2016/07/30

Estudo sobre Levítico 10

Estudo sobre Levítico 10

Estudo sobre Levítico 10



Levítico 10
Nadabe e Abiú (10.1-7)
A história de Nadabe e Abiú, os dois filhos mais velhos de Arão (Ex 6.23; 28.1), está para essa seção de Levítico assim como At 5.1 -11, a história de Ananias e Safira, está para os primeiros capítulos de Atos. Nos dois relatos, as palavras de Moisés e Arão (v. 3) são o comentário adequado: Foi isto que o Senhor disse: “Aos que de mim se aproximam santo me mostrarei”. Cp. o v. 3 com At 5.11 e os v. 4,5 com At 5.6,9,10. O episódio também compartilha características com o relato da rebelião de Corá em Nm 17. v. 1. Em que sentido Nadabe e Abiú ofereceram fogo profano [...] sem que tivessem sido autorizados não está claro, profano, não autorizado é lit. “estranho”, “estrangeiro”, e a expressão semelhante “outro tipo de incenso”, em Ex 30.9, é geralmente considerada uma referência ao incenso misturado de forma errada, i.e., não como havia sido estipulado em Ex 30.34-38. Talvez o incenso tenha sido queimado na hora errada, ou o fogo não tenha sido tomado do altar de bronze (cf. 16.12), ou tenha sido cometido outro tipo de violação do ritual. Visto que o v. 9 fala de embriaguez, é Lugar-comum na tradição judaica que Nadabe e Abiú estavam sob influência de bebida forte. v. 2. O fogo que significava aprovação divina em 9.24 resulta agora em juízo. Cf. Ex 32.10; não houve tempo para a intervenção de Moisés nessa ocasião, v. 3. Como Eli em outra ocasião (ISm 3.18), Arão não pôde fazer nada, senão concordar com a sentença de julgamento contra os seus próprios filhos. Como sacerdotes, eles haviam estado especialmente próximos de Deus. No lugar de ficou em silêncio, a NEB traz, com certa razão: “ficou aturdido”, v. 4. Misael e Elsafã: cf. Ex 6.22. As provisões de 21.1 ss teriam permitido que Eleazar e Itamar, os irmãos de Nadabe e Abiú, removessem os corpos, mas aqui havia circunstâncias especiais, e o restante dos membros da família de Arão não podia dar lugar ao sentimento natural de forma normal, v. 5. Os corpos, ainda vestidos com as túnicas sacerdotais, foram puxados para fora do acampamento como era feito com as carcaças das ofertas pelo pecado (mesma expressão de 4.12 etc.), v. 6. Agora os outros filhos de Arão, Eleazar e Itamar, tornam-se proeminentes: até aqui, Nadabe e Abiú haviam tido precedência (cf. Êx 24.1,9). Não deveriam lamentar a perda dos seus irmãos, nem andando descabelados (cf. Ez 24.17,23) nem rasgando as roupas em sinal de luto (cf. 2Sm 3.31); cf. 21.10 com referência ao sumo sacerdote, v. 7. Não saiam ecoa a 8.33ss, mas a comparação principal deve ser feita com 21.12.
4) Regras para os sacerdotes (10.8-20)
v. 9. A proibição em relação a bebidas inebriantes está voltada especialmente aos sacerdotes no desempenho da sua função oficial (cf. Ez 44.21). v. 10. Isso deveria ser assim para que as faculdades críticas de discernimento dos sacerdotes não ficassem debilitadas de tal forma que os impedisse de distinguir entre o santo e o profano. Por meio da sua abstinência, a distinção também seria preservada para adoradores leigos, estivessem no santuário ou em casa, pois nisso estava envolvido nada menos do que a diferença entre a fé dos israelitas e as práticas pagãs dos cananeus. v. 11. Cf. Jr 2.8; Ez 44.23; Ml 2.7 acerca da função de ensino dos sacerdotes. Os v. 12,13 provavelmente se refiram à oferta de cereal nacional do oitavo dia; cf. comentário de 9.17. Se a oferta de cereal comum está em questão, nada é acrescentado a 6.16ss v. 12. Visto que a oferta de cereal é santíssima, só pode ser comida por Arão e seus filhos. Os v. 14,15 tratam da oferta de cereal nacional do oitavo dia. v. 14. Em contraste com a oferta de cereal, o peito e a coxa podiam ser comidos num lugar cerimonialmente puro e por qualquer membro da família araônica, inclusive mulheres, v. 15. Como em 9.21, tanto a coxa quanto o peito devem ser ritualmente movidos, embora normalmente só o peito pudesse ser assim designado (cf. 7.34). Nos v. 16-20, aparece um aspecto processual acima da disposição da segunda oferta pelo pecado do oitavo dia (cf. 9.15). Essa oferta nacional era tratada “como a primeira oferta pelo pecado” (i.e., a dos sacerdotes; 9.15). Normalmente os sacerdotes não tinham direito a parte alguma da oferta nacional pelo pecado, visto que tinham interesse nela eles mesmos em virtude de sua cidadania israelita, v. 16. Moisés descobriu que a lei geral havia sido aplicada nesse caso — o bode da oferta pelo pecado havia sido destruído (queimado), assim como a oferta pelo pecado dos sacerdotes (cf. 9.11). v. 17. Mas a oferta nacional pelo pecado do oitavo dia deveria ter sido tratada de forma diferente da oferta nacional comum e em concordância com o ritual de um bode apresentado como oferta individual (cf. 4.2231). para retirar, fica implícito que o comer por parte dos sacerdotes fazia parte do ritual de remoção dos pecados (cf. NBD, p. 1.052). v. 18. Na verdade, muito pouco se diz acerca do ritual para a oferta nacional pelo pecado em 9.15, e poderíamos presumir que era tratado em todos os aspectos como a primeira oferta pelo pecado. Mas se destaca que o sangue não havia sido levado para dentro do Lugar Santo. O corolário disso é que as “pontas do altar” de 9.9 devem ser aquelas do altar de incenso no Lugar Santo (cf. 4.7,18). Visto que tinha havido uma oferta pelo pecado separada para os sacerdotes nessa ocasião, eles não eram representados na oferta nacional; por isso tinham direito à carne desta última de acordo com 6.26,29,30. v. 19. A resposta que satisfez a Moisés (v. 20) foi que, mesmo quando o ritual correto da oferta pelo pecado e oferta pela culpa dos sacerdotes havia sido realizado, essas coisas como a destruição de Nadabe e Abiú haviam acontecido com Arão. Será que a participação na oferta nacional pelo pecado faria grande diferença após esses acontecimentos terríveis? Milgrom sugere que o episódio de Nadabe e Abiú fez Arão ficar temeroso de seguir a prática normal para que o pecado dos sacerdotes não fosse acrescentado à culpa dos leigos.

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