2016/06/09

Tipos e Tipologia — Estudos Bíblicos

Tipos e Tipologia — Estudos Bíblicos

Tipos e Tipologia — Estudos Bíblicos



TIPOS, TIPOLOGIA.

Esboço:
I.    Definição e Caracterização Geral
II.    Termos Empregados
III.    Inspiração Dessa Forma de Interpretação
IV.    Legitimidade da Tipologia e Oposição a Ela
V.    Características dos Tipos
VI.    Como Evitar Exageros

I. Definição e Caracterização Geral
A tipologia é uma técnica, associada bem de perto à alegoria, mediante a qual pessoas, eventos, instituições ou objetos de qualquer espécie passam a simbolizar ou ilustrar a pessoa de Jesus Cristo, ou então aspectos da fé, da doutrina, das práticas, das instituições cristãs, etc. Paulo e o autor da Epístola aos Hebreus muito tiraram proveito do Antigo Testamento, visto que eles acreditavam que o Antigo Testamento prefigurava (por ato de Deus) o NovoTestamento, como também que Cristo foi o cumprimento de inúmeros tipos ou símbolos do Antigo Testamento.
Um tipo assemelha-se a uma alegoria, mas visto que tem melhores bases bíblicas, tem ocupado um sucesso maior, retendo um importante papel dentro da interpretação cristã. Ver sobre Alegoria e Interpretação Alegórica. Há algumas alegorias nas páginas da Bíblia, mas o Novo Testamento exibe um número muito maior de tipos do que de alegorias.

II. Termos Empregados
São todos vocábulos gregos: Túpos, “tipo” (ver Rom. 5:14, I Cor. 10:6,11). Skiá, “sombra” (ver Col. 2:17, Heb. 8:5,10:1). Hupódeigma, “cópia” (ver Heb. 8:5; 9:23). Semêion, “sinal” (ver Mat. 12:28). Parabolé, “figura” (ver Heb. 9:9; 11:19). Antítupos, ”antitipo” (ver Heb. 9:24; I Ped. 3:21). Todos esses vocábulos envolvem o uso de tipos para efeitos didáticos, e as passagens ilustrativas acima oferecidas provêem exemplos dessa atividade no Novo Testamento.
Esses tipos provêem sombras ou vislumbres de verdades que são melhor desenvolvidas e expostas no Novo Testamento, em contraste com o Antigo Testamento. Na verdade, o Antigo Testamento é usado como uma espécie de tesouro de onde são extraídas todas as formas de antecipações de Cristo, de sua Igreja ou de sua doutrina, mediante o uso de pessoas ou coisas que são usadas simbolicamente. Os tipos muito enriquecem o estudo das Escrituras, ainda que possamos questionar a validade de alguns deles, porquanto pode haver exageros de interpretação. Na primeira instituição teológica na qual estudei, houve um curso de um semestre que só tratou do assunto da tipologia, o que mostra como esse assunto é considerado importante em alguns círculos.

III. Inspiração Dessa Forma de Interpretação
Os rabinos amavam símbolos, tipos, alegorias e parábolas. A tipologia tem um pano de fundo judaico, e era extremamente popular entre os rabinos. O material escrito dos Manuscritos do Mar Morto (vide) provê ilustrações tanto da interpretação alegórica quanto da interpretação tipológica. Foi natural que os autores do Novo Testamento (quase todos eles judeus, acostumados com o estudo do Antigo Testamento) tivessem visto tipos claros no Antigo Testamento. Assim, Cristo tornou-se o Segundo (ou Último) Adão (Rom. 12); a primeira páscoa ilustrava Cristo como nossa Páscoa e a eucaristia (I Cor. 5:6-8); o cordeiro pascal antecipava o Cordeiro de Deus (João 1:29); Israel no deserto antecipava certos aspectos da vida cristã (I Cor. 10:1-11). Acresça-se a isso que a Epístola aos Hebreus é, virtualmente, um estudo de tipos bíblicos, do principio ao fim. Não se pode duvidar que tipos enriqueceram a teologia cristã. Porém, algumas vezes, um tipo é obtido ignorando-se o contexto, ou então através de uma fértil e exagerada imaginação. Por isso mesmo, tipos podem ser abusados, tornando-se fantasias subjetivas.
IV. Legitimidade da Tipologia e Oposição a Ela
A legitimidade do uso de tipos alicerça-se essencialmente sobre o fato de que os autores do Novo Testamento usaram livremente esse método. A inspiração das Escrituras insiste que este uso é inspirado pelo Espírito de Deus. Do ponto de vista histórico, salienta-se que o cristianismo nasceu dentro do judaismo, e que o Novo Testamento foi o desdobramento natural e necessário do Antigo Testamento. As íntimas correlações entre os dois Testamentos exigiam que o Antigo se tornasse típico do Novo Testamento. Alem disso, a tradição profética tem um papel a desempenhar aí, pois há predições sobre Cristo em muitas passagens, pelo que era inevitável que o documento de predições também contivesse tipos da Figura sobre a qual predizia.
Oposição. Esta procede, essencialmente, de três setores: 1. Os rabinos objetavam ao uso tipológico de seus Livros Sagrados, visto que rejeitavam a Pessoa e a fé religiosa que, alegadamente, estavam sendo tipificadas. Também objetavam à cristianização do Antigo Testamento, o que eles consideravam uma perversão, e não um uso legítimo. 2. Os teólogos liberais objetam aos excessos e abusos a que os tipos são sujeitados; os mais radicais entre eles objetam à própria prática, como uma cristianização do Antigo Testamento que vai além do que a razão permite. Assim, a crítica (que teve início no século XIX, na Alemanha), nunca deu muito valor aos tipos, e acabou desaparecendo ali. 3. Os céticos concordam com os rabinos e com os estudiosos liberais mais radicais, supondo que a prática da cristianização do Antigo Testamento envolve uma falsidade, repleta de fantasias e exageros piedosos.

V. Características dos Tipos
1.    Eles estão alicerçados na história e na revelação sagradas (Mat. 12:40).
2.    São proféticos (João 3:14; Gên. 14, comparado com Heb. 7).
3.    Fazem parte integral da história sagrada e da doutrina cristã, e não pensamentos posteriores, inventados por rabinos e cabalistas (ver I Cor. 10:1-11).
4.    São cristocêntricos (Luc. 24:24,44; Atos 3:24 ss).
5.    São excelentes para instrução e edificação. Cada tipo provê uma espécie de janela que permite a entrada de luz sobre o assunto ventilado. O livro aos Hebreus é o supremo exemplo noteostamentário de como funcionam os tipos bíblicos.

VI. Como Evitar Exageros
Alguns intérpretes cristãos têm pensado ver tantos tipos no Antigo Testamento que perdem de vista o valor histórico e religioso do Livro
Sagrado. De maneira geral, encontramo-nos em terreno firme quan do aceitamos aqueles tipos que nos são apresentados no próprio Novo Testamento, ou quando suspeitamos daqueles que não contam com tal confirmação. Entretanto, alguns intérpretes exageram, ao verem demais nesses típcs. Alguns intérpretes vêem algum simbolismo em cada peça do mobiliário do tabernáculo, e até mesmo nos materiais empregados na confecção dos mesmos, como ilustrações de algo sobre a pessoa e a obra de Cristo. Mas se o relato acerca de Jonas certamente ilustra a ressurreição de Cristo, o retomo de Jonas à sua terra natal não i ustra, necessariamente, a restauração de Israel aos seus territórios, conforme alguns têm dito. Detalhamentos demasiados devem ser evitados, portanto. Alguns tipologistas têm-se atrapalhado com pormenores sem base, encontrando tipos dentro de tipos. Devemos procurar pela verdade essencial, não tentando escrever um livra com oase apenas sobre um tipo, que é apenas uma ilustração. (B C E ID)




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