2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 11

Índice: Apocalipse 1 Apocalipse 2 Apocalipse 3 Apocalipse 4 Apocalipse 5 Apocalipse 6 Apocalipse 7 Apocalipse 8 Apocalipse 9 Apocalipse 10 Apocalipse 11 Apocalipse 12 Apocalipse 13 Apocalipse 14 Apocalipse 15 Apocalipse 16 Apocalipse 17 Apocalipse 18 Apocalipse 19 Apocalipse 20 Apocalipse 21 Apocalipse 22


b) As duas testemunhas (11.1-14)
v. 1. Deram-me um caniço semelhante a uma vara de medir. Essa visão fragmentada é semelhante a Ez 40.3ss, em que, no entanto, é o anjo intérprete, e não o próprio profeta, que mede o templo da nova comunidade, como na medição da nova Jerusalém em Ap 21.15ss. Não são preservados aqui os detalhes das dimensões do templo de Deus e [do] altar e dos adoradores que lá estiverem, v. 2. Exclua, porém, o pátio exterior; não o meça, pois ele foi dado aos gentios-. O apocalipse contido no livrinho provavelmente fazia menção à cidade e ao templo literais de Jerusalém, e refletia o intervalo entre 24 de julho e 27 de agosto de 70 d.C, quando os romanos sob Tito ocuparam o pátio externo do templo, mas não tinham tomado ainda a parte sagrada propriamente dita. Um período de quarenta e dois meses é prescrito para sua ocupação da cidade (cf. Lc 21.24); esse é o período apocalíptico tradicional do domínio dos gentios, que vem de Dn 9.27; 12.7 (em que sua referência primeira é ao período da profanação do templo pelo “sacrilégio terrível” estabelecido por Antíoco IV de 167 a 164 a.C.). É idêntico aos mil duzentos e sessenta dias do v. 3 (cf. tb. 12.6, 14; 13.5), durante os quais as duas testemunhas exercem seu ministério, vestidas de pano de saco, as vestes rústicas de pelos tradicionalmente associadas aos profetas (cf. 2Rs 1.8; Zc 13.4; Mc 1.6). A referência original é ao ministério em Jerusalém de um Moisés ou Elias de nossa época (cf. Dt 18.15ss; MI 4.5,6; Mc 9.4,5, llss), que é concluído por seu martírio nas mãos do poder de ocupação romana. O seu martírio traz alívio ao povo cuja consciência tinha sido perturbada por seu chamado ao arrependimento; mas esse alívio é breve, pois depois dos três dias e meio, durante os quais os seus cadáveres são expostos publicamente na cidade, eles são ressuscitados e levados ao céu (v. 9-12). O seu traslado é o sinal para um terremoto (v. 13), que causa devastação para a cidade e seus habitantes, assim que os sobreviventes são levados à confissão e ao arrependimento.
Contudo, esse pequeno apocalipse agora deve ser reinterpretado à luz do novo contexto que obteve por sua incorporação no Apocalipse de João, especialmente à luz do cap. 13. O templo agora é o povo de Deus; a contagem dos adoradores (v. 1) é análoga à ação em que os servos de Deus são selados em 7.3-8. As vias de acesso exteriores desse templo espiritual podem ser atacadas e pisoteadas pelo imperialismo pagão à medida que alguns cristãos cedem à tentação de fazer concessões à idolatria e assim negar a Cristo. Mas a verdadeira habitação de Deus está imune à invasão terrena; a vida da igreja “está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3.3) durante todo o período da tribulação e de confissão leal, simbolizado nos três anos e meio dos v. 2,3. As duas testemunhas agora se tornam figuras simbólicas para a Igreja nas suas funções real e sacerdotal, como é sugerido pelas duas metáforas com que as testemunhas são designadas no v. 4, as duas oliveiras e os dois candelabros que permanecem diante do Senhor da terra. Em Zc 4.2,3,11-14, em que aparecem originariamente, essas figuras denotam Zorobabel, o governador, príncipe da casa de Davi, e Josué, sumo sacerdote; os dois são ungidos,
v. 5. da boca deles sairá fogo que devorará os seus inimigos-. Cf. o poder de Elias em 2Rs 1.10,12; o fogo do céu que consumiu os homens que vieram para levá-lo veio da sua boca no sentido de que caiu sobre eles com a palavra dele (cf. Lc 9.54). v. 6. Estes homens têm poder para fechar o céu, de modo que não chova-. Mais um ponto em comum com Elias (lRs 17.1); além disso, o tempo em que estiverem profetizando (cf. v. 3) dura tanto quanto durou a seca na época de Elias (cf. Lc 4.25; Tg 5.17). têm poder para transformar a água em sangue. O poder que Moisés tinha (Ex 4.9; 7.17ss). e ferir a terra com toda sorte de pragas. Talvez uma referência às outras nove pragas no Egito (cf. 8.7ss; 16.2ss). v. 7. a besta que vem do Abismo. Indicando natureza e origem demoníacas (cf. 9.1ss). Essa besta do Abismo reaparece em 13.1ss e 17.3ss, em que é evidentemente o Império Romano que persegue os cristãos, ou também o anticristo imperial do final dos tempos em quem o poder e a malignidade do império perseguidor estão finalmente incorporados e maximizados; é este último sentido que predomina aqui. A palavra grega para essa besta é thêrion, “besta (animal) selvagen”, em contraste com zõon, que é usado para os “seres viventes” de 4.6ss. os atacará. E irá vencê-los:
Linguagem semelhante é usada acerca do ataque aos santos desferido pelo “chifre pequeno” de Dn 7.21 (cf. Ap 13.7). v. 8. Os seus cadáveres ficarão expostos na rua principal da grande cidade, que figuradamente é chamada Sodoma e Egito: Jerusalém é chamada Sodoma em virtude de sua impiedade em Is 1.10; mas por que é também chamada de Egito aqui? Talvez porque o Egito seja um símbolo adequado para a opressão do povo de Deus. onde também foi crucificado o seu Senhor. Isso aponta para Jerusalém, e não para Roma. Jesus foi crucificado pela lei romana, mas mesmo na linguagem apocalíptica isso dificilmente pode ser expresso ao se dizer que ele foi crucificado em Roma. Mesmo assim, Roma tem seus defensores aqui nesse contexto — mais recentemente, J. Munck, que pensa em Pedro e Paulo como as duas testemunhas. Pode-se dizer que Jesus sofreu em seus seguidores quando eles foram mortos em Roma, mas a expressão onde também o distingue das suas testemunhas e o apresenta como sendo crucificado pessoalmente na cidade em que depois eles foram martirizados. No entanto, precisamos distinguir nossos dois níveis de interpretação — o anterior, em que a grande cidade é Jerusalém; e o posterior, em que ela é, de forma mais geral, o mundo que primeiro rejeitou Cristo e depois o seu povo. Os três dias e meio (v. 9,11) durante os quais os cadáveres estão expostos para a observação pública, antes de sua ressurreição e subida ao céu, podem corresponder intencionalmente à duração do ministério deles na proporção de um dia por ano. v. 10. Os habitantes da terra: Cf. 3.10. A expressão aqui é sinônima de gente de todos os povos, tribos, línguas e nações (v. 9) e confirma a interpretação mais geral da grande cidade como sendo toda a terra. Os dois profetas haviam atormentado os que habitam a terra, pois o testemunho dos piedosos é a condenação dos ímpios (cf. lRs 18.17). A linguagem do v. 11 faz eco de Ez 37.10.
v. 12. Subam para cá: Esse é o plural equivalente à ordem dada a João em 4.1; mas aqui é descrito o arrebatamento aos céus dos mártires ressuscitados, e é descrito em linguagem semelhante à que Lucas usa para registrar a ascensão de Cristo (At 1.9); cf. lTs 4.17. v. 13. os sobreviventes [...] deram glória ao Deus dos céus: Ao contrário dos sobreviventes de 9.20,21, esses se voltam para Deus como resultado da sua experiência do juízo dele.
v. 14. O segundo ai passou: Essa expressão marca o final do interlúdio; retoma as visões das trombetas no lugar em que foram interrompidas em 9.21. O terceiro ai é anunciado pelo toque da última trombeta.
7) A sétima trombeta (11.15-19)
A última trombeta é seguida da proclamação de que O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre (v. 15). A soberania de Deus nunca cessou, mas agora é manifesta e reconhecida universalmente; enfim, chegou o tempo da completa realização do propósito divino de que diante do nome de Jesus “se dobre todo joelho [.,.] e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor” (Fp 2.10,11). v. 17. que és e que eras, mas já não “o que há de vir” (como em 1.4,8; 4.8); o que havia de vir, agora veio. começaste a reinar. E a tradução apropriada do aoristo ingressivo ebasileusas. (O aoristo de basileuõ é usado de forma diferente em 19.6.) v. 18. Aí nações se iraram: Cf. SI 2.1. chegou a tua ira:
O juízo e a recompensa divinos (especialmente o juízo) estiveram presentes de maneira farta nos estágios anteriores da visão de João, mas atingem o clímax com a sétima trombeta. O clímax do juízo vai ser bem desenvolvido na visão das sete taças (15.5ss); o clímax da recompensa, na visão da nova Jerusalém (21.9ss). O preparo para a visão das sete taças é feito pelo ato de se abrir o santuário celestial (gr. naos) — sugerindo a revelação do conselho oculto de Deus — com correspondentes estrondos de trovão e relâmpagos (v. 19) como os que antecederam o toque das sete trombetas (8.5). a arca da sua aliança: Essa é a primeira menção da arca em Apocalipse; é o arquétipo da arca no tabernáculo mosaico e no templo salo-mônico. Sua exposição agora é um sinal de que Deus vai cumprir nos mínimos detalhes suas promessas da aliança ao seu povo.
Somos levados de volta agora ao início da história da salvação: uma nova série de visões ou quadros vívidos retrata figuras e episódios significativos do curso dos eventos retratados nos caps. 5—11.

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