Balança — Enciclopédia Bíblica Online
Na Bíblia, “balança” e termos correlatos designam, em primeiro plano, o instrumento de pesagem que torna possível o comércio por peso e a padronização de medidas, assumindo valor normativo quando associado à exigência de pesos e medidas justos como condição objetiva de retidão social e fidelidade ao pacto, de modo que “balanças justas” e “pesos justos” funcionam como expressão concreta de integridade (Lv 19.36; Ez 45.10; Pv 16.11), enquanto a falsificação do instrumento e de seus contrapesos aparece como forma típica de exploração encoberta, denunciada como corrupção estrutural e não mero deslize individual (Pv 11.1; Pv 20.23; Os 12.7; Am 8.5; Mq 6.11). Em registros sapienciais e poéticos, a balança se amplia para metáfora de avaliação moral e de juízo, na qual pessoas, palavras e ações são “pesadas” sob critério que desvela o valor real e relativiza pretensões humanas (Jó 31.6; Sl 62.9; Dn 5.27), e, em textos de alta elevação, a imagem de medir e pesar migra para a cosmologia, descrevendo o governo divino da criação por proporção, medida e equilíbrio, incluindo a linguagem de mensuração aplicada a águas, montanhas e nações e o “equilíbrio” das nuvens como sinal de ordem providencial (Is 40.12; Is 40.15; Jó 37.16). No NT, o campo semântico converge sobretudo no grego ζυγός (zygos), que pode operar como “jugo” no sentido de vínculo e encargo pedagógico-religioso, permitindo contrastar o ensino de Jesus com formas opressivas de imposição religiosa e com leituras que se tornam fardos, e também como linguagem de servidão e libertação (Mt 11.29-30; At 15.10; Gl 5.1), enquanto, em Apocalipse, a balança reaparece em registro literal-simbólico para indicar mensuração e racionamento em cenário de crise, associando pesagem a escassez e economia de sobrevivência (Ap 6.5-6).
I. Separação semântica dos termos (hebraico/aramaico/grego)
Esta seção organiza o campo lexical de “balança” e termos correlatos por meio de uma separação semântica que evita reduzir todo o vocabulário bíblico a um único rótulo português, distinguindo entre o nome do aparelho de dois pratos, o léxico do nivelamento e da aferição, as imagens de equilíbrio aplicadas à ordem natural, a nomeação de componentes do instrumento de pesagem e as extensões metafóricas para sujeição, encargo e juízo. No hebraico, o núcleo instrumental é expresso por מֹאזְנַיִם ( mōʾznayim, “balanças; par de balanças”) e pela forma em construto מֹאזְנֵי ( mōʾznê, “balanças de”), frequentemente empregado em coligações normativas, enquanto פֶּלֶס ( peles, “balança; instrumento de aferição/ajuste”) destaca o aspecto técnico do ajustar e nivelar; já em registros poéticos, a linguagem de equilíbrio pode surgir como categoria descritiva do governo divino do mundo em מִפְלְשֵׂי ( mipləsê, “equilíbrios; ponderações”), ao passo que a anatomia do aparato pode ser nomeada por termos comuns como קָנֶה ( qāneh, “cana; vara; haste”) quando a pesagem é descrita pelo elemento estrutural. O aramaico preserva o mesmo campo por cognato em בְּמֹאזַנְיָא ( bəmōʾzanyāʾ, “em balanças”), intensificando a metáfora da aferição no discurso de veredito, e o grego amplia a plasticidade do repertório ao empregar ζυγός ( zygos, “jugo; balança”) tanto para cargas e sujeições quanto, em contexto econômico, para o instrumento de mensuração, com respaldo do uso grego das Escrituras.
A. מֹאזְנַיִם / מֹאזְנֵי (mōʾznayim / mōʾznê, “balanças; par de balanças”)
No AT, o vocábulo mais característico do instrumento de pesagem é מֹאזְנַיִם, forma dual que aponta para a estrutura básica de “dois pratos”, e sua flexão em construto, מֹאזְנֵי, frequente em coligações éticas como “balanças de justiça”. Em Levítico 19.36, o texto prescreve explicitamente o padrão cultual-jurídico de integridade metrológica por meio da expressão “מֹאזְנֵי־צֶדֶק” (mōʾznê-ṣeḏeq, “balanças de justiça”), articulada no mesmo fôlego a “pedras” e “medidas” corretas, fazendo do vocabulário de pesagem uma gramática normativa da vida social.
A distribuição canônica do termo, sem depender de contagem prévia, evidencia quatro eixos: (1) legislação e ordenamento comunitário, sobretudo em Levíticos 19.36; Ezequiel 45.10; (2) sabedoria e ética, em Provérbios 11.1; 20.23, onde “balanças” se tornam emblema de honestidade estrutural; (3) crítica profética às práticas comerciais e ao colapso moral do mercado, em Oseias 12.7; Amós 8.5; Miqueias 6.11; (4) usos figurativos ligados à avaliação do humano diante de Deus, como Jó 31.6 e Salmos 62.9, em que “balança” funciona como metáfora de aferição do valor real. A presença do termo em cenas de transação por peso, como a pesagem de prata em Jeremias 32.10, mantém o vínculo com a materialidade do comércio antigo, sem ainda transpor automaticamente o campo para o alegórico.
B. פֶּלֶס (peles, “balança; instrumento de aferição/ajuste”)
O termo פֶּלֶס aparece no mesmo campo semântico, mas com perfil próprio: em contextos poéticos e de mensuração, ele pode nomear não apenas o “conjunto” da balança, mas o instrumento de aferição como tal, com ênfase no ato de ajustar e nivelar. Isaías 40.12 é particularmente instrutivo por colocar lado a lado os dois vocábulos em paralelismo: o texto pergunta quem “pesou” as montanhas “בְּמֹאזְנַיִם” (bəmōʾznayim, “em balanças”) e os outeiros “בַּפָּלֶס” (bappāles, “na balança/no instrumento de aferição”), construindo uma imagem de mensuração cósmica na qual “balanças” e “peles” se complementam para descrever medida, proporção e domínio.
Esse paralelismo impede uma equiparação simplista: מֹאזְנַיִם tende a designar o aparelho em sua configuração dual (“par”), enquanto פֶּלֶס pode apontar para o aspecto técnico do “nivelamento” e da “aferição” que torna a pesagem confiável. A relevância enciclopédica aqui é que “balança” em português pode traduzir ambas as camadas — o instrumento físico e o princípio de aferição —, e Isaías 40:12 preserva precisamente essa dupla dimensão no próprio hebraico.
C. מִפְלְשֵׂי (em Jó 37.16) (mipləsê, “equilíbrios; ponderações”)
Em Jó 37.16, a linguagem deixa o comércio e se desloca para a natureza: o texto fala dos “מִפְלְשֵׂי־עָב” (mipləsê-ʿāb, “equilíbrios das nuvens”), associando o fenômeno meteorológico ao campo semântico da ponderação e do equilíbrio. O ponto decisivo para o verbete é que, aqui, “balança” não remete a mercado nem a fraude, mas ao modo como a ordem do mundo é descrita por imagens de “equilíbrio” e “distribuição” sob governo divino, sem exigir que o leitor imagine literalmente um objeto de dois pratos no céu.
D. קָנֶה (qāneh, “cana; vara; haste”)
Isaías 46.6 oferece um caso técnico em que o hebraico não usa o termo padrão para “balanças”, mas uma palavra comum para “cana/vara” aplicada ao ato de pesar: “וְשֹׁקְלִים כֶּסֶף בַּקָּנֶה” (wəšōqlîm keseph baqqāneh, “e pesam prata na vara/haste”). O quadro é de ourivesaria/idolatria, com metal precioso contado por peso; por isso, a extensão semântica para “balança” se explica como referência ao componente (haste/feixe) do instrumento de pesagem, não como nome do conjunto. Essa passagem justifica tratar “balança” também a partir de sua anatomia: não apenas pratos e pesos, mas haste, suspensão e mecanismo de equilíbrio. A tradução portuguesa tende a uniformizar o campo (“balança”), mas o hebraico aqui preserva uma nomeação por parte do aparato, útil para distinguir “termo do instrumento” de “termo do componente”.
E. Aramaico em Daniel 5: בְּמֹאזַנְיָא (bəmōʾzanyāʾ, “em balanças”) e o verbo do “pesar”
Em Daniel 5.27, a metáfora do juízo se ancora na linguagem de pesagem: “תְּקִילְתָּ בְמֹאזַנְיָא” (təqiltā bəmōʾzanyāʾ, “foste pesado em balanças”). O aramaico preserva o cognato do hebraico מֹאזְנַיִם no plural instrumental, e a força da imagem está na objetividade do veredito: não se trata de opinião, mas de aferição — uma sentença expressa como medição.
F. ζυγός (zygos, “jugo; balança”)
No NT, ζυγός funciona predominantemente como “jugo”, metáfora de sujeição e encargo (Mt 11.29–30; At 15.10; Gl 5.1; 1Tm 6.1). Em Apocalipse 6.5, porém, o cenário econômico de escassez faz a leitura “balança” tornar-se lexicalmente motivada: o grego traz “ζυγὸν” (zygon, “balança”), e a cena inclui imediatamente a precificação de trigo e cevada, isto é, alimento tratado em chave de medida/peso.
A utilidade enciclopédica é dupla: primeiro, ζυγός (zygós) não é “termo exclusivo” de balança, mas pode designar instrumentos que “põem algo sob uma carga/medida”; segundo, o contexto é quem decide a tradução. A própria apresentação paralela em Apocalipse 6 (NA28/ESV) verte o grego por “a pair of scales”, explicitando a opção interpretativa guiada pelo léxico do mercado e pela sequência de valores de compra.
G. Nota pontual sobre a LXX: ζυγός como vocabulário de mensuração
A LXX fornece um lastro direto para o uso de ζυγός (zygós) no sentido de “balança/escala” em contextos de mensuração: em Isaías 40.12, ao lado de “σταθμῷ” (stathmō, “peso; medida”), aparece “ζυγῷ” (zygō, “balança/escala”) na pergunta sobre quem “ajustou as montanhas” e “as ravinas” por instrumentos de medida. Esse dado é decisivo para o verbete porque mostra que, no grego bíblico, ζυγός pode habitar naturalmente o campo da mensuração sem depender do sentido metafórico de “jugo”. Assim, quando Apocalipse 6.5 coloca ζυγός nas mãos do cavaleiro em um quadro de preços e ração, a leitura “balança” não é um exotismo sem precedente, mas uma continuidade possível dentro do repertório grego das Escrituras.
II. Metrologia bíblica e prática material
Esta seção descreve a metrologia bíblica como prática material verificável, mostrando que a linguagem de “balança”, “pesos” e “bolsa de pesos” não é apenas um repertório moral, mas um vocabulário técnico que pressupõe procedimentos econômicos e jurídicos concretos: o metal precioso aferido por pesagem em atos formais de compra, a presença de componentes do instrumento de pesagem na própria formulação hebraica, e a existência de um conjunto portátil de contrapesos padronizados que torna operacional a equivalência nas transações. Ao articular cenas narrativas de pesagem de prata, alusões a hastes e balanças em contextos de manufatura, e máximas sapienciais que vinculam balanças e “pesos da bolsa” a um regime normativo, o texto bíblico permite reconstruir, em nível descritivo, um kit metrológico e sua inserção no comércio, no direito e na vida cotidiana, enquanto o apoio de cultura material oferece enquadramento contextual sem substituir o dado textual (Jr 32.10; Is 46.6; Pv 16.11).
A. Pesagem real em transações (economia e direito)
Jeremias 32.10 descreve um ato jurídico de compra no qual a prata não é “contada”, mas pesada como parte do procedimento formal: o narrador inclui a sequência de “pesar” e “assinar/selar” diante de testemunhas, mostrando que a mensuração por peso integra o protocolo documental da transação (Jr 32.10). No hebraico do versículo, a ação de pesar é explicitada e o instrumento aparece de modo direto: בְּמֹאזְנָיִם (mōznayim, “balanças”). Essa cena funciona como evidência interna de uma economia em que o valor do metal precioso é aferido por peso no ato, e não pressuposto por moeda cunhada, o que explica por que mandamentos e críticas proféticas sobre “pesos” e “balanças” não são abstrações morais, mas se apoiam num procedimento rotineiro de mercado e de direito.
Isaías 46.6, embora em contexto cultual-polêmico, pressupõe o mesmo gesto técnico: metais preciosos retirados de uma bolsa são então pesados para encomenda artesanal de um ídolo. O hebraico distingue dois elementos do aparato: a prata é pesada “na cana/haste” בַּקָּנֶה (baqqāneh, “na haste/vara”), enquanto o ouro é associado às “balanças” בַּמֹּאזְנַיִם (bammōznayim, “nas balanças”). O detalhe é relevante porque várias traduções nivelam a imagem para “balança/escala”, apagando a referência específica ao componente longitudinal do instrumento. Em português, NVI/ACF vertem de modo convergente “pesam prata na balança” ou “pesam a prata nas balanças” (Is 46.6). Em inglês, ESV/NASB mantêm “scales/scale”, mas igualmente não tornam explícita a nuance “haste/vara” sugerida por qāneh (Is 46.6). No plano descritivo, o verso é um indício de que a tecnologia concebida pelo texto inclui, ao menos na imaginação linguística hebraica, um elemento comparável a uma barra/haste de pesagem, além dos pratos e dos contrapesos.
B. “Pesos” como kit padronizado e a gramática da justiça comercial
Provérbios 16.11 condensa, numa fórmula sapiencial, a ideia de padronização material e legitimidade moral: “balança/balanças” e “pesos” pertencem ao SENHOR, e a “bolsa” ou “saco” de pesos integra o mesmo horizonte de normatividade (Pv 16.11). O hebraico articula três termos-chave: מֹאזְנֵי (mōznê, “balanças”), פֶּלֶס (peles, “balança/escala”) e אַבְנֵי־כִיס (ʾaḇnê-kîs, “pedras de bolsa”, isto é, pesos-pedra guardados em bolsa). A expressão “pedras de bolsa” é particularmente importante porque explicita o suporte físico do sistema: pesos como pedras padronizadas, transportadas em bolsa, compondo um “conjunto” portátil para aferição em transações. Traduções antigas e modernas preservam bem esse paralelismo: ACF traz “O peso e a balança justos… os pesos da bolsa” (Pv 16.11) e KJV lê “A just weight and balance… the weights of the bag” (Pv 16.11). O valor enciclopédico do versículo, aqui, não está em ampliar sua dimensão ética — tratada em outro lugar do verbete —, mas em evidenciar que a linguagem moral bíblica se ancora num kit metrológico concreto: balanças e um inventário portátil de contrapesos.
C. Apoio de cultura material (arqueologia) como seção contextual, sem substituir exegese
Achados arqueológicos e acervos museológicos confirmam que pesos-pedra não são uma suposição do texto, mas objetos recorrentes no registro material do Levante e, especificamente, de Judá em períodos do Ferro. Em nível de exemplo controlado, um “peso de shekel” de calcário, proveniente de Arad e datado do Ferro II, integra coleção pública com especificação metrológica (peso em gramas), ilustrando o tipo de contrapeso que um “saco de pedras” poderia reunir em múltiplos padronizados. (cf. Two shekel weight) Em sínteses técnicas sobre pesos judaítas, a discussão do valor do siclo e de subdivisões como a gērāh é sustentada por catálogos de pesos e por análises metrológicas do corpus epigráfico e tipológico, oferecendo um pano de fundo objetivo para a linguagem bíblica de pesagem (NDLOVU, The isiZulu translation of biblical weights and measures, 2024) Para o aspecto de prática econômica, estudos de cultura material também descrevem o uso de prata fragmentada como meio de troca aferido por balanças e pesos, reforçando a plausibilidade histórica de cenas como a de Jeremias 32 e de pressupostos sapienciais como Provérbios 16.11 (cf. Temple Mount Shifting: Weights)
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III. “Balanças justas”: legislação, culto e ética
A linguagem de “balanças justas” articula, no AT, um eixo em que técnica metrológica e responsabilidade pactual se tornam indissociáveis: a justiça econômica não é apresentada como virtude privada opcional, mas como requisito objetivo de vida social, capaz de ser verificado em instrumentos, pesos e medidas. Por isso, a tradição legal enquadra a honestidade comercial como extensão concreta da santidade comunitária (Lv 19.36), a tradição profética reinsere a correção de medidas no programa de restauração pública e de reorganização do convívio (Ez 45.10), e a tradição sapiencial transforma a balança em sinal moral cotidiano, ora como critério de integridade, ora como denúncia de fraude, ao afirmar que o padrão pertence ao próprio Deus e que a duplicidade metrológica é abominável (Pv 11.1; 16.11; 20.23). Nesse conjunto, “justiça” não designa apenas precisão física, mas retidão que impede a opressão discreta do fraco por manipulação de equivalências, tornando o mercado um lugar de fidelidade mensurável ao pacto.
A. Torah: balanças honestas como mandamento
Em Levítico 19:36, o mandamento não se limita ao instrumento “balança” em sentido estrito, mas enumera, de modo cumulativo, o conjunto metrológico que sustenta a justiça nas trocas: “balanças”, “pesos”, “efa” e “him” (Lv 19.36). No texto hebraico, a justiça é explicitada como qualificação normativa repetida em série: מֹאזְנֵי־צֶדֶק (mōʾznê-ṣeḏeq, “balanças justas”), אַבְנֵי־צֶדֶק (ʾavnê-ṣeḏeq, “pedras-peso justas”), אֵיפַת־צֶדֶק (ʾêpat-ṣeḏeq, “efa justo”), וְהִין־צֶדֶק (wəhîn-ṣeḏeq, “him justo”). A formulação torna a equivalência um dever de santidade social: não é apenas uma técnica comercial, mas uma forma concreta de “não cometer injustiça” no campo de medidas e transações, razão pela qual as versões em português oscilam entre manter o adjetivo moral (“Balanças justas”, ARA/ACF) e explicitar o aspecto prático (“balanças de pesos honestos”, NVI; “balanças e seus pesos… exatos”, NVT). A LXX preserva essa tonalidade normativa com o vocabulário de justiça aplicado ao aparato: ζυγὰ δίκαια (zygà dikaia, “balanças justas”), στάθμιον δίκαιον (stathmion dikaion, “peso justo”), μέτρα δίκαια (metra dikaia, “medidas justas”), servindo como ponte lexical entre a linguagem hebraica de “justiça” nas medidas e a terminologia grega de ζυγός (zygos, “balança/jugo”, conforme o contexto).
B. Profetas (Ezequiel): justiça metrológica como parte da restauração comunitária
Em Ezequiel 45.10, a exigência reaparece em contexto programático de reorganização comunitária e reforma pública: “Tereis balanças justas, efa justo e bato justo” (Ez 45.10). O hebraico retoma a mesma arquitetura de Levítico, com a justiça qualificada como atributo metrológico obrigatório: וּמֹאזְנֵי־צֶדֶק (ûmōʾznê-ṣeḏeq, “e balanças justas”), וְאֵיפַת־צֶדֶק (wəʾêpat-ṣeḏeq, “e efa justo”), וּבַת־צֶדֶק (ûbat-ṣeḏeq, “e bato justo”). O valor interpretativo do texto está em fazer da correção das medidas um componente da restauração: a justiça não se limita a piedade individual, mas se materializa em padrões públicos que impedem a opressão cotidiana por fraude de medida. Nisso, algumas versões realçam a dimensão ética (“balanças justas”, ARA; “balanças honestas”, NVI/NVT), enquanto versões inglesas variam entre termos morais e técnicos (“just balances”, ESV/KJV; “accurate scales”, NIV), variação relevante porque “justo” pode preservar melhor o nexo entre medida e retidão, ao passo que “preciso/exato” tende a reduzir o campo semântico à aferição técnica. A Septuaginta confirma que o tradutor antigo leu o texto em chave normativa: καὶ ζυγὸς δίκαιος (kai zygos dikaíos, “e balança justa”) e μέτρον δίκαιον (metron dikaion, “medida justa”), reiterando a linguagem de “justiça” como qualificação do padrão metrológico.
C. Sabedoria (Provérbios): teologia da justiça aplicada à vida cotidiana
Nos provérbios sapienciais, a balança torna-se emblema moral da retidão e da fraude, com fórmulas estáveis que opõem a balança enganosa ao peso íntegro. Em Provérbios 11.1, a repreensão se concentra na falsificação como repulsa teológica: מֹאזְנֵי מִרְמָה (mōʾznê mirmāh, “balanças de fraude”) é “abominação”, enquanto a integridade é figurada por אֶבֶן שְׁלֵמָה (ʾeḇen šəlēmāh, “pedra-peso íntegra”). Em Provérbios 16.11, o tema é elevado a um enunciado de soberania normativa: פֶּלֶס (peles, “balança”) e מֹאזְנֵי מִשְׁפָּט (mōʾznê mišpāṭ, “balanças de juízo”) “pertencem ao SENHOR”, e a padronização se estende a כָּל־אַבְנֵי כִיס (kol-ʾavnê kîs, “todas as pedras-peso da bolsa”), isto é, o conjunto de pesos que garante equivalência na troca. Provérbios 20.23 reforça o mesmo núcleo, agora com a imagem de duplicidade metrológica (“dois pesos”) como prática abominável: אֶבֶן וָאֶבֶן (ʾeḇen wāʾeḇen, “pedra e pedra”, isto é, pesos distintos para situações distintas) e וּמֹאזְנֵי מִרְמָה (ûmōʾznê mirmāh, “e balanças de fraude”) caracterizam a fraude como corrupção do pacto moral que rege a vida comum.
IV. Fraude econômica e crítica profética
Nesta seção, a “balança enganosa” é tratada como um indicador privilegiado de diagnóstico social, porque concentra em um único artefato técnico a passagem do pecado do nível íntimo para o nível estrutural: quando medidas e pesos são adulterados, a exploração deixa de depender de violência aberta e passa a operar como rotina normalizada, invisível e repetível. A crítica profética não se limita a condenar um ato isolado de trapaça, mas descreve um sistema de vida em que a economia se torna linguagem de dominação, o culto é instrumentalizado e a subsistência do vulnerável é capturada por manipulações metrológicas que simulam legalidade. Por isso, a denúncia recai sobre o repertório inteiro do comércio — balanças, medidas, moedas e contrapesos — como evidência pública de um corpo social já corrompido, no qual a injustiça se mede e se calcula (Os 12.7; Am 8.5; Mq 6.11).
A. Oseias: balanças enganosas como “linguagem” do mercador infiel
Em Oseias 12.7, a denúncia profética transforma o instrumento de comércio em marcador de caráter público: não se trata de um simples utensílio de medição, mas de um “idioma” moral pelo qual se reconhece a qualidade das relações sociais. O texto hebraico, tal como preservado, concentra a acusação em duas expressões curtas e densas: כְּנַעַן (kənaʿan, “Canaã; mercador”) e מֹאזְנֵי מִרְמָה (mōʾznê mirmāh, “balanças de fraude”), culminando na cláusula de intenção “amar a opressão”, de modo que a fraude técnica aparece como expressão de um hábito interior e não como desvio ocasional. Em algumas tradições de numeração, o mesmo versículo aparece como Oseias 12.8 no texto hebraico.
A oscilação tradutória mais relevante, aqui, gira em torno de כְּנַעַן: a forma pode ser lida como etnônimo (“Canaã/Canaanita”) ou como designação funcional (“mercador”), e isso altera a nuance do enunciado sem mudar o alvo principal da crítica. KJV/ESV/NASB vertem diretamente como “merchant” em Hosea 12:7, preservando a leitura profissional; NKJV explicita “Canaanite”, mas no mesmo fôlego mantém o foco em “deceitful scales”. Entre versões em português, a ARA concentra a acusação em “mercador… balança enganosa… opressão”; a ACF mantém construção muito próxima; já a NVI e a NTLH aproximam “Canaã” de “comerciantes”/“cananeus” para explicitar o campo semântico, e a NVT parafraseia o quadro social como prática de “comerciantes” que “exploram”, preservando o núcleo ético: fraude ponderal como mecanismo de opressão.
B. Amós: manipulação de medidas e preços
Em Amós 8.5, a crítica avança do objeto “balança” para a engenharia completa da exploração. O retrato é deliberadamente técnico: a cobiça não aparece apenas como desejo de lucro, mas como um conjunto articulado de operações sobre padrões objetivos de troca. O hebraico descreve o plano de “diminuir o efa” em לְהַקְטִין אֵיפָה (ləhaqtîn ʾêfāh, “diminuir o efa”), “aumentar o siclo” em וּלְהַגְדִּיל שֶׁקֶל (ûləhaḡdîl šeql, “aumentar o siclo”) e “falsear balanças de fraude” em וּלְעַוֵּת מֹאזְנֵי מִרְמָה (ûləʿawwēt mōʾznê mirmāh, “falsear balanças de fraude”). O resultado é uma forma de violência que se mascara como normalidade mercantil: o comprador recebe menos mercadoria por unidade e paga mais por um preço nominalmente “correto”, porque o padrão foi adulterado.
O que confere densidade social ao versículo é o enquadramento litúrgico: o comerciante aguarda o fim da “Festa da Lua Nova” e do sábado não por devoção, mas por impaciência econômica, isto é, o calendário sagrado vira obstáculo ao mercado. Nesse cenário, “balanças enganadoras” deixam de ser um detalhe de trapaça e passam a ser sintoma de uma ordem que converte tempo, culto e subsistência em matéria-prima para a extração do excedente. A formulação da ARA é suficientemente transparente para reter o eixo sem exigir desenvolvimento filológico adicional, pois já encadeia medida, preço e fraude como uma única prática.
C. Miqueias: a pergunta retórica sobre inocentar balanças falsas
Em Miqueias 6.11, a balança aparece dentro de uma cena de acusação jurídico-moral: a pergunta não visa informar, mas constranger. O hebraico abre com הַאֶזְכֶּה (haʾezkeh, “devo declarar inocente?”) e em seguida nomeia o objeto do juízo: בְּמֹאזְנֵי רֶשַׁע (bəmōʾznê rešaʿ, “com balanças de perversidade”) e, em paralelo, וּבְכִיס אַבְנֵי מִרְמָה (ûvəkîs ʾavnê mirmāh, “e com bolsa de pedras-peso enganosas”). A imagem “bolsa” é tecnicamente precisa no mundo antigo: os contrapesos — frequentemente pedras calibradas — circulavam e eram guardados, e a crítica recai no repertório completo de instrumentos, não apenas no prato da balança.
O contraste entre versões portuguesas, aqui, é mais de dicção do que de substância: a ACF pergunta “Seria eu limpo com balanças falsas…”, enquanto a NVI formula “puro com balanças desonestas…”, e a NVT desloca para a aceitabilidade pública de “comerciantes… balanças e pesos desonestos”, explicitando o sujeito social implicado. Em todos os casos, o efeito retórico é o mesmo: “balanças” e “pesos” não são apenas indícios de pecado privado, mas prova visível de corrupção estrutural, porque tornam a vida econômica um campo de violação habitual do justo.
V. Balanças e a teologia da criação (ordem, medida, soberania)
Esta unidade reúne os usos não comerciais da linguagem de medida e pesagem para descrever ordem criada e soberania divina, mostrando como a imagem da balança pode funcionar como recurso de escala para relativizar montanhas, mares e nações diante do Criador, e como a ideia de “equilíbrio” serve para expressar a regularidade do mundo como efeito de inteligência superior (Is 40.12; 40.15; Jó 37.16). Na sequência, o mesmo campo lexical reaparece no NT concentrado no termo ζυγός (zygós, “jugo; balança”), ora como metáfora de vínculo pedagógico e obrigação religiosa no discipulado e no debate sobre Lei e servidão, ora como instrumento literal num cenário de racionamento e crise econômica, exigindo distinguir cuidadosamente o registro ético do registro apocalíptico ao interpretar a mesma palavra em contextos diferentes (Mt 11.29-30; At 15.10; Gl 5.1; Ap 6.5-6).
A. Isaías 40: medir águas, “pesar” montanhas, “pesar” nações
A abertura de Isaías 40 emprega a linguagem de mensuração e pesagem não como cenário comercial, mas como recurso de escala: o profeta desloca o leitor do mercado para a criação, descrevendo YHWH como aquele que mede e avalia o cosmos com precisão soberana (Is 40.12). No hebraico, o verso distingue dois termos de pesagem na mesma frase, “וְשָׁקַל בַּפֶּלֶס הָרִים וּגְבָעוֹת בְּמֹאזְנָיִם” (בַּפֶּלֶס, bappeles, “com balança”; בְּמֹאזְנָיִם, bəmōznayim, “com balanças”), o que explica por que versões divergem ao escolher um equivalente técnico para o primeiro membro: a ARA verte “pesou os montes em romana e os outeiros em balança de precisão”, preservando a diferença entre instrumentos, enquanto KJV/ESV preferem “scales/balance” em paralelo (Is 40.12). A mesma estratégia retórica reaparece imediatamente na avaliação das nações: “וּכְשַׁחַק מֹאזְנַיִם נֶחְשָׁבוּ” (מֹאזְנַיִם, mōznayim, “balanças”), isto é, “como pó/poeira de balança”, imagem que reduz o “peso” político das potências a quase nada diante do Criador (Is 40.15). Quando a tradição grega da LXX traduz esse mesmo campo imagético, ela torna particularmente visível o elo terminológico que depois será relevante no NT: em Isaías 40.12 aparece “ἐν σταθμῷ” e “ἐν ζυγῷ” (ζυγῷ, zygō, “com balança”), e em Isaías 40.15 surge “ῥοπὴ ζυγοῦ” (ζυγοῦ, zygou, “de balança”), fixando ζυγός como vocábulo de pesagem nesse horizonte cosmológico (Is 40.12, 15).
B. Jó 37: “equilíbrios” das nuvens
Em Jó 37, a metáfora de pesagem é transposta para a física do céu: o texto interpela o leitor quanto ao “equilíbrio” das nuvens, vinculando regularidade natural e sabedoria divina (Jó 37.16). O hebraico formula a pergunta com “עַל־מִפְלְשֵׂי־עָב” (מִפְלְשֵׂי־עָב, ʿal-mipləśê-ʿāb, “sobre os equilíbrios das nuvens”), e essa expressão tem motivado traduções que oscilam entre manter a imagem mecânica e explicitar o efeito visual: ARA/ACF usam “equilíbrio das nuvens”, KJV registra “balancings of the clouds”, enquanto a NIV prefere uma paráfrase explicativa (“how the clouds hang poised”) (Jó 37.16). Em termos teológicos, a imagem não sugere comércio nem cálculo humano do valor, mas um mundo “ajustado” por inteligência superior: nuvens “em equilíbrio” funcionam como analogia de governo providencial, no qual aquilo que parece leve e instável obedece a medida e ordem que ultrapassam a percepção humana (Jó 37.16).
C. “Jugo” como linguagem de discipulado, Lei e servidão
No NT, o mesmo substantivo ζυγός (zygós, “jugo”) é empregado predominantemente como metáfora de vínculo e sujeição, não como instrumento de pesagem: em Mateus 11.29-30, o convite “tomai sobre vós o meu jugo” enquadra ζυγός como imagem de discipulado e aprendizagem sob autoridade benevolente (Mt 11.29-30). Para Turner, quando Jesus fala do “jugo” em Mateus 11.29, a promessa de “descanso” deve ser lida como eco veterotestamentário do repouso concedido por Deus em (Êx 33.14). Esse “descanso” é articulado com a ideia de um “jugo fácil” por meio de um campo tradicional já empregado para descrever a Sabedoria: a linguagem de aprender sob um jugo e encontrar repouso é semelhante à maneira como a sabedoria é apresentada em (Sir 6.23–31; 24.19; 51.23–27), em continuidade com a personificação de Provérbios (Pv 8.1–21, 32–36; 9.4–6), com ressonâncias internas em Mateus (Mt 11.19; 23.34). Nesse quadro, Jesus assume o papel de Sabedoria e, como intérprete definitivo da Torá, é o agente exclusivo que concede descanso ao povo de Deus (Mt 5.17–48) (TURNER, Matthew, 2008, p. 305, cf. LAANSMA, I will give you rest, 1997, pp. 6–9, 159–208).
A leitura de Turner também pressupõe um contraste implícito entre o jugo de Jesus e o “jugo” e “fardos” associados ao farisaísmo (At 15.10; Gl 5.1; Mt 23.4; Lc 11.46). O ponto não é que a Torá escrita seja em si um peso opressivo; o problema reside em tradições orais farisaicas que, ao se sobreporem à Torá, “carregam” aqueles que desejam obedecê-la (Mt 15.3–9). O paradoxo de falar em “jugo fácil” e “fardo leve” é central: embora Jesus rejeite tradições que obscurecem “as coisas mais importantes da lei” (Mt 15.3–20; 23.16–24), ele não apresenta um discipulado menos exigente, já que a justiça requerida supera a dos fariseus (Mt 5.20). A diferença decisiva, para Turner, é qualitativa e pedagógica: Jesus é o revelador único do Pai e o mestre definitivo da Torá (Mt 5.17–48), e seu ensino é marcado por mansidão e humildade (Good 1999), em contraste com orgulho e ostentação (Mt 6.1–18; 23.1–12). Assim, enquanto tradições podem obscurecer e até transgredir obrigações da Torá (Mt 15.3, 6), o foco de Jesus nas “matérias mais importantes” produz, paradoxalmente, um jugo “mais leve” (1Jo 5.3) (cf. BETZ, The Logion of the Easy Yoke and of Rest (Matt 11:28–30), 1967; DEUTSCH, Hidden Wisdom and the Easy Yoke, 1987; JANZEN, Yoke that Gives Rest, 1987; MAHER, ‘Take my yoke upon you’ (Matt. xi. 29), 1975; STANTON, A Gospel for a New People, 1992, pp. 364–77.).
Em Atos 15.10, a palavra sustenta a crítica a um “jugo” imposto, isto é, um regime oneroso que constrange a comunidade, reforçando o valor social e religioso do termo como figura de carga e obrigação (At 15.10). Em Gálatas 5.1, ζυγός se fixa na expressão “ζυγῷ δουλείας” (ζυγῷ, zygō, “jugo”), conectando o termo à ideia de servidão e regressão a um estado de sujeição (Gl 5.1). A recorrência desse uso explica por que traduções portuguesas e inglesas, nesses contextos, convergem quase sem variação para “jugo/yoke”, reservando “balança/scales” para outros gêneros e cenas discursivas (Mt 11.29-30; At 15.10; Gl 5.1).
D. “Balança” em Apocalipse 6 (economia, racionamento, crise)
Em Apocalipse 6, o mesmo campo lexical reaparece, agora literalmente, no imaginário de crise: o cavaleiro do cavalo preto surge “ἔχων ζυγὸν ἐν τῇ χειρὶ αὐτοῦ” (zygon, “balança”), e o contexto imediato explicita racionamento por meio de medidas e preços de alimentos, fazendo do instrumento um sinal visual de escassez e controle econômico (Ap 6.5-6). Por isso, aqui as versões tendem a alinhar-se em “balança/scales”, e a própria cena exige leitura distinta daquela dos textos do “jugo”: não se trata de submissão ética a um mestre ou de obrigação religiosa, mas de mensuração do sustento e compressão do cotidiano sob pressão histórica (Ap 6.5-6).
VII. Origem histórica e difusão inicial da pesagem
A história das balanças e dos sistemas de peso no Antigo Oriente Médio e no Mediterrâneo oriental deve ser entendida como um processo de longa duração em que um gesto técnico — comparar massas por meio de um instrumento — se transforma em infraestrutura econômica e, por consequência, em linguagem social de equivalência. Nesse horizonte, o foco não recai apenas sobre a existência física de pratos, hastes e contrapesos, mas sobre a estabilização de unidades reconhecíveis e sobre a capacidade dessas convenções de atravessar fronteiras políticas e culturais, permitindo que bens circulassem com menor fricção e maior previsibilidade. Assim, esta parte estabelece o quadro de surgimento e difusão do “pensar por peso”, delineando os parâmetros cronológicos, os principais vetores de conectividade e os critérios mínimos para distinguir invenção técnica, adoção prática e institucionalização de padrões em diferentes regiões.
A. Origem e difusão do “pensar por peso”
A consolidação da tecnologia de pesagem no limiar do quarto para o terceiro milênio a.C. é tratada como uma inflexão histórica porque torna mensurável, por referência comum, aquilo que antes dependia de avaliações circunstanciais e comparações locais: a quantificação de valor econômico por massa. Nesse enquadramento, a origem é colocada no eixo Mesopotâmia–Egito em torno de 3000 a.C., e a difusão é descrita como ampla, alcançando o conjunto da Eurásia ocidental num horizonte de aproximadamente dois milênios, com incorporação progressiva à prática mercantil e à circulação de bens em longa distância (IALONGO; HERMANN; RAHMSTORF, Broze Age Weight Systems as a Measure of Market Integration in Western Eurasia, 2021, p. 1). O mesmo enquadramento caracteriza a adoção como fenômeno de escala macro-regional, isto é, não limitado a enclaves administrativos, mas suficientemente disseminado para constituir infraestrutura econômica compartilhável entre regiões. A consequência metodológica dessa leitura é direta: quando a transação se ancora em peso, o intercâmbio pode operar com um “quadro de referência” que reduz incerteza e estabiliza comparações, deslocando a negociação do campo puramente qualitativo para um regime de equivalências controláveis.
A difusão é descrita como “gradual” e, ao mesmo tempo, linear, isto é, como um processo que se alonga no tempo, mas mantém direção cumulativa, produzindo novas convenções metrológicas quando alcança novas macrorregiões. Essa formulação sustenta a ideia de que o aparecimento de sistemas de peso não é um evento isolado, e sim um rastro mensurável de conectividade econômica, no qual unidades locais surgem e se estabilizam à medida que redes comerciais se ampliam e demandam conversões funcionais entre padrões distintos. O mecanismo explicativo proposto privilegia a interação de agentes de troca como motor suficiente para transmissão técnica e consolidação de unidades, de modo que a circulação de mercadorias implicaria também circulação de práticas de mensuração, com a emergência de sistemas primários como efeito agregado da interação mercantil e de processos de ajuste ao erro. Nessa mesma linha, a formação dos primeiros sistemas é explicitamente apresentada como incompatível com intervenção política “substancial” como causa dominante, o que desloca o foco de uma metrologia imposta para uma metrologia que se estabiliza por práticas reiteradas e controles inerentes ao funcionamento do mercado.
No Mediterrâneo oriental do Bronze Recente, a mesma lógica é descrita em termos de intensificação de contatos e circulação, com crescimento “sem precedentes” do movimento de bens, ideias e pessoas, e com o comércio assumindo papel de primeira grandeza na articulação entre entidades sociopolíticas diversas, isto é, em ambientes onde padronizações práticas se tornam condição de interoperabilidade (DE BENEDICTIS, Weighing in Cyprus, 2024, p. 240). Nessa moldura, o peso funciona como solução técnica para um problema recorrente: divergências sobre quantidades em trocas interlinguísticas e inter-regionais; ao menos para certos bens — com destaque para metais — a quantificação por peso elimina uma classe específica de disputas, justamente porque desloca o acordo para uma variável mensurável e verificável por instrumentos. A operacionalidade desse regime depende não apenas de objetos materiais, mas de convenções intangíveis que organizam a mensuração, e a caracterização de “sistemas de medida” como componente intangível explicita a base conceitual que torna possível a circulação de pesos e balanças como tecnologia social, e não apenas como ferramenta isolada.
B. Unidades, padrões e análise quantitativa de sistemas de peso
A reconstrução de padrões ponderais a partir de pesos arqueológicos exige partir do fato de que conjuntos reais raramente reproduzem uma “unidade-base” como um valor único e perfeito, porque a dispersão estatística emerge da combinação entre limitações de medição e escolhas humanas na produção e no uso cotidiano. (IALONGO et al., Breaking down the bullion, 2018, p. 22)
Nesse quadro, análises puramente descritivas de frequências e agrupamentos por classes de massa são úteis para visualizar tendências, mas não autorizam, por si só, inferências sobre uma “população” normativa subjacente, nem distinguem com segurança padrões concorrentes quando amostras pequenas, contextos mistos e séries heterogêneas se sobrepõem. (IALONGO et al., op. cit., p. 24)
Por isso, a noção de “unidade” deve ser tratada como intervalo de tolerância, e não como ponto exato, de modo que o primeiro passo metodológico é explicitar o erro aceitável para cada conjunto antes de comparar regiões, períodos ou corpora.
A própria comparabilidade entre sistemas distintos depende de formalizar essa tolerância, pois, sem um modelo explícito de erro, similaridades aparentes podem ser coincidências métricas produzidas por ruído. Quando o corpus contém pesos inscritos, eles funcionam como ancoragem independente para estimar a variabilidade esperada de um padrão e para avaliar o grau de precisão efetivamente praticado.
Mesmo quando os pesos são formalmente “padrões”, a mensuração experimental e a arqueometria apontam que uma parte relevante da variabilidade pode provir do próprio instrumento de pesagem, o que impede exigir precisão moderna de sistemas antigos e condiciona qualquer reconstrução quantitativa.
Nesse contexto, a interpretação de clusters metrológicos precisa incorporar a possibilidade de que unidades supostamente distintas se tornem praticamente indistinguíveis dentro das margens de erro, produzindo convergências que não equivalem necessariamente a identidade histórica de padrão.
Para lidar com o problema clássico de “unidade-base” e seus múltiplos e frações, métodos orientados por quanta são especialmente úteis, porque podem evidenciar picos recorrentes que correspondem a progressões multiplicativas, permitindo testar, em nível de conjunto, se há coerência interna compatível com um padrão. (HAFFORD, Weighing in Mesopotamia, 2012, p. 34)
A leitura desses picos, porém, não deve ser isolada do diagnóstico de precisão dos próprios artefatos, já que séries de menor qualidade tendem a ampliar ruído e a alargar picos, afetando a nitidez dos resultados e podendo mascarar padrões locais mais frágeis.
O dado morfológico dos pesos integra a discussão quantitativa, pois o cuidado artesanal e a padronização material dos objetos ajudam a explicar por que certos subconjuntos apresentam melhor comportamento estatístico do que outros, sobretudo quando o corpus preserva exemplares produzidos com alta atenção formal.
C. Origem e difusão da pesagem por balança
A documentação mais segura para a presença de balanças no Oriente Antigo combina, de um lado, representações e, de outro, achados materiais raros e fragmentários, de modo que a datação da “origem” deve ser formulada com cautela metodológica e não como um ponto fixo. No caso egípcio, as pinturas tumulares funcionam como indício antecipado do uso do instrumento, e a evidência iconográfica é explicitamente situada já no Antigo Reino, ainda que isso não se converta automaticamente em abundância arqueológica de peças preservadas. A referência a Giza e Saqqara como locus dessas representações define um horizonte histórico concreto para a visualidade do gesto de pesar, anterior ao aparecimento frequente de componentes metálicos escavados. (RAHMSTORF, In search of the earliest balance weights, 2006, p. 18).
A mesma linha de argumentação distingue entre a existência do dispositivo e a sua visibilidade material no registro escavado: o fato de a balança ser admitida como conhecida muito cedo não implica que hastes, ganchos e pratos tenham sobrevivido, pois a preservação depende de materiais e de contextos de deposição. Por isso, mesmo quando se menciona uma cronologia muito alta para o aparecimento, o próprio enquadramento ressalta a baixa frequência de achados efetivos, o que impede reconstruções lineares do tipo “invenção → difusão imediata → padronização plena” (Ibid., p. 17). Essa raridade se expressa, no mesmo trecho, como escassez de partes preservadas, o que desloca o peso probatório para evidências indiretas e para comparações tipológicas controladas (Ibid.).
Em Mesopotâmia, o quadro é ainda mais sensível à crítica interna, porque parte da bibliografia mais antiga foi construída a partir de atribuições discutíveis de objetos “figurativos” como pesos. A advertência metodológica é frontal: certas identificações correntes não passam de hipótese, e a passagem do “pode ser” ao “é” ocorre, por vezes, por repetição secundária e não por demonstração. A mesma avaliação explicita que tal hipótese não resulta de tratamento sistemático do material, de modo que não deve servir como ponto de partida firme para genealogias tipológicas de pesos metálicos posteriores (Ibid., p. 19).
O exemplo de Tepe Gawra mostra como a cronologia interna do sítio condiciona qualquer afirmação sobre “primeiros pesos”: quando os níveis estratigráficos disputam datações e correlações, a localização temporal dos objetos torna-se dependente da crítica à própria sequência publicada. A indicação de que determinado nível é especialmente problemático torna-se, nesse cenário, um freio à tentação de empurrar os achados para o quarto milênio sem base robusta. A consequência argumentativa é clara: na ausência de evidências inequívocas para pesos de balança no quarto milênio, a alocação mais provável para certos exemplares deve recuar para o terceiro milênio, modulando a narrativa de origem e exigindo que a “difusão” seja descrita a partir de focos e ritmos historicamente verificáveis, não por projeção retrospectiva.
A difusão regional, quando observada já em plena Idade do Bronze Tardia no Mediterrâneo Oriental, aparece associada a um contexto de intensificação de circulação e de necessidades técnicas de quantificação comparável entre parceiros distintos. Nesse recorte, a função social do pesar emerge como resposta a fricções práticas do intercâmbio, sobretudo quando o bem transacionado é metal e a negociação de quantidade precisa escapar a sistemas locais divergentes. Nesse enquadramento, a passagem da simples avaliação visual para a quantificação por peso supõe a conjunção de padrão e equipamento, isto é, de um elemento “intangível” e de um conjunto material que operacionaliza a medida. A própria formulação que identifica a Mesopotâmia do terceiro milênio como o primeiro padrão amplamente documentado delimita um ponto de apoio para compreender por que, mais tarde, padrões mesopotâmicos e sírios podem coexistir no Mediterrâneo Oriental, sem que isso implique uniformidade total, mas antes uma ecologia de padrões em circulação. (DE BENEDICTIS, op. cit., p. 240) e balanças completas (menos conhecidas) reintroduz o problema da preservação material como variável decisiva, lembrando que a expansão do “pensar por peso” nem sempre é acompanhada pela sobrevivência arqueológica do instrumento inteiro.
D. Mesopotâmia como laboratório metrológico: contextos, materiais e práticas
A leitura integrada dos achados de Ur evidencia que a circulação de pesos se distribui por esferas domésticas, industriais, funerárias e públicas, mas com assimetrias informativas relevantes para a interpretação. A amostra com procedência doméstica estrita é reduzida quando comparada ao conjunto total, sobretudo porque muitos registros derivam de áreas domésticas amplas, não de unidades residenciais identificáveis, o que limita reconstruções microcontextuais de consumo e transação em escala de casa. (HAFFORD, op. cit., p. 27). Em contrapartida, o peso relativo dos achados em áreas públicas supera o das áreas privadas, caso os enterramentos não sejam computados como parte do domínio privado, o que indica que a documentação arqueológica tende a privilegiar circuitos institucionais e de padronização sobre a rotina doméstica (Ibid., p. 31). No domínio funerário, o contraste entre o número total de sepultamentos e a ocorrência efetiva de pesos em contextos de túmulo reforça que o depósito de instrumentos de pesagem não foi uma convenção generalizada de sepultamento no sítio, mas uma prática seletiva ligada a identidades e usos específicos (Ibid., p. 29).
A distribuição por períodos e perfis de sepultamento sugere que os pesos, quando integrados ao mobiliário funerário, funcionam mais como indício de práticas ordinárias e de ofícios do que como emblema ritual padronizado. A concentração temporal em horizontes específicos, particularmente na fase Larsa/Old Babylonian, orienta a leitura para vínculos com economias domésticas e profissionais desse momento, em que sepultamentos sob pisos de casas aparecem como locus recorrente de achados de pesos. A presença de conjuntos completos é interpretativamente decisiva, pois a funcionalidade de pesagem exige séries graduadas, enquanto a ocorrência de exemplares isolados pode apontar para usos representacionais ou identitários, e não necessariamente para a continuidade operacional do instrumento no contexto depositado.
No eixo “oficinas e produção”, o bairro de Diqdiqqeh constitui um caso privilegiado para entender a articulação entre pesos e atividades manufatureiras, uma vez que é caracterizado como zona periférica destinada a artes menores e com perfil industrial, o que fornece um enquadramento socioeconômico coerente para a concentração de materiais ligados a produção e circulação (Ibid., p. 28). A proporção de pesos procedentes desse setor, dentro do conjunto com procedência especificada, reforça que a pesagem não é apenas um fenômeno de elite ou templo, mas também um instrumento de trabalho em cadeias produtivas e circuitos de troca associados a especializações locais. Esse dado sustenta a leitura de Ur como um campo empírico em que práticas metrológicas podem ser correlacionadas a topografias de trabalho, não apenas a depósitos cerimoniais.
Quanto aos materiais, a seleção evidencia racionalidade prática ligada a propriedades físicas e à estabilidade do padrão. A preferência por hematita é apresentada como uma escolha tecnicamente vantajosa em virtude de durabilidade e alta densidade, o que favorece calibragem e conservação de massa em objetos relativamente pequenos (Ibid., p. 12). Ao lado disso, a presença de pedras semipreciosas em exemplares menores, bem como ocorrências raras em materiais menos adequados como argila cozida e concha, sugere um espectro funcional em que, em casos específicos, valores estéticos, disponibilidade ou substituição circunstancial podem interferir na escolha. No plano dos recipientes de pesagem, a documentação material aponta para o uso de pratos de balança em cobre, incluindo exemplares preservados, o que fornece lastro arqueológico direto para a infraestrutura instrumental do ato de pesar. A morfologia de certos pesos é interpretada como adaptada ao comportamento físico sobre superfícies relativamente planas, com soluções destinadas a reduzir instabilidade e rolamento durante a medição.
O contraste entre pesos inscritos e não inscritos funciona como marcador de função social e de regime de controle. A existência de um subconjunto numericamente delimitado de pesos com inscrição em Ur permite distinguir, dentro do universo total, exemplares vinculados a declaração explícita de valor metrológico, dedicação ou autoridade, em oposição à massa de itens sem marcação textual (Ibid., p. 21). Em espaços públicos próximos ao complexo do zigurate, destaca-se um perfil de objetos mais bem acabados e frequentemente inscritos, o que converge para um cenário em que a esfera institucional promove e exibe a normatização das medidas como um bem público e, ao mesmo tempo, como capital simbólico de governo e culto (Ibid., p. 31).
Além do registro arqueológico, a prática de pesagem aparece também como horizonte intelectual pressuposto em exercícios matemáticos do período paleobabilônico, nos quais “pedras” são tratadas explicitamente como pesos-padrão manipuláveis, reforçando a familiaridade cultural com objetos calibrados e com operações de ajuste de massa. (MELVILLE, Weighing Stones in Ancient Mesopotamia, 2002, p. 1). A caracterização desses pesos como artefatos cuidadosamente conformados, às vezes com modelagens não representacionais, converge com a ideia de que o objeto de pesar não é um mero fragmento natural, mas um instrumento produzido para estabilidade e reconhecimento tipológico. A recorrência de enunciados que partem da ação de pesar e da obtenção de um valor fixo em “1 mana” explicita que a balança e o procedimento de pesagem constituem o pano de fundo operacional dessas tarefas, não uma abstração isolada. Mesmo o registro do humor erudito atribuído ao formato dos problemas indica que o ato de pesar era suficientemente cotidiano para sustentar jogos pedagógicos sem perda de inteligibilidade (Ibid., p. 2).
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Cite este artigo:
GALVÃO, Eduardo. Balança. In: Enciclopédia Bíblica Online. [S. l.], 13 set. 2016. Disponível em: [Cole o link sem colchetes]. Acesso em: [Coloque a data que você acessou este estudo, com dia, mês abreviado, e ano].


