2019/09/02

Estudo sobre Ezequiel 20

Estudo sobre Ezequiel 20

Estudo sobre Ezequiel 20




Ezequiel 20
VI. OS ÚLTIMOS DIAS DE JERUSALÉM (20.1—24.27)
1) Um histórico de infidelidade (20.1-44)
Avançamos um ano e chegamos a mais um conjunto de oráculos, mais agourentos e nefastos, se é que isso é possível, do que os anteriores; pois agora, assim parece (cf. 21.18ss,25ss), a quebra do tratado por parte de Zedequias chegou ao conhecimento de Nabucodonosor, e Nabucodonosor está determinado a tomar atitudes decisivas contra Jerusalém: a queda da casa de Davi é inevitável. O primeiro dessa série de oráculos assume a forma de uma retrospectiva divina da infidelidade de Israel “desde que saíram do Egito até agora” (Nm 14.19).
a) A consulta dos líderes (20.1-3). v. 1. A data é 14 de agosto de 591 a.C. alguns dos líderes de Israel, cf. 14.1. (também 8.1). v. 3. não deixarei que vocês me consultem-, a razão foi dada em 14.3.
b) Infidelidade no Egito (20.4-8). v. 4. Você os julgará?-. Ezequiel é convidado a concordar com o juízo de Deus (cf. 22.2; 23.36). confronte-os com as práticas detestáveis dos antepassados-. agora não são descritas alegorica-mente como no cap. 16, mas historicamente, v. 5. Eu sou o Senhor, o seu Deus: cf. a mensagem com que Moisés foi enviado de volta a eles (Ex 3.14, 15); a formulação presente ecoa em todo o Código de Santidade (cf. Lv 18.2,30 etc.), v. 6. terra onde manam leite e mel: cf. Ex 3.8 etc; a frase reflete uma economia principalmente pastoril (mais do que agrícola). v. 7. Desfaçam-se [...] das imagens repugnantes: o seu envolvimento com os ídolos do Egito não é registrado explicitamente na narrativa do Pentateuco, mas o fato de os hebreus terem adorado “outros deuses” em uma data mais antiga ainda é lembrado em Js 24.2,14 (com uma simples referência no último versículo à idolatria no Egito, que poderia, no entanto, ser uma referência à continuação no Egito de uma prática semita antiga).
c)    Infidelidade da primeira geração no deserto (20.9-17). O período no deserto não é tratado aqui como uma época de inocência de lua-de-mel, como em Jr 2.2 e Os 2.14,15; mas a apresentação nesse capítulo está bem alinhada com a narrativa do Pentateuco e encontra eco no discurso de Estêvão (Atos 7.3944), com a sua interpretação de Am 5.25-27. v. 9 .por amor do meu nome..:, i.e., minha reputação; cf. Ex 9.16; Js 7.9 (e, nesse sentido, Nm 14.13-16; Is 43.25; 48.11). v. 11 .pois aquele que lhes obedecer por elas viverá-, um eco de Lv 18.5 (cf. Lc 10.28; Rm 10.5). v. 12. Também lhes dei os meus sábados como um sinal entre nós: i.e., um símbolo e recordação da aliança; cf. Ex 31.13-17. eu, o Senhor, fiz deles um povo santo: cf. Ex 31.15; Lv 20.8; 21.8, 15,23; 22.9, 16,32. v. 13. Profanaram...: em vez de santificá-los de acordo com o mandamento (Ex 20.8; Dt 5.12). v. 15 .jurei a eles que não os levaria para a terra: cf. Nm 14.22ss; SL 95.11.
d) Infidelidade da segunda geração no deserto (20.18-26). Somente as crianças que saíram do Egito sobreviveram até o fim da peregrinação no deserto (Nm 14.31,33), mas são descritas como não sendo melhores do que os seus pais. Esses filhos, por sua vez, também rejeitaram as mesmas orientações que haviam sido dadas a seus pais. v. 23. jurei [...] que os espalharia: cf. Lv 26.14-39; Dt 28.15-68; 32.26. v. 25. decretos que não eram bons: leis divinas (“aquele que lhes obedecer viverá por elas”, v. 21) se tornaram, pelo mau uso, meios de morte, e não de vida (cf. Rm 7.10, em que a aplicação, aliás, é diferente da de Ezequiel). v. 26. deixei que se contaminassem [...] pelo sacrifício de cada filho mais velho: por exemplo, eles interpretavam mal Ex 13.2 (“Consagre a mim todos os primogênitos”) e mandamentos semelhantes, embora Ex 13.13 deixe claro que essa “consagração” não inclui sacrifício de crianças, que é expressamente proibido em Lv 18.21. Eles consideravam que o sacrifício do primogênito (cf. Mq 6.7) era ainda mais agradável a Deus do que a redenção deles (cf. Êx 34.20b). O profeta contemporâneo de Ezequiel representa Deus dizendo que essa abominação era ”coisa que eu nunca ordenei e que jamais me veio à mente” (Jr 7.31; cf. 19.5; 32.35). Em vista da própria linguagem de Ezequiel no v. 31 a seguir (cf. 16.20), ele entende claramente a ação de Deus aqui como punitiva; cf. SL 18.26 (“com o perverso reages à altura”); Rm 1.24,26,28 (“Deus os entregou à impureza sexual”). Diz-se que Acaz e Ma-nassés sacrificaram os seus filhos (2Rs 16.3; 21.6). para que eu os enchesse de pavor, e assim produzir revolta.
e)  Infidelidade na terra prometida (20.27-29). Depois de se estabelecerem em Canaã, os israelitas assimilaram os santuários e os cultos de fertilidade cananeus. v. 28. um monte alto ou uma árvore frondosa [...] incenso aromático: cf. 6.13. faziam ofertas que provocaram a minha ira: sacrifícios idólatras que provocavam a ira de Javé (a LXX não contém essa frase), v. 29. Que altar éeste. NEB: “santuário no monte”. V. uma discussão completa em P. H. Vaughan, The Meaning of “bãmâ”in the OT, 1974). O termo hebraico bamah aqui é derivado por paranomásia de mah (“o quê?” ou “onde?”) e ba’ (“indo”), para fazer significar “um lugar para onde as pessoas vão”.
f)    Infidelidade até no exílio? (20.30,31). Pergunta-se aos líderes, os representantes da comunidade do exílio, se eles vão persistir na idolatria dos seus ancestrais. Se eles tivessem de dar a resposta por Sl mesmos, a resposta seria “Sim” — a razão para Javé não permitir que me consultem é, como em 14.2-5, que “eles ergueram ídolos em seus corações”. Mas Javé vai lidar com eles de forma soberana, purificando-os da rebeldia por meio do castigo do exílio e restaurando-os para servi-lo na terra santa.
g) Juízo e restauração (20.32-44). Independentemente das tendências idólatras que os exilados nutrirem, Deus vai freá-los; com uma mão firme e irresistível, ele vai fazê-los voltar para o caminho da obediência, de forma que, quando eles forem levados de volta para a sua própria terra, será como adoradores de Javé.
v. 33. com mão poderosa e braço forte, como no êxodo (Dt 4.34 etc.), dominarei sobre vocês: ele havia sido o seu rei desde o êxodo (Êx 15.18; 1Sm 8.7; SL 47.6,7, Is 6.5 etc.), mas a partir daí ele iria exercer o seu reinado de forma mais absoluta do que nunca. Aliás, depois de Joaquim (1.2), Ezequiel raramente (como em 17.16; 37.22,24) dá o título de “rei” a qualquer governante de Israel (cf. 21.25), nem mesmo ao príncipe vindouro da casa de Davi (cf. 34.24; 37.25; 44.3 etc.), v. 35. o deserto das nações-, dessa vez, um deserto figurado, talvez, mas seria o local do seu novo julgamento, assim como o deserto do Egito (v. 36) havia servido de local de julgamento para os seus pais. v. 37. Contarei vocês enquanto estiverem passando debaixo da minha vara-, a continuação e os trarei para o vínculo da aliança também está no TM, mas algumas versões não trazem. O pastor conta as suas ovelhas (“pelo número”, assim a RSV, preferindo a LXX ao TM), segurando a sua vara sobre elas à medida que entram no aprisco uma a uma; qualquer uma que não pertencer ao seu rebanho será rejeitada. Assim, o rebanho de Deus será expurgado dos rebeldes; o que acontecerá a esses rebeldes não está claro. v. 39. Vão prestar culto a seus ídolos-, a NEB é melhor quando traz “Vão e eliminem...”, certamente me ouvirão-, melhor seria “nunca serão desobedientes a mim...” (NEB). A comunidade dos exilados, purificada pelo castigo no exílio e expurgada dos seus rebeldes, será restaurada e trazida de volta à terra de Israel e servirá Deus dos seus pais no seu santo monte (Sião) com ofertas e dádivas sagradas (v. 40). Eles mesmos serão aceitáveis a ele por meio de incenso aromático (e não como...-, v. 41); os seus sacrifícios serão aprovados porque serão oferecidos por pessoas que desejam fazer a vontade dele de coração, v. 41. e me mostrarei santo-, lit. “eu permitirei ser santificado”; a sua santidade, que tinha sido vindicada por meio do castigo do seu povo apóstata, agora será vindicada diante das nações (cf. SL 98.2, 3) por meio da restauração do seu povo arrependido. v. 44. por amor do meu nome\ cf. os v. 9,14,22.

2) Quatro oráculos da espada (20.45—21.32)
Os quatro oráculos dessa seção estão ligados pelo tema da “espada” que é encontrada em cada um.
a)    Uma espada contra Jerusalém (20.45—21.7). Os últimos cinco versículos (v. 45-49) do cap. 20 nas versões em português aparecem de maneira mais adequada como 21.1-5 no TM.
v. 46. vire o rosto para o sul. três palavras hebraicas para sul são usadas nesse versículo: ”Temã” (assim a NEB), darôm e Neguebe. As três são usadas aqui no sentido geral de sul. quando alguém se aproximava da terra de Judá pelo caminho comum vindo da Babilônia, vinha do norte para o sul (via Car-quemis). Da mesma forma, em 26.7 o rei da Babilônia vem de Tiro, “do norte”. A região sul é comparada a uma floresta prestes a ser destruída completamente pelo fogo. Mas o fogo é aceso por Javé; na verdade, a região está para ser invadida pelo exército babilónico, e a espada que ele empunha é a espada de Javé (21.2-5).


Índice: Ezequiel 1 Ezequiel 2 Ezequiel 3 Ezequiel 4 Ezequiel 5 Ezequiel 6 Ezequiel 7 Ezequiel 8 Ezequiel 9 Ezequiel 10 Ezequiel 11 Ezequiel 12 Ezequiel 13 Ezequiel 14 Ezequiel 15 Ezequiel 16 Ezequiel 17 Ezequiel 18 Ezequiel 19 Ezequiel 20 Ezequiel 21 Ezequiel 22 Ezequiel 23 Ezequiel 24 Ezequiel 25 Ezequiel 26 Ezequiel 27 Ezequiel 28 Ezequiel 29 Ezequiel 30 Ezequiel 31 Ezequiel 32 Ezequiel 33 Ezequiel 34 Ezequiel 35 Ezequiel 36 Ezequiel 37 Ezequiel 38 Ezequiel 39 Ezequiel 40 Ezequiel 41 Ezequiel 42 Ezequiel 43 Ezequiel 44 Ezequiel 45 Ezequiel 46 Ezequiel 47 Ezequiel 48


Nenhum comentário:

Postar um comentário