2019/09/01

Estudo sobre Levítico 1

Estudo sobre Levítico 1

Estudo sobre Levítico 1




Levítico 1
I. AS OFERTAS (1.1—7.38)
1) Regulamentações gerais (1.1—6.7)
a) Os holocaustos (1.1-17)
O manual dos sacrifícios (1.1—7.38) está dividido em duas seções. A primeira e maior contém orientações de interesse tanto para sacerdotes quanto para leigos (1.1—6.7). Por outro lado, 6.8—7.36 apresenta muitas informações que eram dirigidas somente aos sacerdotes. Visto que o holocausto era o sacrifício hebreu par excellence, está no topo da lista.
(1) Do gado (1.1-9). v. 1. A menção da Tenda do Encontro indica que o livro de Levítico é uma continuação de Ex 40.34-38. v. 2. oferta é a palavra que é transliterada como Corbã em Mc 7.11; significa “(aquilo que é) trazido para perto”, rebanho pode ser de ovelhas ou de cabras (cf. v. 10). v. 3. holocausto', o termo hebraico é ‘õlãh, que significa “o que sobe”. Denota um sacrifício que, à parte do seu sangue (v. 5) e pele (7.8), era totalmente consumido no altar. Às vezes o termo kãlíl (também “holocausto”) é usado (e.g., Dt 33.10; SL 51.19). O holocausto diário — matutino e vespertino — era de tal maneira uma característica do ritual no tabernáculo (Ex 29.38-42; Nm 28.3-8) que o altar no pátio do tabernáculo era conhecido como o “altar do holocausto” (cp. Ex 27.1 com Ex 38.1). sem defeito só pode ter significado físico nesse contexto; mas há uma conotação moral quando a mesma linguagem é usada acerca do nosso Senhor — o antítipo do holocausto e de todas as ofertas (Hb 9.14; IPe 1.19). para que seja aceito é melhor do que, “de sua própria vontade” da VA (v. esse aspecto já em A. Jukes, The Law of the Offerings, p. 50-1).
v. 4. e porá a mão no Dia da Expiação, a confissão de pecado acompanhava esse ato (16.21), e é difícil não perceber uma alusão à identificação ou representação sempre que ocorre em contextos sacrificiais (cf. 3.2; 4.4; Nm 8.12). como propiciação: embora a ideia de pecado no ofertante não fosse proeminente, no holocausto tinha o efeito de expiar (propiciar) (novamente temos a raiz k-p-r, v. comentário de Ex 25.17) os erros involuntários da pessoa, v. 5. será morto: o sujeito do verbo no hebraico é claramente 3a pessoa do singular masculino (cf. NTLH: “O homem matará o touro”). Isso significa que o israelita comum é que tinha de matar o animal que ele levava ao sacrifício; Ezequiel deseja reservar essa tarefa aos levitas (Ez 44.10,11). Os sacerdotes eram responsáveis pelo sacrifício dos animais apresentados como ofertas pelo povo todo (16.11; 2Cr 29.24). derramarão é preferível a “borrifarão” da NTLH (cf. comentário de 4.6), visto que o sangue era recolhido numa bacia e lançado contra os lados do altar (cf. Zc 9.15). As observações de rodapé que fazem referência a Hb 12.24 e 1 Pe 1.2 da VA e da RV são, portanto, inadequadas nesse ponto. v. 6. pele. de acordo com 7.8, a pele de animais oferecidos em holocausto era propriedade do sacerdote, v. 7. fogo do altar, o fogo do altar não podia apagar (6.13), mas muitas vezes deve ter apenas fumegado. Agora o ritual se concentra no altar, e são os sacerdotes — os descendentes do sacerdote Arão — que têm primazia, v. 9. As vísceras e as pernas (traseiras?) devem ser primeiramente lavadas das impurezas dos excrementos antes de serem colocadas no altar, queimará traduz a raiz q-t-r, que é o termo para queimar sacrifícios no altar.; da mesma raiz vem a palavra para “incenso”, cf. aqui o aroma agradável que sobe a Deus. Para queimar até consumir no altar, como no caso da oferta pelo pecado (e.g., 4.12; v. também Nm 19.5,8 em conjunção com o novilho sem defeito), usa-se em geral o verbo s-r-p. oferta preparada no fogo: “oferta de alimentos” liga a palavra hebraica com outra raiz que significa “alimento”; melhor seguir a NVI. aroma agradável, essa ideia fortemente antropomórfica já fez um longo caminho na história da religião, desde Babel até o Gólgota. Uma versão mais rude e literal pode ser encontrada no relato babilónico do Dilúvio, segundo o qual os deuses se uniram em enxame como moscas para usufruir do aroma agradável do sacrifício de Utnapishtim. No NT, lemos que “Cristo nos amou e se entregou por nós como oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus” (Ef 5.2).
(2)    Do rebanho (1.10-13). v. 11. O lado norte é algumas vezes associado à habitação divina (e.g., Jó 37.22; SL 48.2). Essa é uma informação nova e não deve ser restrita a essa categoria de ofertas queimadas; holocaustos, ofertas pelo pecado e ofertas pela culpa deveriam ser mortos todos no mesmo lugar (v. 6.25; 7.2; 14.13).

(3)    De aves (1.14-17). v. 14. O holocausto de aves era adequado às condições econômicas dos membros mais pobres da comunidade (cf. 5.7; 12.8; Lc 2.24). A pobreza em questão era do tipo material e não se presta ao tipo de interpretação que classifica os adoradores de acordo com o desenvolvimento espiritual. Maria, que pertencia à elite espiritual, valeu-se dessa concessão; v. Lc 2.22ss Pombinho’. lit. “filhotes de pombos”, que pode se referir ao gênero, e não à idade, de acordo com uma expressão idiomática semítica conhecida. v. 15. destroncará o pescoço: isso não era feito no caso de uma oferta pelo pecado (5.8). O sacerdote teria de deixar escorrer o sangue ao pressionar o corpo do animal contra a parede do altar, o sangue seria insuficiente para que fosse usado como o de animais de sacrifício de porte maior. v. 16. conteúdo é possível (cf. NEB, e RV “sujeira”); mas a BJ prefere “penas”. cinzas\ a palavra significa com maior frequência “gordura” e aqui denota as cinzas gordurosas que eram removidas do fogo do altar. v. 17. sem dividi-la: cf. o tratamento que Abraão deu às aves mortas na cerimônia da aliança descrita em Gn 15.9,10.


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