2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 4

Índice: Apocalipse 1 Apocalipse 2 Apocalipse 3 Apocalipse 4 Apocalipse 5 Apocalipse 6 Apocalipse 7 Apocalipse 8 Apocalipse 9 Apocalipse 10 Apocalipse 11 Apocalipse 12 Apocalipse 13 Apocalipse 14 Apocalipse 15 Apocalipse 16 Apocalipse 17 Apocalipse 18 Apocalipse 19 Apocalipse 20 Apocalipse 21 Apocalipse 22

III. A VISÃO DO CÉU (4.1—-5.14)
Na profecia do AT, somente podem saber do propósito divino aqueles que são admitidos no “conselho do Senhor” para “ouvir a sua palavra”; aí estão numa posição segura para proclamar com convicção o que ele vai fazer (Jr 23.18,22). Assim, João fica sabendo do desenrolar dos fatos por estar elevado em êxtase no céu. Sua descrição do céu se divide em duas partes, caracterizadas respectivamente pelo hino de louvor a Deus como Criador (4.11) que é por meio dele dirigido a Cristo, o Redentor (5.9,10,12,13b).
1) A sala do trono de Deus (4.1-11)
v. 1. uma porta aberta no céu: Cf. Ez 1.1: “Abriram-se os céus, e eu tive visões de Deus”. A voz que eu tinha ouvido no princípio [...] como trombeta, A voz de 1.10. Suba para cá: A subida ao céu é uma característica bem marcante do êxtase profético; cf. 2Co 12.2ss. o que deve acontecer depois dessas coisas: Cf. 1.1,19. Os caps. 4 e 5 fornecem o contexto do panorama do que “deve acontecer”, retratado a partir do cap. 6 nos juízos paralelos dos selos, trombetas e taças (v. primeiro comentário de 7.1-8). v. 2. me vi tomado pelo Espírito: Cf. 1.10. e diante de mim havia um trono: A visão da sala do trono de Deus (o arquétipo celestial do Santo dos Santos no santuário terreno) tem antecedentes veterotestamentários como lRs 22.19; Is 6.1ss; Dn 7.9ss; mas há aqui características adicionais peculiares a Apocalipse, v. 3. Aquele que estava assentado era de aspecto semelhante a jaspe e sardônio: Cf. Ex 24.10; Ez 1.26ss. As palavras não conseguem descrever a glória divina; os que a viram em êxtase, como Ezequiel e João, só conseguem dar uma impressão geral de como ela os impressionou. Um arco-íris, parecendo uma esmeralda: Cf. Ez 1.28; a menção do arco-íris pode lembrar a aliança de Gn 9.12ss. v. 4. vinte e quatro tronos: Cf. os “tronos” de Dn 7.9, ocupados por assessores do juízo divino (mas v. um paralelo mais próximo disso em 20.4). e assentados neles havia vinte e quatro anciãos: Essa pode ser a ordem dos príncipes-anjos chamados de “tronos” em Cl 1.16; talvez sejam a contraparte celestial das 24 ordens de sacerdotes em lCr 24.4ss, visto que desempenham funções sacerdotais diante do trono de Deus (5.8). v. 5. Do trono saíram relâmpagos: Cf. 8.5; 11.19; 16.18. O relâmpago é uma característica comum das teofanias no AT (cf. Êx 19.16; SI 18.8,12ss; 77.18; 97.4; Ez 1.4,13; Hc 3.4). vozes e trovões-. Cf. os “sete trovões” em 10.3,4. Diante dele estavam acesas sete lâmpadas de fogo, que são os sete espíritos de Deus: Cf. 1.4; tb. Ez 1.13. v. 6. um mar de vidro, claro como cristal: Esse mar celestial (cf. Gn 1.7; SI 104.3; 148.4) é o arquétipo do “tanque de metal fundido” no templo de Salomão (lRs 7.23ss), que é em geral compreendido como a representação do oceano (ou dilúvio) cósmico, sobre o qual o Senhor está assentado e “reina soberano” (SI 29.10). quatro seres viventes: Esses são semelhantes aos “seres viventes” (querubins) de Ez 1.5ss; lO.lss (símbolos dos ventos que carregam o trono móvel de Deus no seu avanço pelos céus); mas eles também têm algumas características e funções dos serafins de Is 6.2,3. Eles representam os poderes da criação a serviço do Criador, cobertos de olhos: Como as rodas vivas do trono móvel em Ez 1.18, um sinal da onisciência divina (cf. tb. Zc 4.10b). v. 7. O primeiro ser parecia um leão: Cada um dos seres viventes de Ezequiel tinha as quatro cabeças (mais estritamente “faces”) de um homem, de um leão, de um boi e de uma águia (Ez 1.10); aqui cada ser vivente tem somente uma cabeça, mas entre eles os quatro simbolizam as divisões principais da criação animal, v. 8. Cada um deles tinha seis asas: Como os serafins de Is 6.2. Dia e noite repetem sem cessar. O hino dos seres viventes é a primeira parte do hino dos serafins (Is 6.3), sendo o nome de Deus engrandecido pelo título de 1.4. Os hinos de Apocalipse são dignos de estudo cuidadoso (cf. 4.11; 5.9,10; 7.15-17; 11.17,18; 15.3,4; 19.6); o contexto em que aparecem sugere que o louvor da Igreja na terra é um eco da liturgia do céu. O louvor incessante dos seres viventes é a voz da criação glorificando o seu Criador, e é acompanhada pela homenagem reverente dos 24 príncipes-anjos, pois eles também proclamam o louvor do seu grande Criador, e lançam as suas coroas diante do trono (v. 10) em reconhecimento de que toda a soberania é dele. O hino de louvor a Deus pelas maravilhas da criação faz eco da linguagem de muitos salmos (e.g., SI 19.1-6; 104). Mas toda a adoração do AT aponta para Cristo, em quem encontra o seu cumprimento; daí que a visão do céu no cap. 4 é incompleta sem a cena desenvolvida no cap. 5.

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