2016/06/27

Interpretação de Tiago 3

Interpretação de Atos 1

Interpretação de Atos 3 



Índice: Tiago 1 Tiago 2 Tiago 3 Tiago 4 Tiago 5

IX. A Língua. 3:1-12.
1. A questão do falar é um dos assuntos de mais destaque neste livro (cons. 1:19, 26; 4:11, 12; 5:12). Esta, entretanto, é a passagem clássica, e está endereçada aos mestres. Primeiro Tiago adverte seus leitores de que não devem ficar muito ansiosos para ensinarem, por causa da responsabilidade que envolve.
2. Considerando que o mestre usa palavras constantemente, esta é uma área especialmente perigosa para ele. Tropeçamos em muitas coisas, mas os erros mais difíceis de evitarmos são aqueles que envolvem a língua. Assim, o homem que consegue controlar a sua língua é cognominado de perfeito varão. Tendo domado o membro mais rebelde, ele é capaz de refrear também todo o seu corpo.
3. “O mesmo acontece com os homens e os cavalos: controle-se suas bocas e vocês serão senhores de toda sua ação” (Ropes, op. cit., pág. 229). Davi, no Sl. 39:1, usa a figura de um freio em relação ao controle da fala.
4. Esta outra ilustração aponta para o poder da língua. Ela é como um pequeno leme que controla um grande navio. O que a frase, e batidos de rijos ventos, quer dizer não está muito claro a não ser que o e seja interpretado como “mesmo quando”. Então o significado seria que o leme vira o navio mesmo durante as tempestades ferozes. 
5. Do poder de governar ou controlar a língua, o autor agora passa para o seu poder destrutivo. Ela pode ser um pequeno órgão, mas vangloria-se de grandes coisas. E a sua glória tem razão de ser! Uma pequena fagulha pode incendiar toda uma floresta.
6. Tasker (op. cit., pág. 76) considera mundo de iniqüidade como significando “todas as características más de um mundo decaído, sua cobiça, sua idolatria, sua blasfêmia, sua concupiscência e sua avareza voraz”. Tudo isto encontra expressão através da língua, e conseqüentemente contamina o corpo inteiro. A língua também põe em chamas toda a carreira da existência humana. Hort diz que esta é uma das mais difíceis frases da Bíblia. Embora a frase provavelmente seja técnica, com sua origem fora da Palestina, Tiago a usa aqui em um sentido não técnico, significando “toda a existência humana”. Este tremendo poder para o mal possuído pela língua vem diretamente do inferno (Geena).
7,8. A ordem de Deus ao homem (Gn. 1:26) para dominar os peixes do mar, etc. tem sido executada com sucesso, a língua porém, nenhum dos homem é capaz de domar. Mas é claro que Deus pode domá-la! É um mal incontido. Embora carregado de veneno mortífero o Senhor a tem controlado nas vidas de muitos, resultando em grandes bênçãos para a humanidade.
9,10. A língua também é inconsistente. Ela é usada para realizar seus mais altos propósitos, isto é, para bendizer a Deus, mas também é usada para maldizer os homens. Tal inconsistência, especialmente no caso dos cristãos (meus irmãos), não é conveniente que estas coisas sejam assim.
11,12. As ilustrações da fonte e da figueira mostram que “tal incongruência de comportamento é uma revolta contra a natureza, onde tudo prossegue ordenadamente no seu curso para o bem ou para o mal” (B.S. Easton, The Epistle of James, pág. 48).
X. As Duas Sabedorias. 3:13-18.
13. Embora toda a Epístola de Tiago seja uma literatura sobre a Sabedoria, esta (sophia) só foi expressamente mencionada nesta passagem e em 1:5. É importante que a idéia judia (não grega) sobre a sabedoria seja mantida em mente. Hort define a sabedoria em Tiago como “a capacitação do coração e mente necessária para uma conduta justa” (op. cit., pág. 7). Sábio (sophos) é o termo técnico para mestre, e entendido (epistemon) para o conhecimento especial. Através do condigno proceder o sábio deve demonstrar em mansidão de sabedoria suas obras... O orgulho do conhecimento sempre tem sido o pecado costumeiro dos mestres profissionais.
14. O orgulho do conhecimento no caso dos leitores de Tiago deu vazão à inveja amargurada e ambição egoísta, que resultou na vanglória (nem vos glorieis), sendo assim contra a verdade. O autor não quer dizer aqui que os mestres estivessem se apartando da doutrina ortodoxa, mas antes que pela sua vida inconsistente eles estavam mentindo contra a verdade do Evangelho.
15. Esta “falsa” sabedoria está caracterizada não como a sabedoria que desce lá do alto, isto é, não tem a sua origem em Deus (cons. 1:5). Pelo contrário é terrena, animal e demoníaca. “Estas três palavras. . . descrevem a falsa sabedoria, que não tem origem divina, numa seqüência crescente – pertence à terra, não ao mundo de cima; à mera natureza, não ao espírito; e aos espíritos hostis do mal e não de Deus” (Ropes, op. cit., pág. 248).
16. A conjunção pois indica que o que vem a seguir é a prova do que se acabou de dizer. Falsa sabedoria produz confusão (perturbação, E.R.C.) – provavelmente uma referência a discussões na igreja – e toda espécie de cousas ruins. Deus não é um Deus de confusão (I Co. 14:33), nem simpatizante do mal (I Jo. 1:5). Portanto, uma “sabedoria” que provoca uma situação como essa não pode vir de Deus.
17. Em contraste fica a sabedoria lá do alto. É o dom de Deus; é sabedoria prática, sabedoria que preserva a unidade e a paz. Por causa dos seus atributos – pura, pacífica, indulgente, tratável, plena de misericórdia e de bons frutos, imparcial, sem fingimento – alguns comentadores concluíram que a sabedoria aqui é na realidade Cristo. À luz da antiga identificação de Cristo com a Sabedoria de Deus, não parece ser impossível.
18. O fruto da justiça provavelmente significa “o fruto que é a justiça”. A declaração então faz um contraste com 1: 20: A ira do homem não produz a justiça de Deus. Esta última é adquirida pelos pacificadores que semeiam a paz.

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