2016/06/17

Interpretação de Deuteronômio 5

Interpretação de Números 1

Interpretação de Deuteronômio 5

Índice: Deuteronômio 1 Deuteronômio 2 Deuteronômio 3 Deuteronômio 4 Deuteronômio 5 Deuteronômio 6 Deuteronômio 7 Deuteronômio 8 Deuteronômio 9 Deuteronômio 10 Deuteronômio 11 Deuteronômio 12 Deuteronômio 13 Deuteronômio 14 Deuteronômio 15 Deuteronômio 16 Deuteronômio 17 Deuteronômio 18 Deuteronômio 19 Deuteronômio 20 Deuteronômio 21 Deuteronômio 22 Deuteronômio 23 Deuteronômio 24 Deuteronômio 25 Deuteronômio 26 Deuteronômio 27 Deuteronômio 28 Deuteronômio 29 Deuteronômio 30 Deuteronômio 31 Deuteronômio 32 Deuteronômio 33 Deuteronômio 34

III. Estipulações: A Vida sob a Aliança. 5:1 - 26:19.
Quando os tratados de suserania eram renovados, as estipulações, que constituíam as partes longas e cruciais das alianças, eram repetidas mas com modificações, especialmente as que eram necessárias para atender às mudanças situacionais. Por isso Moisés recitou e reformulou as exigências promulgadas na Aliança do Sinai. Além disso, tal como costumavam começar as estipulações dos tratados com as exigências fundamentais e gerais de absoluta fidelidade dos vassalos para com o suserano, prosseguindo então nas várias exigências específicas, Moisés agora confrontou Israel com a exigência primária de consagração ao Senhor (vs. 5-11) e então com as estipulações subsidiárias da vida sob a aliança (vs. 12-26).
A. O Grande Mandamento. 5:1 – 11:32.
O primeiro e grande mandamento da aliança, a exigência de perfeita consagração ao Senhor, está enunciado nos capítulos 5-7, e reforçado por reivindicações e sanções divinas nos capítulos 8-11. Esta divisão de assuntos, entretanto, não é rígida; o fio da exortação é penetrante. Analisado mais detalhadamente, esta seção desenvolve o tema do grande mandamento como se segue: as reivindicações do Senhor sobre Israel (cap. 5); o desafio do exclusivo senhorio divino sobre Israel, expresso como um princípio (cap. 6) e um programa (cap. 7); advertências contra a tentação da autonomia, quer na forma do espírito de auto-suficiência (cap. 8) ou da justiça própria (9:1 – 10:11); um chamado à verdadeira fidelidade (10:12 – 11:32).
Deuteronômio 5
1) O Senhorio da Aliança do Senhor. 5:1-33.
1. Ouvi . . . aprendais e cuideis em os cumprirdes. Este capítulo começa e termina (vs. 32,33) com um encargo de seguir cuidadosamente as estipulações divinas da aliança que estavam no processo da solenização.
2-5. O compromisso ao qual Israel fora convocado tinha de ser uma renovação do relacionamento convencional com o Senhor, que já estava em vigor. Quarenta anos antes, no Sinai, Deus estabelecera a Israel por meio da cerimônia da aliança como Seu povo teocrático (v. 2). Aquilo foi feito para cumprir as promessas anteriores feitas aos patriarcas.
3. Não . . . com nossos pais . . . e, sim, conosco. Os “pais” patriarcais (cons. 4: 31, 37 ; 7 : 8, 12 ; 8 : 18) morreram sem receber as promessas. Mas a geração atual, com a qual foi estabelecida a Aliança do Sinai, além da geração anterior que pereceu no deserto (cons. 11:2), teve o privilégio de ver o reino prometido realizado.
5. Eu estava em pé entre o Senhor e vós. No Sinai, como agora, Moisés fora o mediador entre Deus e Israel, um cargo tanto mais necessário quanto o temor que Israel tinha de se encontrar face à face com a ardente teofania (cons. 4:12). Se o papel transmissor de Moisés descrito aqui não se refere às revelações dados depois da promulgação do Decálogo, então as declarações feitas em outras passagens, no sentido de que Israel ouviu Deus declarar o Decálogo (por exemplo 4:12; Êx. 19:9; 20:19) significariam que a voz de Deus foi audível, mas as Suas palavras eram indiscerníveis a Israel. Contudo, o versículo 5 é mais provavelmente antecipatório, tal como o 22b.
6-22. (Bíblia Heb. 6-18). Do fato da Aliança do Sinai, Moisés prossegue com seu conteúdo documentário conforme inscrito nas tábuas em duplicata (cons. comentários sobre 4:13). Embora continuando com o pensamento de que Israel já estava convencionalmente ligada ao Senhor, atinge o propósito adicional de incorporar o compreensível resumo da lei da aliança permanente dentro da seção das estipulações do documento da renovação deuteronômica. O Decálogo, não sendo simplesmente um código moral, mas o texto de uma aliança, exibe o padrão do tratado conforme segue:
Preâmbulo (v. 6a), prólogo histórico (v. 6b) e estipulações entremeadas com fórmulas de maldições e bênçãos (vs. 7-21).
12. Guarda o dia do sábado, para o santificar. A mais significativa das variações de forma do Decálogo, conforme apresentada em Êx. 20:2-17, é a nova formulação da quarta “palavra” ou mandamento. O ciclo sabático de vida simboliza o princípio da consumação característico da ação divina. Deus opera, matiza Seu propósito, e, regozijando-se, descansa. Êxodo 20:11 refere-se à exibição do padrão de consumação na criação para o modelo original do Sábado. Deut. 5:15 refere-se ao padrão da consumação manifestado na redenção, onde o triunfo divino é tal que leva os eleitos de Deus também para o seu repouso. Mais apropriadamente, portanto, o Sábado foi criado como sinal da aliança divina com o povo que Ele redimiu da escravidão do Egito para herdar o repouso em Canaã (cons. Êx. 31:13-17). A associação neo-testamentária do Sábado com o triunfo da ressurreição do Salvador, através da qual Seus redimidos, com Ele, alcançam o repouso eterno, corresponde à interpretação deuteronômica do Sábado em termos de progresso do propósito redentor de Deus.
Outras notáveis variações deuteronômicas no Decálogo são o inverso da ordem das palavras mulher e casa no décimo mandamento, e a adição aqui de seu campo (Dt. 5:21). Este último foi acrescentado porque Israel estava para começar uma existência assentada na terra, enquanto que durante as peregrinações no deserto tal legislação teria sido irrelevante. Este é um bom exemplo do tipo de modificações legislativas encontradas nas antigas renovações dos tratados seculares.
22. Estas palavras falou o Senhor a toda a vossa congregação. A singularidade da revelação das dez “palavras” está sublinhada neste versículo. Só esta revelação foi dita diretamente por Deus a todo Israel; só ela foi escrita por Deus.
23-27. (Bíblia Heb. 20-24). Continuando a narração do estabelecimento da aliança no Sinai, Moisés fez o povo de Israel se lembrar do seu voto anterior de obedecer à voz de Deus (cons. Êx. 20:18-21). Realmente, tal fora seu temor de Deus na presença de Sua glória, que preferiram, que Moisés recebesse revelações posteriores da voz divina para eles – Chega-te, e ouve (Dt. 5:27). Tal relutância em experimentar a presença de Deus é um grito remoto do deleite original do homem em ter comunhão com o seu Criador no Jardim. E aqui está exposta a excessiva malignidade da maldição sobre o pecado. É claro que há limites definidos às qualificações do homem para a visão de Deus (cons. Êx. 33:20). Mas mesmo que, dentro destes limites, a graça redentora torne possível desfrutar a visão de Deus, o homem decaído encara a experiência como uma ameaça para a sua vida (por exemplo, Gn. 32:30; Jz. 6:22, 23). Na santa presença de Deus no Sinai, os israelitas estavam tão fortemente cônscios de sua corrupção, que temeram aventurar-se com seu raro privilégio (cons. Dt. 4:33). Contudo, seu temor era piedoso, pois eles reconheciam o Deus que lhes parecia tão terrível na montanha como o seu Deus, e submetiam-se a fazer a Sua vontade.
28-33. (Bíblia Heb. 25-30). Que outras recordações mais emocionantes Moisés poderia ter evocado em antecipações à sua conclusão final para andarem nos caminhos do Senhor e da vida, (vs. 32, 33) a não ser estas; 1) A aprovação divina do voto anterior de Israel – falaram eles bem (v.28); 2) seu anseio paternal de que, ao cessar a teofania do Sinai, a reverente devoção inspirada por ela continuasse para que bem lhes fosse a eles e a sem filhos para sempre! (v. 29) Esta reação do Senhor completa o registro do Êxodo 20.
No capítulo 6 enuncia-se o princípio da devoção exclusiva ao Senhor, e com ele a proibição corolária de fidelidade à divindades estranhas. Então no capítulo 7 anuncia-se o programa da conquista para eliminação dos deuses estranhos e os seus povos que dominavam Canaã, a terra escolhida pelo Senhor como tipo de seu reino eterno e universal.

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