2016/06/29

Estudo sobre Apocalipse 7

Índice: Apocalipse 1 Apocalipse 2 Apocalipse 3 Apocalipse 4 Apocalipse 5 Apocalipse 6 Apocalipse 7 Apocalipse 8 Apocalipse 9 Apocalipse 10 Apocalipse 11 Apocalipse 12 Apocalipse 13 Apocalipse 14 Apocalipse 15 Apocalipse 16 Apocalipse 17 Apocalipse 18 Apocalipse 19 Apocalipse 20 Apocalipse 21 Apocalipse 22


Interlúdio antes do sétimo selo (7.1-17)
a) Os servos de Deus são selados (7.1-8)
A partir desse ponto até o final do cap. 11 João descreve visões do final, “o que vai acontecer mais tarde”, visto da perspectiva profética como a continuação imediata dos seus próprios dias. v. 1. quatro anjos [...] retendo os quatro ventos [da terra\. Os ventos são ventos de juízo, pois eles são impedidos de danificar a terra, o mar e as árvores até que os eleitos de Deus sejam selados (v. 2,3). v. 2. outro anjo [...] tendo o selo do Deus vivo-. O selo com que os servos de Deus serão selados (cf. 9.4) em outros textos é mencionado como sendo seu nome (v. comentário de 14.1; 22.4). v. 3. até que selemos as testas dos servos do nosso Deus-, Esse selar está fundamentado em Ez 9.4, em que aqueles habitantes de Jerusalém que lamentam as abominações têm uma marca (a antiga marca X da letra hebraica tau) colocada na sua testa para protegê-los no iminente juízo sobre a cidade. Assim, aqui os fiéis são selados em preparação para o grande dia da ira divina, v. 4. Então vi o número dos que foram selados: cento e quarenta e quatro mil, de todas as tribos de Israel-. Os seguidores de Cristo são vistos aqui como o verdadeiro “Israel de Deus”; e o número indica o total dos fiéis. Isso é destacado pela subdivisão do número entre as 12 tribos (cf. 21.12). v. 5. Da tribo de Judá foram selados doze. A ordem incomum dos nomes das tribos aqui pode ter um significado especial: mas, se for assim, não sabemos qual é. Judá, no entanto, sem dúvida é colocado na primeira posição porque Cristo pertencia a essa tribo (cf. Gn 49.10; Hb 7.14). v. 6. da tribo de Manassés, doze mil\ E estranho ver que Manassés está alistado separadamente, visto que a tribo de José (incluindo Efraim e Manassés) está alistada no v. 7. Por outro lado, a tribo de Dã é deixada de fora.
Pode-se pensar que no início Dã estava onde Manassés está agora, mas essa conjectura não tem apoio em nenhuma evidência. Muitos expositores antigos defenderam a ideia de que Dã é omitido aqui porque o anticristo viria dessa tribo — uma opinião fundamentada por Ireneu no texto de Jr 8.16 na LXX. Mas essa chamada das tribos é esquemática; não se trata aqui de um censo tribo por tribo como em Nm 1.20ss; 26.5ss, e não precisamos nos preocupar demais com a inclusão de Manassés e a omissão de Dã. b) O triunfo dos mártires (7.9-17) v. 9. uma grande multidão que ninguém podia contar. O cristão Clemente de Roma e o pagão Tácito descrevem, ambos, as vítimas das perseguições de Nero como uma “grande multidão”; quanto maior, então, será o complemento total dos mártires cristãos! de todas as nações, tribos, povos e línguas-, João certamente não limita sua visão aos cristãos judeus. Esses mártires, já tendo glorificado a Deus na morte, não têm necessidade de ser selados em preparação para o juízo escatológico como os “servos do nosso Deus” no episódio anterior; mas em cada caso somos lembrados de que o Israel de Deus não tem fronteiras nacionais. em pé, diante do trono e do Cordeiro-,
Agora que o seu número está completo, eles já não permanecem “debaixo do altar” (6.9), mas estão em pé na presença de Deus; às vestes brancas da bem-aventurança são acrescentadas agora palmas (ramos) da vitória. Mas eles atribuem sua vitória a Deus e a Cristo (v. 10); a conquista do Cordeiro (5.5) também é deles. v. 10. salvação (gr. sõtêria) tem o sentido mais completo de “vitória”; cf. o paralelismo sinônimo de vitória, salvação, justiça em SI 98.1-3; Is 59.16,17. v. 11. Eles se prostraram com o rosto em terra diante do trono e adoraram a Deus: O triunfo dos mártires evoca o louvor semelhante ao triunfo do Cordeiro em 5.8-14; e isso é justo, porque o triunfo deles é dele, e foi conquistado da mesma forma (cf. 12.11). v. 13. um dos anciãos me perguntou: Agindo como intérprete, como em 5.5. v. 14. Estes são os que vieram da grande tribulação. Lit. “estes são os que estão vindo (gr. erchomenoi)...”; o particípio presente pode ser atemporal, ou pode ter significado imperfeito aqui: “estes são os que vieram...”. E evidente que eles não continuam no processo de chegar; seu número está completo. Essa grande tribulação é diferente da de 2.22, da “hora da provação” em 3.10 e da ira contra a qual os eleitos foram selados nos v. 3-8; em todos esses trechos, o que está em vista é o juízo divino dos ímpios. Também deve ser distinguida da tribulação predita em Mc 13.19, que caiu sobre Judá e Jerusalém em 70 d.C. A tribulação desse trecho em consideração é a perseguição dos seguidores de Cristo que irrompeu com maldade tão intensa nos dias de João e continua até o triunfo definitivo de Cristo. (Nós, cristãos do Ocidente, talvez esqueçamos muito facilmente que nos dias atuais a Igreja está sendo perseguida de forma intensa e em grande escala.) lavaram as suas vestes e as alvejaram no sangue do Cordeiro-, Uma forma vívida de dizer que sua bem-aventurança presente e sua aptidão de aparecer na presença de Deus foram obtidas pelo sacrifício de Cristo,

v. 15. o servem (gr. latrem): Há aqui a sugestão de serviço sacerdotal (cf. 20.6; 22.3). em seu santuário-. Visto que a habitação celestial de Deus descrita em 4.2ss é ela mesma o seu templo, essa expressão é praticamente sinônima de “diante do trono de Deus”, estenderá sobre eles o seu tabernáculo-. Lit. “vai ‘tabernacular’ sobre eles”; o verbo é skênoõ, como em Jo 1.14. Provavelmente haja aqui uma alusão à shekinah divina, a presença de Deus em glória entre o seu povo (cf. 21.3). v. 16. Nunca mais terão fome...-. A bem-aventurança dos mártires glorificados é descrita em linguagem derivada de Is 49.10, em que Javé conduz os exilados libertos para casa. v. 17. o Cordeiro que está no centro do trono será o seu Pastor. Em Is 49.10, é Javé que se compadece do seu povo e o conduz (cf. Is 40.11); aqui é Cristo que age como pastor (cf. Jo 10.11 ss). Evidentemente “o Cordeiro” é usado aqui como um título estabelecido de Cristo, sem destaque algum para a figura original, como há em 5.6. ele os guiará às fontes de água viva: Cf. SI 23.2, como também Is 49.10. Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima: em Is 25.8, essa promessa é uma referência à era nova quando Deus “destruirá a morte para sempre” (cf. ICo 15.54); é repetida adiante em 21.4.

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