Estudo sobre Jeremias 1

Estudo sobre Jeremias 1



Jeremias 1

I. PROFECIAS ACERCA DAS AÇÕES DE DEUS EM CASA E NO ESTRANGEIRO (1.1—45.5)

1) O chamado de Jeremias (1.1-19)

O título (v. 1-3) dá o nome do profeta (“Javé exalta” ou derruba) e o local a seis quilômetros ao norte de Jerusalém (Anatote é a moderna ‘Anata), v. 2,3. E dado destaque a Deus como a origem da vocação do profeta e de sua repetida inspiração desde o seu chamado no décimo terceiro ano de Josias (c. 627 a.C.) até o exílio nas mãos de Nabucodonosor II no outono de 587 a.C.

O chamado divino (v. 4, 5). 

Este vem de Deus pessoalmente como parte de seu eterno plano incluindo Jeremias em um ministério muito amplo — às nações (v. 5), A todos a quem eu o enviar (v. 7), como se mostra pela amplitude das profecias nesse livro. A vocação é parte da presciência (“conheci”) e da ação de Deus quando o separou e designou como profeta.

A capacitação divina (v. 6-10)

Jeremias pensou que fosse muito jovem (gr.) ou um jovem sem a qualificação ou experiência necessárias. Talvez ele tivesse cerca de 20 anos. Deus vence essas objeções com a sua autoridade (ordenai) e com a promessa e a certeza da sua presença contínua e sustentadora. Observe a linguagem simples e direta usada para o recém-comissionado, cf. “Não tenha medo” a Abraão (Gn 15.1), Moisés (Dt 3.2), Maria (Lc 1.30) ou Paulo (At 27.24). A expressão tocou a minha boca (v. 9) indica tanto purificação (como em Is 6.7) quanto capacitação. As palavras do profeta precisam ser idênticas às palavras de Deus. O seu efeito (v. 10) será destrutivo, depois construtivo, dando motivo para esperança após o juízo. Os verbos arrancar, despedaçar, arruinar e destruir e plantar predizem o curso e tema das profecias (cf. 18.7,9; 24.6; 31.28; 42.10).

A confirmação do chamado (v. 11-16). 

As duas visões são dadas para confirmar o chamado e encorajar o relutante profeta. Também serviram para autenticar a sua comissão a outros, visto que, como Amós (1.1;8.1) e Isaías (2.1), ele pode acrescentar o Vejo ao “Ouvi”.

(1) Uma visão inicial por meio da natureza (v. 11, 12). A florescência do ramo da amendoeira (heb. sãqêd), o arauto da primavera e da fruta vindoura, é interpretada por meio de um jogo de palavras no sentido de que Deus é “cuidadoso” (sõqêd) para guardar a sua promessa e cumprir a sua palavra. Acerca do uso da natureza por Jeremias, v. tb. 2.10; 8.7; 12.8; 14.4-6. (2) Uma visão posterior por meio dos eventos (v. 13-16). Isso introduz também o tema do primeiro grupo de profecias (caps. 1—24) — juízo do Norte (i.e., Assíria, Babilônia e possivelmente dos citas) que resultaria no cerco e pilhagem de Jerusalém. A grande panela fervendo [...] inclinada do norte para cá mostra como o ataque será em direção ao sul através da Síria. O juízo auto-imposto se deve ao fato de terem abandonado Deus e, por consequência, se voltado à idolatria. No governo universal de Deus e na sua soberania (v. 15,16; observe todos) — que também é o tema dos caps. 46—51 —, ele usaria forças existentes como seu agente de castigo (cf. 3.18; 4.5). d) Chamado à ação (1.17-19). A resposta a Javé deve ser obediência imediata e total. Qualquer que “se envergonhar em se identificar com a palavra logo não terá palavra para proclamar” (Cawley). O profeta deve ser destemido e ficar firme, confiante na presença vitoriosa de Deus, apesar da oposição que inevitavelmente vai surgir de todo lado. O povo da terra (v. 18) aqui pode ser uma referência aos principais proprietários de terra, e não à população em geral.