2019/08/31

Estudo sobre 1 Coríntios 1

Estudo sobre 1 Coríntios 1

Estudo sobre 1 Coríntios 1



1 Coríntios 1

I. INTRODUÇÃO (1.1-9)
1) Saudação (1.1-3)
A saudação de Paulo segue o padrão da maioria das cartas do século I, tendo três partes: o nome do autor (v. 1), os receptores (v. 2) e a saudação (v. 3).
v. 1. chamado [...] apóstolo, Paulo apresenta dois fatos acerca dele mesmo. A situação em Corinto requer o completo uso da missão e da autoridade dadas por Deus. Sóstenes é desconhecido, a não ser que seja identificado com o judeu coríntio de At 18.17, embora isso pressuponha a sua conversão e mudança de Corinto para Efeso. v. 2. igreja de Deus, Eles eram uma igreja, apesar de suas divisões; era a igreja de Deus, e não de Apoio, de Cefas ou de Paulo, santificados [...] santos-, Duas palavras derivadas da mesma raiz, destacando o elevado padrão moral que deve caracterizar a igreja de Deus. Eles são separados (hêgiasmenois; um particípio perfeito que sugere um estado fixo), apesar de suas evidentes imperfeições, invocam o nome-, Uma frase pela qual os cristãos eram identificados na igreja primitiva; cf. At 9.14,21; 22.16; Rm 10.12. v. 3. graça [...] paz. Uma saudação caracteristicamente paulina, conjugando ambas as saudações, a grega e a hebraica.

2) Gratidão (1.4-9)
Sem dúvida, havia dissensões, sem falar de imoralidade grosseira e uma infinidade de outros males brotando da carnalidade que havia capturado a igreja; mesmo assim, Paulo agradece! Por mais atacados por Satanás que eles estejam sendo, mesmo assim a sua vida espiritual é evidente. Eles são de Cristo, e em um contexto missionário, cercado de depravação pagã, isso é causa transbordante de louvor.
v. 4. graça [...] dada [...] vocês foram enriquecidos (v. 5) [...] o testemunho [...] foi confirmado (v. 6). Os três verbos estão no aoristo, um tempo que demonstra a finalidade histórica da sua posição, graça [...] dada-, O favor amoroso de Deus, que com frequência expressa a sua capacitação para a vida e o serviço. Acerca do seu uso com esse verbo, cf. 3.10; Rm 12.3,6; 2Co 6.1; Ef 4.7. v. 5. enriquecidos-, Cf. 2Co 6.10; 9.11 e um verbo cognato em ICo 4.8. em toda palavra e em todo conhecimento-. Os pontos altos do enriquecimento espiritual deles, destacando a compreensão que tinham da verdade e a habilidade de expressá-la, qualidades valorizadas especialmente pelos coríntios e, sem dúvida, pelos gregos em geral. Paulo trata dos abusos carnais dessas qualidades nos três primeiros capítulos dessa carta. v. 6. Confirmado. O verbo significa estabelecer de forma durável, tornar real com as mais profundas convicções; um termo técnico da lei comercial grega, que significa dar garantia, garantir um título. Os seus dons eram evidência apropriada da obra de Cristo neles. Cf. Rm 15.8; Hb 2.3,4. v. 7,
8. dom espiritual (charisma): A igreja não era deficiente em nenhum dos dons; temos aí a evidência de que os dons podem conviver com os males mais grosseiros. A questão é tratada em detalhes em 12.1—14.40. enquanto vocês esperam: A expectativa pela vinda de Cristo está constantemente com o apóstolo; é a única esperança que caracteriza cada igreja local numa sociedade pagã perseguidora; cf. 16.22; lTs 1.10. seja revelado (cf. Rm 8.19; IPe 1.7,13; ljo 3.2) e o dia são sinônimos que significam aquele grande evento cataclísmico, o fim, a segunda vinda de Jesus Cristo, até a qual ele mesmo os manteráfirmes e irrepreensíveis, inculpáveis, embora não impecáveis; nenhuma acusação poderá ser apresentada contra eles (cf. Rm 8.33; Cl 1.22,28). v. 9. Fiel é Deus: O que ele começou vai concluir (Fp 1.6), pois ele os chamou assim como chamou Paulo (1.1), e fez isso para a comunhão com seu Filho, a exata antítese da divisão. Os nove versículos dessa seção registram nove ocorrências do nome do Senhor Jesus Cristo. Em todo o ensino de Paulo, Cristo é de importância crucial, e, não importa se o problema é de divisão, de falha moral ou de erros doutrinários, ele é a resposta, e Paulo tem motivo para dar graças.

II. DIVISÕES NA IGREJA (1.10—4.21)
1) O fato da divisão (1.10-17)
Em desconsideração flagrante pela comunhão de Cristo para a qual haviam sido chamados (v. 10), as dissensões proliferam. Os fatos estão dolorosamente evidentes, pois por intermédio das pessoas da casa de Cloe as brigas mesquinhas mas amargas foram relatadas a Paulo (v. 11). Personalidades, métodos de pregação e, provavelmente, ênfases doutrinárias se tornam pontos de divisão. O apóstolo deixa bem claro que isso não era vontade dele, nem de Cristo (v. 13-17).
v. 10. irmãos [...] suplico: Não importa a profundidade das divisões, ele insiste na unidade da família de Deus, os seus irmãos. Observe o uso constante dessa palavra. O instrumento de apelo é o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, um que não pode ser dividido; cf. v. 13. a todos vocês que concordem: Literalmente, que falem a mesma coisa; uma expressão tomada da vida política grega que poderia ser assim parafraseada: “Deixem de partidarismo”. divisões (schismata — “panelinhas”, e não cismas) podem resultar somente em “rixas” (v. 11, BJ), uma expressão das obras da carne e evidência da carnalidade da igreja de Corinto, cf. eris em G1 5.20, “discórdia”; v. tb. Rm 1.29-31; 2Co 12.20; lTm 6.4. Não está certo haver “discórdias” ou brigas, e em lugar algum elas são toleradas ou desculpadas. v. 12. Eu sou de Paulo: Um apego leal ao seu pai em Cristo, que ignorava as suas limitações na fala e na aparência, de Apoio: Atraídos pela retórica e, provavelmente, pela forma mais alegórica de pregar do sucessor de Paulo, de Pedro: O homem que andou com Cristo, o líder dos Doze; um apelo aos tradicionalistas. de Cristo: Possivelmente os ultralibertários, que destacavam a sua completa liberdade em Cristo, formavam o partido de Cristo e ou cunharam para si mesmos o lema “Todas as coisas são lícitas”, ou perverteram o uso paulino dele para desculpar os seus próprios excessos (v. 6.12ss; vestígios da mesma atitude são encontrados no cap. 8). Todos estão errados, e todos de igual forma recebem a repreensão de Paulo. v. 13. Acaso Cristo está dividido?: Ou: “Acaso Cristo foi loteado entre vocês?”: a propriedade de um pequeno grupo da igreja. Westcott e Hort, com Lightfoot, tornam a frase afirmativa, mas isso quebra a homogeneidade da tríplice interrogativa. Paulo reduz a situação a princípios básicos; outros líderes não podem tomar o lugar de Cristo. Foi Paulo crucificado...?: A ideia é ridícula. O seu ensino persistente precisa mostrar de forma irrefutável a falácia das facções; cf. 1.23; 2.2. batizados em nome de Paulo: O Filho, com o Pai e o Espírito Santo, foi o nome designado por Cristo, de acordo com Mt 28.19. Que a fórmula trinitária tenha sido usada por Paulo e seus colaboradores nesse estágio, não está claro. Antes, o registro de Atos sugere que somente o nome de Cristo foi usado. No entanto, o que Paulo quer dizer está claro; ninguém poderia acusá-lo de fazer prosélitos pessoais, v. 14-16. [não batizei] nenhum de vocês, exceto: Quase certamente para evitar fazer discípulos pessoais (v. 15). Os que ele de fato batizou foram os primeiros convertidos. Acerca de Estéfanas, v. 16.15; Crispo, At 18.8; e Gaio, possivelmente Rm 16.23 (talvez também possa ser identificado com o Tício Justo de At 18.7). A ministração das ordenanças, então, passou às mãos de líderes locais; um princípio missionário da maior importância, v. 17. não [...] para batizar...-. O apóstolo não está falando em termos absolutos, mas está destacando a prioridade do seu chamado, pregar o evangelho. sabedoria humana-, Essa sabedoria, “sophia logou — cultivando a expressão à custa da substância (v. 17) — é o dom do mero orador, cortejando os aplausos da plateia comum dos gregos” (Robertson e Plummer). Paulo decidiu que esse tipo de “linguagem de sabedoria mundana” (NEB) não deveria esvaziar a cruz de Cristo. Acerca de outros usos de kenoõ (vazio, vão, infrutífero), v. 9.15; Rm 4.14; 2Co 9.3; G1 2.2; Fp 2.7,16.

2) A falsa sabedoria e o evangelho (1.18—2.5)
a) A mensagem da cruz (1.18-25)
A sabedoria mundana, aquela expressão de carnalidade entre os crentes em Corinto, é a exata antítese da sabedoria de Deus revelada na cruz de Cristo. Essa seção está repleta de contrastes à medida que Paulo demonstra a alienação total de ideias entre aquela sabedoria mundana tão valorizada pelos coríntios e a sabedoria de Deus. O evangelho, a palavra da cruz, é loucura para os sábios desta era, mas Deus vai revelar a sua falsidade, mostrando que a sua loucura é superior à sabedoria deles! v. 18. Os homens reagem de maneiras diferentes à mesma mensagem — a mensagem da cruz — de acordo com a condição de cada um. Para os que estão perecendo, no processo ou a caminho de perecer (apollymenois é um particípio presente), é “pura loucura” (NEB); ao passo que para aqueles “que estão a caminho da salvação”, (NEB) é o poder de Deus. Usa-se novamente o particípio presente, sugerindo não a incerteza mas o resultado final. Não é somente a sabedoria de Deus, mas o poder, a sabedoria de Deus em ação.
v. 19. Paulo mantém e desenvolve esse contraste. O homem mundano com sua sabedoria vai ser destruído em todo o seu ceticismo em relação aos caminhos de Deus. está escrito-. Uma formulação bastante livre da tradução de Is 29.14 na LXX, em que “o profeta, referindo-se ao fracasso da diplomacia em Judá diante do juízo da invasão assíria, formula o princípio segundo o qual o homem não é páreo para o poder de Deus. Paulo aproveita esse princípio e o aplica” (Robertson e Plummer).
v. 20. Onde [...] Onde [...] Onde..., O desafio de fazer aparecer o sábio, o erudito ou o questionador que consegue se equiparar a Deus reflete a cena de Is 33.18, quando todos os sinais do conquistador assírio aparentemente invencível são varridos do mapa pelo poder de Javé. A exata designação de sábio, erudito e questionador (talvez gentio, judeu, grego) não está clara. E mais provável que Paulo não esteja fazendo nenhuma referência específica a judeus ou gregos, mas os seus termos se refiram àqueles paladinos da sabedoria do mundo, a quem está não somente determinado a sobrepujar, mas a provar que são totalmente loucos, v. 21. agradou a Deus-. Indica a soberania da sua escolha de salvar os homens por meio da fé na mensagem da cruz e de nenhuma outra maneira, aqueles que creem-, Um particípio presente que indica fé habitual.
V. o mesmo uso no v. 18. v. 22,23. judeus [...] sinais [...] gregos [...] sabedoria. As características nacionais dos judeus e gregos somente aumentam as dificuldades em aceitar o que é pregado — Cristo crucificado. As exigências dos judeus por um sinal indicavam o seu padrão de pensamento; cf. Mt 12.38; 16.1,4; Mc 8.11ss; Jo 6.30. O sinal de Jonas se mostrou como a maior de todas as pedras de tropeço. A especulação grega não podia aceitar a doutrina de salvação baseada na loucura do Nazareno crucificado. A aceitação de Cristo crucificado, “Cristo pregado numa cruz” (NEB), exigia o abandono de todos os seus conceitos tão valorizados. Como em 2.2 (v. comentário), o tempo perfeito indica que o Cristo não pode ser separado da cruz.
v. 24. Cristo é o poder de Deus-, Como ficou demonstrado nos milagres da encarnação, da morte e da ressurreição; cf. Rm 1.4. a sabedoria de Deus: A verdadeira sabedoria, pois traz a salvação, o ponto em que o pensamento grego é falho. O próprio Cristo é a personificação da sabedoria (v. 30). chamados: Referência a um chamado efetivo, como em Rm 8.30; 9.11,24 etc. v. 25. a loucura de Deus: A cruz em toda a sua fraqueza e loucura, quando medida de acordo com os padrões humanos, é apresentada por Deus como o seu poder e sabedoria, ambos infinitamente mais poderosos na capacidade de salvação do que todos os maiores esforços humanos.

b) Os mensageiros da cruz (1.26-31) 
Além disso, a mensagem da cruz não é somente loucura (v. 18-25); para apresentar essa mensagem, Deus escolhe pessoas comumente consideradas loucas, fracas e sem importância e, por meio delas, prova a superioridade da sua própria sabedoria como é vista no evangelho de Jesus Cristo (v. 2631). v. 26. pensem no que vocês eram...: As circunstâncias da igreja em Corinto ilustram o que Paulo quer dizer, foram chamados: Uma referência à conversão deles, e não à vocação, que veio para a maioria deles não como sábios, poderosos ou de nobre nascimento segundo os padrões humanos, poucos: Alguns eram de fato capacitados, influentes e cultos. Crispo era o líder da sinagoga (Rm 16.23). v. 27. Deus escolheu: Pobres e fracos, mas objetos da escolha de Deus por intermédio de quem ele se dispôs a envergonhar os sábios e o que é forte. Repetido três vezes, esse verbo aponta adiante para a certeza absoluta do cumprimento do seu propósito, não somente para reduzir a nada o que é (os sábios etc.; v. 28), assim excluindo todo o orgulho humano, mas para a exaltação completa e absoluta dele em Cristo como a fonte de toda a verdadeira sabedoria e salvação (v. 30,31). Com esse propósito, como meio da revelação do seu poder e sabedoria, ele usa o que para o mundo é insignificante, desprezado e o que nada é, “meros nadas” (NEB). para reduzir a nada (katargeõ): Reduzir à ineficiência, tornar inoperante.
O verbo tem um campo de significados muito amplo (cf. 2.6; 6.13; 13.8,10,11; 15.24,26). v. 30,31. E [...] por iniciativa dele...: Da vileza humana, Paulo se volta agora para a grandeza da Divindade. “Vocês estão em Cristo Jesus por um ato de Deus” (NEB). Cristo é revelado como a personificação da sabedoria de Deus [...] isto é, justiça, santidade e redenção. Embora algumas versões traduzam essas últimas três características como coordenadas (ARA, ARC, ACF), é possível considerá-las definições da sabedoria, como faz a NVI. De todo modo, Cristo é todas essas coisas, o que elimina a possibilidade de qualquer jactância humana — a não ser no Senhor. A citação é de Jr 9.23, um exemplo de texto que no AT é uma referência a Javé, sendo aplicado aqui a Cristo; cf. 2.16.

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