2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 21

Estudo sobre Apocalipse 21

Estudo sobre Apocalipse 21



A NOVA CRIAÇÃO (21.1-8)
v. 1. vi novos céus e nova terra-. Ele vê o cumprimento e a transcendência da promessa de Is 65.17; 66.22. O caminho foi desimpedido para o aparecimento dessa nova criação “onde habita a justiça” (2Pe 3.13), por meio da abolição do mal e do desaparecimento do primeiro céu e da primeira terra antes do advento do Juiz divino (20.11). e o mar já não existia-. O mar era para os judeus um símbolo de separação (e não, como para os gregos, um meio de comunicação); além disso, em toda a Bíblia simboliza insubordinação impaciente (cf. Jó 38.8-11; SI 89.9; Is 57.20), e em Ap 13.1 gera o sistema que encarna a hostilidade a Deus e seu povo. Naturalmente, então, não há lugar para ele na nova criação, v. 2. Vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém-, A comunidade glorificada do povo de Cristo (cf. G1 4.26; Hb 12.22). que descia dos céus, da parte de Deus: Cf. 3.12. Destaca-se assim que a igreja é “a cidade [...] cujo arquiteto e edificador é Deus” (Hb 11.10), e não uma associação voluntária de homens. Até aqui, os santos glorificados têm sido vistos no céu com Cristo (cf. 14.lss; \5.2). preparada como uma noiva adornada para o seu marido: Cf. Is 62.4. A comunidade amada é tanto cidade quanto noiva (cf. v. 9ss; 19.7,8). v. 3. uma forte voz que vinha do trono: Cf. 16.17; 19.5. Agora a voz proclama a consumação eterna das bênçãos do evangelho, o tabernáculo (gr. skênè, “tenda”) de Deus está com os homens, com os quais ele viverá (skênoõ, como em Jo 1.14): Cf. Ex 25.8. Assim foi quando a Palavra se tornou carne e armou sua tenda entre os homens; assim é na terra renovada em virtude da presença da comunidade redimida, refletindo a glória de Deus (v. 23). Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles: As bênçãos da aliança prometidas em Jr 31.33; Ez 37.27; Zc 8.8 são agora estendidas mundialmente. v. 4. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima: A consolação desfrutada pelos mártires em 7.17 é agora desfrutada pela humanidade, em cumprimento de Is 25.8. Não haverá mais morte, porque foi destruída no lago de fogo (20.14; cf. novamente Is 25.8). a antiga ordem já passou: Cf. Is 42.9; 2Co 5.17; esses dois trechos têm o seu eco na proclamação divina do v. 5. Estou fazendo novas todas as coisas: “Se alguém está em Cristo”, diz Paulo, “é [ou “há] nova criação” (2Co 5.17); agora, por meio dos que são eleitos “em Cristo”, Deus transmite as suas bênçãos ao mundo (cf. Rm 8.18-25). Tiago também escreve com o mesmo sentido: “Por sua decisão, ele nos gerou pela palavra da verdade, a fim de sermos como que os primeiros frutos de tudo o que ele criou” (Tg 1.18). Cf.14.4.
v. 5. Escreva isto: Cf. 19.9 (tb. 22.6) como confirmação, v. 6. Está feito: Cf. a declaração no derramamento da última taça de ira (16.17). Eu sou o Alfa e o Òmega: Cf. 1.8 (tb. 22.13). A quem tiver sede, darei de beber gratuitamente da fonte da água da vida: Uma aplicação de Is 55.1 à luz do convite de Jesus em Jo 7.37, 38. Cf. 22.1. A oferta gratuita do evangelho ressoa clara e repetidamente nos dois últimos capítulos de Apocalipse, v. 7. O vencedor...: Aqui estão resumidas as bênçãos prometidas aos fiéis vitoriosos nas cartas às sete igrejas (2.7,11,17,26ss; 3.5,12,21). As palavras de 2Sm 7.14, aplicadas a Cristo em Hb 1.5, são aqui aplicadas aos seguidores fiéis de Cristo, v. 8. Mas os covardes, os incrédulos...-. De forma característica, a lista que João faz dos que são excluídos das bênçãos da nova criação começa com aqueles que por medo negaram a fé diante da perseguição. Seu universalismo é escatológico, mas não eficaz retroativamente.

XII. A NOVA JERUSALÉM (21.9—22.5)
v. 9. Um dos sete anjos-. Cf. 17.1. A santa Jerusalém é revelada ao vidente ou pelo mesmo anjo, ou por um dos colegas do anjo, que anteriormente lhe mostrou o espetáculo da grande Babilônia, a noiva, a esposa do Cordeiro: Com um desprezo extraordinário pelas regras que proíbem a mistura de metáforas, a comunidade amada é retratada tanto como noiva (cf. 19.7,8) quanto como cidade (21.10ss). Ele me levou no Espírito a um grande e alto monte: Cf. o “monte muito alto” de onde em sua visão Ezequiel viu “prédios que tinham a aparência de uma cidade” (Ez 40.2). v. 11. Ela resplandecia com a glória de Deus: João explora os recursos da linguagem e das metáforas — jóias, ouro e pérolas — para descrever a glória indescritível que a cidade santa reflete (cf. Is 26.1,2; 54.11,12; 60.18ss). v. 12. Nas portas estavam escritos os nomes das doze tribos de Israel: A cidade amada é assim caracterizada como o verdadeiro Israel ou o povo de Deus; isso é destacado pela ocorrência repetida do número 12 e seus múltiplos em toda a descrição da cidade. Cf. o número dos eleitos em 7.4ss; 14.1ss.
v. 14. doze fundamentos, e neles estavam os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro: O verdadeiro Israel é o novo Israel, como de fato Jesus sugeriu quando “Escolheu doze, designando-os apóstolos, para que estivessem com ele, os enviasse a pregar...” (Mc 3.14; cf. a implicação de Mt 19.28; Lc 22.30); abarca todos os fiéis dos tempos do AT e do NT. v. 15. uma vara feita de ouro: O mentor angelical de Ezequiel tinha “em sua mão uma corda de linho e uma vara de medir” para um propósito semelhante (Ez40.3; cf. tb. Zc 2.1,2; Ap 11.1). v. 16. A ddade era quadrangular. Como a cidade de Ezequiel (Ez 48.16) e a ekklésia celestial em Hermas, Visão iii.2.5; mas a cidade de João é um cubo, como o Lugar Santíssimo do templo de Salomão (lRs 6.20) e a Jerusalém celestial no tratado do talmude Baba Bathra 75b (dificilmente o autor quis dar a entender que seja uma pirâmide), dois mil e duzentos quilômetros (“doze mil estádios”, ARA): A medida é simbólica, e o significado se perde quando formulado, como aqui na NVI, em quilômetros. A cidade quadrada de Ezequiel foi construída sobre um lado de 4.500 côvados, aproximadamente dois quilômetros, 
v. 16. sessenta e cinco metros (“cento e quarenta e quatro côvados”, ARA) é provavelmente a espessura do muro; essa altura seria desproporcionalmente pequena para uma cidade tão alta. Mas isso pode ser irrelevante quando números tão esquemáticos estão em questão. De todo modo, o homem cujas medidas são usadas aqui como escala de referência é, como o “homem” de Ez 40.3ss, um anjo. v. 19. Os fundamentos dos muros da cidade eram ornamentados com toda sorte de pedras preciosas: As 12 pedras preciosas mencionadas nos v. 19,20 lembram aquelas no peitoral do sumo sacerdote, com a inscrição dos nomes dos 12 filhos de Israel (Êx 28.17-21); 9 de 12 aparecem em ambas as listas (embora não na mesma ordem), e talvez João tenha a intenção de reproduzir todas as 12 da lista anterior, embora não possamos ter certeza em virtude da possibilidade da escolha de uma variedade de palavras gregas equivalentes a algumas das palavras hebraicas. De acordo com Fílon e Josefo, alguns judeus no século I criam que as 12 jóias no peitoral representavam os signos do zodíaco; R. H. Charles ressalta que, nesse caso, a sequência dos signos está invertida na lista de João, como que para sugerir que o propósito divino desconcerta a base e as descobertas da astrologia pagã. v. 21. As doze portas eram doze pérolas: As portas com pérolas, como o próprio quadrado da cidade, são aplicadas na hinódia popular ao céu; mas João usa essa linguagem para transmitir alguma ideia do esplendor do povo de Deus glorificado.
v. 22. Não vi templo algum na cidade — porque Deus e o Cordeiro juntos constituem a santidade da cidade, e ela mesma é a habitação de Deus na terra (v. 3). v. 23. A cidade não precisa de sol nem de lua\ Cf. Is 60.19,20; ali, como aqui, “o Senhor será a sua luz para sempre; o seu Deus será a sua glória”; mas aqui (como a partir do cap. 5), o Cordeiro é visto em íntima associação com Deus. v. 24. As nações andarão em sua luz, Cf. Is 60.1-3. Na Bíblia, a eleição de alguns não significa a condenação de outros, mas, antes, sua bênção. A formulação da VA (seguida pela ACF em português) “as nações dos salvos” representa uma leitura inferior, mas é exegese sólida. Os reis da terra lhe trarão a sua glória: Cf. Is 60.5ss; SI 72.10,11. v. 25. Suas portas jamais se fecharão. Cf. Is 60.11, em que estão abertas dia e noite, mas essa linguagem seria inadequada no presente contexto, pois ali não haverá noite — nenhuma interrupção da glória da presença de Deus. v. 26. A glória e a honra das nações lhe serão trazidas, Cf. Is 60.11 (“as riquezas das nações”); Ag 2.7 (“os seus tesouros”). A glória da Igreja é incompatível com a uniformidade sem vida; a diversidade das contribuições das nações ajuda a constituir a sua vida multifacetada e esplendorosa. Nela jamais entrará algo impuro-, o livro da vida do Cordeiro é o seu cadastro de cidadãos.
Os versículos iniciais do cap. 22 retratam a nova criação como o Paraíso restaurado, com a serpente banida, a maldição abolida e o acesso à árvore da vida aberto continuamente para todos.
v. 1. o rio da água da vida que, claro como cristal, fluía do trono de Deus e do Cordeiro-, Cf. o rio de água viva de Ez 47.1ss que nasce na entrada oriental do templo e corre pelo vale do Cedrom para adoçar a água do mar Morto (v. tb. Zc 14.8: “águas correntes fluirão de Jerusalém”), v. 2. no meio da rua principal da cidade-, Cf. SI 46.4, em que o “rio cujos canais alegram a cidade de Deus” é a presença do próprio Deus (v. tb. a “região de rios e canais largos” em Is 33.21). a árvore da vida-, Cf. Gn 2.9; 3.22; Ap 2.7. O tema do Paraíso sugere que o rio de água viva pode ter mais um antecedente no rio que corria do Éden em Gn 2.10. A árvore da vida e o rio da vida são ambos símbolos da vida eterna trazida pelo evangelho, frutifica doze vezes por ano Cf. Ez 47.12: “Todo mês produzirão”. As folhas da árvore servem para a cura das nações: Cf. Ez 47.12: “Seus frutos servirão de comida, e suas folhas de remédio”. Os benefícios salvíficos do evangelho promovem o bem-estar de todos os aspectos da vida pessoal e comunitária, v. 3. Já não haverá maldição nenhuma, A sentença de Gn 3.17 é cancelada; a maldição não consegue sobreviver na presença de Deus. os seus servos o servirão-, O verbo é o grego latreuo , como em 7.15. v. 4. Eles verão a sua face, e o seu nome estará em suas testas. Nas palavras de Jo 3.2, eles são “semelhantes a ele”, porque o vêem “como ele é”. Aqui e agora a santificação dos crentes consiste em serem progressivamente conformados à semelhança de Deus pelo poder do Espírito, à medida que refletem a glória divina revelada a eles na face de Cristo (cf. 2Co 3.18—4.6); João descreve o clímax desse processo, pois a visão bem-aventurada inclui a glorificação perfeita daqueles que a recebem. Cf. 3.12: “Escreverei nele o nome do meu Deus, e [...] o meu novo nome”, v. 5. eles reinarão para todo o sempre — compartilhando do reino eterno “de nosso Senhor e do seu Cristo” (11.15). Cf. Dn 12.3.

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