2016/06/24

Interpretação de Obadias 1


Obadias 1

I. Sobrescrito. Versículo 1a. (veja Introdução).
II. As Nações Dispostas Contra Edom. Versículo 16.
A profecia de Obadias foi disposta em forma de um processo criminal. Identifica-se um fora da lei, ele é julgado e sentenciado. O SENHOR Deus é o juiz que fala contra o fora da lei – Edom. Temos ouvido as novas . . . foi enviado um mensageiro. Antes do julgamento, arautos do Juiz proclamara o acontecimento às nações, convocando-os a comparecerem a fim de estarem preparadas para a batalha (cons. Jr. 49:14).
VI. O Inimigo Público Número Um É Denunciado. Versículos 2-7.
O Juiz divino torna público Sua própria opinião sobre o criminoso que está sendo convocado a prestar contas.
2. Eis que te fiz pequeno. Edom considerava-se uma nação superior (vs. 3, 4), mas à vista de Deus era insignificante. Não seria acidental se as outras nações a desprezassem; seria operação do Senhor. A força do verbo hebraico não se refere à ação passada mas a uma certa ação futura. Ironicamente, Edom desejava desesperadamente ser igual às demais nações, mas nenhuma a considerava como tal.
3. A soberba do teu coração te enganou. A opinião que Edom tinha de si mesmo inflou-se além das proporções do seu verdadeiro poder. Ela veio a depender grandemente da proteção de suas fortalezas nas montanhas. Nas fendas das rochas. A inacessibilidade do Monte Seir fizera da montanha um refúgio para os idumeus muitas vezes. É uma cadeia de montanhas de granito, da largura de 24 a 32 quilômetros, na direção norte-sul, com rochas que atingem 615 m de altura. Sua fortaleza é uma rocha elevada e achatada com o nome de Sela no Velho Testamento, mas mais popularmente conhecida por Petra hoje em dia. A fortaleza só podia ser alcançada através de uma ravina estreita de encostas rochosas. Edom viera a crer que nenhum inimigo conseguiria derrubar suas defesas.
4. Como águia. A fortaleza estava localizada tão alto na montanha que foi comparada ao ninho de uma águia entre as estrelas. Contudo o Senhor declarou que Edom não estava fora do Seu alcance. Ele a derrubaria e a julgaria na presença das nações.
5. Ladrões. . . roubadores . . . vindimadores. Apelando para uma prática comum, o divino Juiz descreve de maneira extraordinária o fim do poder de Edom. Ladrões e assaltantes (os idumeus eram conhecidos como ladrões e assaltantes) geralmente levavam por despojo apenas aquilo que julgavam valioso. Do mesmo modo os vindimadores só colhiam uvas maduras. Mas a fortaleza de Edom seria destruída e todas as suas propriedades seriam arrancadas dos seus esconderijos.
7. Os teus aliados. Através de fraudes Edom seria entregue ao Juiz por seus próprios afiados. Aqueles mesmos que Edom alimentara se voltariam contra ela.
IV. Edom é Acusada. Versículos 8-14.
A. A Intenção do Juiz. Versículos 8, 9. O Juiz declara que pretende expor a frivolidade da sabedoria e do poder de que Edom se jactava.
8. Os sábios não serão capazes de inocentar Edom. Ficarão confundidos com a força dos argumentos do promotor.
9. Os teus valentes. A habilidade e destreza dos guerreiros não livraria Edom desta vez. Temã era a principal colônia edomita perto da fortaleza, Sela ou Petra. A justiça obteria uma condenação bem definida e conseguiria uma sentença de morte.
B. O Caso Contra Edom. Versículos 10-14. A exposição dos pecados de Edom é devastadora e assombrosa.
10. Violência feita a teu irmão Jacó. O antepassado dos idumeus era Esaú, o irmão gêmeo de Jacó. Embora Jacó agisse erroneamente para com Esaú (Gn. 25:33; 27:36), este file perdoara (Gn. 33:4). Agora a violência substituía o perdão.
11. Tu mesmo eras um deles. Quando estrangeiros levaram os descendentes de Jacó para o exílio e tomaram a Cidade Santa, os descendentes de Esaú não foram ajudar Judá contra o inimigo, mas aliaram-se ao invasor. Edom participou do saque da cidade. Esta situação se encaixa melhor nos acontecimentos relacionados com a queda de Jerusalém em 587-586 A.C. e o período que se lhe segue imediatamente.
12. Mas tu não devias ter olhado com prazer o dia de teu irmão. Nos versículos 12, 13, 14, esta frase aparece sete vezes: não devias, ou equivalente. Destaca os crimes específicos cometidos pelos idumeus. Um parente era obrigado, por laços de sangue, a ajudar outro parente em perigo. Edom recusou-se a ajudar a Jacó (Israel) quando foi preciso. Veja em Jz. 5:23 um exemplo da condenação de uma pessoa que deixou de prestar auxílio a um parente em uma case. Nem te alegrado. Edom, além de não prestar ajuda, chegou a se regozijar coma derrota dos israelitas. Os idumeus falaram de boca cheia, ou se vangloriaram diante dos outros sobre o fato dos israelitas merecerem o seu castigo. Assim, à injúria acrescentaram o insulto.
13. Entrado pela porta do meu povo. Edom deixou de ser um alegre espectador e começou a participar ativamente do saque de Jerusalém. Este crime está enfatizado neste versículo através de mais duas declarações paralelas.
14. Parado nas encruzilhadas. A acusação representa Edom primeiro como espectador alegre, depois como participante da pilhagem da cidade e então servindo nas barricadas que bloqueavam as estradas de escape da cidade jornada, cruelmente prendendo os fugitivos e entregando-os como escravos ao invasor. Uma atitude covarde e digna do mais severo castigo!
V. Edom Sentenciada. Versículos 15-20.
A. Julgamento. Versículos 15, 16. O promotor fundamentou o seu caso contra Edom e, agora, o Juiz esboça a base para punir o criminoso.
15. O dia do SENHOR. O Dia do Senhor é o dia em que Deus vai julgar a perversidade e vingar a justiça. Deus é misericordioso, mas não vai tolerar o pecado para sempre. Quando o pecador, individual ou nação, ignora completamente as regras divinas, Ele vem para julgar e vingar (cons. Joel 2:1; Amós 5:18-20; Sf. 1:7, 8, 14-18; Ez. 25:12-14; 35:1-15). Como tu fizeste, assim se fará contigo. Os juízos do Senhor se basearão sobre a justiça, não no capricho ou na vingança. O castigo não será menor nem maior que os crimes cometidos. (Veja em Os. 8:7 uma forma pitoresca de declarar este mesmo princípio.) A sentença de um pecador não será desproporcional aos seus pecados, mas por ter certeza de que sofrerá por seu pecado.
Historicamente, Edom veio a conhecer a realidade desta verdade. Logo após este período, Edom foi expulsa de seu antigo lar pelos nabateanos, de modo que precisou se mudar para o lado oeste do Mar Morto. Hebrom passou a ser a capital de seu novo lar ao sul de Judá. Os macabeus, especialmente João Hircano (cerca de 125 A.C.), subjugou e judaizou os edomitas. Foram finalmente destruídos com os judeus em 70 d.C. por Tito, o general romano.
16. Como bebestes . . . assim beberão . . . todas as nações. O sofrimento resultante do castigo é às vezes descrito pelos profetas como sendo comparável ao beber do vinho forte. Vejam em Jr. 25:15-28 uma aplicação mais extensa desta analogia. Deus não usaria Edom simplesmente como exemplo mas julgaria igualmente todas as nações pelos seus pecados.
B. Vindicação. Versículos 17-20. Deus não castigada simplesmente os perversos; Ele também libertaria os oprimidos de sua miséria.
17. Mas no monte de Sião haverá livramento. Na destruição do Monte Sião, Israel foi castigada pelos seus pecados; mas Israel também veria o livramento. Por trás dos juízos divinos há o amor de Deus. O castigo tem de ser punido, mas Deus deseja muito mais dar a libertação àqueles que se voltam para Ele. A queda de Jerusalém acabou com o Reino de Judá, mas a preocupação de Deus com o Seu povo não acabara. Ele traria de volta ao Monte Sião um remanescente do cativeiro. O monte será santo. No V.T., a santidade significa principalmente separação para Deus (Dt. 7:6; Jr. 1:5), mas também significa separação de tudo o que é impuro (Lv. 20:7; 21:6; 22:9). O povo libertado seria o povo de Deus, mas também teria de ser purificado das práticas idólatras que provocaram a destruição da nação. Os da casa de Jacó possuirão. A terra prometida retornaria aos exilados que voltassem, e as casas e porções da terra que pertenceram a seus pais seriam suas novamente.
18. Será fogo, e . . . chama. No Dia do Senhor, o relacionamento entre Israel e Esaú será invertido. A casa de Jacó . . . e a casa de José (sinônimos de Israel) seriam senhores sobre a casa de Esaú (Edom) e seriam instrumentos nas mãos de Deus para execução do juízo divino sobre Edom.
19. Os de Neguebe possuirão o monte de Esaú. Outra tradução diz: Eles possuirão o Neguebe; isto é, o Monte Esaú. As fronteiras do reino davídico seriam restauradas no sul e na planície dos filisteus o que incluiria as cidades de Gade, Ecrom, Asdode, Asquelom e Gaza. (Todas essas regiões com exceção de Gaza fazem parte atualmente do território de Israel.) Então, para o norte, os campos de Efraim e os campos de Samaria retornariam aos exilados repatriados. A tribo de Benjamim se moveria através do Rio Jordão e retomaria Gileade.
20. As fronteiras davídicas se estenderiam pela inclusão dos cananeus (fenícios) até o extremo norte em Sarepta, atualmente conhecida por Sarafanda. Fica localizada entre Tiro e Sidom sobre a costa do Mediterrâneo. Sefarade. Mais provavelmente Sardis, a capital de Lídia a oeste da Ásia Menor.
VI. O Senhor Será Rei. Versículo 21.
Assim como a profecia de Obadias começa com o Senhor dominando o cenário, ela termina com a proclamação de que Ele será o Rei de todos. Salvadores. A LXX diz: aqueles que foram salvos; mas o hebraico parece se referir aos vitoriosos, isto é, aos exilados que voltaram, que tornarão a governar em Jerusalém sobre a terra de Edom. E o reino será do SENHOR. Os exilados que retornassem ficariam sob o governo teocrático do próprio Deus. Esta foi a grande visão de Obadias e outros profetas – que o Senhor será o Rei de Israel e que do Monte Sião ele governará o mundo. (cons. Zc. 14:9-11).

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