2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 3

Estudo sobre Apocalipse 3

Estudo sobre Apocalipse 3



A carta a Sardes (3.1-6)
Sardes era a capital do antigo reino da Lídia, conquistado por Ciro em 546 a.C. Na época dos romanos, tinha perdido sua antiga grandeza, e a cidade nunca se recuperou de um forte terremoto que a devastou em 17 d.C.
v. 1. que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas, Cf. 1.4,16. você tem fama de estar vivo, mas está morto: A igreja participava da natureza da cidade, “cujo nome era quase sinônimo de pretensões injustificadas, promessas não cumpridas, aparência sem realidade, segurança que anunciava a ruína” (W. M. Ramsay). E bem evidente que a concessão que haviam feito ao seu contexto pagão tinha corroído de tal forma o testemunho da igreja em Sardes que ela era uma igreja cristã só de nome. O avivamento e o arrependimento são urgentes; do contrário, não há futuro para a igreja, v. 3. se você não estiver atento, virei como um ladrão e você não saberá a que hora virei contra você. Essa linguagem, descrevendo a subitaneidade da vinda de Cristo para julgar, aparece em algumas partes do NT (cf. 16.15; Mt 24.43; Lc 12.39; lTs 5.2; 2Pe 3.10); aqui ela é especialmente adequada em vista da história de Sardes, que tinha sido vencida repentinamente mais de uma vez, quando a sua elevada cidadela havia sido escalada em pontos em que se imaginava que esse acesso fosse impossível, v. 4. você tem aí em Sardes uns poucos-. Uma minoria na igreja tinha se negado a seguir os caminhos comprometedores da maioria; visto que na terra decidiram manter suas vestes não manchadas pelo mundo, sua recompensa serão vestes brancas na glória, apropriadas para os que andam na companhia do Senhor (talvez haja aqui uma alusão à atividade comercial principal de Sardes — a manufatura e tintura de roupas de lã). Esse é o incentivo oferecido nessa carta ao vencedor, junto com a promessa: Jamais apagarei o seu nome do livro da vida, mas o reconhecerei diante do meu Pai e dos seus anjos (v. 5). Essa promessa traz à memória Mt 10.32,33; Lc 12.8,9. O “livro da vida” parece incluir aqui, mas não nos outros lugares em que é mencionado (13.8; 17.8; 20.12,15;
21.27), primeiramente todos aqueles cujos nomes estão na lista de membros da Igreja na terra, mas aqueles cuja qualidade de membro é apenas nominal tiveram os seus nomes apagados — i.e., o Senhor declara que nunca os conheceu (cf. Lc 13.25,27). Em outros trechos em Apocalipse, aqueles cujos nomes estão no livro da vida são os que resistem com firmeza à tentação da apostasia e que por isso sobrevivem no grande dia de Deus.
6) A carta a Filadélfia (3.7-13)
Filadélfia recebeu o seu nome em memória de Átalo II, rei de Pérgamo (159-138 a.C.), que foi chamado Filadelfo (“que ama seu irmão”) por causa de sua devoção ao irmão e predecessor, Eumenes II. O terremoto de 17 d.C. devastou Filadélfia e Sardes; por gratidão ao imperador Tibério pela ajuda concedida após o terremoto, a cidade mudou o seu nome para Neocesareia, mas o nome de Filadélfia rapidamente se impôs de novo.
A carta a Filadélfia, como a dirigida a Esmirna, não contém palavra alguma de acusação. A igreja em Filadélfia, embora pequena e fraca, foi capaz de manter sua lealdade cristã, apesar da hostilidade da sinagoga.
v. 7. daquele que é santo e verdadeiro-. Esses dois títulos são dados a Deus separadamente em ljo 2.20 e 5.20; e juntos em Ap 6.10. Aqui são designações de Cristo (cf. Mc 1.24; Jo 6.69; At 3.14). que tem a chave de Davr. Em Is 22.22, a “chave do reino de Davi” é colocada sobre os ombros de Eliaquim, e assim “o que ele abrir ninguém conseguirá fechar, e o que ele fechar ninguém conseguirá abrir”. Isso quer dizer que Eliaquim é apontado como administrador principal ou grande vizir do palácio real de Jerusalém. Aqui, no entanto, a mesma linguagem é usada para designar Jesus como o Messias davídico — não como administrador principal, mas como Príncipe da casa de Davi (cf. Hb 3.2-6). v. 8. coloquei diante de você uma porta aberta-. Uma oportunidade de testemunho (cf. ICo 16.9; 2Co 2.12). v. 9. sinagoga de Satanás-, Cf. 2.9, na carta a Esmirna. Farei que se prostrem aos seus pés e reconheçam que eu o amei: Eles reconhecerão que a igreja desprezada de Filadélfia é a verdadeira congregação do povo de Deus nessa cidade, v. 10. a minha palavra de exortação à perseverança-, A “minha palavra” do v. 8 é aqui tornada mais específica como ordem de Cristo à perseverança por sua causa, um elemento essencial no evangelho (cf. 2.10b; Mt 10.22b; Mc 13.13b; Jo 15.18ss; 16.1ss,33). \a\ hora da provação que está para vir sobre todo o mundo, para pôr à prova os que habitam na terra'. Isso é a visitação retratada na série sucessiva de juízos a partir de 6.1, que é dirigida aos “que habitam a terra” — uma expressão recorrente em Apocalipse que exclui o povo de Deus, talvez porque este é constituído de cidadãos do céu, membros da nova Jerusalém. Cf. Lc 21.35. Os fiéis servos de Deus, entre os quais são claramente incluídos os membros da igreja de Filadélfia, são “selados” (7.2-8) contra essa visitação. Na interpretação de Apocalipse, é importante distinguir entre a tribulação que vem como juízo divino sobre os ímpios (como aqui) ou sobre cristãos infiéis (como em 2.22) ou a que vem sobre os fiéis (como em 2.10; 7.14). v. 11. Venho em breve. Como nas cartas aos de Éfeso (2.5), Pérgamo (2.16), Tiatira (2.25) e Sardes (3.3); mas para os de Filadélfia sua vinda traz bênçãos completas, desde que a expectativa da sua vinda os encoraje a manter a lealdade e que não abram mão da sua coroa (cf. 2.10b). Retenha o que você tem. Cf. 2.25, em que as almas fiéis de Tiatira são exortadas de forma semelhante, v. 12. uma coluna no santuário do meu Deus, e dali ele jamais sairá-. A metáfora evidentemente passa por uma mudança repentina: a coluna que sustenta o telhado ou frontão se transforma em adorador ou ministro no santuário; mas o sentido pode ser que essa coluna nunca será movida da sua base, como tantas colunas na cidade de Filadélfia acometida pelo terremoto. Escreverei nele...'. Como vencedor, ele traz em si um nome triplo — o nome de Deus, que o tem por filho; o nome da cidade de Deus, entre cujos cidadãos está inscrito; o nome de Cristo, seu Senhor. Cf. 2.17; 14.1;
22.4. cidade do meu Deus, a nova Jerusalém...'. Isto é, a comunidade dos santos; cf. 21.2, 3,9ss, e cp. com SI 87 como pano de fundo do AT.
7) A carta a Laodiceia (3.14-22)
Laodiceia foi fundada pelo rei selêucida Antíoco II (261-246 a.C.) e recebeu esse nome em homenagem a sua mulher, Laodice. Essa igreja é mencionada em Cl 2.1; 4.13ss como uma das igrejas do vale do Lico, junto com as de Colossos e Hierápolis; as três foram provavelmente fundadas por Epafras durante o ministério de Paulo em Éfeso. A igreja em Laodiceia não é marcada nem por lealdade e perseverança nem por deslealdade intencional, mas por uma auto-satisfação confortável que a tornava incapaz de dar o verdadeiro testemunho de Cristo.
v. 14. do Amém-. Aquele em quem a revelação de Deus encontra sua resposta e cumprimento perfeitos (cf. 2Co 1.19,20). Uma conexão com o hebraico ’amon em Pv 8.30 tem sido sugerida por alguns intérpretes porque a parte final desse título tríplice de Jesus, o soberano da criação de Deus (lit. “o início da criação de Deus”), vem do mesmo contexto em Pv 8.22 (cf. Cl 1.15ss). Jesus fala aqui na posição da Sabedoria Divina, a testemunha fiel e verdadeira: Cf. 1.5. v. 15. você não é frio nem quente-, A escolha da figura da mornidão para caracterizar a ineficiência ou falta de zelo dos laodicenses pode ter sido sugerida pelo suprimento de água da cidade, que provinha das fontes termais de Denizli ao sul, que ainda estava morna depois de correr por oito quilômetros em canos de pedra — diferentemente da água fria que refrescava seus vizinhos em Colossos ou da água quente cujas propriedades terapêuticas eram muito apreciadas pelos habitantes de Hierápolis. Cf. M. J. S. Rudwick e E. M. B. Green, “The Laodicean Lukewarmness”, Exp T 69 (195758), p. 176. v. Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada'. A igreja de Laodiceia evidentemente refletia o caráter da cidade como um todo, que era famosa por sua riqueza. Quando foi destruída por um terremoto em 60 d.C., os cidadãos recusaram ajuda de Roma e reconstruíram a cidade com seus próprios recursos. Mas, por admirável que essa independência possa ser nas questões materiais, no domínio espiritual a auto-suficiência significa destruição; a verdadeira suficiência de uma igreja precisa vir de Deus (cf. 2Co 3.5), que é o único que supre riquezas, vestimentas e saúde espirituais (v. 18). v. 18. roupas brancas-, Laodiceia era famosa pela manufatura de mantos de lã preta chamados laodicia; as ovelhas pretas das quais a lã era obtida sobreviveram nessa região até os nossos dias.

Para cobrir a sua vergonhosa nudez-. Cf. 16.15. colírio para ungir os seus olhos-. Havia uma famosa escola médica perto de Laodiceia em que a “pedra da Frigia” era triturada para produzir colírio (gr. kollyrion), que parece que era misturado com óleo e aplicado aos olhos como unguento. v. 19. Repreendo e disciplino aqueles que eu amo: Com base em Pv 3.12 (cf. Hb 12.6). seja diligente e arrependa-se: Esse é o quinto chamado ao arrependimento nessas cartas (cf. 2.5,16,21; 3.3); somente Esmirna e Filadélfia não são assim desafiadas. O arrependimento de Laodiceia substituiria a complacência pelo zelo e preocupação, v. 20. Eis que estou à porta e bato-. Cristo não tem lugar na vida da igreja de Laodiceia e quer entrar; mesmo que a igreja como um todo não dê atenção a esse chamado, os membros que o fizerem vão desfrutar da mútua comunhão com ele. A linguagem lembra Jó 14.23. v. 21. darei o direito de sentar-se comigo em meu trono, assim como eu também venci e sentei-me com meu Pai em seu trono-, Cf. a promessa de Jesus em Lc 22.28-30 aos que tinham permanecido ao lado dele nas suas “provações”. A vitória deles, como a de Jesus, é conquistada por meio do sofrimento e da morte (5.5,6; 12.11); os que sofrem com ele reinam com ele (2Tm 2.12). A mesma promessa foi feita com outras palavras no final da carta a Tiatira (2.26-28). Cristo sentado no trono do Pai é sua exaltação à direita de Deus, da qual ele falou na sua resposta ao sumo sacerdote (Mc 14.62) e que foi proclamada desde o início da pregação apostólica e na confissão de fé da igreja (At 2.33ss; 5.31; Rm 8.34; Ef 1.20; Cl 3.1; Hb 1.3 etc.; IPe 3.22). “O direito mais elevado que o céu oferece é dele, é dele por direito”; mas a participação na sua soberania é concedida a seu povo (cf Ef 2.6). v. 22. o que o Espírito diz às igrejas, A outras igrejas além das sete, sendo as sete, sem dúvida, representantes de todas; e, com as devidas adaptações, às igrejas do século XXI tão claramente quanto às do século I.

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