Reis 21:3). Em tal caso um parente-remidor viria e compraria de volta o que fora vendido e o restauraria ao seu proprietário original.
26,27. Não tiver resgatador. Se a pessoa não tiver parente achegado para redimir sua terra e tivesse ganho uma quantia suficiente, ela mesma podia comprar a terra de volta, levando em consideração o número de colheitas ainda por fazer até o Ano do Jubileu e pagando por elas.
28. Não lhe permitirem reavê-la. Se ele não tivesse um parente-remidor, nem a possibilidade de redimi-la por si mesmo, a terra simplesmente reverteria ao seu poder com a chegada do Ano do Jubileu. O comprador não perdia nada através deste arranjo, pois ele só tinha pago pelas colheitas a serem obtidas até o Ano do Jubileu.
29. Quando alguém vender uma casa de moradia. Numa cidade murada, se uma casa era vendida e permanecia de posse do comprador por um ano inteiro (isto é, sem que alguém a resgatasse), tornava-se então propriedade definitiva do comprador (cons. uma exceção em v. 32). O Ano do Jubileu não afetava sua propriedade.
31. As casas das aldeias que não têm muro. Uma casa em uma aldeia sem muro, contudo, estava sujeita ao mesmo regulamento da terra propriamente dita (vs. 25-28).
32-34. As idades dos levitas. No caso dos levitas, as leis do Ano do Jubileu que comumente se aplicavam à terra, eram também aplicadas às suas casas, quer estivessem em cidade murada quer não. Suas terras não podiam ser jamais vendidas.
35-55. O segundo efeito do Ano do Jubileu apresenta-se nos versículos restantes do capítulo.
35-37. Teu irmão. Refere-se a um indivíduo israelita. Empréstimos feitos a amigos necessitados não deviam envolver juros. Antes, os necessitados deviam ser ajudados, permitindo-se-lhes que residissem com alguém da comunidade e que desfrutassem dos mesmos privilégios de um estrangeiro ou peregrino, o qual, embora não pudesse possuir a terra, tinha permissão de acumular propriedade e viver confortavelmente como homem livre.
38. Eu sou o Senhor vosso Deus. Como Aquele que os criara, e que os libertara da escravidão do Egito, Deus tinha autoridade para impor estes regulamentos aos israelitas.
39-43. Se teu irmão empobrecer. O israelita que se via obrigado a vender-se como escravo de outro, não devia ser considerado como tal, mas como o empregado contratado, e devia ser tratado com bondade. Quando chegava o Ano do Jubileu, tinha de ser libertado, a não ser que renunciasse seus direitos à liberdade. O conteúdo destes versículos não discorda de Êx. 21:2-6, porque a passagem do levítico confina-se a uma discussão dos efeitos do Ano do Jubileu sobre a liberdade de uru homem. Se o israelita vendia-se como escravo mais de sete anos antes do Ano do Jubileu, aplicavam-se as instruções de Êx. 21:2. De qualquer maneira, seis anos era o máximo de tempo que alguém poderia exigir que ele servisse antes de retomar aos seus filhos, sua família, e propriedades.
44-46. Escravos ou escravas. O trabalho escravo devia se restringir àqueles que eram comprados nas nações estrangeiras e aos estrangeiros estabelecidos entre os judeus. Esta categoria de escravos ('ebed, de 'eibad, “servir ou trabalhar”; cons. 'obadya, Obadias, lit., servo do Senhor) e escravas ('eima, “serva”), passavam como herança de pais para filhos (v. 46).
47-54. E teu irmão . . . vender-se. Se um israelita se vendesse para o serviço de um estrangeiro estabelecido, podia ser redimido por um parente próximo (vs. 48,49; veja coment. sobre v.24), ou ele mesmo podia se resgatar. Aqui, também, devia considerar o pagamento apropriado pelo tempo remanescente até o Ano do Jubileu, a quantia dependendo dos muitos ou poucos anos até lá (vs. 50-52).
53. Estando a serviço de um estrangeiro estabelecido na terra, o israelita devia ser tratado com consideração, como servo contratado.
54. Se não resgatar. Seu tempo de serviço ficava sujeito a terminar sem compensações no Ano do jubileu.
55. Porque... me são servos. As provisões para o Ano do Jubileu tinham por principio de orientação o fato de que os israelitas eram servos do Senhor e não podiam ficar permanentemente a serviço dos outros. Do mesmo modo, uma vez que a terra era do Senhor, devia retomar de tempos em tempos à posse daqueles israelitas aos quais fora originalmente distribuída. 

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