2019/08/19

Interpretação de Deuteronômio 18

Interpretação de Deuteronômio 18

Interpretação de Deuteronômio 18



Deuteronômio 18

Sacerdotes e Profetas. 18:1-22.
Israel recebeu a responsabilidade de sustentar os ministros do sacerdócio de Deus cujas obrigações administrativas foram citadas nos contextos precedente e seguinte (vs. 1-8). Depois Moisés ordenou a eliminação de todos os falsos pretendentes oraculares, incluindo o falso profeta (vs. 9-22). Com relação a isto, ele apresentou a instituição dos verdadeiros profetas (v.15 e segs.), relevando o tratamento que se devia aos líderes teocráticos (juiz, 16:8; rei, 17:14 e segs.; sacerdote e levita, 18:1 e segs.), o que foi apropriadamente incorporado a esta seção sobre a legislação que trata da administração oficial da justiça na vida teocrática.
1. Os sacerdotes levitas. Deuteronômio usa esta designação sete vezes, e sete vezes simplesmente “sacerdote(s)”. E toda a tribo de Levi. O e é interpretativo, uma vez que no hebraico a construção é de simples aposição. Esta interpretação é gramaticalmente aceitável (cons. 17:1) e consistente com o restante das Escrituras, pois de acordo com ela todos os sacerdotes eram descendentes de Levi, mas apenas os levitas araonitas eram sacerdotes. A tradução da E.R.C., insinua em Deuteronômio a opinião de que todos os levitas eram sacerdotes, criando conseqüentemente um conflito entre ele e outra legislação bíblica. Deuteronômio mesmo transmite uma imagem inteiramente diferente de cada grupo: os sacerdotes são os ministros do altar no santuário central, que desfrutam de uma posição de honra e autoridade supremas; os levitas são em toda parte subordinados funcionais e socialmente dependentes. Sacerdotes e levitas partilhavam da comissão de instruir Israel na Lei (33:1a; Lv. 10:11; II Cr. 15:3; 17:8, 9; 30:22; 35:3).
1a. Não terão parte nem herança. Isto é, eles não teriam um território tubal unificado (cons, 10:9; 12:12; 14:27, 29), Na qualidade de formulações compactas servindo aos propósitos da renovação do tratado, as estipulações deuteronômicas assumem a validade dos regulamentos mais minuciosos dados anteriormente, a não ser que, é claro, elas os modifiquem expressamente. Desse modo, aqui, os versículos 1b,2 fazem alusão à legislação igual à de Nm. 18:20 e segs.; Lv. 2:3; 7:6-10, 28 e segs.
2. O Senhor é a sua herança. O Senhor escolheu os levitas na qualidade de oferta de consagração dos primogênitos de Israel (v. 5; cons. Nm. 3:5-13) e então deu-se a Si mesmo como porção deles. Este último fato foi expresso em sua participação nas ofertas de Israel para Ele. O arranjo era simbólico da grande verdade testamentária de que o Senhor era o Deus de Israel e Israel era o povo do Senhor.
3. O direito devido aos sacerdotes. Há uma dúvida se este versículo define melhor as ofertas queimadas e a herança (por exemplo, primícias, dízimos) dos versículos 1, 2, ou se indica certas porções adicionais. No primeiro caso, há uma modificação de lei anterior, pois as partes específicas designadas para os sacerdotes não são aquelas detalhadas em Lv. 7:29 e segs. Se isto for correto, uma explicação da modificação da primitiva exigência da espádua direita pode muito bem ser esta: a espádua direita era a porção dada aos sacerdotes cananitas – conforme ficou comprovado pelo descobrimento de um poço ligado a um templo cananita e cheio com ossos da espádua direita. Aceitando que o versículo 3 seja uma adição à legislação anterior, alguns têm defendido que a referência não foi feita ao sacrifício, mas aos animais mortos em casa (cons, a terminologia em Dt. 12:15, 21). Tal provisão prevenida a seria diminuição dos rendimentos dos sacerdotes, que de outro modo resultaria se esta considerável parte do animal fosse removida da categoria do sacrifício. Outra e mais sustentável explicação de 18:3 interpretada como provisão adicional é que ela se refere não às ofertas pacificas propriamente ditas, mas a certas outras refeições sagradas comidas no santuário; generalizadamente festivas, ou, como o presente contexto poderia sugerir, associadas com processos judiciais. No versículo 4, o velo suplementa as exigências anteriores (cons. Nm. 18:12).
6. Quando vier um levita de alguma das tuas cidades. As cidades dos sacerdotes ficavam perto de Jerusalém, mas as dos levitas ficavam muito longe (via Js, 21). Os versículos 6-8 garantiam os direitos de todos os levitas contra qualquer tendência restritiva de interesses sacerdotais de direito no santuário central. A caridade para com os levitas exigida de Israel em geral era também exigida dos sacerdotes.
9-22. Se Israel quisesse mais detalhadas revelações da vontade do Senhor, além daquela expressamente registrada na Lei de Moisés, o recurso do Urim e do Tumim estava à disposição dos seus sacerdotes. Além disso, a iniciativa da revelação ficava com Deus, que levantaria profetas e falaria através deles (v. 18). Os israelitas deviam se satisfazer com essa revelação e submeter-se a ela (vs. 15-19), Se eles tratassem Moisés e os profetas de maneira inadequada, então nem a voz dos mortos valeria. Segundo se dedara, as fontes oraculares, tais como as que floresciam entre os cananitas, deviam ser evitadas (w.9-14). E um profeta presunçoso, falando como se falasse do Senhor, aliás, todo falso profeta tinirá de ser exterminado (vs. 20-22 ).
9. Não aprenderás a fazer conforme as abominações. Todas as superstições ocultas – adivinhação, feitiçaria, espiritismo (vs. 10,11) – eram abominações (vs. 9, 12) diante do Senhor e merecedoras de anátema (cons. comentários sobre 7:1 e segs.). A magia pagã identificava-se com a religião pagã, e portanto a sua prática seria rebelião contra as exigências da aliança do Senhor no tocante à lealdade de Israel – perfeito serás (v. 13).
15. Um profeta do meio de ti . . . semelhante a mim. Esta figura de profeta, como certas outras no V.T. (por exemplo, a semente da mulher, o filho de Davi, o servo do Senhor, o filho do homem) tem dois significados, um associativo e outro individual. O sentido coletivo (isto é, toda a instituição das profecias do V.T.) está claramente condicionado, pois o problema de distinguir o verdadeiro e o falso profeta está indicado nesta conexão (vs. 20-22), e este “profeta” está apresentado como o correlativo legítimo da instituição oracular em Canaã (vs. 9-14).
Além disso, dentro da estrutura do Deuteronômio, esta é a seção que trata com os diversos ofícios teocráticos, e o oficio profético não está em qualquer outra parte formalmente instituído (cons. Lc. 11:50, 51). Ao mesmo tempo, esta passagem foi interpretada por Jesus e os apóstolos como indicativa do Messias (veja especialmente Atos 3:22, 23; cons. Jo. 5:43; 12:48,49; Mt. 17:5). Jesus era o profeta antitípico do qual a instituição profética do V.T. foi uma sombra. O ofício de profeta foi uma função mediadora e como tal, numa certa extensão, o prolongamento do oficio mediatorial de Moisés – semelhante a mim (cons. Nm. 12:6,7). Foi dado a Israel em resposta ao pedido feito no Horebe, quando pediram um mediador da revelação divina (Dt. 18:16 e segs/ cons. 5:23 e segs.).
20a.O profeta que presumir de falar alguma palavra em meu nome. Esse tal seria uma ameaça mais sutil do que o adivinho cananita ou o israelita sonhador de sonhos, comprovados com sinais, que atraíam a outros deuses (v. 20b; 13:1 e segs.). E ele devia receber o mesmo tratamento dos outros (v. 20c; cons. v.12; 13: 5). Identificá-lo era mais difícil (v. 21), mas ele devia ser denunciado pelo fracasso de suas predições averiguáveis (v. 22). 

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