2019/08/26

Interpretação de Josué 10

Interpretação de Josué 10

Interpretação de Josué 10




Josué 10

2) Destruição da Coligação dos Amorreus. 10:1-43.
O rei de Jerusalém, o mais próximo da tetrápolis gibeonita, assumiu a liderança na convocação fie aliados para punir os heveus pela sua traição e evitar que os israelitas tomassem suas cidades.
10:1. Adoni-Zedeque é quase sinônimo de Melquisedeque (Gn. 14:18), ambos nomes bastante comuns ou títulos de reis jebuseus. Os jebuseus (Js. 15:63) eram uma mistura racial de amorreus, heteus (isto é, hatians não indo-europeus) e hurrianos, conforme Êx. 16:3 e o nome Araúna (palavra hurriana para “o rei”) em II Sm. 24:18, 23 indicam. Adoni-Zedeque devia ser um predecessor de Abdi-Eba, rei de Jerusalém nas Cartas de Amarna. Meredith Kline declarou lucidamente (em seus artigos sobre os Habiru em WTR, XIX, XX) que de modo geral os habiru (‘apiru), soldados mercenários com seus carros, infiltrando-se da Síria em socorro dos reis cananitas que se rebelaram contra o Egito, não podiam ter sido identificados com os israelitas nem incluir (exceto possivelmente perto de Siquém) a massa dos israelitas vindos da Transjordânia para destruir os cananitas e formar uma nação.
De acordo com as Canas de Amarna, lá por 1375 A.C,, havia apenas quatro principais cidades-estados independentes ao sul da Palestina – Jerusalém, Shuwardata, Gezer e Laquis (as duas últimas hostis a Jerusalém). Jarmute e Eglom eram governadas por oficiais egípcios. Nos dias de Josué, contudo, contando Jericó. Ai, Betel, Gibeom e as cidades dos outros reis cananitas do sul, mencionados em Is. 12:9-16, havia cerca de vinte cidades-estados. Mas antes do período de Amaina, Israel já tinha tomado muitas destas cidades deixando as outras com suspeitas mútuas.
10:3. Hebrom. A cidade antiga evidentemente ficava sobre Jeber er-Rumeidi, exatamente a oeste da atual cidade, a 30kms ao sul de Jerusalém. Jarmute. Quirbete Yarmuque, 25kms a sudoeste de Jerusalém. Laquis. Tel ed-Duweir, 43kms a sudoeste de Jerusalém. Eglom. Talvez Tell el-Hesi, mais de 11kms a oeste de Laquis.
a) A Batalha de Um dia Extraordinário (vs. 6-21).
A importância histórica desta vitória tem sido comparado com a da Batalha de Maratona (Blaikie). Quando os gibeonitas pediram ajuda urgente, os israelitas sentiram-se obrigados por causa do acordo feito (veja comentário sobre 24:1) a virem em sua defesa. Incentivados pelo Senhor (10:8; cons. 1:5), Josué liderou uma marcha forçada à luz da lua desde Gilgal, talvez subindo pela estrada Jericó-Jerusalém, pelo menos uns 40krns, a fim de impedir a retirada para estes fortes amorreus mais próximos (Maunder, em ISBE). Conseguiu surpreender os amorreus que iam atacar ao nascer do dia e matá-los, perseguindo-os na direção noroeste via Bete-Horom até Shefelá. Os amoritas fugiram para o sudoeste ao longo dos vales que separam os contrafortes do maciço central, para Aseca (Tell ez-Zakariyeh, que guarda o Vale de Elá, cerca de 5 Kms a oeste de Jarmute) e Maquedá (possivelmente Quirbete el-Heishum, 3kms a noroeste de Jarmute), tentando em vão alcançar Jarmute (10:3), cerca de 32kms a pé desde Gibeom.
O Senhor aumentou o pânico (10:10) enviando uma chuva de pedras fatal sobre os amorreus, quando fugiam perfazendo os 3kms pelo declive abaixo, ao longo da cadeia de montanhas entre Bete-Horom Superior (alt. 616ms) e Bete-Horom Inferior (366ms). Os versículos 11-14 não descrevem um incidente subseqüente aos acontecimentos dos versículos 10,11; antes, são parte de um extrato (10:12-15) do Livro de Jashar introduzido para destacar as circunstâncias mais notáveis além da chuva de pedras enviada por Deus. Semelhantemente ao Livro das Guerras de Jeová (Nm. 21:14-18), o Livro de Jashar era uma coleção de hinos, entremeada de observações históricas explanatórias, louvando os heróis de Israel; os hinos deviam ter sido progressivamente acumulados (cons. II Sm. 1:18 ).
A interpretação costumeira do milagre descrito aqui é que Deus prolongou a luz do dia por quase um dá inteiro (v. 13) para permitir aos israelitas que terminassem de perseguir o inimigo, Contudo, se a luz do sol foi prolongada por dez, doze ou mais horas, de modo que todo o Oriente Próximo observasse o fenômeno – um milagre ainda mais espetacular que a travessia do Mar Vermelho e o Rio Jordão – então parece estranho que apenas uma outra referência ao acontecimento (Hc. 3:11) se encontre no V.T. Deus não exibe seus poderes milagrosos imprudentemente, pelo contrário, Ele solta Seu poder em medida suficiente apenas para atingir Seu alvo desejado, só à vista daqueles que assim poderiam aprender a reconhecê-Lo se assim quisessem.
O que Josué supunha necessário para suas tropas que perseguiam o inimigo, já cansadas de sua escalada noturna, era alívio do sol inclemente no céu de verão desprovido de nuvens. (Até o presente episódio a conquista de Canaã efetuou-se tão rapidamente, depois da Páscoa em Gilgal, que apenas alguns meses deveriam ter-se passado.) Uma interrupção da luz do sol em plena estação das secas teria sido um milagre suficiente. Deus atendeu muito além do que Josué poderia ter pedido ou pensado, enviando não apenas a sombra desejada para refrescar o Seu exército, mas também uma devastadora chuva de pedras para esmagar e retardar o Seu inimigo. Qualquer tempestade que surgisse na época da colheita pelo verão adentro era considerada juízo de Deus (veja I Sm. 12:17).
A verdadeira explicação deste milagre, contada em antigo estilo poético oriental, inclina-se a confirmar a idéia de que Josué estava ansiando por um alívio do sol. A palavra dom, traduzida para detém-te (v. 12b), significa basicamente “fique quieto, silencioso ou parado”; e então “descanse” da atividade costumeira, como em Jó 30: 27, 31: 34; Sl. 35:15; 37:7. Lm. 2:18. Robert Dick Wilson demonstrou que a raiz dm nos textos astronômicos cuneiformes da Babilônia significa “escurecer”.
Assim diz-se que o sol está “em silêncio' quando não está brilhando, como no Inferno de Dante, linha 60; as “palavras” ou “a fala” do sol são o seu resplendor e calor universal (Sl. 19:2-6). Do mesmo modo o sinônimo ‘amad, traduzido para se deteve (v.13a) e parou (v. 13b) freqüentemente tem o sentido de “cessar” (Gn. 30: 9; II Reis 4: 6; Jn. 1:15). Josué 10 12-14 poderia então ser traduzido assim: “Então Josué falou a Jeová, no dia em que Jeová entregou os amorreus aos filhos de Israel; e ele disse diante dos olhos de Israel,
“Oh! sol, fique calado em Gibeom, e você lua, no Vale de Aijalom”. E o sol ficou calado e a lua parou (de brilhar), até que a nação se vingou dos seus inimigos - Não está escrito no Livro de Jashar? - Pois o sol parou (de brilhar) no meio do céu, e (isto é, embora) não se apressou a pôr-se o dia todo. E não houve um dia igual antes ou depois daquele, no qual Jeová atendeu à voz de um homem; pois Jeová estava lutando por Israel”.
Evidentemente Josué fez o seu pedido quando o sol se levantava sobre Gibeom no oriente e a lua se punha no Vale de Aijalom (Wadi Selman, o qual emerge dentre as montanhas a 1,6kms ao sul do Bete-Horom Inferior) antes que alcançassem o Bete-Horom Superior. Portanto ele orou antes da chuva de pedras.
10:15. Se não omitirmos este versículo completamente, seguindo a LXX, ele pode ser considerado como a conclusão da narrativa resumida do Livro de Jashar. Pois de acordo com a parte principal da narrativa. Josué acampou em Maquedá (10:21) e não retornou à Gilgal até terminar esta campanha (10:43).
b) Os Cinco Reis Enforcados (vs. 22-27).
Provavelmente foi no dia seguinte ao árduo dia que Josué mandou arrastar os reis para fora da caverna na qual tinham se escondido (10:16-27).
10:24. Ponde o vosso pé sobre o pescoço. O símbolo antigo de completa subjugação, constando freqüentemente dos monumentos dos reis do Egito e da Assíria, foi aqui representado pelos chefes militares de Josué (cons. I Reis 5:3; Sl. 8:6; 18:38-40; Is. 49:23).
c) A Conquista da Palestina do Sul (vs. 28-43).
A esta altura o método usado por Josué na guerra, parece ter sido uma série de incursões relâmpago contra as cidades-chave dos cananitas, com o propósito de destruir a capacidade de luta dos habitantes e não necessariamente a captura e a ocupação das cidades ocupadas (10:19, 20). Quando o rei de Gezer e seus exércitos foram destruídos (10:33; 12:12), Josué não atacou esta cidade (16:10). O mesmo aconteceu com Betel (veja comentários sobre 8:10-17). No final da campanha ele retornou com todo o seu exercido a Gilgal (10:43), não deixando nenhuma guarnição militar e por isso Hebrom e Debir tiveram de ser recapturadas mais tarde (15:13-17). Por causa disso Yehezhel Kaufmann, da Universidade Hebraica, denominou as campanhas de Josué de “guerras de destruição e exterminação, não de ocupação por meio de imediata colonização” (Biblical Account of Conquest of Palestine, pág. 86).
Considerando que Josué não gastou tempo suficiente em cidade alguma para empregar táticas de cerco (10:31-35) – embora Moisés tivesse instruído Israel relativamente aos cercos (Dt. 20:10-20) – parece provável que ele não tentasse assaltar os muros das cidades e certamente nem as cidadelas interiores. O poderoso exército de Tutmose III tomou finalmente Megido só após um cerco de sete meses. Não há mais registro de intervenções divina como em Jericó, cuja defesa Israel não poderia esperar destruir por meio de um ataque frontal. Por conseguinte, Josué deve ter se concentrado nas cidades dependentes vizinhas - todas as suas cidades (Jos. 10:37,39), e a seção residencial de cada cidade principal abaixo e fora das fortificações. Para ter uma oportunidade de matar o rei e seus defensores, Josué sem dúvida dependia de uma “tropa de choque” da parte deles, como em Ai; ou ele talvez esperasse que as perdas da batalha anterior e a moral abatida tornasse sua resistência insignificante. Esta teoria sobre as táticas militares de Josué parece estar confirmada em 11:13. “Tão-somente não queimaram os israelitas as cidades que estavam sobre os outeiros (tel), exceto a Hazor”. Portanto a maior parte destas cidades poderiam ter sido rapidamente restabelecidas pelos cananitas, talvez até mesmo pelos sobreviventes das cidadelas de cada cidade; mais tarde, as tribos separadamente tiveram de subjugá-las uma a uma durante o período dos Juizes (cons. Jz. 1).
10:31. Laquis. A cidade do período final da Idade de Bronze existente sobre Tell ed-Duweir foi incendiada em cerca de 1230 A-C-, talvez pelo Faraó Merneptá, mas certamente não foi por Josué (cons. 11:13). O fim, contudo, do mais antigo dos três sucessivos santuários edificados em um antigo fosso fora da cidade pode constituir uma prova da incursão de Josué. Este “Templo I” pertencia ao século quinze.
10:38. Debir. Também chamada Quiriate-Sefer (15:15) e Quiriate-Sana (15.49). Kyle e Albright localizaram Debir em Tell Beit Mirsim, mias provas arqueológicas desse local irão se harmonizam com a colocação do Êxodo no século quinze. J. Simons sugere por sua vez Quirbete Terramé (8kms a sudoeste de Hebrom) com suas fontes em notáveis diferentes altitudes como sendo “as fontes superiores e as fontes inferiores” de 15:19 (The Geographical and Topographical Texts of the Old Testament, pág. 282).
10:40. Leia-se: Assim Josué feriu toda a tema, a cadeia de montanhas e o Neguebe e o Shefelá e as íngremes vertentes... O Neguebe é a região do deserto ao Sul da Palestina; o Shefelá é o contraforte entre o Maciço Central e a Planície Filistéia; as íngremes vertentes (ha'ashedot) são aquelas que descem do Maciço Central para o Mar Morto.
10:41. Gósen. Uma cidade (15:15) nas montanhas ao extremo sul de Judá, que junto com Gibeom serviu para delinear a extensão sul-norte desta campanha.

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