2016/06/27

Interpretação de Tiago 5

Interpretação de Tiago 5

Interpretação de Tiago 5 


XIV. Julgamento dos Ricos Inescrupulosos. 5:1-6.
1. Os ricos aqui mencionados não são cristãos, mas, apesar disso, a advertência se aplica a todos os homens, inclusive cristãos. Tiago é consistente com os ensinamentos do N.T. em geral em atacar os ricos não apenas porque são ricos, mas porque fracassaram em sua mordomia. O chorar e prantear não são sinais de arrependimento mas expressões de remorso em face do juízo.
2. Ambos os verbos deste versículo e o primeiro verbo do versículo seguinte estão no tempo perfeito. Ropes os descreve habilmente como “declarações pitorescas e figurativas da verdadeira inutilidade desta riqueza à vista daquele que conhece o valor do que é permanente e eterno” (op. cit., pág. 284). A riqueza deve ser usada para bons propósitos, não entesourada. Tiago (Comentário Bíblico Moody) 23
3. A ferrugem da riqueza acumulada será uma testemunha contra os ricos, porque Deus quer que a riqueza seja usada para o bem da humanidade. Ela também destruirá os próprios ricos – há de devorar, como fogo, as vossas carnes. A frase, para os últimos dias (E.R.C.) provavelmente deveria ser mudada para nos últimos dias (E.R.A.). Ela aponta para o fato que, embora os ricos não o percebam, os últimos dias já chegaram.
4. Outro pecado dos homens ricos era o defraudar cruel dos pobres lavradores. Esta atitude era particularmente séria porque era explicitamente contrária à lei de Moisés (cons. Dt. 24:14, 15). Deus, que aqui é chamado de Senhor dos exércitos, um título que sugere Sua onipotência soberana, não ficava desatento diante desta injustiça. Seus ouvidos estavam abertos aos gritos dos pobres trabalhadores.
5. O terceiro pecado dos ricos era o seu luxo e prazeres. Vida extravagante não passava de uma engorda para o dia de matança. Esta frase foi extraída de Jeremias (12:3). No período intertestamentário (cons. I Enoque 94:9) assumiu um significado escatológico, e nesta passagem foi usado com referência ao dia do juízo.
6. O homem justo não é Jesus mas o pobre (generalizadamente), que foi tratado sem misericórdia pelos ricos. Moffatt (op. cit., pág. 70) indica que a palavra matado tinha um significado mais amplo, na ética judia, do que tem agora. Particularmente relevantes são as declarações do Eclesiástico apócrifo 34:21, 22: “O pão do necessitado é a vida do pobre; qualquer um que os priva dele é um homem de sangue. Privar o próximo do seu ganha-pão é assassiná-lo; deixar de pagar o salário a um empregado é derramar sangue”. Aqui a referência em Tiago foi feita provavelmente aos “homicidas judiciais”, uma vez que a declaração começa dizendo condenado. Pessoas pobres são arrastadas para os tribunais (cons. Tg. 2:6) e nada podem fazer para se defender. Ficam completamente à mercê dos ricos inescrupulosos. Apesar de todos esses maus tratos, o pobre não resiste.
XV. Paciência até a Volta de Cristo. 5:7-11.
7. Tiago agora deixa de lado o fico mau e passa a aconselhar o pobre oprimido. Suas instruções são no sentido do pobre suportar com paciência sua situação econômica e social à vista da iminente volta, do Senhor. Não há nenhuma sugestão aqui de subversão. Como exemplo de alguém que deve exercitar a paciência, Tiago cita o caso do lavrador que espera o precioso fruto da terra. Na Palestina, as primeiras . . . chuvas (outubro/novembro) vinha depois da semeadura e as últimas chuvas (abril/maio) quando os campos já estavam amadurecendo. Ambas eram de suma importância para o sucesso da colheita.
8. Do mesmo modo o cristão, diz Tiago, não deve perder a paciência diante das adversidades, mas deve estabelecer firmemente o seu coração à vista do fato de que a vinda do Senhor está próxima.
9. As adversidades causam tensões, e estas se expressam nos relacionamentos humanos. Por isso Tiago adverte, não vos queixeis uns dos outros. Tal atitude os coloca em perigo de julgamento, e o juiz está às portas dos pobres.
10,11. Além dos lavradores, também, os profetas são citados como exemplos de sofrimento e paciência. É estranho que o exemplo de Cristo não fosse aqui citado como em I Pé. 2:21-23. Jó era tradicionalmente considerado um profeta, e aqui foi explicitamente citado como um exemplo de perseverança. Este é o único lugar do N.T, onde Jó foi mencionado. O ponto principal da ilustração de Jó é que “a paciente perseverança mantém-se sobre a convicção de que as dificuldades não são sem significado, mas que Deus tem alguma finalidade e propósito nelas, o que Ele há de realizar...” (Moffatt, op. cit., pág. 74).
XVI. Juramentos. 5:12.
12. Duvidamos que este versículo tenha alguma ligação com o precedente. Acima de tudo é, provavelmente, uma hipérbole para o bem da ênfase. O assunto em discussão não é a irreverência, mas a honestidade. Easton faz uma paráfrase do versículo: “Abstenham-se de todos os juramentos, pois eles enfraquecem o senso de obrigação do homem de falar a verdade em todas as ocasiões; habituem-se a um simples “sim” ou “não” (op. cit., pág. 69).
XVII. Oração. 5:13-18.
13. Sofrendo (sujeito a calamidade de qualquer tipo). A aflição exige oração; um coração alegre, louvor. Cante louvores. A tradução salmos é demasiado limitada para psalleto.
14. Em caso de séria enfermidade, Tiago aconselha, que os presbíteros (uma referência a oficiais definidos) da igreja deveriam ser chamados. Suas orações deveriam ser acompanhadas da unção com óleo em nome do Senhor. Em alguns casos o azeite tem valor terapêutico, mas na maioria dos casos o seu uso deve ser antes compreendido como um socorro à fé.
15. Está claro neste versículo que não é o azeite que cura o doente, mas antes o Senhor é que o levanta em resposta da oração da fé. Isto não é uma sugestão de que Deus sempre atende a oração do crente. Toda oração, inclusive a oração pela cura, fica sujeita à vontade de Deus. Às vezes, é claro que não é sempre, a doença é o resultado do pecado pessoal. Talvez isto é o que se quis dizer com se houver cometido pecados. De qualquer maneira, o doente tem a certeza do perdão dos pecados.
16. A oração, para ser mais eficaz, deve ser inteligente. Por isso encontramos a exortação, confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros. Isto não quer dizer que os cristãos devem entregar-se a confissões públicas indiscriminadas ou mesmo particulares. E certamente a passagem nada tem a ver com as confissões secretas feitas a um sacerdote. Os crentes devem confessar suas faltas apenas para que possam orar uns pelos outros. Não tem havido unanimidade quanto à tradução da última parte deste versículo, mas o significado é claro: um homem bom tem grande poder em suas orações. 
17. O exemplo é Elias, homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos. Suas orações provocaram a seca e acabaram com ela. Tiago parece ter extraído o exemplo de alguma outra fonte que não o V.T., uma vez que as orações de Elias quanto à seca e o seu fim não são mencionadas na narrativa do V.T. A duração da seca por três anos e meio também não se encontra no V.T.
XVIII. Regenerando o Irmão Pecador. 5:19, 20.
19. A declaração, Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e as duas referências a sua regeneração, parecem indicar claramente que o homem em questão é um cristão.
20. Converte não é o termo exato. Se um cristão vê que o seu irmão abandonou as doutrinas da fé cristã e as responsabilidades morais que delas brotam, e tem a possibilidade de trazê-lo de volta para a comunhão com Cristo e Sua Igreja, as conseqüências são duplas: 1) salvará da morte a alma dele (a do pecador), e 2) cobrirá multidão de pecados. Uma vez que o N.T. ensina a segurança do crente em Cristo, é melhor aceitar a referência feita à morte como sendo a morte física. A igreja primitiva cria e ensinava que a persistência no pecado pode causar a morte física prematura (cons. I Co. 11:30). Os pecados cobertos não são os do reconciliador (isto sugere a doutrina judia que as boas obras contrabalançam as más) mas do desviado. Eles ficam cobertos diante de Deus, que é apenas outra maneira de dizer que foram perdoados.


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