2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 12

Estudo sobre Apocalipse 12

Estudo sobre Apocalipse 12



Segunda divisão: O retrato vívido do conflito e do triunfo (12.122.5)
I. A MULHER, O FILHO E O DRAGÃO (12.1-17)
I) O nascimento do filho (12.1-6)
v. 1. Apareceu no céu um sinal extraordiná-rio. Cf. 12.3; 15.1. uma mulher vestida do sol com a lua debaixo dos seus pés. Cf. Ct 6.10. A origem precisa dessa figura de linguagem não pode ser determinada; diversos paralelos parciais do antigo Oriente Médio são citados pelos comentaristas. A mulher não é um ser humano individual, mas a contraparte celestial de uma comunidade terrena; o fato de que ela usa uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça (cf. Gn 37.9) identifica-a como o verdadeiro Israel, de quem nasceu o Messias. Um dos hinos de Cunrã retrata de maneira semelhante a comunidade fiel como uma mulher sofrendo as dores de parto até que dá à luz um filho, “conselheiro maravilhoso” (citando Is 9.6, em que esse é um dos títulos do príncipe davídico dos quatro nomes). João não vê descontinuidade na vida do verdadeiro Israel antes e depois do nascimento e exaltação do Messias; o remanescente fiel do antigo Israel era o núcleo do novo. v. 2. Ela estava grávida e gritava de dor. Cf. Is 7.14; Mq 5.3. v. 3. um enorme dragão vermelho com sete cabeças e dez chifres-. Esse é Leviatã, o dragão primevo do caos, cuja derrota diante de Deus no início (SI 74.14; Is 51.9) e no final dos tempos (Is 27.1) é declarada em diversos escritos do AT. Que suas cabeças (SI 74.14) eram sete é atestado em textos ugaríticos, em que ele é chamado “o amaldiçoado entre sete cabeças”. Seus dez chifres provavelmente são tomados do quarto animal de Dn 7.7 (cf. Ap 13.1; 17.12). Aqui ele é identificado com a serpente do Éden e com Satanás (v. 9).
v. 4. Sua cauda arrastou consigo um terço das estrelas do céu\ Cf. Dn 8.10, em que o “chifre pequeno” (Antíoco Epifânio) lança parte “dos exércitos das estrelas” na terra e as pisoteia. Isso pode ser uma referência ao fato de Antíoco ter desencorajado a adoração de certas deidades a favor de Zeus do Olimpo, cuja manifestação na terra ele reivindicava ser. Mas aqui (não importa qual tenha sido a origem da figura de linguagem), a referência provavelmente é aos anjos que estavam envolvidos na queda de Satanás (cf. 9.1; tb. v. 9 adiante). Acerca da terça parte das estrelas, cf. 8.12. v. 5. Ela deu à luz um filho, um homem, que governará todas as nações com cetro de ferro\ Essas palavras de SI 2.9 identificam o filho com o Messias davídico (cf. 19.15); em
2.27, elas já foram aplicadas ao vencedor, mas são aplicadas a ele somente em virtude de sua associação com o Messias (cf. v. 11 adiante). Seu filho foi arrebatado para junto de Deus e de seu trono-, É estranho que a ascensão de Cristo seja apresentada aqui como a continuação imediata do seu nascimento, mas não seria menos estranho se o filho representasse o povo de Cristo, ou Cristo com seu povo. João está usando material antigo, que ele reformula para que seus elementos contem a história do evangelho, mas seus elementos evidentemente não continham nada que pudesse ser reinterpretado como os eventos entre o nascimento e a ascensão de Cristo. Esses são reconhecidamente problemas exegéticos desta passagem cuja solução não temos. v. 6. A mulher fugiu para o deserto-. Uma referência à fuga da igreja palestina em 66 d.C., na eclosão da revolta judaica; de acordo com Eusébio, ela encontrou refúgio no território de Péla, além do Jordão — mas será que alguns membros se fixaram no deserto da Judeia? O verdadeiro Israel de quem Cristo nasceu continua existindo, de acordo com o vidente, na igreja palestina; os cristãos em outros lugares são o restante da sua descendência (v. 17). para um lugar que lhe havia sido preparado por Deus\ Cf. Is 26.20. mil duzentos e sessenta dias: Cf. v. 14; 11.2,3; 13.5. Durante esse período de ira satânica, a mulher está a salvo, enquanto seus filhos são perseguidos; a igreja palestina escapou das atenções mais hostis do poder imperial durante a campanha do século I contra os cristãos de Roma e da Ásia Menor.

2) A queda do dragão (12.7-12)
v. 7. Houve então uma guerra nos céus: A queda de Satanás do céu “como relâmpago” (Lc 10.18) é retratada aqui em termos ilustrativos. O ministério de Jesus incluía a derrota do adversário, pois seu reino não poderia subsistir contra o reino de Deus que estava chegando e tomando o controle, e ele recebeu o golpe de misericórdia por meio da cruz, a coroa do ministério de Jesus (cf. Cl 2.15). No antigo hinário dos cristãos chamado curiosamente de Odes de Salomão (Ode 22), Cristo, falando do seu triunfo sobre a morte, se dirige a Deus como “aquele que derrotou por meio das minhas mãos o dragão com sete cabeças; e tu me colocaste sobre suas raízes para que eu destruísse sua semente”, v. 9. a antiga serpente-, Cf. Gn 3.1ss; tb. Is 27.1. chamada Diabo ou Satanás: Grego diabolos (“caluniador”) é o equivalente do hebraico satan (“acusador”); no AT, Satanás aparece como o acusador principal na corte celestial (Zc 3.1,2; cf. Jó 1.6ss; lCr 21.1), por isso ele }é chamado no v. 10 de o acusador dos nossos irmãos. Graças à vitória de Cristo, no entanto, ele é o alvo principal do desafio: “Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? E Deus quem os justifica” (Rm 8.33, 34). A vitória de Cristo e a derrota de Satanás são celebradas no grito triunfal dos v. 10-12. Na vitória de Cristo, está incluída a vitória do seu povo (cf. Rm 8.37; ICo 15.57; 2Co 2.14). Assim como ele obteve a vitória por meio da sua Paixão (Ap 5.5,6), eles, por sua vez, derrotam o dragão pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do testemunho que deram-, diante da morte, não amaram a própria vida (v. 11). Mas a queda do dragão significa uma intensificação da sua atividade maléfica sobre a terra, durante o breve intervalo antes de ele ser trancafiado (cf. 20.1ss).

3) O ataque à mulher e seus outros filhos (12.13-17)

v. 14. Foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que ela pudesse voar para o lugar que lhe havia sido preparado no deserto: Cf. Ex 19.4, em que Deus fala assim da fuga de Israel do Egito para o deserto: “Vocês viram o que fiz ao Egito e como os transportei sobre asas de águias e os trouxe para junto de mim” (cf. tb. Dt 32.10-12). um tempo, tempos e meio tempo: Essa designação variante dos 1.260 dias do v. 6 é extraída de Dn 7.25; 12.7. v. 15. Então a serpente fez jorrar da sua boca água como um rio, para alcançar a mulher e arrastá-la com a correnteza: Isso pode ser uma referência a algum incidente da guerra de 66-73 d.C., que já não pode ser identificado, e que ameaçou eliminar a rota de fuga da igreja. É improvável que a referência seja a uma correnteza literal, como a que impediu os judeus de Gadara de fugirem dos romanos em março de 68 d.C. (Josefo, Guerras, iv.433-436); dificilmente se usaria a expressão “como um rio” para falar de uma correnteza literal, v. 16. A terra [...] abrindo a boca e engolindo o rio: Acerca da personificação da terra, cf. Gn 4.11; Nm 16.30. v. 17. O dragão [...] saiu para guerrear contra o restante da sua descendência: Frustrado pelo seu ataque contra a igreja palestina, o dragão incita perseguição violenta contra os cristãos em outros lugares do império. Que o texto está se referindo a cristãos fica claro pelo fato de que eles não somente obedecem aos mandamentos de Deus mas também se mantêm fiéis ao testemunho de Jesus — exatamente a atividade pela qual João estava no exílio (1.9; cf. 19.10). v. 18. Então o dragão se pôs em pé na areia do mar. A maioria dos manuscritos posteriores traz “Eu me pus em pé” (gr. estathèn) e associa a locução com o que segue em 13.1 (como a ARC); mas “ele se pôs em pé” (gr. estathe) está correto; o sujeito é o dragão, e não o vidente, que ainda está vendo a cena terrena do seu ponto de observação celestial.

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